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Engellilerin Toplum Hayatı ile Bütünleşmesini Sağlayıcı Hizmetler

BÖLÜM 3: SOSYAL BELEDİYECİLİK ÇERÇEVESİNDE ANKARA

3.3. Ankara Büyükşehir Belediyesi'nin Engellilere Yönelik Hizmetleri ve Bu

3.3.2. Engellilerin Toplum Hayatı ile Bütünleşmesini Sağlayıcı Hizmetler

ocupação estabelecidos foram estudados de modo a induzir uma densificação racional da cidade” (PREFEITURA MUNICIPAL DE FRANCA, [1971?e]:5).

Ou seja, as propostas eram vistas como imprescindíveis e não deveriam ser modificadas em hipótese alguma, nem mesmo pela Câmara Municipal, refletindo traços autoritários e fornecendo uma característica impositiva ao Plano, que pode ser adjetivada como tecnocrática, pois não abre espaço para qualquer questionamento da proposta, vista portanto como tecnicamente perfeita e inquestionável, impermeável ao debate.

Para modificar o quadro diagnosticado da ocupação e uso do solo da cidade, propunha-se que, com base em critérios como densidades de ocupação, padrão das edificações, características topográficas do sítio natural e processo da ocupação urbana fosse possível subdividir a área urbana em cinco diferentes zonas: o centro, o bairro da Estação, a Cidade Nova, os loteamentos situados depois da estação ferroviária e a Santa Cruz. O objetivo seria facilitar e sistematizar a análise do espaço urbano e seus componentes.

Vê-se aqui, uma clara manifestação quanto à pretensa “racionalidade técnica” do trabalho de planejamento desenvolvido, onde

“qualquer alteração nas taxas de ocupação previstas ou no zoneamento preconizado provocará o desmoronamento de toda a estrutura da Política de Desenvolvimento Físico, fundamentada neste trabalho com base em mais de um ano de estudos minuciosos” (PREFEITURA MUNICIPAL DE FRANCA, [1971?e]:5).

Segundo o Diagnóstico, havia também uma urgência para:

a) “Hierarquizar o tráfego mediante a determinação precisa das vias primárias e secundárias, bem como o estabelecimento dos acessos, das saídas e das direções.

b) Estabelecer com nitidez a interligação entre as rodovias e os sistemas primário e entre estes e os secundários.

c) Identificar e estabelecer as ligações inter-bairros sem que o tráfego cruze o centro da cidade.

d) Criar os sistemas destinados aos pedestres” (PREFEITURA MUNICIPAL DE FRANCA, [1971?a]:112).

Com isso, estariam justificadas as intervenções no sistema viário, que era considerado antiquado e insuficiente para atender as demandas de expansão da cidade e de suas atividades econômicas.

Tomando-se como base as propostas, pode-se dizer que o Diagnóstico nada tinha de irreal, nem era apenas uma extensiva compilação de dados pouco efetiva, em contraposição à crítica que os Planos financiados pelo SERFHAU, por sua concepção tecnocrática e autoritária, não faziam a leitura adequada da realidade, presente em vários planos do período, como no PUB de São Paulo e no Plano Doxiadis do Rio de Janeiro, como vários estudos demonstram.

Primeiro, porque aquilo que o Diagnóstico aponta, estava calcado numa análise situacional que diagnosticava corretamente os principais entraves para o tipo de desenvolvimento econômico que o poder público e o setor empresarial calçadista desejavam:

• um sistema viário moderno, que permitisse a rápida circulação do automóvel e das mercadorias produzidas pela indústria;

• a melhoria da região central, onde se instalava o comércio principal; • a expansão horizontal da cidade, que prejudicava o fornecimento de infra-

estrutura e serviços, bem como a capacidade de investimento e manutenção da cidade pela prefeitura;

• a implantação de um distrito industrial moderno, segregando as indústrias consideradas incomodas em um local distante das moradias e, ao mesmo tempo, propiciasse ganhos de escala na produção, já que a indústria coureiro- calçadista estava disseminada por toda a cidade, inclusive nas regiões centrais e começavam a ser alvo de reclamações da vizinhança (FERREIRA, 1989). Especificamente no caso do sistema viário, a adoção impositiva nos novos parcelamentos do solo a partir de 1977, com base nas dimensões exigidas pela Lei do Plano Diretor Físico, de vias principais hierarquizadas com largura de 32 metros, às expensas dos empreendedores, foi suficiente para o surgimento de novas e importantes vias de circulação intra-urbanas, sem quaisquer ônus para o Município em desapropriações, como nas avenidas São Vicente, Chafi Facuri, Orlando Dompieri, Abrahão Brickman, prolongamento da Brasil, dentre outras, como se pode verificar analisando os processos de aprovação dos empreendimentos imobiliários que deram origem às mesmas junto ao Cadastro Físico da Prefeitura. Além disso, os procedimentos de aprovação de loteamentos passaram a exigir o fornecimento de diretrizes prévias aos empreendedores e de caução para garantir as obras de infra-estrutura de responsabilidade dos empreendedores4.

Os aspectos que não foram implementados ou, ao contrário, seguiram em direção oposta ao diagnosticado, como a expansão da cidade, onde a tentativa de bloquear novos loteamentos não prosperou por muito tempo, podem ser debitados à conta de uma visão dos dirigentes municipais e principalmente do setor empresarial calçadista, que tinha na política de expansão territorial da cidade sem grandes limitações preservadas suas possibilidades de investimentos em terrenos, construção e implantação generalizada de fábricas pela cidade, expansão que poderia continuar ocorrendo sem necessidade de transferência para um outro local enquanto a administração não viabilizava o Distrito Industrial.

As palavras dos ex-prefeitos Ary Balieiro e Maurício Sandoval Ribeiro são elucidativas neste aspecto, quando Ary afirma que Franca, em seu mandato, continuou “com a sua vocação de crescimento horizontal”, e de Maurício Sandoval Ribeiro, que diz: “eu lembro de uma frase do Fernando, logo no começo da administração, ele disse, ora Maurício, o governo estadual e federal não tem dinheiro para construir casa para todo mundo, eu falei qual a solução, a solução é nós abrirmos o maior número possível de loteamentos, porquê aí entra a lei da oferta e da procura, tendo bastante lote o preço vai cair e a pessoa mais humilde vai ter condições de comprar em suaves prestações mensais e ele vai construir sua casinha e nós não vamos ficar dependendo só do governo estadual e federal, e imediatamente eu concordei” 5,

4 Ver a respeito CHIQUITO, 2006.

5 A frase de Maurício, oriundo de tradicional família de políticos da cidade, de proprietários de terra com atividades

Fonte: PREFEITURA MUNICIPAL DE FRANCA [1971?e