• Sonuç bulunamadı

1.1.5. Maske ile Ventilasyon ve Endotrakeal Entübasyon

1.1.5.2 Endotrakeal Entübasyon

Pretende-se, neste conjunto de fatos discursivos, discriminar a forma de compreensão do fenômeno do incesto nos discursos sócio-institucionais. São dados que revelam um conjunto conceitual no qual será inserido o incesto, especialmente, na categoria de violação dos direitos da criança e do adolescente. A violência, neste contexto discursivo, tornou-se sinônimo de violação de direitos humanos. Ressalta-se que o que será discutido posteriormente é a forma como esses discursos partindo dessas

51 FELIZARDO, Dilma; ZÜCHER, Eliane; MELO, Keila. De medo e sombra: abuso sexual contra

categorias, constroem toda uma gama de significações, não apenas atreladas ao fenômeno em si, mas relacionadas centralmente com a questão da violência na sociedade contemporânea. Desse modo, a análise que proponho seria sobre o modo como uma determinada conjuntura social demanda discursos (e ações) que forjam uma determinada realidade discursiva, fundando uma nova moralidade portadora de dispositivos e técnicas de controle (simbólico) social. O fato primordial nesta análise seria o modo como estes discursos se estabelecem enquanto verdade/realidade. O modo como dados de realidade forjam em um domínio simbólico de produções discursivas, um saber sobre os indivíduos que determinam toda uma multiplicidade de formas de controle social, mais especificamente, de controle da produção do mal social. Discursos portadores de símbolos e significações os quais ao responderem a demandas relacionadas à questão da violência (violação de direitos) se institucionalizam enquanto formas de saber/verdade, dissociando sua produção discursiva da conjuntura social que a erige.

̅ ̅ ̅

Violência Sexual52: abuso sexual no qual a criança ou o adolescente é usado para gratificação sexual de um adulto, sendo induzida ou forçada a práticas sexuais com ou sem violência física.

O abuso sexual53 é toda situação em que um adulto se utiliza de uma criança ou adolescente para seu prazer sexual. Pode haver ou não contato físico. O abuso sexual intra-familiar é a forma mais freqüente. Ocorre em todos os países do mundo, em todas as classes. Na maioria das vezes é praticado por alguém que a criança conhece, confia e ama, ou seja, o pai, padrasto, tio, avô, ou alguém íntimo da família, contra uma criança do sexo feminino. Mas os meninos também são freqüentemente abusados. [...] O abuso sexual intrafamiliar ocorre em todas as classes sociais. O pedófilo é um indivíduo que aparenta normalidade e está inserido na sociedade. Mas a pedofilia é uma psicopatologia, um desvio da sexualidade de caráter compulsivo-obsessivo, em que adultos têm uma atração sexual por crianças e adolescentes.

52ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA MULTIPROFISSIONAL DE PROTEÇÃO A INFÂNCIA E

ADOLESCÊNCIA. Disponível em: <http://www.abrapia.org.br> Acesso em 20 mar. 2006.

53MONTEIRO FILHO, Lauro. Abuso sexual. Rio de Janeiro, 2000. Disponível em

̅ ̅ ̅

Abuso Sexual54: é qualquer relacionamento interpessoal no qual a sexualidade é veiculada sem o consentimento válido de uma das pessoas envolvidas, implicando em violência psicológica, social e/ou física. O abuso sexual que ocorre dentro da família caracteriza um agravamento à violência sexual, pois não permite uma estrutura para o ajustamento psicossocial do indivíduo. A problemática do incesto deve ser abordada a partir da dinâmica presente na inter-relação dos seus diversos aspectos: jurídico, o social, o médico e o psicológico.

[...] abuso sexual55 de crianças, o incesto e o assédio sexual denunciam um jogo de poder onde a sexualidade é utilizada de forma destrutiva, constituindo-se num desrespeito ao ser humano. Nestes três casos, pode não existir a violência física, mas são relações que implicam em outros tipos de violência, como a social e a psicológica. O abuso sexual afeta, ao mesmo tempo, a saúde física e mental e o direito individual de se dispor da própria sexualidade e privacidade. Por isso, o atendimento a situações de abuso deve articular o trabalho de Saúde e o da Justiça pra lidar com os diversos fatores envolvidos na questão.

̅ ̅ ̅

Conceito chave: Violência Doméstica contra Crianças e Adolescentes56.

(VDCA) – É uma violência intra-classes sociais, que permeia todas as classes sociais, enquanto uma violência de natureza interpessoal. Enquanto violência intersubjetiva a Violência Doméstica consiste também:

A) Numa transgressão do poder disciplinador do adulto, convertendo a diferença de idade adulto versus criança/adolescente numa desigualdade de poder intergeracional;

54CENTRO DE ESTUDOS E ATENDIMENTO RELATIVOS AO ABUSO SEXUAL. Instituto Oscar

Freire. Faculdade de Medicina da USP. Disponível em: <http://www.usp.br/servicos/cearas/cearhopa.html> Acesso em 15 de jan. 2006.

55 Cartilha Crami/Cearas. Disponível em: <http://www.usp.br/serviços/cearas> Acesso em 15 jan. 2006. 56 LABORATÓRIO DE ESTUDOS DA CRIANÇA. Instituto de Psicologia da USP. Departamento de

Psicologia da Aprendizagem, do desenvolvimento e da Personalidade. Disponível em: <http://www.usp.br/ip/laboratorios/lacri> Acesso em: 24 mar. 2006.

B) Numa negação do valor liberdade: exigindo que a criança/adolescente sejam cúmplices do adulto, num pacto de silêncio;

C) Num processo que aprisiona a vontade e o desejo da criança ou do adolescente, submetendo-os ao poder do adulto, coagindo-as a satisfazer os interesses, as expectativas e as paixões deste.

Em síntese a VDCA:

- é uma violência interpessoal;

- é um abuso do poder disciplinador e coercitivo dos pais ou responsáveis; - é um processo que pode se prolongar por vários meses e até anos;

- é uma forma de violação dos direitos essenciais da criança e do adolescente enquanto pessoas e, portanto, uma negação de valores humanos fundamentais como a vida, a liberdade, a segurança;

- tem na família, sua ideologia privilegiada. Como esta pertence à esfera do privado, a Violência Doméstica acaba se revestindo da tradicional característica de sigilo.

Violência Sexual Doméstica: Configura-se como todo ato ou jogo sexual, relação hetero, ou homossexual, entre um ou mais adultos e uma criança ou adolescente, tendo por finalidade estimular sexualmente esta criança ou adolescente, ou utilizá-la para obter uma estimulação sexual sobre sua pessoa ou de outra pessoa. Ressalta-se que em ocorrências desse tipo, a criança é sempre vítima e não poderá ser transformada em ré. A intenção do processo de Violência Sexual é sempre o prazer (direto ou indireto) do adulto, coerção esta que tem raízes no padrão adultocêntrico de relações adulto-criança vigente em nossa sociedade [...] a Violência Sexual Doméstica é uma forma de erosão da infância.

̅ ̅ ̅

Violência Sexual57: uma violação de direitos. As práticas de violência sexual interpessoal e comercial contra crianças e adolescentes são uma violação de seus direitos humanos e sexuais, e dos direitos particulares de pessoa em desenvolvimento.

57 CENTRO DE ESTUDOS E AÇÕES SOBRE CRIANÇAS E ADOLESCENTES. Circuitos e curtos- circuitos: atendimento, defesa e responsabilização do abuso sexual contra crianças e adolescentes. São

Além de violência à integridade física e psicológica, ao respeito, à dignidade, à sexualidade responsável e protegida, é violado o direito ao processo de desenvolvimento físico, psicológico, moral e sexual sadios. A violência sexual na família é uma violação ao direito a uma convivência familiar protetora. (p. 19/20). Ética, cultural e socialmente a violência sexual contra crianças e adolescentes é uma violação de direitos humanos universais, de regras sociais e familiares das sociedades em que ocorre. É, portanto, uma ultrapassagem dos limites humanos, legais, culturais, sociais, físicos, psicológicos. Trata-se de uma transgressão e neste sentido é um crime, ou seja, é o uso delituoso, delinqüente, criminoso e inumano da sexualidade da criança e do adolescente.

̅ ̅ ̅

Categoria explicativa58 – violência: é um elemento constitutivo/conceitual, e portanto explicativo, de todas as situações em que crianças e adolescentes são vitimizados sexualmente. É a categoria explicativa da vitimização sexual; refere-se ao processo, ou seja, à natureza da relação (de poder) estabelecida quando do abuso sexual.

Abuso Sexual: é a situação de uso excessivo, de ultrapassagem de limites: dos direitos humanos, legais, de poder, de papéis, de regras sociais e familiares e de tabus, do nível de desenvolvimento da vítima, do que esta sabe, compreende, pode consentir e fazer. Maus Tratos: é a descrição empírica do abuso sexual, refere-se a danos, ao que é feito/praticado infringido e sofrido pelo vitimizado, ou seja, refere-se aos atos e conseqüências do abuso.

Natureza da relação: como o abuso sexual é uma ultrapassagem, entre outros, dos limites legais, o que o caracteriza como crime sexual, encontra-se por esta via a classificação sobre a natureza da relação que se estabelece quando do abuso sexual.

Com base na classificação dos crimes sexuais como parafílicos (DSM – etimologicamente parafilia significa para = desvio, filia = aquilo para que a pessoa é atraída) foi possível clarificar e compreender a natureza da relação que se estabelece nas

58 CENTRO DE REFERÊNCIA, ESTUDOS E AÇÕES SOBRE CRIANÇAS E ADOLESCENTES.