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5.4. Kompozit Anotların Karakterizasyonu

5.4.4. Elektrokimyasal testler

A ocupação do território colombiano foi produto de expulsões sucessivas de população desde regiões centrais de montanha até áreas afastadas de floresta em processos constantes de colonização15.

Nos processos migratórios, têm operado fatores de atração por efeito das bonanzas econômicas legais e ilegais – quina, tabaco, café, petróleo, esmeraldas, borracha, coca, papoula – e de expulsão violenta que resulta da ação dos grandes latifundiários, dos grupos de segurança privada que operam nas áreas de economia extrativa, da violência dos anos 50 e como efeito do conflito armado interno em épocas mais recentes (PNUD, 2003).

Nas nascentes áreas de colonização, afastadas dos centros políticos e econômicos do país, o exercício de funções por parte do Estado central é dificultosa, e aparecem, em seu lugar, mecanismos de mediação “alternativos”, provenientes de atores de diversas origens, como: políticos de ambos os partidos dominantes – liberal e conservador –; poderes locais baseados na posse da terra; e atores à margem da lei – entre os quais, a guerrilha – que exercem justiça, oferecem segurança em troca de dinheiro ou favores e criam ou impõem normas de convivência que regulam as relações de trabalho, os contratos econômicos e até a cotidianidade de comunidades e famílias.

Deste modo, segundo o Informe de Desenvolvimento Humano para a Colômbia, de 2003,

“Nas zonas de “fronteira interna”, os direitos de propriedade estão por se definir ou tendem a ser precários. Os direitos de propriedade decidem quem se apropria do produto do trabalho, do capital, da natureza, do esforço coletivo, do investimento público e de todos os bens e serviços existentes no momento (North, 1990, p.33). Estes direitos são bases de uma ordem social, e sua precariedade e indefinição são fonte de incerteza, instabilidade e conflitos (...)” (PNUD, 2003, p.22).

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FIGURA 1. Mapa físico-político da Colômbia.

Esta particular configuração de territórios e poderes nos leva a duas conclusões: a primeira, que a guerra se origina e se desenvolve nas áreas mais afastadas do país; portanto, o conflito é periférico – argumento presente no IDH (2003) –; a segunda, que a ausência de um maior ente regulador , neste caso, o Estado, é a principal causa da presença de violentos atores mediadores naquelas regiões.

Acerca destas duas conclusões, embora a dinâmica das áreas de colonização seja ambiente propício para o desenvolvimento do conflito, não podemos deixar de lado o fato de que existem territórios “integrados” social e economicamente, localizados no centro geográfico e político do país, onde operam também mecanismos violentos de mediação ou substituição do Estado. As favelas de cidades como Bogotá ou Medellín são exemplo de como o centro pode também ser vulnerável a práticas de justiça e ordem privada onde se protege quem paga, se manipulam instituições e até se definem orçamentos e investimentos públicos.

De outro lado, os processos de expansão do conflito nos fazem concordar com Pecaut, quando postula

“Estamos ante um processo de desterritorialización do conflito, pois a maioria corresponde a territórios em disputa. As divisas entre os territórios de um e outro bando não deixam de evoluir, de ser porosas (...) a luta se orienta a conseguir o poder político e militar, o que não implica prioritariamente uma apropriação de territórios senão a capacidade de assegurar posições chave para mudar os equilíbrios de forças e obrigar o adversário a ceder terreno no político (...)” (Pecaut, 2004, p. 24).

A ausência ou não do Estado é relativa, pois, de acordo com o IDH (2003), sua deficiência não se relaciona à falta de policiais, hospitais, escolas ou obras públicas, mas, sim, a duas questões interligadas: primeiramente, à inexistência, em muitas regiões, de uma ordem jurídica transparente, caracterizada pela clareza sobre os direitos e obrigações derivados dos acordos e contratos entre indivíduos. Posteriormente, ao fato mesmo de o Estado não agir como avalizador do respeito imparcial e efetivo desses contratos.

Para outros autores, a referência ao Estado e sua incidência no conflito se relacionam ao caráter que teve seu processo de formação. Desta maneira, González, Bolívar e Vázquez (2003) desenvolvem a idéia do Estado colombiano como um Estado fragmentado, que, entre suas fissuras, deixa espaço para a gestação do conflito. Assim, baseados em Tilly e

Elias, Gonzalez et al ressaltam o modo como o Estado visa a se moldar quando se tornam complexas as interações da sociedade; portanto, a centralização das estruturas de poder se produz na medida em que, por um lado, se ampliam as correntes de interação entre grupos humanos e, por outro, estes se circunscrevem dentro de um território, chegando à conclusão de que esta última condição, no caso colombiano, não se tem resolvido de maneira fácil pelas características dos processos de povoamento do país, sublinhadas parágrafos acima. Deste modo, sem o “enjaulamento” da população em uma área geográfica, não é possível impor o monopólio estatal da força, nem incrementar as interações que geram uma maior integração entre a população.

Isso significa que os cenários do conflito apresentam uma constante mobilidade advinda da movimentação mesma da população e da abertura de novas e convulsionadas zonas de colonização, além dos marcos de justiça paralelos ao estatal – que ordenam e organizam as relações e contratos entre pessoas – e dos atores do conflito – incluído o Estado – que operam indistintamente em uma ou outra região, de acordo com motivações estratégicas diversas.