• Sonuç bulunamadı

Em meio ao conjunto de coisas escritas, identificam-se algumas contribuições do uso pedagógico da charge para os alunos. Entre as contribuições aparecem: a conexão com a realidade, a recorrência à memória, o desenvolvimento da capacidade de argumentação, o aguçamento da criticidade. Dessa forma, percebe- se como a charge corrobora no cenário pedagógico e, de modo particular, na EJA, viabilizando e aprimorando determinadas capacidades do sujeito.

Em seus escritos Dagostim (2009, p. 8) aponta que, nesse cenário, a charge:

a) é de grande relevância, uma vez que aguça a criticidade dos alunos, levando-os à reflexão e à discussão da realidade que os cerca; b) propicia a reflexão quanto ao uso das metáforas e do efeito metafórico obtidos pela associação entre a linguagem verbal e não-verbal; c) auxilia no

aprimoramento da escrita de textos, principalmente aqueles de caráter argumentativo, como a crônica; d) envolve os alunos com o processo de ensino-aprendizagem, visto que eles próprios ajudam a conduzir as aulas por meio dos debates.

Dessa forma, a charge no âmbito pedagógico aparece como contribuição ao fomentar a criticidade por meio do vínculo entre o aluno e o seu contexto social no processo de desenvolvimento das atividades. Contribui também para que o aluno perceba a presença de elementos linguísticos na associação da linguagem verbal e não verbal, auxiliando ainda na melhoria da produção textual, em especial, no processo de argumentação. Além disso, os alunos são construtores nesse cenário, conduzindo também o processo de ensino e aprendizagem.

Aponta-se que o uso da charge desperta “a capacidade de argumentação” (SOUZA, 2004, p. 235). Nesse cenário, o aluno apresenta argumentos a partir das questões que emergem do texto chárgico, concordando e contrapondo diante do universo representado. Ademais, conduz “o leitor a emitir uma opinião” (SOUZA, 2000, p. 132), contribuindo para que o aluno se posicione e tenha voz.

O referido discurso assinala que nesse processo “tem-se acionada a memória, verifica-se a presença da história e apura-se a observação de mundo” (SILVA, 2004, p. 18). Logo, uma vez assinalada a existência de registros históricos, a leitura da charge viabiliza o avivamento da memória, contribuindo para que aluno observe o mundo no âmbito da história.

Ao ser afirmado que a charge “contribui para aguçar a sensibilidade do leitor, como também para o despertar reflexivo e crítico da sua realidade” (SOUZA, 2000, p. 122), identifica-se como contribuição o processo de reflexão e criticidade face à realidade representada, como também o desenvolvimento da sensibilidade dos sujeitos no processo de leitura.

O uso pedagógico do texto chárgico aparece no conjunto de coisas escritas presentes em Lessa (2013, p. 1) como “contribuição para a leitura e produção de textos na escola, fazendo o possível para aumentar, no aluno, suas capacidades linguísticas e discursivas, partindo do princípio de uma compreensão ativa e crítica da realidade atual”. Desse modo, a contribuição da charge é percebida, a partir desse recorte, no âmbito linguístico e discursivo, para se alcançar os aspectos necessários ao processo da leitura e produção textual em uma perspectiva crítica face à realidade atual. A charge como modalidade de leitura além de favorecer uma

compreensão crítica, busca também que o sujeito reelabore a realidade representada por meio de sua própria construção textual, posicionando-se de modo ativo no decorrer do processo.

Nos escritos postos em Lessa (2013) se assinala que a contribuição do uso da charge no trabalho pedagógico está presente tanto no que diz respeito à criticidade dos sujeitos, quanto ao acesso à variedade linguística, em que se identificam as marcas sociais, históricas, culturais e regionais existentes no texto chárgico em seus elementos visuais e verbais, destacando-se o nível informal da língua a partir dos registros populares presentes nas falas dos personagens. Tal afirmativa também circunda nos escritos postos em Dagostim (2009, p.98), como se explicita no recorte abaixo:

[...] a interpretação de texto foi constantemente explorada nas atividades, o que conduziu à criticidade dos fatos apresentados e dados como certos; as charges utilizam-se principalmente de falas de registro popular, do cotidiano, levando o aluno a perceber a variedade linguística existente na sociedade.

Portanto, aponta-se que o “trabalho com charges pode contribuir muito para a formação de um leitor perspicaz, proficiente e crítico” (SOUZA, 2011, p. 257). O uso pedagógico da charge como modalidade de leitura contribui para o pleno desenvolvimento do sujeito leitor. Por meio dos signos “perspicaz”, “proficiente” e “crítico”, qualifica-se o sujeito que se busca formar como uma das finalidades desse processo.

O discurso sobre o uso pedagógico da charge na EJA, com base no conjunto de coisas escritas postas em Silva (2004, p.18), ao tratar sobre algumas contribuições da charge, aponta:

Lançar mão deste recurso que é a charge em sala de aula é dar a chance de o aluno adentrar outros universos, conhecer outros discursos, debater sobre sua realidade e ter novas maneiras de expressar uma opinião, estando atualizado com o que está acontecendo ao redor.

Descreve-se o uso pedagógico da charge como um processo criador de possibilidades, contribuindo para o acesso aos diferentes universos e discursos, do mesmo modo que considera a realidade do aluno. Ademais, apresenta que o aluno

se mantém atualizado acerca dos acontecimentos que circundam a sociedade, assim como é capaz de criar novas maneiras de expressar sua opinião.

Está presente no conjunto de coisas escritas em Nery (2011, p. 113) que “os discentes conseguem interagir espontaneamente nas atividades de leitura e relacionar o que é lido com o contexto no qual se encontram inseridos”. Identifica-se como contribuição a espontaneidade gerada nas relações intersubjetivas ao ser empreendido o uso da charge em meio ao trabalho pedagógico no que diz respeito às atividades de leitura. Além disso, aponta-se a capacidade de correlacionar o texto com o contexto em que se insere o sujeito.

Identifica-se nos escritos sob a ordem do discurso pedagógico, o posicionamento do professor como sujeito no referido discurso, suscitando as contribuições que o uso da charge trouxe para o processo de formação do aluno, conforme os escritos presentes em Dagostim (2009, p.97):

Neste novo cenário, o aluno passou a participar mais, a interagir tanto com os colegas quanto comigo enquanto professora, e nesse ínterim, alunos que pouco contribuíam durante as aulas passaram a ganhar voz, a expor suas opiniões e a criticar, de forma coerente, a de seus colegas. Isso aconteceu principalmente pelo fato de o gênero discursivo charge tratar de questões atuais, cotidianas e relacionadas à vida social, e assim, os temas sugeridos pelas charges serviram para estimular debates no decorrer das aulas.

Destaca-se como contribuição a interação do aluno com os demais sujeitos do processo e a sua participação ativa nesse cenário. Sob as séries de signos “ganhar voz” aponta que o aluno é valorizado no processo como um sujeito que tem algo a dizer, que passa a expor sua opinião, a participar de debates, apresentando posicionamentos.

4.3 A regularidade do discurso sobre o uso pedagógico da charge na EJA no