2. GENEL BİLGİLER
2.5. Endoplazmik Retikulum Stresi
A decisão de sair a campo foi sendo protelada. A postergação se deu em função de acreditarmos que havia a necessidade de mais, aprofundamento nas teorias, que serviriam de esteira para a investigação. Era uma espécie de expectativa e, ao mesmo tempo um senso de incapacidade de iniciar o processo de entrevistas.
Resolvida essa questão, a próxima etapa era buscar junto à Secretaria da Educação de Matinhos a autorização para entrar nas unidades escolares e abordar outros professores, bem como obter demais informações.
O primeiro contato com a Secretaria da Educação foi em setembro de 2008. Foi um momento delicado, pelo fato de o Município estar às portas de uma eleição para prefeito e vereadores. O prefeito que exercia seu mandato naquele momento iria disputar a reeleição.
O contato inicial foi via telefone, com o intuito de agendarmos audiência com a secretária da educação. Foram pelo menos três tentativas para concretizar o agendamento. Essa primeira dificuldade já prenunciava o que viria a seguir.
No dia marcado, ocorreu a audiência com a Secretária da Educação. O primeiro contato foi cordial. Nos apresentamos como professor da Faculdade Estadual de Filosofia Ciências e Letras de Paranaguá e da extensão do curso de Pedagogia, no Município de Matinhos. A secretária tinha feito seu curso na Sede da Faculdade em Paranaguá há bastante tempo atrás. Ciente disso buscamos estabelecer alguns pontos de contato (vínculos), para tornar a apresentação e a justificativa da pesquisa mais íntima. Logo em seguida, apresentamos o objetivo da investigação. Ela até esse momento foi muito solícita. Mas quando informamos que os professores seriam entrevistados o ambiente ficou preocupada. Demonstrou certa insegurança, o que indicava a possibilidade de não autorizar a investigação. Sentimos que projeto de pesquisa poderia inviabilizar-se. Instalou-se uma grande preocupação que se concretizou em um diálogo sem muitas palavras, daquele momento para frente. Pensamos em mudar o objeto de estudo, o lócus, diante da possibilidade de ser concedida a autorização.
Nem sempre é possível pesquisar o que se quer. Lembramo-nos das aulas de Metodologia da Pesquisa e das leituras da área: nem todo bom problema de
pesquisa é viável. Ficamos mais aflitos quando a secretária perguntou sobre a publicação da pesquisa. Respondemos que a pesquisa demoraria muito tempo para ser concluída. Ela voltou a advertir dizendo: “veja, o resultado da pesquisa pode ser um problema, pois outros podem usar de forma errada, principalmente neste momento das eleições e isso é um problema”. Ao mesmo tempo, manifestou que era muito interessante a pesquisa. Não nos convencemos da sua afirmação,. Informamos que os resultados demorariam muito a serem divulgados e circulariam, no meio acadêmico. Percebemos que não conseguiríamos convencê-la, pelo menos naquele momento. A preocupação estava manifestada no seu rosto, assim como no nosso.
Ponderamos por alguns dias o que fazer, pois o diálogo com a secretária não projetava um horizonte satisfatório. Pensamos: “não seria mais adequado no momento aguardar os resultados das eleições? Protelamos o início da pesquisa de campo até que o turbilhão das eleições tivesse terminado, para então fazer uma nova tentativa de diálogo com o novo secretário.
A preocupação manifestada pela secretária sobre o que os resultados da pesquisa poderiam provocar, caso caíssem nas mãos da oposição, evidencia como a política de interesses de grupos, representada na pessoa do prefeito, tem influência sobre as decisões da educação. Silva (2001, p.30) constata isso em sua pesquisa sobre “Estilo de administração de secretários municipais de educação” realizada em três municípios na região de Campinas –SP. Ele conclui:
Em municípios pequenos o prefeito possui influência muito direta nos assuntos da educação, podendo resultar em duas situações distintas: a cobrança do cidadão ao prefeito e a subordinação da educação aos critérios políticos e pessoais do executivo municipal.
Essa influência é observada na forma de gestão da educação, no município de Matinhos. A direção das escolas obedece o critério de indicação por parte do executivo, isto é, é considerado cargo de confiança, e quem indica, na maioria das vezes, é o prefeito, enquanto o secretário nomeia; obviamente, o nome passa pela aprovação do prefeito ainda que o secretário proceda à nomeação. As pessoas indicadas aos cargos de gestão da escola, normalmente, são aquelas que apoiaram
de alguma forma, na campanha eleitoral, o candidato que venceu. Até pouco tempo atrás, a coordenaçao pedagógica das escolas era exercida por professores que eram indicados pelo secretário de educação. Na atual gestão (2009-2012), esse quadro mudou e os coordenadores ingressaram após aprovação em concurso público.
Passado o tempo, já no ano seguinte (2009), fizemos nova tentativa de autorização, agora junto ao novo secretário, pois o prefeito que disputava a reeleição não tinha obtido sucesso.
Então, no dia 19/05/2009 – por meio de contato telefônico, agendamos audiência com o secretário de educação, para o dia 2/05/2009. Fomos atendidos pelo novo secretário de educação, que se mostrou muito atencioso. Nos apresentamos como professor, pesquisador e justificamos a investigação solicitando seu apoio e autorização.. Prontamente, ele autorizou a pesquisa, mandando elaborar uma autorização formal para que tivesse acesso às escolas. Em seguida, nos encaminhou para duas assessoras pedagógicas da secretaria, para que pudessem nos atender e fornecer informações de que precisássemos, naquele momento.
Com muita gentileza, fomos atendidos por uma das pedagogas, que fazia a gestão pedagógica do segmento da Educação Fundamental, na Secretaria de Educação. Inicialmente houve certa resistência, logo foi dissipada na medida que avançávamos no diálogo.
Prontificou-se em levantar as informações, pois parte dessas não estão sistematizadas, em um único documento, principalmente o histórico da municipalização da Educação Fundamental.
Aproveitamos a oportunidade para lhe fazer alguns questionamentos sobre a organização do currículo, na atual gestão. Informou-nos que o convênio com o programa “AZ” foi cessado. Questionamos se foi por razões de ordem financeira, ou pedagógica e, ela afirmou que pelas duas. O custo do convênio era demasiado caro e não assistia os alunos do Ensino Fundamental com o material didático, criando uma diferenciação com a Educação Infantil, que dispunha do material didático para todos os alunos do sistema.
A falta de material didático para os alunos, segundo ela, obrigava os professores a terem que xerocar do material docente as atividades propostas no
programa das disciplinas, e terem que custear as cópias com recursos do próprio bolso.
Segundo ela, muitas das atividades eram inadequadas para a realidade dos alunos da escola pública matinhense. Citou, como exemplo, a mudança anual dos livros literários propostos para leitura dos alunos, pois quando a Secretaria adquiria o livro proposto, já estava mudando a obra a ser lida. A prática é de uso dos textos por três anos, na Secretaria, mas a proposta do material didático do programa previa mudanças anuais, e isso inviabilizava muitas atividades que eram desenvolvidas com os textos, pois os alunos não tinham acesso aos mesmos.
A referida pedagoga atuara como professora até o ano de 2008, isso significava que ela conviveu de perto com as dificuldades, passando a atuar como pedagoga (gestora), na atual gestão 2009-2012.
Ela relatou que a atual gestão adotará uma proposta pedagógica, fundamentada na concepção histórico-crítica dos conteúdos23. As escolas terão liberdade de elaborar seus projetos pedagógicos, adequados às suas realidades. Desse modo, todas terão que produzir novos projetos, ou adequá-los à concepção adotada.
Uma vez tendo obtida a autorização, para contatar os professores e fazer as entrevistas, no contexto das escolas, iniciamos finalmente o trabalho de campo. É importante destacar que, no processo de engajamento dos professores para a entrevista, elaboramos um documento denominado “termo de consentimento livre e esclarecido”. Esse termo explicita que o entrevistado autorizava o entrevistador a gravar, a transcrever e a utilizar o conteúdo da entrevista, com vista à elaboração da tese. Em contra partida, o compromisso de anonimanto da fonte.
Das dezesseis entrevistas realizadas, cinco ocorreram fora do contexto da escola, o que contribuiu muito para a tranquilidade, no transcorrer da entrevista. O contexto da casa do professor criou um clima afetivo positivo e o vínculo de entrevistado com o entrevistador facilitou o transcurso da entrevista. Obviamente, o fato de esses professores terem sido nossos alunos, na graduação, contribuiu sobremaneira para o aspecto positivo da situação.
Mas nem todos optaram por fazer a entrevista fora do contexto da escola. Dois deles foram entrevistados nos seus ambientes de trabalho.
23 A pedagogia Histórico-critica de Dermeval Saviani. A proposta do autor pode ser encontrada na obra: “Escola e Democracia” publicada pela editora Cortez.
Quando se esgotaram as possibilidades de ex-alunos, buscamos novos contatos, sendo alguns deles indicados por aqueles. Muitas pessoas foram indicadas, mas somente uma delas concordou em dar a entrevista. As demais foram realizadas com professores que foram contatados, nas escolas. Fizemos a abordagem com o professor justificando, a necessidade da entrevista para pesquisa e obtivemos o número estabelecido por escola.
Em duas escolas, encontramos maior dificuldade para engajar informantes. Nas demais, foi um processo de convencimento mais tranquilo, mas sempre utilizamos o procedimento do primeiro contato, como apresentação e explicação da pesquisa e posterior agendamento da entrevista. Algumas das entrevistas realizadas, no contexto da escola, foram prejudicadas na sua tranquilidade. Isso ocorreu em função da realidade do contexto escolar.
Em primeiro lugar, pela falta de um lugar adequado e privado para o tempo da entrevista. Em alguns casos, isso contribuiu para que ocorressem várias interrupções ao longo da entrevista. Em uma das escolas, a entrevista foi realizada na sala dos professores, também por falta de outro espaço privado. Por quatro vezes houve interrupção.
Um segundo aspecto foi a falta de privacidade. Em duas entrevistas, a circulação de pessoas no ambiente contribuiu para algumas “engasgadas” no momento da resposta. Em uma escola, a sala utilizada para a entrevista foi a da coordenação. Ao longo dessa entrevista, fomos acompanhados pelo fundo musical da aula de recreação. A escola carecia de espaço para atividades lúdicas. O único espaço para que esse tipo de atividade ocorresse era o pequeno pátio de aproximadamente 5 metros de largura por 10 metros de cumprimento, que separava os dois blocos de salas de aula. Assim, a entrevista foi acompanhada pela música da aula de recreação e as demais classes que estavam em aula, também o foram.
Portanto, algumas interferências criaram pontualmente algumas dificuldades, mas não chegaram a cercear a liberdade de expressão do entrevistado.
Por outro lado, termos ido pelo menos para uma entrevista em sete das oito escolas do município, foi produtivo para observar o contexto, em os sujeitos trabalham. Reconhecer a estrutura física das escolas forneceu uma perspectiva mais real, para entender dos anseios dos professores, manifestados nas falas das entrevistas.
A primeira entrevista, ocorreu em 16 de junho de 2009 e a última em 12 de maio de 2010. Esse espaço longo de tempo entre a primeira entrevista e a última não foi algo planejado.
Nos deparamos, ao longo das entrevistas com uma situação interessante, mas que em um primeiro momento causou-nos grande preocupação.
Entre uma entrevista e outra, situações eram abordadas de modo que o anseio levantado na fala de um professor era também abordado, levantado e esclarecido por outro professor entrevistado, depois. A princípio se apresentou como um problema, mas com as orientações percebemos que, o grande intervalo,revelou um contexto extremamente fértil para perceber como os professores reagem e lidam com as mudanças de organização do currículo. Assim, aquilo, que a princípio parecia um problema, foi fundamental para investigação.