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ENFLASYON MUHASEBESİ İÇİN TEMEL KAVRAMLAR:

O mercado de trabalho solicita do profissional de Secretariado Executivo que este tenha sólidos conhecimentos técnicos, visão holística da estrutura da empresa, habilidades e competências gerenciais e domínio das especificidades da área em que atua. Outros fatores relevantes são a busca de sua identidade e afirmação como profissional agente de mudanças, não mero executor de tarefas, angariando seus espaços e respeito da sociedade.

Nessa linha, portanto, surge a necessidade da discussão e fundação de um conhecimento específico para área secretarial, que contribua para o alicerce acadêmico e a legitimação como expressiva área do conhecimento científico, conforme se verifica na citação a seguir:

A investigação do Secretariado como área do conhecimento é de suma importância neste momento, visto que já estão solidificados, como pilares desta atividade profissional, a assessoria, a consultoria, a gestão e o empreendedorismo. Desta forma, é chegado o momento de uma discussão cientifica e acadêmica do processo de conhecimento formal e prática profissional “versus” área de conhecimento e teoria da origem dos saberes para a plenitude do exercício do Secretariado (LIEUTHIER apud NONATO JÚNIOR, 2009, p. 10).

De acordo com Nonato Júnior (2009), não há como se conceber o atual domínio das assessorias apenas como área de estudos técnicos, tendo em vista fatores como o bacharelado no Brasil existir há 40 anos; a ocupação de vaga pelo Secretariado nos Centros de Ciências Aplicadas; bem como na Classificação Brasileira de Ocupações (CBO) os profissionais de Secretariado Executivo estarem classificados no segundo Grande Grupo (GG2), ou seja, pertencentes ao domínio das Ciências e das Artes. Nessa linha de pensamento, o autor questiona: “Qual é nosso estatuto cientifico? Como está mapeado nosso objeto de estudo? Qual é a Ciência que representa o agrupamento geral dos conteúdos praticados e pesquisados pelo assessor executivo?” (NONATO JÚNIOR, 2009, p. 14).

Holler (2006) comenta que todos os estudantes de secretariado, ao ingressarem no curso, percebem sua multidisplinaridade. Em seus programas de aprendizagem são trabalhados conteúdos de áreas do conhecimento diferentes como Administração, Contabilidade, Sociologia, Direito e outros, que contribuem para a atuação do profissional. Questiona, contudo:

Assim, o curso oferece oportunidades para que o acadêmico obtenha a teoria e a prática e amplie a extensão dos seus conhecimentos, mas sua especificidade, quase sempre, movida pela necessidade de contribuir para fins práticos, de ordem mais ou menos imediata. Essa prática pode ser denominada de conhecimento sensível, ou seja, o conhecimento do dia-a-dia que se obtém pela experiência, sendo por isso denominado incompleto. O exemplo a seguir é uma investigação em situação real: o conhecimento transmitido pelo corpo docente seja por meio do Direito e Legislação, Contabilidade, Sociologia, Psicologia, Letras, não o faz capaz e apto para, por exemplo, defender uma causa perante um juiz, atuar como um sociólogo, psicólogo e outras profissões. Por que o inverso é verdadeiro? Por que outros campos podem atuar como Secretário Executivo? (p. 144).

Até então, estas perguntas não possuíam respostas, deixando uma lacuna expressiva na legitimidade do conhecimento produzido pelo Secretariado Executivo, mesmo que, intuitivamente, todos concordassem na ideia de que há uma ciência que rege o fazer das pesquisas secretariais.

De acordo com Nonato Júnior (2008), para que haja sustentação ao conhecimento secretarial, é necessária uma análise da proposição de uma teoria do conhecimento – epistemologia – em Secretariado. Identificar, portanto, quais seriam as demandas e os desafios para o estabelecimento de tal conhecimento.

Faz-se mister a conceituação de epistemologia:

O termo Epistemologia pode ter várias designações, dentre elas as mais comuns são: Teoria do Conhecimento, Filosofia das Ciências e Ciência da Ciência. De forma literal, a palavra Epistemologia, de origem grega, origina-se das seguintes raízes:

Episteme = ciência, conhecimento e Logos = discurso, teorização (NONATO

JÚNIOR, 2008, p. 3).

A epistemologia portanto, tem como eixo central analisar, dar legitimidade a novas teorias, quando procura conhecer suas bases, sua origem, quando conceitua, valida e busca conhecer a articulação daquele conhecimento com outras áreas e suas especificidades. Conforme destaca o autor,

Desta forma, instaurar uma Epistemologia passa a ser um objetivo importantíssimo para qualquer ciência ou área do saber que queira se legitimar socialmente e filosoficamente, fundando categorias e teorias que sustentem os mais diversos processos empíricos e técnicos realizados em uma profissão (NONATO JÚNIOR, 2008, p. 4).

Nonato Júnior (2008) destaca o fato de que, durante suas pesquisas, foi possível detectar obstáculos epistemológicos ao Secretariado e demanda epistemológica ao Secretariado, explanados a seguir:

- obstáculos epistemológicos ao secretariado - de acordo com o autor, obstáculos epistemológicos foi cunhada por Gaston Bachelard e significa “tudo aquilo que impede, impossibilita, enfim, obstrui o desenvolvimento da ciência” (NONATO JÚNIOR, 2008, p. 5). Destaca que o primeiro obstáculo verificado foi a ideia que as ciências sociais aplicadas não necessitam de fundamentação teórica. Existe pouca fundamentação teórica vinculada a essa ciência, bem como o termo “aplicadas” denota tecnicismo, levando muitos a acreditar que seja uma ciência superficial. Se assim o fosse, contudo, não teria o nome de ciência. O segundo obstáculo encontrado foi a dificuldade de o secretariado ser visto como área do conhecimento. Conforme o autor, o fato de uma ciência ter seu objeto de estudo de natureza aplicada não tira seu mérito de ciência, bem como ciência e prática não são excludentes e sim complementares; ou seja, o domínio científico é formado pela epistemologia, teoria e prática. Para melhor compreensão, destaca-se:

A este respeito, ainda é possível acrescentar o seguinte: se a natureza do conhecimento contemporâneo em Secretariado não fosse compatível com a teoria do conhecimento científico, não haveria a necessidade de oferta de cursos plenos de Bacharelado, uma vez que esta modalidade de curso trata de formar cientistas e intelectuais capazes de fomentar teorias do conhecimento nas profissões em que atuam (MEC, 2008), sendo eles muito mais do que meros executores e repassadores de ações operacionais (NONATO JÚNIOR, 2008, p. 7).

Por último obstáculo, o autor evidencia a escassa teorização da bibliografia em Secretariado. Sabe-se que há poucas publicações na área, inclusive, em temas específicos da prática da profissão, como técnicas secretariais (arquivística, gestão de pessoas, gestão documental e etc.). Procura-se o embasamento teórico nos trabalhos de pesquisa em Secretariado, normalmente, em outras áreas do conhecimento;

- demanda epistemológica em Secretariado - cada vez mais os estudantes buscam por uma teoria secretarial e isso é apontado nos trabalhos científicos desenvolvidos por estes estudantes; conforme Nonato Júnior (2008, p. 9), em sua pesquisa, “90% dos acadêmicos demonstraram necessidades de um aparato teórico amplo que justifique e articule suas micro-áreas de pesquisa com o Secretariado em geral”. Ou seja, estes estudantes estão tentando direcionar seus estudos para as demandas especificas da profissão. Esse movimento, consoante o autor, leva a uma proposição de uma Teoria Geral do Secretariado, campo intelectual próprio sobre as questões secretariais.

Os fatos apresentados conduzem a se concluir que, quando um conhecimento é tomado como abrangente todos acham que podem executá-lo, pois se trata de um conhecimento geral. Quando, porém, um conhecimento possui objeto de estudo definido, bem como práticas profissionais, reconhecimento legal e bibliografia especifica, se configura como conhecimento especializado, não podendo ser exercido por qualquer individuo de qualquer formação.