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O termo coordenação tem uso constante no cotidiano das pessoas, o que permite que haja um amplo espectro de definições intuitivas para seu significado (MALONE; CROWSTON, 1994), o que afrouxa o rigor técnico de seu entendimento nas discussões de sua aplicação em especial pelo comum

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intercâmbio terminológico com cooperação e colaboração, contudo, Malone e Crowston sugerem uma definição concisa e simples do termo:

“Coordenação é gerir dependências entre atividades”.

Apesar de esta definição omitir a dependência entre organizações ou entre objetos, subentende-se que a dependência entre estes ocorre, pois a sua ausência penaliza alguma atividade (e.g. processos) da outra.

Várias formas de dependência podem ser gerenciadas por meio de processo coordenado, conforme apresentado na Tabela 2.5.

Tabela 2.5 Dependências e processos coordenadores

Dependência Exemplo de Processo Coordenado

Compartilhamento de Recursos/Definição de Tarefas

Atendimento por chega (fila), priorização, centralização de decisão, formação de leilão Atividades com pré-requisitos Notificação, sequenciamento e monitoramento

Transferência Gestão conjunta de estoque Compatibilidade de Bens e Serviços Padronização, desenvolvimento conjunto

Restrições e atividade simultâneas Sincronização, planejamento conjunto Tarefas Seleção de objetivo, decomposição de projetos

Fonte: Adaptado de MALONE e CROWSTON (1994)

O relacionamento formado entre dois atores independentes juridicamente em uma cadeia de suprimentos com o intuito de atingir um objetivo determinado (e.g. uma processo interdependente) ou compartilhar um benefício (que de outra forma não existiria e, portanto, depende da relação) é denominado uma parceria (MALONI; BENTON, 1997), que pode ser resumida como a ligação necessária para a ocorrência da coordenação.

A coordenação entre membros de uma cadeia como a relação fornecedor-produtor é essencial para atingir a flexibilidade necessária para responder rapidamente a mudanças de mercado e sua ausência impõe perdas de desempenho entre outras penalidades (SIMATUPANG et al., 2002), pois as ações de membro da cadeia geram consequências nas ações de outros

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membros, ou seja, uma cadeia de suprimentos envolve atores interdependentes devido às suas atividades.

Os benefícios da coordenação não são, todavia, necessariamente aplicáveis a qualquer ligação entre etapas ou membros de uma cadeia de suprimentos e para esta definição é importante o conhecimento da composição da rede que as ligam (LAMBERT; COOPER, 2000): é preciso ter claro quais atores a compõem, a dimensão estrutural da rede (ligações verticais ou horizontais) e os diferentes tipos de ligações que eles mantêm nos processos entre os quais fluem os materiais.

Contudo, em logística, uma grande dificuldade em se considerar a gestão coordenada da cadeia é a suposição de que todas as suas partes formadoras com as quais há algum nível de dependência são claras e conhecidas (LAMBERT; COOPER, 2000), em especial pela descrição teórica de uma cadeia de suprimentos que desconsidera os diversos níveis intermediários em cada etapa do fluxo de materiais, pois não há apenas a integração entre uma companhia e seus clientes e fornecedores, mas sim uma rede maior de consumidores de consumidores (e.g. o consumidor final, o distribuidor de varejo e o distribuidor de atacado) e vendedores de vendedores (e.g. fornecedores de insumos para a produção de peças vendidas a empresa), cuja forma é mais próxima da ramificação de uma árvore do que uma linha de produção.

Simatupang et al. (2002) discutem os modos da coordenação por meio da definição de uma taxonomia comum que se baseia na mutualidade e no foco da coordenação para criar uma classificação extensiva de sua aplicação. Por mutualidade entendem-se os valores da responsabilidade entre os parceiros de uma cadeia com ênfase na sustentação de relações que podem ser subdivididas em complementaridade de processos (como os membros gerenciam as interdependências) e a coerência (grau de consistência e afinidade no entendimento das organizações).

A dimensão do foco da coordenação pode ser tanto nas ligações operacionais quanto organizacionais. Ligações operacionais são referentes à integração de processos interdependentes, em que o fluxo de materiais ou

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informações afeta a forma como os membros da cadeia gerenciam seu planejamento e suas operações diárias, enquanto que ligações organizacionais ocorrem quando há uma ligação na percepção do interesse entre as organizações para que estas mantenham atividades coletivas.

A combinação destas duas dimensões forma uma classificação entre os modos de coordenação das atividades cuja ocorrência pode ser concomitante e simultânea conforme a taxonomia resultante da Figura 2.6:

Tabela 2.6 Taxonomia dos modos de coordenação

Fonte: Simatupang et al. (2002)

Sincronização é o reconhecimento e a organização de iniciativas que possam melhorar a aquisição, consumo ou disposição de produtos e serviços o que pode significar o planejamento conjunto de atividades, a identificação e clarificação de papéis e o compartilhamento de recursos enquanto que o compartilhamento de informação se refere aos esforços para tornar disponível a quantidade necessária de informação relevante e acurada, para a tomada das melhores decisões possíveis o que emerge a inerência da assimetria de informação nas cadeias de suprimentos.

O incentivo ao alinhamento se refere ao gerenciamento de benefícios e penalizações às decisões que as organizações tomam em relação à coordenação, visando guiá-las ao comportamento desejado, em especial, no que tange ao trade-off entre ganhos individuais e ganhos globais. O conhecimento coletivo se refere a como as organizações aprendem coletivamente e melhoram suas relações com base em experiências passadas, criando melhores ferramentas ou capacidade de lidar com as necessidades de alinhamento organizacional. Complementaridade Coerência Ligações Operacionais Sincronização Logística Compartilhamento de Informação Ligações Organizacionais Incentivo ao

Alinhamento Aprendizado Coletivo

Foco da Coordenação

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Skjoett-Larsen (2000) lista que a cooperação entre diferentes membros de uma cadeia de suprimentos se dará consoante com áreas e necessidades como:

 Planejamento conjunto e troca de informação;

 Cooperação baseada em requerimentos do usuário final;

 Coordenação cruzada entre diferentes níveis das organizações;  Coordenação de longo prazo e construção de confiança;

 Divisão justa de riscos e benefícios; e  Visão comum e alinhamento de culturas.

A coordenação em logística também pode ser classificada conforme a posição dos atores na cadeia sendo horizontal ou vertical. Coordenação vertical se refere às ligações entre atores posicionados em setores distintos que recebem e fornecem serviços e materiais em momentos distintos (LAMBERT; COOPER, 2000). As relações fornecedor-comprador e os impactos do compartilhamento de informação para melhorar a dinâmica de controle de estoques são exemplos deste tipo de coordenação.

A coordenação horizontal se refere ao conceito de organizações que operam no mesmo nível da cadeia e são, portanto, concorrentes na disponibilização ou consumo dos mesmos tipos de serviços e materiais (CRUIJSSEN et al., 2007; LEITNER et al., 2011), cujo exemplo é a ligação entre compradores para adquirir melhores ganhos em negociações, o uso compartilhado de recursos (e.g. rateio de fretes, compartilhamento de armazéns), entre outras ligações que envolvem atores similares na cadeia.

A diferenciação entre coordenação vertical e horizontal pode ser representada por um diagrama em cruz das relações possíveis em uma cadeia de suprimentos Figura 2.5:

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Figura 2.5 Ligações da Cadeia para Coordenação

Fonte: Baseado em Barratt (2004)