2. BÖLÜM: TİMURTÂŞÎ’NİN EL-VÜSÛL İLÂ KAVÂİDİ’L-USÛL ADLI ESERİ
2.11. el-Vüsûl’de Zikredilen Istılahlar ve İsimler
2.11.1. el-Vüsûl’de Zikredilen Alimler İçin Kullanılan Bazı Kavramlar
A propósito da sedução provocada no ouvinte toda vez que um orador deixa escapar um dito espirituoso, como se não o houvera planejado, Quintiliano (s/d {1995}) não só destaca os objetos do riso, mas também as formas de suscitá-los. Reitera ainda a divisão de Cícero, ao afirmar que provocamos o riso de duas maneiras: ou pelo que fazemos (ações) ou pelo que dizemos (palavras), mas vai além, ao asseverar que o objeto do riso pode ser encontrado em três lugares, a saber: em nós, nos outros, e nos elementos neutros:
A aplicação do humor na oratória pode ser dividida em três troncos e para isto há três coisas a partir das quais podemos procurar despertar o riso ou fazer graça: a partir dos outros, de nós mesmos e das coisas intermediárias. No primeiro caso, nós reprovamos, ou refutamos, ou destacamos, ou retorcemos, ou ridicularizamos os argumentos dos outros. No segundo, nós
falamos de coisas que dizem respeito a nós mesmos de uma maneira bem humorada e, para citar as palavras de Cícero, dizemos coisas que sugerem algo absurdo. Para isso há certos ditos que são vistos como tolos, se eles nos escapam involuntariamente, mas serão vistos como graça, se usados ironicamente. A terceira espécie consiste, como Cícero também nos disse, em frustrar expectativas, em usar palavras com sentido diferente daqueles que lhes são próprios. Além do mais, as coisas que despertam o riso podem ser ditas ou feitas. 21(Quintiliano, Livro VI. III.23-25 p.451)
Algumas considerações devem ser feitas a partir da citação anterior. Concordamos in totum com Attardo (1994) que afirma ter sido Quintiliano responsável por uma série de antecipações das modernas questões lingüísticas sobre o humor, em especial a questão da intencionalidade, claramente perceptível no texto em tela. Para Quintiliano, as nossas palavras serão percebidas como asneiras, se as proferirmos involuntariamente (melhor diríamos: impensadamente); serão percebidas como engraçadas, se o ouvinte perceber que, como falantes, estamos encenando, isto é, que temos a intenção de produzir a graça (o que, parece-nos, não exclui que a asneira possa ser também intencional).
Uma outra antecipação diz respeito à teoria da expectativa frustrada que vem à tona, quando Quintiliano se refere ao elemento neutro, ou intermediário, uma vez que este envolve a polissemia e a ambigüidade, questões centrais nas discussões hodiernas sobre o humor. Além disso, segundo Attardo (op.cit.,p.32), Quintiliano não só preservou a divisão entre riso de ações e de palavras, conforme apresentada no Tractatus Coislinianus, mas percebeu como algumas figuras são fontes potenciais de humor. O orador romano referiu ainda a ironia e a paródia.
21The application of humour to oratory may be divided into three heads: for there are three things out of
which we may seek to raise a laugh, to wit, others, ourselves, or things intermediate. In the first case we either reprove or refute or make light of or retort or deride the arguments of others. In the second we speak of things which concern ourselves in a humorous manner and, to quote the words of Cicero, say things which have a suggestion of absurdity. For there are certain sayings which are regarded as folly if they slip from us unawares, but as witty if uttered ironically. The third kind consists, as Cicero also tell us, in cheating expectations, in taking words in a different sense from what was intended, and in other things which affect neither party to the suit, and which I have, therefore, styled intermediate. Further, things designed to raise a laugh may either be said or done.
Por último, Attardo (op.cit.) reverencia a modernidade lingüística de Quintiliano, quando o aproxima de Raskin, em cuja obra Semantic mechanisms of humor (1985:127), este, com base em análises de piadas, propõe três oposições semânticas básicas, a saber: real/irreal, normal/anormal e possível/impossível. Embora Quintiliano tenha sugerido a oposição certo/errado e/ou verdadeiro/falso como forma de o dizer diferentemente criar o humor por frustrar a expectativa do ouvinte (de fato, tal frustração nos parece agradável porque envolve o elemento surpresa), Attardo vê muita semelhança entre as categorias de Quintiliano e as de Raskin.
Observemos como o trecho de Quintiliano – em que a palavra sal significa o que faz rir – desvela a associação do riso ao fingimento, à simulação, bem como nos permite relacionar o terceiro lugar do riso, ou seja, o dos elementos neutros, à proferição de algo absurdo.
Na verdade, todo o sal de uma palavra está na apresentação das coisas de uma maneira contrária à lógica e à verdade: conseguimos isto unicamente seja fingindo sobre nossas próprias opiniões ou a dos outros, seja enunciando uma impossibilidade (apud Alberti,1999, p. 66).
Antes de ouvirmos o riso que ecoa da Idade Média, é imprescindível que façamos algumas considerações. A primeira delas resvala na impressão remanescente das linhas anteriores de que a Antigüidade Clássica foi benevolente com o riso. Ledo engano! Apesar de terem-no analisado e percebido com muita propriedade, os grandes filósofos não o julgaram uma atitude nobre, tanto é que a idéia da contenção, do não-exagero sempre o acompanha, como se aqueles intuíssem no riso a força capaz de desequilibrar o ideal de moderação, preconizado sobretudo pelos filósofos helenos.
Um outro aspecto a ser comentado emana das próprias assertivas de alguns filósofos, como por exemplo, Platão, para quem era inconcebível que os deuses rissem, já que o riso é uma emoção grosseira, própria do mundo sensível. Além disso, o riso tem uma natureza ambivalente, que inquieta, até porque subsume emoções diferentes, como o prazer e a dor (Cf. Minois, p.50 e p.70). Também para Aristóteles, cuja visão do fenômeno do riso é mais amena que a de Platão, o riso deve ser parcimonioso. A própria valorização da
tragédia como a representação de homens superiores, em contraposição à comédia, que representa homens inferiores, já revela a posição aristotélica.
Se os filósofos gregos domesticaram o riso, na medida em que este deveria ser sutil, equilibrado - excelente a metáfora usada por Minois (2003:72), segundo a qual o riso era um cão selvagem que foi transformado em cão de caça – isso não significa dizer que entre o povo o riso era condenado. Muito pelo contrário. O próprio Aristóteles, em Ética a Nicômaco, constata e critica o poder do riso entre os cidadãos gregos:
Como o gosto pela pilhéria é muito difundido, e a maior parte das pessoas tem nos gracejos e nas pilhérias uma fonte de prazer maior que o necessário, confere-se aos bufões uma reputação de pessoa de espírito, só porque eles agradam. (apud Minois, 2003:73)
Interessante é que entre os latinos, Cícero confiou mais no poder persuasivo do riso do que seu seguidor e admirador, Quintiliano. Para Cícero, o orador tem todo o interesse em fazer o seu auditório rir, porque, sendo-lhe simpático, não só tem maiores possibilidades de despertar-lhes e/ou desviar-lhes a atenção, bem como de embaraçar e enfraquecer o adversário. Apesar do pragmatismo inerente à retórica do riso, Cícero prega a elegância e a moderação no uso dela. Já para Quintiliano, o riso deve ser usado com circunspecção e reserva, porque pode se revelar insidioso e incontrolável.