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A Inteligência Competitiva é interdisciplinar. As disciplinas que mais contribuem para analisar, entender e explicar problemas afetos à Inteligência Competitiva são a Administração, a Ciência da Informação, a Ciência da Computação, as Comunicações, a Psicologia, a Filosofia, a Matemática, a Lógica e a Estatística.

A caracterização da atividade de Inteligência Competitiva como interdisciplinar amplia o escopo de pesquisa da Inteligência Competitiva e alerta quanto à necessidade dos pesquisadores adotarem visão sistêmica e considerarem outras áreas do conhecimento ao realizarem pesquisa sobre IC e tentarem resolver problemas afetos a essa atividade.

A Ciência da Informação contribui significativamente para o entendimento dos problemas afetos a Inteligência Competitiva e, principalmente, na construção dos seus fundamentos. Isso porque a Ciência da Informação possui como principal objetivo o estudo das propriedades gerais da informação. Ou seja, tanto a Ciência da Informação quanto a Inteligência Competitiva têm como foco a informação, o que difere é o enfoque: o primeiro mais abrangente, e o segundo restrito à produção de informação para apoio à tomada de decisão e à inovação.

Questões objeto de pesquisa da Ciência da Informação também são relevantes para a formação dos fundamentos da Inteligência Competitiva, como por exemplo: recuperação, interpretação, produção, utilização, transmissão da

informação; investigação das propriedades gerais e o comportamento da informação, bem como as forças que regem o fluxo da informação.

Outras contribuições da Ciência da Informação para a IC referem-se aos estudos do comportamento da informação nos contextos cognitivos e sociais bem como as pesquisas no âmbito da bibliometria e infometria.

As organizações que investem em Inteligência Competitiva possuem o seguinte perfil: a maioria caracteriza-se como organização de grande porte, situada nas Regiões Sudeste e Sul do Brasil, cujo controle do capital é privado, e atua em setor de grande competição.

O setor público, ou que oferece serviços públicos, é o que menos investe na atividade de IC, e, em geral, atua em ambientes com baixo nível de competição. Ao contrário de países como a França, no Brasil há pouco conhecimento por parte das organizações de Estado da importância da atividade de Inteligência, principalmente a econômica, e dos frutos que possa trazer ao desenvolvimento econômico do Brasil.

Há pouco investimento, por parte das organizações, na equipe destinada para a produção de IC, tanto em termos do número de pessoas dedicadas exclusivamente a atividade de IC quanto à formação básica em Inteligência. Este é um sinal negativo, visto que se refere a uma atividade intelectual.

A atividade de Inteligência deve ser posicionada em local estratégico na estrutura organizacional, próxima ao topo da organização. As áreas de estratégia ou de marketing têm sido as que mais abrigam essa atividade, sendo que em algumas organizações ela é praticada em área própria vinculada diretamente à diretoria da organização.

O principal objetivo da Inteligência Competitiva é a agilidade e a melhoria na qualidade da decisão. Essa constatação foi verificada tanto na revisão da literatura quanto no levantamento realizado. Há organizações que praticam a atividade de IC com outros objetivos que não sejam a tomada de decisão e a inovação, conforme apontado pela literatura pesquisada. A inovação não tem motivado os investimentos na atividade de IC. Além disso, poucos instrumentos de análise que auxiliam no processo de inovação das organizações não são

utilizados pelas áreas de Inteligência Competitiva, como análise de patentes e early warning.

O sistema de Inteligência Competitiva é um sistema de atividades humanas composto por dois subsistemas: o de interações sociais e o de interações entre atividades conforme mostrado nas figuras 4 e 5 apresentadas no capítulo dois, seção “2.6 Análise e conclusões obtidos da revisão da literatura”. As interações sociais ocorrem por meio de redes formadas por diversos atores: decisores, equipe de IC – gerente, analistas e coletores, correspondentes, especialistas e provedores de informação. Já o de interações entre atividades é representado pelo conjunto de procedimentos vinculados aos processos pertencentes à atividade de IC. Esse sistema de atividades humanas utiliza-se das TIC para apoiar seu funcionamento e facilitar o fluxo informacional. As principais atividades praticadas são:

- Identificar necessidades informacionais; - Planejar a atividade de IC;

- Monitorar o ambiente;

- Coletar dados e informações; - Mapear/gerenciar redes; - Atuar com ética;

- Tratar/analisar os dados coletados; - Elaborar documento final;

- Difundir a Inteligência produzida;

- Proteger o processo sob a ótica da Contra-Inteligência Competitiva - Armazenar dados e documentos;

- Avaliar e decidir com base na Inteligência produzida; - Iniciar ações na organização;

- Avaliar o processo de mensuração de resultados.

Atores, Informações, Procedimentos e TIC são elementos que compõem qualquer Sistema de Inteligência Competitiva independente da organização ou do setor em que atua.

Os atores que mais participam dos SIC são os analistas de IC, os especialistas e os tomadores de decisão. As funcionalidades da TIC mais utilizadas são para o armazenamento e recuperação de informações e para a disseminação dos documentos produzidos. As informações mais monitoradas são o monitoramento do concorrente, o de produtos, o do ambiente econômico e o de clientes. Os procedimentos mais utilizados são o “monitoramento sistemático de questões estratégicas”, o “mapeamento periódico das necessidades de informação da alta administração”, e a produção de Inteligência.

O planejamento, a coleta, a análise e a difusão são procedimentos de destaque no processo de produção de Inteligência. Os métodos/instrumentos de coleta mais utilizados são “busca na internet”, “coleta em bases de dados externos à organização”, “coleta em base de dados pertencentes à organização”, “coleta em jornais e revistas”. No caso da análise os métodos mais utilizados são: análise da concorrência, análise SWOT e análise da indústria. Quanto à difusão, os principais veículos são a apresentação com slides, seguida pelos relatórios impressos.

O planejamento da atividade de IC não é um procedimento exercido pela maioria das organizações que praticam a atividade de IC. Essa postura poderá trazer problemas para essa atividade nas organizações, pois pode:

- gerar dificuldades no entendimento da demanda, conduzindo a produção de Inteligência a elaborar produtos que não atendam as reais necessidades informacionais dos tomadores de decisão;

- não haver clareza dos objetivos a serem atingidos, e com isso a Inteligência produzida não atender às expectativas organizacionais; - dificultar o atendimento aos princípios da oportunidade e da

objetividade, resultando na produção de informações que não serão utilizadas, pois foram entregues com atraso ao tomador de decisão.

A Inteligência Competitiva não se constitui de atividade madura no Brasil. Métodos consagrados na literatura e específicos da atividade de IC não são utilizados pela maioria das organizações, como por exemplo, early-warning,

blindspot, war-game e a análise de patentes. A técnica de entrevista, base da coleta de dados em fontes humanas, também é de baixa utilização pelas equipes de IC.

Outros pontos que confirmam a conclusão anterior referem-se ao fato de os procedimentos a seguir não serem exercidos por todas as organizações:

- o monitoramento sistemático do ambiente;

- o mapeamento sistemático das necessidades informacionais; - conduta ética em todos os processos de IC; e

- a proteção do conhecimento sensível da organização.

A avaliação/mensuração dos resultados da atividade de IC constitui-se de procedimento que necessita de aprimoramento.

A atividade de IC mostra-se eficaz nas organizações. Essa conclusão é confirmada pela revisão da literatura e pelo levantamento realizado junto às organizações que praticam IC – a maioria informou que os produtos produzidos pela atividade de Inteligência Competitiva são utilizados pela alta administração da organização no apoio à tomada de decisão, principalmente as decisões estratégicas e de marketing.

Essa conclusão possui uma restrição, visto que foi baseada na revisão da literatura e na opinião de profissionais que trabalham na área. Não foram entrevistados os usuários da Inteligência produzida (tomadores de decisão) conforme já comentado. Sendo assim, é recomendado checar essa conclusão junto aos executivos das organizações que praticam a atividade de IC.

Os principais fatores críticos de sucesso para a eficácia da atividade de Inteligência Competitiva são:

- Apoio da alta administração; - Pessoal capacitado;

- Foco claro nas necessidades de informação; - Cultura de IC instituída na organização; - Manutenção de redes humanas;

- Utilização de procedimentos adequados.

Os resultados da análise de regressão confirmam a hipótese de que existe correlação entre os elementos-chave e a eficácia da atividade de IC.

Conclui-se que todas as hipóteses levantadas foram confirmadas pelas análises descritivas e multivariadas. Ou seja:

- Existem elementos-chave que compõem qualquer Sistema de Inteligência Competitiva. Esses elementos são: rede de atores, procedimentos, tecnologias da informação e comunicação e foco claro nas necessidades informacionais da alta direção.

- A eficácia da função Inteligência é alta.

- Os elementos-chave constituem fatores críticos de sucesso importantes para o bom funcionamento do Sistema de Inteligência Competitiva.

- Há relação entre a eficácia da função Inteligência e os elementos- chave do Sistema de Inteligência Competitiva.

Também se conclui que os objetivos da pesquisa foram atendidos, visto que foram identificados os elementos-chave que compõem os Sistemas de Inteligência Competitiva que apresentam relação com a eficácia da função Inteligência. São eles: atores, informações, procedimentos e TIC. Esses elementos-chave do SIC foram enumerados e explicados.

Foi verificada a eficácia do Sistema de Inteligência Competitiva por meio da utilização de técnicas de estatística multivariada para análise dos dados. Como resultado foi elaborado modelo teórico de eficácia da função Inteligência que orienta a implantação e a gestão de SIC em organizações, conforme mostrado na Fig. 18. Destaca-se que os elementos-chave atores e procedimentos, componentes desse modelo, estão representados detalhadamente nos desenhos dos sistemas de relações sociais e de relações entre atividades – figuras 4 e 5 respectivamente, apresentados no capítulo dois, seção “2.6 Análise e conclusões obtidos da revisão da literatura”.

FIGURA 18 – Modelo Teórico de Eficácia de Sistema de Inteligência Competitiva

O caráter interdisciplinar da Inteligência Competitiva e sua inter-relação com outros ramos do conhecimento, principalmente com a Ciência da Informação, contribuem para o entendimento e funcionamento de um SIC.

Benzer Belgeler