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2. GENEL BİLGİLER

2.4. Age (Advanced and Glycatıon Product)

Aproximadamente 64% dos professores são da área de pedagogia. Do total apenas 27% são concursados, 73% são contratados. Quase a metade (46%), são professores recém- formados, tendo terminado seus estudos de graduação em 2007 e 2008. De todos os que responderam o questionário apenas 01 não era formado pela Universidade do Estado de Mato Grosso – UNEMAT,92 os demais são egressos dessa universidade. Mais de 80% dos

professores têm até 03 anos de exercício profissional na escola. Do total, 64% possuem outro vínculo empregatício. Mais da metade (55%) tem 40h semanais em atividade de sala de aula, 27% têm 20h, apenas 9% têm 30h, 9% não responderam.

Certamente a renda é o motor que movimenta o acúmulo de duplo ou triplo vínculo empregatício. Outro fator é a precariedade dos contratos de trabalho que são anuais, porém, sem direito à progressão na carreira, às férias e insegurança quanto à sua continuidade no ano seguinte. Essa situação pode explicar a alta rotatividade de professores: 80% têm no máximo

92 A UNEMAT é a única universidade pública que atua na região oeste do estado. Desde 1978 vem formando professores. Inicialmente instituição municipal, foi estadualizada e em 1994 passou ao status de universidade estadual. Possui 11 campi e atende através de programas especiais de formação de professores, a maioria dos 141 municípios de Mato Grosso. Para mais informações ver: < www.unemat.br>.

03 anos de efetivo exercício na unidade. As relações de trabalho são, portanto, bastante instáveis, precarizadas.

Segundo Duarte (1997), as práticas de utilização do emprego público como estratégias de manutenção de apoio político ainda estão muito presentes na realidade brasileira. Tais práticas têm obscurecido princípios de impessoalidade, autonomia e responsabilidade, fortalecendo relações clientelistas que afetam os compromissos com a finalidade institucional no âmbito da Administração Pública.

No caso da educação, diz a autora:

Pesquisas em desenvolvimento têm assinalado para a presença das relações precárias de trabalho nos sistemas estaduais de ensino da atualidade, para a permanência de políticas de expansão do emprego público em período pré-eleitoral e, principalmente, para a continuidade de critérios de composição dos quadros de magistério, com polaridades que permitem legitimar maiores desigualdades. Estas condições produzem lealdades duradouras para com as autoridades encarregadas de renovar a relação de emprego. Lealdade ou compromisso para com aqueles que asseguram a permanência no emprego produz o desinteresse para com os consumidores dos serviços (p. 260).

Não se pode afirmar pelo estudo realizado, que as autoridades educacionais manipulam diretamente os contratos de professores, mas esta condição coíbe a autonomia dos professores nas questões que dizem respeito aos rumos da escola, participação/manifestações em reuniões, controle dos recursos, passando estes a adotar, muitas vezes, posturas defensivas de submissão ou reserva diante dos poderes instituídos na direção escolar. Assim, compromete o processo de gestão democrática da educação seja no âmbito do cotidiano; seja na eleição para diretor93. Numa realidade em que 73% dos professores mantém precárias relações contratuais de trabalho, difícil imaginar a existência de condições adequadas à contínua formação, como imaginam os órgãos centrais do Estado. A autonomia intelectual e política é solapada pela condição hierarquicamente inferior em que são colocados estes profissionais dentro da própria escola, aprofundando desvantagens relacionadas ao baixo capital cultural legado de suas famílias e escola. Portanto, a precarização das relações de trabalho pode servir, em última instância, a interesses políticos, a começar pelos interesses dos que disputam, na escola, o cargo de diretor e têm a tranqüilidade da baixa concorrência ou da ausência de controle efetivo de sua gestão, já que a instabilidade frente à necessidade de renda torna os agentes mais dóceis.

93 Em Mato Grosso a eleição para diretores foi instituída pela lei 7.040/1998. Somente podem concorrer ao cargo os profissionais concursados.

6. Condições de Vida

Algumas perguntas sobre as condições de vida, incluindo renda e uso do tempo livre, foram feitas com objetivo de captar de modo mais amplo as formas de vida do professor da escola pesquisada. Perguntado sobre acesso à internet, 18% dos professores responderam não possuir computador em casa e, dos que possuem 27% não possuem acesso à internet, 9% dos professores não possuem endereço eletrônico. Os meios utilizados para obter informações, 64% responderam utilizar a internet, no entanto, a televisão é o veículo mais utilizado pela quase totalidade do professorado.

LOPES (2002) faz uma importante observação sobre o papel da TV nos dias atuais e, em especial no Brasil:

O sentido mágico da TV não seria hiperreal como pensa Baudrillard, ou melhor, repensaríamos o conceito de hiperrealidade, trocando-o pelo o do real simbólico, em contraposição ao do real material. Acredita-se que a TV trabalha no domínio do simbólico, atinge as crenças de seu público, auxiliando o processo, a formatação e a manutenção do sistema social de crenças de nosso tempo. A programação televisiva, em muitos casos, é recebida e produzida a partir da idéia dos papéis arquetípicos de conselheira e confidente, que também podem significar os de pai, mãe, irmão, padre, amigo, amante, colegas, professores etc.

Na TV aberta do Brasil atual, as perguntas são na maioria dos casos silenciosos, existem na atividade mental do público. As respostas as precedem e ajudam a formular perguntas e, assim, sucessivamente. As mensagens televisivas estão no domínio dos sonhos de felicidade, sucessos e insucessos das relações afetivas e das possibilidades e impossibilidades que a vida material e simbólica oferecem (LOPES, 2002, p. 10).

Ora, as implicações dessas afirmações para o caso da Escola Alfa até agora analisado tomam proporções de gravidade ainda maior, pois, não bastassem as condições pregressas de acesso de capital cultural escolar, tendo em vista suas condições sociais, estes professores ainda são submetidos a um meio de comunicação que inibe a capacidade de problematizar a realidade, buscando a partir dela as respostas.

Avançando para conhecer melhor as condições de vida dos professores, foram feitas perguntas sobre o seu tempo livre e suas experiências culturais e de lazer. Foram indicadas algumas opções que refletem as principais atividades praticadas em Cáceres, conhecida como a cidade do Festival Internacional de Pesca, além de atividades de lazer em clubes da cidade, cinema e outros. Os resultados podem ser observados nos gráficos que seguem.

Gráfico 9 - Atividades de Lazer Praticadas no Tempo Livre - Pescaria

Gráfico 10 - Atividades de Cultura e Lazer Praticadas no Tempo Livre – Clubes da Cidade

Gráfico 12 - Atividades Cultura e Lazer Praticadas no Tempo Livre - Leitura

Gráfico 13 – Atividades de Cultura e Lazer Praticadas no Tempo Livre - Esporte

O município de Cáceres dispõe de poucos equipamentos e oportunidades de cultura e lazer, menos ainda às classes populares. A pescaria, banhos de rio, passeio na praça central, cinema94, alguns bares da cidade são as atividades mais acessíveis. Os mais abastados costumam utilizar, além dessas opções, os clubes da cidade ou ir para a Capital nos finais de semana. O tempo livre dos professores parece não ser utilizado para nenhuma dessas atividades, ao menos não majoritariamente. Mesmo no caso da leitura, esta atividade é desenvolvida ―sempre‖ por 31% dos respondentes e, ―algumas vezes‖ por 38%. Quando se pediu a indicação do conteúdo do último livro lido, destacando as questões que marcaram a leitura, apenas 17% souberam indicar seu conteúdo e, destes, 14% indicaram leitura relacionada à sua área de atuação. O que indica que os professores tem encontrado pouco

94 Após muitos anos sem ter um único cinema, há 04 anos se mantém o cine Xin, na praça Barão do Rio Branco, praça central da cidade.

tempo para a dedicação à leitura, seja em seu tempo livre, seja como atividade relacionada à profissão. O cinema ―nunca‖ é visto por 17% dos professores.

Este quadro indica não somente a pouca oportunidade que esses professores têm de ocupar seu tempo livre com atividades culturais e de lazer mais disponíveis na cidade e muito utilizadas pelas classes médias e altas. A pouca utilização desses meios de cultura e lazer podem ser compreendidos pelas respostas à pergunta sobre as atividades realizadas no tempo livre, questão de múltipla escolha, a resposta mais recorrente foi: trabalho doméstico, indicado por mais de 63% da amostra. A mesma pergunta referindo-se às férias divide em dois grupos os respondentes: os que viajam para casa de parentes e a maioria que fica em casa para realizar os trabalhos domésticos e/ou descansar. Certamente, em nenhum desses casos, o trabalho doméstico está excluído. Aos poucos as adversidades sociais vividas pelos professores vão se revelando desigualdades de gênero, pois, mais de 80% da amostra são mulheres.

O alto grau de comprometimento do tempo em sala de aula (mais de 60% possui mais de um vínculo empregatício), somado ao fato da absoluta maioria não contar com a hora/atividade em razão de seus contratos e, além disso, a baixa remuneração, determinam o paradoxo de uma carreira exigente em capital cultural, onde a formação continuada é uma solução simples para um problema complexo.

7. Formação Continuada

Para a maioria absoluta dos professores, a escola é o lugar da formação continuada. É nela que 45% pretendem fazer sua principal (muitas vezes única) atividade de formação: A Sala do Professor. Além desta atividade, o curso de informática oferecido pelo CEFAPRO, obteve grande adesão: 33% informaram pretender fazê-lo no período da pesquisa. Outras possibilidades de formação continuada foram pouco lembradas, mesmo os demais cursos oferecidos pelo CEFAPRO.

Perguntado sobre a participação na construção da proposta de formação continuada da escola,95 apenas 20% respondeu positivamente. A oferta de cursos pelo através da Plataforma Freire,96 apesar de ser do conhecimento da maioria, apenas 9% responderam ter feito a

95 A Sala do Professor é um projeto elabora pela própria escola e encaminhado ao CEFAPRO para aprovação. 96Em 2007, governo federal elaborou o Plano Nacional de Formação de Professores da educação Básica, cuja estratégia de implementação está inscrita no âmbito do Plano de Metas Todos Pela Educação (Plano de Desenvolvimento da Educação – PDE), nessa estratégia foram envolvidas diversas universidades públicas e comunitárias de todo o Brasil, são 76 instituições para oferta de cursos de formação inicial e continuada aos

inscrição. A comodidade da formação continuada na/pela escola parece agradar mais, tendo em vista a extenuante jornada de trabalho da grande maioria.

Quanto à formação inicial, o papel que a Universidade do Estado de Mato Grosso- UNEMAT desempenha é bastante importante. Dos respondentes, apenas 01 não havia sido formado por essa instituição. Apesar da grande participação na formação dos professores da Escola Alfa, a UNEMAT tem baixa participação na formação continuada, como se pode verificar.

Gráfico 14 – Formação Continuada – Pós-Graduação

O sistema de ensino, como já analisado, estabelece hierarquias entre as instituições superiores como estratégia de manutenção da distinção dos diplomas escolares, tendo em vista uma realidade em que a escola passou a ser estratégia importante para classes sociais que no passado não estavam incluídas no sistema formal. Com a proliferação do ingresso das classes populares ao ensino superior, houve, no dizer de Bourdieu, o fenômeno da inflação no mercado de diplomas, de modo que a distinção, a hierarquia entre as diferentes instituições superiores e respectivos diplomas é a forma pela qual se mantém a diferenciação entre acesso ao mercado de diplomas e efetivo acesso ao capital cultural.

O processo de exclusão já não se dá mais entre os que estão fora e os que estão dentro do sistema de ensino. Trata-se de uma exclusão por dentro. Na medida em que a hierarquia

professores das redes estaduais e municipais. A Plataforma Freire é o sistema pelo qual os professores se inscrevem para realização dos cursos, a partir de critérios pré-definidos, tendo um processo que exige a validação das inscrições pelos Secretários de Educação do município ou estado, conforme o vinculo do professor. Pretende-se criar um banco de dados com informações precisas sobre o percurso de formação dos professores, de modo a gerar insumos para novas políticas. Ainda está em fase de implantação, em Mato Grosso, já enfrenta problemas quanto a operacionalidade do sistema.

entre as instituições e os diplomas não estão estabelecidos de modo claro, há uma fraca percepção do excluído sobre sua própria condição de exclusão ou uma percepção tardia.

[...] Se é verdade que esse sistema paga uma grande parte dos utilizadores com títulos escolares desvalorizados – explorando erros de percepção induzidos pelo florescimento anárquico dos ramos de ensino e dos títulos, relativamente insbustituíveis e, ao mesmo tempo, sutilmente hierarquizados – acontece que não lhes impõe um desinvestimento tão brutal quanto o antigo sistema; além disso, a confusão das hierarquias e das fronteiras entre os eleitos e os excluídos, entre os verdadeiros e os falsos diplomas, contribui para impor a eliminação suave e a aceitação Suva dessa eliminação, mas favorece a instauração de uma relação menos realista e menos resignada com o futuro objetivo do que o antigo senso dos limites que constituía o fundamento de uma percepção muito aguda das hierarquias (1998, p. 173)

É comum no Brasil, ao se falar de universidade, sejam referidos os modelos localizados nos centros urbanos mais desenvolvidos do sul e sudeste. Nestes lugares, a crise da universidade se alimenta da paradoxal realidade invertida em que aqueles oriundos das escolas públicas selam seus destinos numa universidade privada. A universidade pública, portanto, serve às classes médias e altas, principalmente. Tomando estas universidades como referência, os investimentos por aluno não diferem daqueles praticados por países desenvolvidos. Conforme documento da Reitoria da Universidade de São Paulo – USP, os gastos por aluno das universidades brasileiras são, em média, U$ 6.5 mil, o mesmo dos países europeus. Na USP em 1998, apenas 21% dos ingressos eram oriundos das escolas públicas, quase sempre de escolas públicas federais.

A UNEMAT é uma universidade estadual do interior do Brasil, ao contrário da USP, das outras estaduais paulistas e das universidades federais, sua estrutura está longe de ser adequada à formação superior, à pesquisa, tampouco o seu financiamento atinge patamares europeus. Segundo Anuário Estatístico 2008 publicado pela instituição,97 78% dos candidatos ao vestibular são oriundos de escolas públicas, destas 54% precisarão acumular trabalho e estudos durante a formação, 74% não fizeram curso preparatório para o vestibular. A concorrência no vestibular varia, em média, de 0,5 a 8 na relação candidato/vaga. Os cursos mais concorridos que fogem a esse padrão são: Direito (que tem variado entre 14 a 24 candidato/vaga) e Enfermagem (menor marca 7 e máxima 20).

A crise da UNEMAT não é sobre a produção de privilégios das classes médias e altas, mas é de manter seus cursos frente a baixa concorrência de muitos deles, especialmente

97 UNIVERSIDADE DO ESTADO DE MAGRO GROSSO. Pró-reitoria de Planejamento e Desenvolvimento Institucional. Anuário Estatístico 2008. Cáceres, 2009. Disponível em: <http://www.unemat.br/prpdi/anuario/ 2008/anuario_estatistico_2008.pdf>. Acesso: 15 fev. 2010.

aqueles localizados nos municípios distantes dos centros urbanos maiores. Manutenção que se dá em meio a intensas pressões do campo político para que a universidade expanda e atenda as clientelas dos agentes políticos, a despeito da qualidade dos cursos.

Analisando à luz da teoria de Bourdieu, na estrutura do mercado de diplomas brasileiro, a UNEMAT estaria entre aquelas instituições que conferem diplomas desvalorizados. No entanto, como a produção desses diplomas se dá no interior do Brasil para uma clientela também do interior98 as condições de desigualdade na apropriação de capital cultural é melhor observada se comparada com o que é produzido pelo conjunto do sistema educacional brasileiro e o uso desses diplomas fora do campo restrito. A não assimilação racional dos portadores do diploma, de sua condição de excluídos, torna-se uma estratégia, inconsciente, de resistência a sua desvalorização.

Ora, se considerarmos seriamente as desigualdades socialmente condicionadas diante da escola e da cultura, somos obrigados a concluir que a equidade formal à qual obedece todo o sistema escolar é injusta de fato, e que, em toda sociedade onde se proclamam ideais democráticos, ela protege melhor os privilégios do que a transmissão aberta de privilégios (BORDIEU, 1998, p. 53).

De fato, a expansão vertiginosa da UNEMAT na oferta de diferentes cursos a todo interior de Mato Grosso se fez em nome do discurso da democratização do ensino superior, enquanto os mais pobres tiveram oportunidade de ingresso, os filhos dos mais abastados procuram as universidades públicas de diferentes lugares do Brasil.

No caso dos professores da Escola Alfa, a trajetória de formação demonstra o aprofundamento do quadro de desigualdade nas oportunidades educacionais. Graduados pela UNEMAT, a pós-graduação (especialização) sequer puderem fazer na universidade pública, a maioria foi buscar no mercado privado a aquisição dos novos diplomas, o que exigiu desembolso de considerável quantia em dinheiro mediante uma qualidade bastante duvidosa. Ainda mais distantes se colocaram da apropriação de capital cultual e ampliaram o porte de diplomas desvalorizados.

O processo de formação continuada mais importante a esses professores é o Projeto Sala do Professor. Todos os que responderam o questionário afirmaram ser esta iniciativa um meio de aprimoramento da prática pedagógica. Apenas um professor respondeu que esta seria uma forma de garantir pontos no currículo e melhorar a atribuição de aula. Entretanto, sabe-se

98 Um pensamento muito forte e utilizado, principalmente em Cáceres, é que a UNEMAT seria uma universidade do interior para o interior. Esta é uma representação perfeita da reprodução do sistema, o excluído, inconscientemente, legitima a apartação social com recorte regional.

que o discurso produzida a respeito das coisas nem sempre expressa o que realmente as coisas são. A participação no cotidiano da escola demonstrou as dificuldades de dar andamento ao projeto, tanto no que diz respeito ao horário das reuniões, sempre muito difíceis de pactuar, quanto ao tempo dispensado para a sua realização, com visível esvaziamento antes de horário programado para seu fim. Além disso, a vigilância das faltas, para que não extrapolasse o máximo permitido são sintomas da burocratização do projeto.

O projeto sala do professor, no caso observado, tende a ser uma ação isolada, de baixa conexão com o que deveria ser o projeto de desenvolvimento (PPP). Não articula (ou articula pouco) com outras instituições de formação para integração do desenvolvimento da escola nas dimensões que envolvem a formação integral e continuada do professor num contexto determinado por sua vivência. Reproduz a cultura escolar empobrecida pela falta de recursos, falta de autonomia, de informação e formação adequadas ao exercício da função docente. Do modo como é executado pretende dar uma resposta simples à um problema complexo como é a formação de professores, enquanto necessidade de apropriação de capital cultural e a transmissão desse capital às novas gerações. Tratada de forma individualizada que se guia pela lógica concorrencial, pela necessidade de aumentar pontos o currículo para concorrer com outros pretendentes à vaga na escola e destina aos professores menos qualificados os lugares mais desprestigiados, como é o caso da Escola Alfa. Os profissionais com melhor formação optam por outras escolas, por sua localização e/ou por melhores condições de trabalho, por isso resta a esta escola a prevalência de contratos precários. A coordenação do sistema não age para corrigir tal distorção, ao contrário; reforça tal perversidade, onde os piores resultados dificilmente deixarão de reproduzir as mesmas condições que os geraram, transformando-se num ciclo vicioso que reforça o agir, o pensar e o sentir, enfim, o habitus tanto de quem está na coordenação do sistema como de quem está no cotidiano da escola.

CONCLUSÃO

Tendo em vista a implementação de políticas de educação no contexto do federalismo brasileiro, buscou-se compreender como o arranjo institucional para a condução das políticas de educação participa para manter a regulação e restringir o acesso ao capital cultural às classes populares, através da escola.

Em primeiro plano, situou-se o marco teórico no qual se assentou as bases de compreensão dessa realidade, bem como a condução metodológica do trabalho, combinando vários recursos e técnicas que pudessem melhor elucidar as questões postas. À base das contribuições de Bourdieu e, através dele, a convocatória feita a diferentes autores de abordagens históricas, sociológicas, políticas, econômicas e educacionais foi possível compreender a educação como campo de conflitos e tensões, inserido na luta pelo poder e pela distinção. Tais questões perpassam a organização do sistema de ensino e das políticas

Benzer Belgeler