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BÖLÜM 3: TÜRKİYE’NİN YUMUŞAK GÜÇ KULLANIMI: STRATEJİ,

3.2. Türkiye’nin Yumuşak Güç Uygulamaları

3.2.4. Engeller/Eksiklikler

O trabalho do estilisticista foi e é muitas vezes considerado menor por aqueles que viam e veem nesse tipo de análise algumas das preocupações da tradição retórica, dentre elas a função de prescrever regras do bem dizer, de identificar e classificar as figuras de linguagem, vistas como ornamento do texto, e por aqueles que entendiam e entendem erroneamente que a análise de um texto é excessivamente subjetiva, não é séria porque não se pauta na cientificidade. Ledo engano!!! Somos caçadores de sentidos e vamos atrás das trilhas, das pistas que nos permitem desvendar os segredos do texto, os vários sentidos, como já dissemos. Além do mais, sabemos que a linguagem humana é subjetiva por excelência, pois estamos sempre fazendo escolhas o que implica a subjetividade.

Essa visão deturpada do estilisticista se justifica pelo trabalho com a subjetividade, com a expressividade e pela história da Estilística, que surge como substituta e opositora à Retórica e vai, ao longo da sua trajetória se associando a outras disciplinas e ciências a ponto de ser vista de forma negativa por alguns já que não se tratava de uma disciplina autônoma. No nosso entendimento, esse aspecto tido como negativo é o que propiciou o diálogo da Estilística com as diversas áreas do conhecimento enriquecendo

72 as análises. O advento e o sucesso das teorias da Análise do Discurso que centralizaram seu foco inicialmente nos discursos políticos obscureceu fortemente o trabalho do estilisticista. Hoje, no entanto, as teorias discursivas são ferramentas do analista.

Destacamos que subjazendo à história da Estilística está sua associação com a Linguística e os estudos discursivos que revelaram concepções diversas de língua, texto, discurso e sentido. Antes de tratarmos especificamente do objeto da estilística que é o estilo, faz-se necessário traçar um breve sobrevoo pela história da Estilística para fundamentar a nossa opção por determinada linha de trabalho.

O surgimento da Estilística se dá com o advento do Romantismo, cuja proposta era valorizar a emoção, a subjetividade, a liberdade de criação. Nesse momento, vê-se um repúdio em relação às normas estabelecidas, de forma que a Retórica, responsável por ditar, até então, as regras do bem dizer, bem escrever, acaba entrando em decadência. Como considera Uchôa (2013), esse declínio ocorreu tanto pela revolução ideológica e cultural do século XIX, como pela falta de renovação ao longo dos séculos, tornando o texto literário mero pretexto para a identificação e classificação de figuras de linguagem. A excessiva preocupação com o uso de figuras para tornar o texto belo, substituindo a livre emoção pela técnica foi sendo questionada, os escritores passaram, então, a repudiar a Retórica, porque viam nela um impedimento para a emoção, um cerceamento da liberdade de expressão.

É nesse contexto, no século XX, que surge a Estilística, associada à Linguística, buscando em uma ciência o apoio para se distanciar dos manuais, da técnica pura e simples. Bally será o responsável por fundar a Estilística e, como discípulo de Saussure, centrará seus estudos na língua, acreditando existir estilo apenas na língua, espaço da espontaneidade.

Ainda que pareça estranho que o fundador da Estilística não conceba o estilo na literatura, faz todo sentido se pensarmos que a tradição retórica ditava normas e prescrevia regras, de forma que, naquela época, os textos literários eram submetidos às mesmas orientações, limitando a possibilidade

73 de se enxergar peculiaridades, individualidades nos textos, uma vez que eram fruto de uma intenção preestabelecida pelos manuais.

Se Bally se caracterizou por estudar o estilo na língua, Spitzer foi responsável por estudar o estilo na Literatura, e dessa forma criaram, respectivamente, a Estilística da Língua ou da expressão linguística e a Estilística da Literatura (Genética, Idealista).

Bally ampliou as ideias sobre língua trabalhadas pelo mestre Saussure, entendia que o ensino da língua, baseado na gramática normativa e nos textos literários, era deficiente na medida em que não considerava a língua em uso. Concebia dois aspectos da linguagem: o lógico e o afetivo, enfatizando a afetividade no uso da língua, não o uso individual da língua, mas o sistema expressivo da língua coletiva. Bally destacava a expressividade da língua como um todo, contrapondo-se ao estudo dos estilos individuais. Considerava, como já foi dito, que só existia estilo quando associado à espontaneidade, daí rejeitar a ideia de estilo na Literatura, já que nela não haveria espontaneidade e sim uma escolha consciente do autor dos elementos expressivos. Já seus seguidores, Marouzeau (1969) e Cressot (1974) consideraram a língua literária o campo da Estilística e utilizaram o argumento do mestre para defender a existência do estilo na literatura, uma vez que os recursos expressivos se apresentavam efetivamente nela como frutos da escolha voluntária e consciente do autor: ”Nous dirions même que l’oeuvre littéraire est par excellence le domaine de la stylistique précisément parce que le choix y est plus “voluntaire” et plus “consciente” (CRESSOT, 1974, p.13).7

Como seguidor de Bally, Rodrigues Lapa em sua obra Estilística da Língua Portuguesa (1945) trata também da expressividade, afirmando que as palavras se encontram subordinadas a uma escala de valores expressivos e que “A arte do estilo consiste em escolher, nesses grandes armazéns de palavras que são os dicionários, os termos justos, que hão de dar forma e cor aos nossos pensamentos.” (1973, p.22). Destaca-se a diferenciação que o

7 Diríamos mesmo que a obra literária constitui, por excelência, o domínio da estilística, justamente

74 autor faz entre Estilística e Gramática, atribuindo à primeira a função de explicar, esclarecer e à segunda a função de sistematizar e prescrever normas. Afirma que o conceito de erro é o responsável pela distinção entre ambas, sendo o erro considerado pela Estilística um desvio que caracteriza o estilo do autor.

Já a Estilística de Spitzer, a literária, tinha como objetivo unir os estudos filológicos e a Literatura. Trabalhava com a noção de desvio, desenvolvendo um método de identificação do estilo que levava em conta a intuição do analista que, ao fazer uma leitura e releitura minuciosa, encontrava um traço marcante do autor que caracterizaria o seu estilo. Spitzer acreditava que as escolhas do autor eram indicativas do estilo e que seria possível encontrar a intenção do autor nos textos.

Erich Auerbach (2007) é de suma importância no que diz respeito ao estudo sobre estilo na literatura e à associação que ele faz entre estilo, ideologia e realidade, trabalhando com a abordagem sincrônica e diacrônica. O estudioso estabelece uma relação fecunda entre história, filologia e estilística para a compreensão da obra literária.

Falamos anteriormente dos estruturalistas, da abordagem partir da forma, demonstrando preocupação não só com o significado, mas também com o significante, com a seleção e arranjo das palavras. Sendo assim, ao analisarmos a poética boppiana, nós os utilizaremos como ferramentas teóricas sem perder, entretanto, a perspectiva dialógica e interativa bakhtiniana. Devido, então, à importância da Estilística Estrutural para a Estilística moderna, consideramos que a retomada dessas teorias é pertinente e enfática.

Feita a ressalva, merece destaque nesse breve sobrevoo, a Estilística funcional e estrutural que se desenvolve, em meados do século XX, a partir dos estudos de Jakobson sobre as funções da linguagem. Segundo o autor, as funções ocorrem simultaneamente no processo de comunicação, havendo, no entanto, a relevância de uma função em relação à outra no processo comunicativo. Entende que a função poética é a que se destaca na obra

75 poética, demonstrando a partir das estruturas a existência de dois modos básicos de arranjo utilizados no comportamento verbal: seleção e combinação.

Deve-se ainda considerar como determinantes nos estudos da Estilística estrutural Michael Rifaterre e Samuel Levin. O primeiro considera a Estilística como o estudo da mensagem, vê na recorrência um critério importante para identificação do estilo do autor e aplica o conceito de convergência para as análises estilísticas. Levin aplicando a teoria de Jakobson distingue a linguagem poética da comum. Aplica o conceito de acoplamento para designar a convergência de forma e conteúdo. Nesse aspecto, tanto Rifaterre como Levin enfocam o enunciado e a contribuição da forma para o sentido na elaboração da mensagem.

Mesmo no auge da Estilística Estrutural, o trabalho do estilisticista foi restrito, pois se apoiou na forma do texto para entendimento dele, a preocupação com a inserção de um texto em uma determinada função nomeada por Jakobson parece ter substituído as preocupações identificatórias da Retórica.

Esses estudos estilísticos, ainda que de grande valia para as análises, eram um tanto reducionistas, daí a necessidade de ampliação do campo, indo além do enunciado que tratava apenas do aspecto verbal (morfologia, sintaxe, fonética), para chegar à enunciação que levava em conta, como afirma Martins (2000, p.189), situação, contexto sócio histórico, locutor, receptor, referente. Como afirma a autora, buscam-se os traços do ato de produção (enunciação) no produto (enunciado). É assim que se constitui a Linguística/ Estilística da Enunciação que trabalha a subjetividade, os níveis de subjetividade presentes nos discursos, partindo do pressuposto de que a linguagem é sempre subjetiva, pois é produzida por um falante. Aqui vamos ver a Estilística se aliando aos estudos discursivos para a compreensão e atualização dos textos e tomando como base a teoria bakhtiniana de que não há um discurso desprovido de história, de ideologia e de que os discursos se relacionam e se inter-relacionam.

76 Destacamos que com a solidificação dos estudos discursivos, no século XX, algumas questões tornaram-se determinantes para a constituição da nova abordagem estilística dos textos, que passou a levar em conta os gêneros textuais, mais uma herança da filosofia bakhtiniana.

Nossa abordagem neste trabalho parte da estilística de Bally, no que tange à busca da expressividade, e na qual acreditamos, como Flores e Teixeira, haver a preocupação com a enunciação e não só com o enunciado. Os autores assim caracterizam a Estilística de Bally:

Ele desenvolve uma linguística da fala, talvez a que faltou ser feita pelo mestre Saussure. O autor parte de um princípio: a linguagem é apta a expressar sentimentos e pensamentos, e é próprio da estilística estudar a expressão dos sentimentos. Isso significa que a estilística deve se preocupar com a presença da enunciação no enunciado e não apenas com o enunciado propriamente dito (FLORES e TEIXEIRA, 2010, p.16).

Mais adiante, os autores aproximam Bally dos propósitos da linguística textual, além de reforçarem o fato de haver uma teoria da enunciação presente na obra de Bally:

Em decorrência do que foi dito, podemos afirmar que há uma teoria da enunciação em Bally, e mais, que ela não está restrita à oposição dictum/modus. Mais do que isso, ela distingue a manifestação do sujeito falante em categorias gramaticais específicas da presença suposta nos empregos de classes gramaticais. De mais a mais, a teoria de Bally integra ao estudo da língua o contexto linguístico, desenvolvendo temas (thème, propôs) que viriam polarizar a atenção da linguística textual iniciada pela Escola de Praga (FLORES e TEIXEIRA, 2010, p.18).

Corroboram esse pensamento, Ducrot e Todorov no Dicionário das Ciências da Linguagem (1976) ao mostrarem que Estilística da língua de Bally se ocupava do resultado da introdução no enunciado da enunciação, ou seja, já se observa em Bally uma preocupação que ia além do enunciado:

Partindo da ideia de que a linguagem exprime o pensamento e os sentimentos, ele considera que a expressão dos

sentimentos constitui o objeto próprio da estilística. O que

redunda em dizer que o que diz respeito à estilística não é enunciado, mas o que resulta do enunciado da enunciação (1976, p.101).

77 Podemos dizer que caçar os sentidos, buscar os efeitos de expressividade nos textos tem de ser um trabalho conjunto das diversas estilísticas. Assim, escolhemos analisar a obra poética de Bopp a partir de uma leitura impressiva que a vinculou à Antropofagia. Utilizamos a intuição proposta pela Estilística de Spitzer para identificarmos marcas, traços estilísticos significativos e utilizamos o critério da recorrência presente em Rifaterre para destacar as peculiaridades do texto.

Finalmente, cabe ainda dizer que, ao analisar as escolhas feitas pelo enunciador em busca de expressividade, apoiamo-nos, sobretudo, na Estilística Lexical uma vez que o trabalho está voltado para o estudo do léxico dentro de uma perspectiva discursiva. Além disso, ressaltamos que, quando necessário, faremos uma relação do estrato lexical do texto com outros estratos sejam eles sonoros, sintáticos, morfológicos, semânticos, quando forem relevantes para a análise. Como afirma Cardoso, a Estilística Léxica, além de pretender verificar a expressividade obtida com as palavras, seja por sua flexão, por sua formação, por sua classificação, pelo seu significado no contexto, preocupa-se com os aspectos expressivos ligados aos componentes semânticos e gramaticais das palavras (CARDOSO, 2009, p.68).

Benzer Belgeler