2. GENEL BİLGİLER
2.2. Mesane Kanseri
2.2.2. Etiyoloji
Em 1996, terminada a gestão do petista Professor Carlos Alberto R. Maldonado (1995- 1996) assumiu a pasta o ex-prefeito de Rondonópolis, do PMDB, o médico Fausto Farias (1997-1998). Enquanto a gestão do primeiro foi pautada, como já analisado, pela implantação
do Sistema Único de Educação em Mato Grosso e a realização da I Conferência de Educação com esse objetivo, a gestão de Farias teve como mote a formação de professores.74 Pela primeira vez, a questão da formação continuada assumiu destaque na agenda de governo. Em agosto de 1997, foi proposta a criação do Centro de Formação e Atualização do Educador – CEFAE.75
Em Rondonópolis, professores da Escola Estadual Sagrado Coração de Jesus e a Universidade Federal de Mato Grosso – UFMT,76 estimulados pela experiência do CEFAM77
(1990), haviam organizado grupo de estudos e desenvolviam trabalhos relacionados à formação de professores. O CEFAE teve inspiração nessas iniciativas. O objetivo era oferecer condições diferenciadas de formação de professores à rede pública. Além da formação continuada, a proposta era implantar um curso de ensino médio normal em período integral, a exemplo do que ocorreu no CEFAM/SP. Entretanto, o governo não garantiu as condições de seu funcionamento. Outro objetivo importante era a erradicação de professores leigos.78 A perspectiva do centro, segundo o documento/proposta, seria atender tanto as escolas da rede estadual quanto as municipais e privadas, com prioridade para as primeiras. Expressava assim, a preocupação formal com o atendimento de todo sistema de ensino, aproximando do preconizado na constituição estadual. A perspectiva organizacional fundamentava-se no relacionamento entre escola e centro, ou seja, os cursos ofertados pelo centro deveriam ser discutidos e organizados a partir da necessidade da escola enquanto coletivo de professores, não sendo aceitas inscrições individuais para participação nos programas:
Portanto, as vagas nos Centros, são conferidas às escolas que enviarem o seu grupo de professores para atualização. Depreende-se, daí, o entendimento de que as vagas para os professores freqüentarem o curso são cedidas para a escola que aderiu ao projeto, isto é, o Centro não trabalha com o professor individualmente. Outrossim, é necessário esclarecer que, quando um professor é transferido de escola, e sua nova escola não está integrada ao projeto, sua vaga será atribuída ao seu substituto (MATO GROSSO, 1997, p.18)
74 Durante o período de 1995/2002 que compreende os dois mandatos do Governo Dante de Oliveira, passaram pela Secretaria de Educação 06 diferentes secretários: 1995 - Walter Albano, Carlos Alberto Reys Maldonado (1995-96), Fausto Farias (1997-1998), Antonio Joaquim Rodrigues Neto (199-2000), Marlene Silva (2001). Nesses mandatos Marlene Silva assumiu a função de Secretária Adjunta, com exceção do período de Fausto Faria, quando era chefe de Gabinete.
75MATO GROSSO (Estado). Secretaria de Estado de Educação. Centro de Formação e Atualização do Educador. Novo paradigma para a formação do professor. Cuiabá, agosto, 1997. Mimeo.
76 Campus de Rondonópolis.
77 Centros Específicos de Formação e Aperfeiçoamento do Magistério – CEFAM, experiência do Estado de São Paulo na formação continuada de professores.
A orientação de trabalho com a escola a partir de suas necessidades e do seu projeto de desenvolvimento coletivo, diferencia-se do modelo que se consolidou em Mato Grosso, centrado na demanda e na escolha individual do professor-aluno dos cursos de seu interesse, sem relação ou envolvimento com o projeto da escola.
O centro tinha a pretensão de ser não apenas um lócus de formação do magistério; integraria ensino, pesquisa e extensão como estratégia de formação inicial e continuada, articulada à produção de conhecimento sobre a realidade educacional do estado. Pretendida dar condições à avaliação e formulação das políticas voltadas à profissionalização do magistério e à melhoria da qualidade do ensino. No futuro poderia se constituir em Centro Superior de Formação de Professores (com atividades de ensino, pesquisa e extensão). Tornar-se-ia referência para outras escolas e para o sistema de ensino como um todo.
A proposta do CEFAE pareceu arrojada para a realidade de Mato Grosso, entretanto, a falta de clareza sobre seu financiamento, a ausência de dotação orçamentária específica e o fato de suas unidades serem criadas nas próprias escolas, desde que estas pudessem oferecer melhores condições para ―abrigá-los‖, demonstra a limitação de um projeto sem lastro para tornar efetivos os seus propósitos.79 Em relação aos municípios, apesar de contemplar a participação das escolas municipais, não se previu mecanismos para isso.
A proposta foi elaborada no ano seguinte àquele em que se deu a discussão sobre o SUEB/SUDEB sem retomar, no entanto, as questões sobre sistema único da educação. Tal situação se explica pela mudança do gestor na secretaria de educação e a recomposição das forças políticas. As descontinuidades não acontecem apenas em razão de mudanças de governo. A notória ausência de um projeto claro e apoiado pelos agentes que, de fato, implementam as políticas (membros da comunidade escolar) e seu fraco empoderamento, tornam essas mesmas políticas vulneráveis às intempéries tanto de governos quanto de secretários num mesmo governo. É movediça a constituição do campo institucional da educação e o atrelamento ao campo político indica sua pouca autonomia.
O CEFAE não chegou ser implantado como tal e a proposta evoluiu para a criação dos CEFAPRO‘s naquele mesmo ano (1997). Em 27/12/2005 passa a denominação: Centro de Formação e Atualização dos Profissionais de Educação Básica do Estado de Mato Grosso, mantendo a mesma sigla. Foram criadas 03 unidades: Cuiabá, Rondonópolis e Diamantino. No início desta pesquisa (2008) eram 11 e, em 2009 passou a contar com 15 unidades que
79
O Documento Centro de Formação e Atualização do Educador. Novo Paradigma para formação do professor, nas páginas 24 e 25, traça uma série de critérios que devem ser preenchidos pela escola para que possa sediar o centro, mas estruturas que dificilmente alguma escola, mesmo da capital poderia cumprir, isso não impediu que os centros foram implantados.
atendem a diferentes regiões do estado: Alta Floresta, Barra do Garças, Cáceres, Confresa, Cuiabá, Diamantino, Juara, Juína, Matupá, Pontes e Lacerda, Primavera do Leste, Rondonópolis.
Cada CEFAPRO deve elaborar seu Plano Político Pedagógico (PPP) e Projeto Político de Desenvolvimento - PPDC,80 obedecendo às orientações da Superintendência de Formação dos Profissionais da Educação Básica, publicada através de Portarias.81 O financiamento das unidades é parte do orçamento da SEDUC e tem como base o PPDC, aprovado pelo Conselho Deliberativo – CDC. Segundo o artigo 5º, parágrafo 3º do Decreto 1395/2008, o CDC é composto pelo Diretor, um secretário, um professor formador, um representante dos servidores administrativos da unidade, um professor efetivo da rede estadual de ensino, pertencente a uma das escolas atendidas pela unidade do CEFAPRO. Há, portanto, um considerável insulamento dessas unidades em relação às escolas que, paradoxalmente, são destinatárias de suas ações.
A gestão compartilhada é um dos princípios mais importantes que nortearam todo debate do setor educacional na constituição de 1988 e na organização do sistema. Entretanto, no âmbito interno da estrutura e da política educacional, a unidade de formação continuada compartilha muito pouco a sua gestão. Embora atenda dezenas de escolas numa mesma região, apenas uma tem sua representação nas discussões e definições da CDC. A estratégia de formação dos professores obedece à lógica hierárquica de oferta de serviços/cursos, acessados individualmente sem considerar o arranjo da unidade escolar e o desenvolvimento de seus projetos (ou da necessidade deles). De fato, o arranjo no interior da SEDUC para condução da política de formação continuada acaba por definir um campo institucional complexo de tensões e baixa cooperação: De um lado os gestores da administração central com o poder das normas, portarias, decretos e sistemas tecnológicos administram uma máquina extremamente permeada pelo campo político e com alto grau de centralização e compartimentação. Na outra ponta, bases da pirâmide do poder, estão as escolas e seu universo de demandas não processadas ou não vocalizadas de forma articulada à coordenação do sistema, aos formadores do CEFAPRO. De cima para baixo o problema é a escola e sua incapacidade de compreensão ou aceitação da inovação, de baixo para cima o problema é a estrutura e seu excesso de controle e fiscalização dos meios (relatórios, prestações de contas...)
80
PPDC corresponde ao orçamento anual da unidade, enquanto o PPP é o planejamento que contempla ações financiáveis e não financiáveis de médio e longo prazo, bem como as estratégias pedagógicas e de gestão. Estes instrumentos correspondem aos mesmos exigidos às escolas.
Recentemente foi estabelecido novo critério para o financiamento dos CEFAPROS82 de modo
a tornar mais transparente a alocação dos recursos. Em 2010, os valores foram os seguintes por unidade:
Quadro 23 – Recursos para os CEFAPRO´s/MT, Conforme Área de Abrangência, Plano de Trabalho Anual – PTA /2010 da SEDUC83
N. Pólo Classificação Escola % Total 1 Alta Floresta Grande 2 31 3,20 37.655,00 2 Barra do Garças Grande 2 59 9,00 75.168,00
3 Cáceres Grande 1 52 9,28 72.900,00 4 Confresa Médio 20 4,65 37.665,00 5 Cuiabá Grande 4 179 22,80 184.680,00 6 Diamantino Médio 39 4,65 37.665,00 7 Juara Pequeno 18 3,20 25.920,00 8 Juina Médio 30 4,65 37.665,00 9 Matupá Médio 31 4,65 37.665,00
10 Pontes e Lacerda Médio 24 4,65 37.665,00 11 Primavera do Leste Médio 29 4,65 37.665,00 12 Rondonópolis Grande 3 80 10,60 85.860,00 13 São Félix do Araguaia Pequeno 12 3,20 25.920,00
Disponível em: <http://www.seduc.mt.gov.br/conteudo.php?sid=20&cid=9567&parent=0>.
Sem dúvida é um grande avanço o estabelecimento de critérios na distribuição dos recursos às unidades de formação. Observa-se que o Projeto Político de Desenvolvimento do CEFAPRO- CPD é requisito para repasse dos recursos, entretanto, o critério definidor do percentual é a quantidade de escolas atendidas, independentemente das condições sociais, culturais e regionais em que estão inseridas. Desse modo, o CPD ganha importância apenas burocrática. A formação de professores na capital e no interior, especialmente nos lugares distantes dos maiores centros urbanos tem, certamente, diferenciações sócio-econômicas e políticas que deveriam ser levadas em conta na distribuição dos recursos. O investimento baseado exclusivamente no número de escolas não enfrenta as condições adversas, enfrentada pelos professores, no acesso ao capital cultural. As desigualdades inter e intra-regionais desconsideradas refletem a incipiente presença do Estado e, portanto, dificuldades adicionais à democratização do acesso ao conhecimento. Mato Grosso se destaca pelo alto crescimento
82 Critérios estabelecidos pela Normativa 06/2010, publicada no Diário Oficial em 28.01.2010 83 Não foram disponibilizados os valores para os CEFAPROS de Sinop e Tangará da Serra.
econômico, mas, também, pelo alto grau de desigualdades sociais e intra-regionais. A desigualdade está presente nas escolas e a política de formação de professores leva pouco em conta esta questão.
O CEFAPRO conta com o seguinte quadro profissional: equipe gestora (um diretor, um coordenador de formação continuada e um secretário); equipe pedagógica (professores efetivos concursados nas seguintes áreas do conhecimento: Linguagem com habilitação em Letras; Artes ou Educação Física; Ciências Humanas e Sociais, com graduação em História, Geografia e/ou Filosofia; Ciências da Natureza e Matemática, com graduação em Matemática, Biologia, Química ou Física). Todos são professores concursados da rede pública estadual que prestaram seleção para atuar como formadores, diretor ou coordenador de formação.84 O período do contrato para atuação no CEFAPRO é determinado (normalmente dois anos, podendo ser prorrogado). Tem ainda um quadro de profissionais técnicos: dois ou três técnicos administrativos (a depender do tamanho) e cinco apoios administrativos educacionais (três vigias e dois encarregados da limpeza). Guarda muita semelhança com a estrutura das unidades escolares.