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3.1 Dünyada Mali Yolsuzluklar

3.1.4. Enron Vaka İncelemesi

O pesquisador francês Alain Touraine (1995 apud SAMPER et. al.) em seu artigo O que é o multicultaralismo? defende que foram divulgados pela opinião pública quatro acepções que estão muito distantes de compreender o fenômeno do multiculturalismo, e que estas acabam se aproximando da defesa de uma monocultura e de um xenofobismo, o que torna necessário que se chegue a um acordo sobre o que significa realmente este termo.

A primeira visão equivocada de multiculturalidade identifica esta com a defesa das minorias e seus direitos. A defesa das culturas minoritárias pode parecer num primeiro momento uma manifestação de multiculturalismo, mas em geral, esta acaba levando a uma espécie de fragmentação autista e a hostilidades perante a coexistência de culturas diversas.

Esta simples defesa de culturas minoritárias ou subjugadas não constitui uma manifestação ou condição multicultural.

Uma segunda visão distorcida concebe o multicultural como um inalienável direito ao respeito da diferença, a sociedade multicultural nesta perspectiva seria aquela em que não se mesclam diferenças culturais e as preservam intactas. Para Touraine (op. cit.) esta postura termina em um individualismo sem concessões e a um gregarismo social intocável. Este segundo conceito acaba defendendo a perpetuação da diferença cultural, mas não a multiculturalidade.

Uma terceira visão distorcida concebe a multiculturalidade como a simples coexistência indiferente entre distintas culturas, desde uma tolerância incorretamente compreendida, que considera que a sociedade multicultural é aquela na qual subsiste uma certa indiferença pluralista de várias culturas. Não existe neste caso interação entre elas, e sim uma mera subsistência irrelevante. Ser multicultural nesta visão seria não se preocupar com o destino das outras culturas em seu entorno.

A última visão inadequada dos fenômenos multiculturais, segundo Touraine (op. cit.), é aquela que assimila com resistência a cultura ocidental e que atua na busca de culturas anti- ocidentais. Ao final deste século parece estar em voga em diversos cantos do planeta atores sociais com chamadas anti-modernas e anti-ocidentais para refugiarem-se aparentemente em outras culturas. Estas quatro visões seriam para Touraine os chamados falsos multiculturalismos presentes nos dias de hoje.

Samper, Trujillo e Tabares (1998) acreditam ser possível, a partir destas considerações sobre os falsos multiculturalismos construir um conceito mais maduro de sociedade multicultural com base nos itens que apresento a seguir:

b) Quem não é capaz de reconhecer em cada cultura seus valores e suas pretensões de universalidade não está preparado para assumir a multiculturalidade;

c) O multiculturalismo só tem sentido como a combinação de uma pluralidade de culturas que mantém permanentes intercâmbios e comunicações entre atores que utilizam diferentes sentidos de vida;

d) A existência multicultural está modificando radicalmente conceitos centrais como igualdade, dignidade, diferença e liberdade. Necessitamos de um princípio de igualdade humana aberto às diferenças e uma noção de liberdade que não esteja reduzida a simples autonomia do indivíduo, e sim como a necessidade de reconhecimento no interior das comunidade e de suas tradições concretas. A igualdade aberta às diferenças pressupõe a aceitação da igualdade de valor entre diferentes culturas e o abandono de noções como culturas superiores, avançadas, primitivas ou subdesenvolvidas;

e) Ao converter-se as sociedades e os indivíduos em expressões multiculturais exige-se agora não apenas a preservação cultural, mas também o reconhecimento universal e a equiparação das mais diversas culturas existentes.

Para Sachs (2005, p. 161)

É claro que a palavra cultura deve ser usada no plural e analisada na sua evolução contínua. Várias culturas e contraculturas coexistem na cultura nacional, dando lugar à mestiçagem (...), mas gerando também conflitos, atritos e até exclusões, que as sociedades multiculturais, freqüentemente, enfrentam. (...) O multiculturalismo baseado na liberdade cultural, que nada tem a ver com o apego à tradição petrificada, leva a uma perspectiva diametralmente oposta.

Outra noção importante neste contexto é o conceito de interculturalidade que segundo Samper, Trujillo e Tabares (1998) parte do pressuposto de que as culturas não se encontram isoladas nem se produzem por geração espontânea. Estas em seu acontecer diário tendem a

abarcar espaços que as conduzem a entrar em relação com outras culturas. A estas relações estabelecidas entre as diversas culturas dá-se o nome de interculturalidade.

A interculturalidade segundo estes autores pode se dar predominantemente de três formas. A primeira quando o contato entre diferentes culturas faz com que uma tenda a fazer a outra desaparecer estabelecendo relações de dominação e não reconhecimento. A segunda se dá quando ao se encontrarem duas ou mais culturas, estas partem para um reconhecimento de cada contexto e de suas particularidades, estabelecendo uma relação de diálogo e respeito que vai produzindo modificações significativas no cenário simbólico de ambas as culturas que entraram em interação. E um terceiro caso, é quando ao se estabelecerem relações de contato entre duas ou mais culturas, e mesmo existindo relações de reconhecimento entre elas, as culturas não se resultam afetadas ou modificadas por este encontro e diálogo.

É válido ressaltar que nem toda relação do tipo intercultural é necessariamente multicultural, porém toda relação multicultural é obrigatoriamente intercultural. A primeira e a terceira formas citadas no parágrafo anterior são interculturais, mas não necessariamente multiculturais, já a segunda relação é tanto intercultural quanto multicultural.

Neste estudo podemos observar que a multiculturalidade é um fator importante na inclusão social por atividades culturais, pois isto permitirá a ampliação dos vínculos globais e locais e da consciência crítica de cada indivíduo. Já a interculturalidade que não é multicultural, pode ser maléfica para um processo de inclusão social por meio da cultura. Em se tratando de Brasil, país que possuí uma diversidade cultural bastante abrangente estes aspectos ganham ainda mais importância. Vale observar também que a multiculturalidade e a interculturalidade são capazes também de trazer um empoderamento cultural ao indivíduo vital para a sua inclusão social.

2.2.3. POLÍTICA CULTURAL E DESENVOLVIMENTO NO COMBATE À EXCLUSÃO