10. SONUÇ VE ÖNERİLER
10.2. Elde Edilen Bulgular ve Değerlendirmeler
Finda a nossa investigação, é altura de salientar as principais ilações que nos foi possível alcançar. Assim, decorrente da pesquisa inicial, afigura-se evidente que o PES possa ser considerado o programa precursor dos programas especiais integrados no Modelo de policiamento de proximidade adotado pela PSP.
Na sua fase embrionária o PES tinha uma filosofia de intervenção muito específica nas escolas, possuindo dois vetores fundamentais que se complementavam: a segurança das pessoas e bens da comunidade escolar e o relacionamento interpessoal entre os agentes das EPES e a respetiva comunidade. Contudo, a implementação do Programa Integrado de Policiamento de Proximidade conduziu a um modelo assente num novo paradigma onde
NOTORIEDADE e IMPACTO SOCIODEMOGRAFIA AÇÕES DE SENSIBILIZAÇÃO VIOLÊNCIA ESCOLAR CONTACTOS INDIVIDUAIS RELACIONAMENTO COM A COMUNIDADE
65 estes elementos policiais passaram a realizar atividades preventivas pré-determinadas e a ter uma interação mais direta com as crianças e jovens, com o objetivo de estes últimos passarem a fazer parte da resolução de problemas na comunidade escolar onde estão inseridos.
Foi decorrente desta conjuntura, e duas décadas após a sua implementação, que se evidenciou imprescindível determinar a atual notoriedade do PES e o impacto das atividades preventivas desenvolvidas em distintos contextos escolares. Isto porque se formula a leitura de que o PES, embora seja de âmbito nacional, não é operacionalizado nem concretizado uniformemente em todo o dispositivo da PSP, comprovando-se inclusive que existe uma diferença acentuada entre os CdP, principalmente quanto ao número de demonstrações, visitas, e ações de sensibilização ministradas em cada ano letivo.
É ainda notório que o Gestor local do PES das respetivas Divisões policiais estudadas, devido ao reduzido efetivo adstrito ao mesmo, não consegue garantir que todas as EPES estejam em permanência exclusiva na execução das funções delegadas neste âmbito. Nestas circunstâncias, muitas são as comunidades escolares que diariamente, e algumas semanalmente, não usufruem de vigilância policial.
Resultante do estudo de caso, a primeira ilação que constatámos é que a notoriedade do PES é distinta em cada escola, ainda que a maioria dos jovens considere ser importante a existência de um programa exclusivamente direcionado para a comunidade escolar. Consideramos assim que os jovens revelam uma consciencialização de que o PES poderá ser um excelente meio de resolução dos seus problemas.
Embora se tenha apurado que quase metade dos jovens nunca tenha assistido a qualquer ação de sensibilização realizada pela polícia na sua escola, foi todavia possível comprovar que a outra metade que já assistiu, particularmente o género feminino, admite que essas ações tiveram impacto ao ponto de mudarem totalmente a maneira de pensar sobre os assuntos divulgados. Nestes termos, ficou também evidente a opinião de que deveriam ser realizadas mais ações na escola, preferencialmente sob a forma de demonstrações e através do contacto pessoal com os jovens. Além disso convém destacar que as temáticas sobre o “bullying” e sobre o “álcool e drogas” são aquelas que mais
influenciam, assim como foram as apontadas pelos Diretores das escolas como as mais necessárias e pertinentes.
66 Outra ilação que se pode verificar é a reduzida interação que os polícias dos PES empenham junto dos jovens. Ainda que muitos dos jovens garantam nunca terem necessitado da ajuda destes polícias, e outros que não pedirão ajuda por acharem desnecessário ou por timidez, o facto é que metade daqueles que já tiveram algum tipo de interação com estes polícias admitem ter alterado o seu comportamento. Esta evidência leva-nos mais uma vez a crer que os elementos das EPES devem privilegiar cada vez mais uma interação presencial e pessoal com o público-alvo, uma vez que ficou constatado que esta interação tem um impacto positivo nos jovens.
Atendendo aos resultados dos indicadores de situações de violência escolar, não podemos deixar de reconhecer que o facto de aproximadamente um em cada quatro jovens já ter sido vítima de uma situação de violência é preocupante, quer a nível pedagógico quer ao nível da segurança. Ainda mais porque a taxa de intervenção policial nessas situações é muito reduzida, e por as vítimas admitirem que a essa intervenção ajuda/ajudaria a resolver os incidentes. Nestas circunstâncias convém sensibilizar os agentes educativos, responsáveis pelas escolas, da conveniência em comunicar às EPES todas as situações de violência escolar. Relativamente à reduzida percentagem de jovens que afirmam já ter agredido ou ofendido de qualquer forma outro jovem em contexto escolar, podemos fazer a leitura de que este resultado pode mascarar uma taxa de vitimização inquietante, uma vez que não é possível apurar com estes resultados o número de vítimas que o mesmo agressor/ofensor pode ter hostilizado.
Este estudo permitiu-nos ainda confirmar que o relacionamento policial com as distintas comunidades escolares depende de diversos fatores ou variáveis. Ou seja, quanto maior é a visibilidade policial, o conhecimento do Programa, e a taxa de participação dos jovens em ações de sensibilização, melhor será a relação entre os polícias e os jovens. Contudo, entendemos que a maior ou menor eficácia deste relacionamento depende maioritariamente da interação direta entre as partes, utilizando o contacto pessoal e uma capacidade de comunicação ajustada.
É importante ter em atenção que novas investigações serão necessárias no futuro para verificar se os resultados obtidos são extensivos a todos os CdP. Embora a amostra utilizada para este estudo seja bastante elevada, e probabilística para cada uma das escolas, é difícil tirar conclusões definitivas, sobretudo sobre o impacto real das atividades preventivas no comportamento dos jovens. Não obstante, é possível captar já algumas tendências reveladoras de potenciais influências.
67 Todavia, apesar de se reconhecer que o PES é o programa especial que mais vezes foi estudado, pode e deve sempre ser aperfeiçoado de maneira a garantir eficazmente a segurança das comunidades escolares e a prevenção de condutas violentas e comportamentos de risco por parte dos jovens. Assim a última conclusão que queremos presumir, leva-nos a aspirar que continua a ser perentório estreitar o relacionamento entre os elementos do PES e as respetivas comunidades escolares com o intuito de conquistar a confiança dos jovens para que possam encarar os elementos policiais não como elementos de uma força repressiva, mas sim de uma instituição que tem vindo a privilegiar cada vez mais a proximidade com os cidadãos em geral e com os jovens em particular.