1.2. Kirallik ve Kiral Kaliksarenler
1.2.4. Enantiyosaflıktaki bileĢiklerin elde edilmesi
Ao longo desta exposição, tentamos enumerar e discutir os aspectos mais relevantes presentes na construção do modelo teórico proposto por Ernst von Glasersfeld. O constritvismo radical, como ele próprio afirma, constitui-se numa “posição não convencional” em epistemologia. Procura, portanto, pôr-se fora da esfera da tradição filófica ocidental. Na consecução desse intento, fez-se necessário mudar a forma de interpretar a relação entre
conhecimento e realidade de uma perspectiva de “correspondência” com uma realidade objetiva para uma perspectiva de “encaixe” ou “adaptação” que, em última análise, diz
respeito a capacidade de organização dos organismos. Temos, consequentemente, uma mudança no conceito conhecimento e sua relação com a verdade, pois, no âmbito do construtivismo radical, resulta sem sentido falar de verdade, porque diz respeito à
“representação” ou “imagem” de uma realidade ontológica. Desse ângulo, a ideia de viabilidade, isto é, a “[...] relação de encaixe num conjunto de limitações [...]” (VON
GLASERSFELD, 1996a, p. 79) substitui o conceito de verdade, que é tão caro ao epistemólogo tradicional.
O construtivismo radical reconstrói, assim, conceitos que são fundamentais ao campo da epistemologia, tais como: conhecimento, verdade, comunicação, entendimento. Tal reconstrução tem seu alicerce no pensamento dos céticos, de Vico, de Kant, na teoria da evolução de Darwin, na teoria da cognição de Jean Piaget e na cibernética. Essas são, grosso modo, as raízes sobre as quais erigem suas bases conceituais. É necessário, no entanto, mencionarmos que a interpretação de von Glasersfeld da teoria piagetiana da cognição, bem como todo o restante da sua construção teórica, é iluminada por ideias relacionadas à escola construtivista italiana, cujo maior representante é Silvio Ceccato.
Corroborando alguns aspectos supramencionadas, Cobb (1998, p. 54, grifo do autor) explicita que o modelo teórico vonglasersfeldiano é essencialmente uma teoria de base epistemológica a partir de variante psicológica que
[...] incorpora tanto as noções piagetianas de assimilação e acomodação como o conceito cibernético de viabilidade. Sendo assim, ele usa o termo conhecimento no sentido adaptativo de Piaget para referir-se àquelas operações conceituais e sensório- motoras que provaram ser viáveis na experiência do conhecedor. [...] Adicionalmente, as teorias da correspondência tradicional da verdade são dispensadas em favor de um relato que ralaciona verdade à orgnização efetiva ou viável da atividade. [...] Nesse modelo, perturbações geradas pelo sujeito cognoscente, relativas a um propósito ou meta, são postuladas como a força motora do desenvolvimento, consequentemente, aprender é caracterizado como um processo de auto-organização no qual o sujeito reconhece sua atividade a fim de eliminar perturbações [...].
No discurso de Cobb (1998), vemos pontuado o valor da cibernética para o quadro do construtivismo radical. O conceito de viabilidade, por exemplo, permite uma ligação entre a cibernética e a teoria da evolução. Certamente, havemos de considerar a cibernética como um fundamento essencial no modelo levado a cabo por von Glasersfeld.
Com base na cibernética, von Glasersfeld (1996) pensa o processo de conhecer como resultado de autorregulação. Nessa concepção, tudo aquilo que comumente denominamos conhecimento é construído a partir de material que está acessível ao sujeito cognoscente. Essa, evidentemente, é uma formulação, equivalente à de Giambattista Vico, de que somente conhecemos aquilo que criamos. Na construção do conhecimento, necessitamos, então, de matéria-prima, ou seja, de dados sensoriais, que, para von Glasersfeld (1995a), compreende
um sinal da interface experiencial do próprio conhecedor, que ele nomeia de “partícula elementar da experiência”.
Na visão do construtivismo radical, tanto a matéria-prima, os dados sensoriais, quanto as estruturas cognitivas, os padrões invariantes de coordenação com os quais é construída a realidade experiencial do sujeito cognoscente, encontram-se no interior do sistema de cognição. Von Glasersfeld (s/d) ressalta que essa compreensão parece implicar em solipsismo, isto é, nada existiria fora do pensamento individual. Para ele, tal consideração é fruto de pretensões ontológicas que desconsideram que nenhum organismo é livre para construir a realidade que queira, afinal há restrições que fazem parte desse processo.
Do ponto de vista cibernético, o conhecimento não pode ser considerado imagem de uma realidade objetiva porque é uma forma particular de organização da experiência. Esse pressuposto está contido na teoria da cognição de Piaget que, em síntese, considera que a função da cognição é a daptação, ou seja, a atividade cognitiva tem a finalidade de
autorregulação. É exatamente esse o aspecto explicitado quando abordamos a “teoria dos esquemas”.
Um último aspecto que gostaríamos de ressaltar, no quadro desta análise, diz respeito à construção de modelos conceptuais. Quando von Glasersfeld (1995a) utiliza a terminologia
“modelo” (e isso ocorre com muita frequência!), ele sempre considera aqueles aspectos dos
modelos do tipo cibernético que são pertinentes ao construtivismo. Nesses modelos, destaca três aspectos: primeiro, a consciência do pressuposto básico de que os conceitos e as estruturas conceituais são itens hipotéticos; segundo, os modelos hipotéticos possuem finalidades e, terceiro, explicar um fenômeno em termos de desenvolvimento implica considerar as diferenças entre aquilo que se observou antes e o que se observa agora. Para ele, um modelo não tem a pretensão de descrever qualquer realidade. Como modelo, representa apenas um modo de pensar. É, como dissemos antes, um modelo hipotético. Por conseguinte, não faz afirmações ontológicas, isto é, não descreve nenhuma realidade absoluta, mas apenas os fenômenos da realidade experiencial.
O construtivismo, é claro, não quer assumir compromissos ontológicos, pois sua pretensão é de manter-se fora da tradição. Assim, busca ser uma teoria sobre a atividade de conhecer, cujo interesse está restrito ao domínio cognitivo. É, neste sentido, que von Glasersfeld (1996b) afirma, na carta escrita a John Fossa, não ser metafísica o que faz. Na verdade, o que faz é tentar separar, definitivamente, a epistemologia da ontologia.
4 PONTOS E CONTRAPONTOS DE UMA TEORIA “NÃO CONVENCIONAL” DO