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Enine Donatı Koşulları

Treze anos depois, Robinson Cavalcanti escreve sua segunda obra sobre sexualidade. Segundo Lago (2004) o autor reconhece que existia pouca literatura escrita por cristãos brasileiros sobre sexualidade, tendo uma maior publicação de “norte-americanos conservadores”. (p.24)

No seu segundo livro, Libertação e Sexualidade (1990) Robinson Cavalcanti aborda o modelo cristão idealizado do matrimônio, tentando quebrar o paradigma da monogamia e indissolubilidade do casamento. Cavalcanti lida também com a homossexualidade, condenando-a, como no livro anterior.39

Cavalcanti escreve seu segundo livro consciente de que o país mudou, mas a instituição eclesiástica se fechou, tornando-se “tradicionalista e reacionária” sacralizando o passado, demonizando o presente e tornando o futuro aterrador por medo do novo, da diferença, de mudanças. Enquanto no seu primeiro livro Cavalcanti interpretava os textos bíblicos literalmente para ditar regras sobre sexualidade, observa-se uma mudança neste segundo livro quando ele aborda a tensão entre natureza, cultura e revelação, e acusa o fundamentalismo de interpretar

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Preferi me resguardar de comentar a abordagem de Cavalcanti sobre homossexualidade pela abrangência do assunto e a exiguidade de tempo e espaço. Abordar a homossexualidade resultaria em outra pesquisa em si, tal sua abrangência.

os textos literalmente, sem levar em conta os condicionamentos culturais, enxergando os textos como óbvios e claros.

Cavalcanti propõe um pluralismo, uma ética de sanidade em oposição a uma moral cristã promotora de enfermidades. “Uma ética que não seja negativa, opressiva ou repressora, mas que promova a realização do ser e sua busca da felicidade”. (p.19)

Aparentemente, Cavalcanti propõe uma leitura da sexualidade diferente do seu primeiro livro. Ele condena a excomunhão de membros das igrejas por não ter seguido os manuais ditados pelas igrejas, a repressão sexual, apontando a contradição entre “a rigidez das normas e a realidade do comportamento pessoal e a sacralização de formas, modos, usos e costumes”. (p.21)

Quem tem o poder de excomungar quem e por quê? Não são passíveis de excomunhão os pecados dos que detêm o poder de excomungar: a glutonaria, a avareza, a maledicência, a desonestidade, a falta de amor, etc. Os que pecam por omissão e por pensamento não levariam vantagem sobre os que pecam por palavras e atos? Podemos ter nossas listas oficias ou oficiosas, de pecados ‘mortais’ e pecados ‘veniais’? (p.23)

Depois de afirmar que a sexualidade fora criada por Deus e que vira que era bom, Cavalcanti propõe as regras divinas sobre a sexualidade enumerando suas distorções, dentre as quais destaca: Necrofilia, zoofilia, homossexualismo (sic) 40

, estupro, prostituição, fornicação (ou relacionamentos sexuais efêmeros e sucessivos), incesto, masturbação (ou auto-realização sexual solitária), desta vez ressaltando quando esta opção “é permanente de um egoísmo sexual” (p.29); aborto,sadismo, masoquismo e lascívia. Contudo, Cavalcanti enfatiza três temas em um de seus capítulos, Aborto, homossexualismo (sic) e masturbação.

Quanto à masturbação, observa-se uma diferença na abordagem do primeiro livro, tornando-se mais condescendente ao observar ser natural do adolescente o ato de se masturbar, com um adendo de que na maturidade o sujeito deve

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Desde 1974 não se utiliza mais o termo homossexualismo, porque o sufixo ismo denota doença e perversão, mas já foi retirado do manual da Associação Americana de Psiquiatria (APA) e do manual brasileiro de normas psiquiátricas Cid 10 o termo homossexualismo, passando a ser chamada de homossexualidade a orientação sexual. Contudo, guardamos o termo originalmente utilizado pelo autor.

voluntariamente abandonar a prática, já que continuá-la, mesmo casado, pode refletir algum caso de cuidados clínicos.

Cavalcanti critica os autores Trobisch (Norte- americanos) que enfatizam a repressão da masturbação, chegando até a inferir que a polução e excitação noturnas são autoerotismo, ou seja, uma prática da masturbação, portanto, pecaminosa.

Diferentemente do primeiro livro, Cavalcanti lança mão de um discurso mais acadêmico, mencionando cientistas. Ao mencionar William Reich41, Cavalcanti explica que a abstinência pode ser ajudada pelo trabalho e os esportes, mas que para muitas jovens a repressão sexual pode causar o choro frequente e os ataques histéricos. Porém, ele continua a nomear maneiras de como fugir e se afastar da masturbação: esportes, trabalho, estudo, lazer, ou seja, uma terapia ocupacional.

Concordamos com a recomendação do teólogo inglês Leslie D. Weatherhead [...]. O Cristão deve pensar na Graça de Deus, pensar em suas vitórias morais em todas as áreas da existência, e descansar, entregando todo o seu ser, nas mãos do Senhor. (p.39)

Cavalcanti em seu segundo livro reafirma a pecaminosidade do casamento misto, do sexo antes do casamento, e reitera a não pecaminosidade da poligamia. Aliás, o ponto alto de seu segundo livro. Já afirmamos ao falar de seu primeiro livro, que o assunto se tornou importante por causa da abrangência da Igreja Anglicana na África, onde muitos de seus convertidos já entravam na igreja com várias esposas. Na conferência conhecida como Conferência de Lambeth 1988 42, a Igreja

Anglicana decidiu permitir que os polígamos convertidos ao cristianismo

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Psicanalista pós e supra Freudiano que estuda sobre a sexualidade e a importância do orgasmo para o ser humano.

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As Conferências de Lambeth são assembleias da Igreja Anglicana e seus Bispos em todo o mundo que acontecem a cada dez anos juntamente com o Arcebispo de Canterbury para discutir temas atuais da época. A primeira conferência aconteceu em 1867. A que se realizou em 1988 teve como tema principal casamento, família, direitos humanos, pobreza e dívida, meio ambiente, militarismo, justiça e paz. Nesta conferência abriu-se exceção para que participassem todos os membros dos conselhos consultivos das igrejas Anglicanas do mundo inteiro, como as igrejas de Bangladesh, Norte e Sul da índia e Paquistão que foram convidadas a participar. Neste ano deliberou-se que se respeitassem as decisões tomadas por cada província em ordenar mulheres ao sacerdócio. Disponível

em<http://en.wikipedia.org/wiki/Lambeth_Conferences#Thirteenth_Conference_.281998.29 >Acessado em 20/07/2011.

conservassem suas mulheres, embora devessem prometer que não se casariam novamente com mais mulheres após sua conversão e eram vedados a certos cargos eclesiásticos e para o sacerdócio. (p.94) Porém, Cavalcanti (1990) não concorda com os limites impostos aos polígamos:

O limitar a sua elegilibilidade para cargos eclesiásticos, porém, gera, de fato, duas categorias de cristão: os de “primeira” (celibatários e monogâmicos) e os de “segunda” (polígamos). A proibição dos cristãos a novos casamentos é contraditória, preconceituosa, revela questões teológicas não resolvidas e temores que uma compreensão mais coerente e mais honesta venha a abalar as tão caras (e cada vez mais abaladas) tradições do Ocidente. (p.94)

Adverte Cavalcanti (1990) que a igreja necessita ser um lugar de sanidade, não existe sanidade sem sexualidade. Ele encerra o primeiro capítulo, após um discurso essencialista, questionando se os cristãos encontram-se preparados para reconhecer que depois da salvação o cerne da felicidade da vida é a sexual.

Depois de tanta repressão e tentativa de controle, resta a pergunta: Será que a obediência a inúmeras regras e normas sobre sexualidade garantem a prometida felicidade?