2.2 1860 1908 YILLARI ARASINDA ARAP MİLLİYETÇİLİĞİNİN SEYRİ
2. II MEŞRUTİYET DÖNEMİ ARAP MİLLİYETÇİ CEMİYETLERİ
2.1. GİZLİ CEMİYETLER
2.1.3. El Fetat Cemiyeti ( Paris, 1911) (Genç Araplar Cemiyeti)
A seguir, estão os textos que sintetizam entrevistas semiestruturadas que realizamos com cada uma das professoras. Entendemos que nossa percepção sobre o trabalho realizado por cada uma delas estará presente ao apresentarmos os dados coletados que, de alguma forma, relacionam-se ao processo de documentação.
6.3.4.1 Professora Jane – 1º Estágio A
A professora Jane formou-se no magistério quando ainda vivia na Bahia, porém, durante 4 anos, trabalhou em hospital e postos de saúde. Apenas após sua mudança para São Paulo, no início de 2009, passou a trabalhar na área da educação. Na entrevista, afirmou que fez o magistério por falta de condições financeiras para fazer um curso técnico na área da saúde, pela qual tinha preferência. Sendo assim, passou a trabalhar no CEI por ser a primeira oportunidade que lhe apareceu ao chegar à nova cidade: ficou 1 ano como auxiliar volante e, no ano seguinte (quando foi realizada a pesquisa), tornou- se professora.
Jane afirma que, após o início da prática, passou a gostar do trabalho com crianças da Educação Infantil e pretende fazer uma pós-graduação em psicopedagogia quando tiver oportunidade. Cita que os alunos são como filhos para o professor, provedor de carinho e amor, e que os docentes têm grande responsabilidade na formação e aprendizado das crianças.
A professora segue o modelo de planejamento fornecido pela coordenadora e organiza-se mensalmente utilizando um caderno. Durante o tempo em que permanecemos na sala, não a vimos com ele nenhuma vez.
As rodas de conversa, que acontecem pela manhã, têm temas definidos por ela, como conversas sobre o final de semana, datas comemorativas, a visita do dentista ao CEI. Quando questionamos se há sugestão das crianças em alguns dias, Jane diz que elas falam coisas que “geram polêmica;” quando isso acontece, passa a outra proposta: o uso do calendário, instrumento para a realização de um trabalho com matemática. Afirma que os momentos de parque não são planejados e relaciona-os com o eixo de exploração da natureza e sociedade. Sobre o momento do parque, afirma que as crianças escolhem o que querem fazer nos brinquedos e, às vezes, solicitam ajuda para subir escadas, empurrar no balanço ou descer pelo escorregador.
Apesar dos momentos de parque não serem planejados, a professora afirma que o oposto ocorre no brincar, que acontece nos horários de entrada e saída. Como ela está presente apenas à entrada, pois seu horário de trabalho é das 7h às 16h, conta que organiza cantinhos com os “kits” de casinha, beleza, carrinho, bonecas, já montados por todas as professoras e de uso coletivo. Em seguida, afirma que
Na parte da tarde (saída) é bem melhor para o professor brincar com as crianças porque, além delas estarem bastante agitadas, não é que a gente não tem o que fazer, mas a gente precisa dar atenção maior porque a responsabilidade de entregar é maior do que a de receber. Você não pode entregar para qualquer pessoa, então, você deve dar maior atenção à criança do que ao próprio trabalho (Entrevista, 03/11/2010).
Ao ser questionada sobre a brinquedoteca, mencionou que vai com as crianças uma vez por semana, durante meia hora, utilizar esse espaço. O pula-pula inflável é o grande atrativo, e Jane preocupa-se com o controle de quantos irão entrar de cada vez e a ordem em que poderão brincar. Afirma que os mais “danadinhos” ou “que fazem muita bagunça” são os últimos, para que percebam que fizeram algo errado durante o dia. Também destaca a restrição do uso dos brinquedos destinados às crianças menores, controlando sua turma para que não faça uso inadequado desses objetos.
O assunto do projeto desenvolvido com as crianças – “reciclagem” – foi escolhido por ela e trabalhado ao longo de todo o ano. Cita que realiza propostas relacionadas ao projeto duas vezes por semana, escolhendo os melhores dias. Quando pedimos que justificasse a escolha do tema, ela afirmou:
Todos estavam falando de animais, de higiene... E é importante a gente ver que nosso planeta está devastado. Então, eu pensei em levar alguma coisa às crianças para que, no futuro, tivessem consciência. Aí foi o que me chamou a atenção, e é o que eles mais gostam. Com esse tema, eu não encontrei nenhuma dificuldade, porque eles aprenderam mesmo. Hoje, eles têm consciência do que é certo e do que é errado, do que pode ou não fazer com a natureza. Queria chamar a atenção para os problemas da sociedade (Entrevista, 03/11/2010 ).
Para Jane, a realização do projeto é a parte mais importante de seu trabalho, pois possibilita que as crianças entrem no mundo real. Da mesma forma, dá valor ao trabalho com a linguagem oral, pois possibilita a expressão. Já para as crianças, afirma que o momento mais significativo da rotina é a roda de história, e diz ser cobrada por elas para
que não se esqueça de fazê-la. Afirma que a leitura na infância é importante e contribui para a vida adulta.
Quando lhe perguntamos sobre sua relação com os pais, afirma que estabeleceu uma relação de professora e amiga, mantendo um diálogo aberto. Diz que percebe o interesse dos pais pela rotina, e que estes demonstram confiança e reconhecimento pelo trabalho da professora.
Durante a entrevista, Jane elogia o trabalho da diretora e da coordenadora, afirmando que estão sempre presentes, dispostas a auxiliá-la e demonstram compreensão. Sobre os momentos de formação que acontecem mensalmente, enfatiza a presença de convidados, como contadora de história e professor de dança, bem como o trabalho de cooperação feito ao longo do ano.
Para Jane, a rotina não precisaria de nenhum ajuste – para melhorar, seria necessário apenas que as professoras dos grupos menores seguissem seus horários de refeição com mais rigor, pois os 1ºs Estágios dependem delas para fazer suas refeições, e os atrasos acabam tendo implicação no restante da rotina. Já em sua sala, as únicas mudanças no ambiente que faria são as relacionadas à infraestrutura: pintura, troca da janela, pois entra água nos dias de chuva, e mudança do balcão por dois armários maiores – um para guardar o material pedagógico e outro para os cobertores das crianças, que ocupam muito espaço.
6.3.4.2 Professora Inês – 1º Estágio B
A professora Inês concluiu sua formação no curso de Pedagogia em 2007. Ao justificar sua escolha pela carreira docente, afirmou ser algo que pensava fazer desde criança e, posteriormente, a escola influenciou na opção. Antes de trabalhar no CEI, onde ingressou apenas um mês antes do início da pesquisa, já havia lecionado em outras duas escolas na cidade de São Paulo, sendo professora de Mini-grupo e 1º e 2º Estágios. Inês acredita que, como professora, pode mudar a vida das crianças, pois, percebe que elas, muitas vezes, espelham-se mais nas professoras do que em seus pais. Foi a quarta professora dessa classe no ano, que era considerado “agitado” e “difícil” pela diretora e a coordenadora. Quando realizamos a entrevista, Inês já estava com ele há 3 meses e perguntamos se já havia estabelecido uma rotina com as crianças.
[...] Antes, eles faziam o que eles queriam... Eu tava conversando com a diretora, e ela dizia que antes a minha sala era o foco da escola e agora não é mais. O pessoal vem me perguntar ‘Nossa, o que aconteceu?’. Esses dias, eu estava fazendo uma explicação dos desenhos do projeto e as meninas colocavam a cabeça lá na sala para ver se tinha alguém, porque eu explicando, e eles assim ó, olhando eu explicar, prestando atenção. (Entrevista, 03/11/2010).
A professora relata que as crianças chegam entre 7h e 8h: nesse momento, monta cantinhos, fornece material para desenho livre ou brinquedos, para que escolham e brinquem livremente. Durante a roda, trabalha com o calendário e envolve-se em conversas com as crianças: “[...] dependendo do dia, o que fez no final de semana, às vezes conversas pendentes que nós temos que colocar em dia, sabe, tudo isso a gente conversa na roda. Reclamações e sugestões também!” (Entrevista, 03/11/2010).
Inês afirma que organiza seu planejamento semanalmente sempre que possível, pensando em tudo o que irá propor nos dias seguintes e seguindo a rotina estabelecida pelo CEI. Durante nossa observação, também não vimos o planejamento em nenhum momento. Além do projeto, preocupa-se em oferecer outras propostas – ligadas, por exemplo, ao reconhecimento e escrita do nome. Quando pergunto se há algum aspecto mais importante para trabalhar na Educação Infantil no que diz respeito ao desenvolvimento e aprendizagem das crianças, diz que todos. Para ela, o trabalho nesse nível de ensino está diretamente relacionado à forma como o professor ensina à criança. Ela enfatiza a questão do cuidado com o corpo, bem como a questão da sociabilidade entre as crianças, como um aspecto importante para a faixa etária com que trabalha.
Para a professora, os momentos em que propõe atividades são os mais significativos para sua turma, afirmando que “no meu caso, as crianças cobram a atividade. E se eles cobram é porque eles querem aprender, eu acho” (Entrevista, 03/11/2010). Sobre sua percepção e ação nas atividades, relata:
Eles têm muita dificuldade, até com desenho. Eles não conseguiam pegar no lápis. Então, eu estava mostrando pra eles, porque tem criança que não faz por medo, fala ‘eu não sei fazer,’ mas nem tentou. Então, eu estava mostrando pra eles como é fácil fazer e aí eles ficam assim ‘Ah, é mesmo.’ Eu explico que um pauzinho mais cinco bolinhas dá uma flor e eles já tão entendendo bem melhor, até os desenhos já melhoraram (Entrevista, 03/11/2010).
Ao conversarmos sobre os momentos de brincadeira, ela cita que sua postura varia, conforme a proposta: em brincadeiras livres, só interfere quando há conflito; já
em brincadeiras com regras, como dança da cadeira, participa garantindo o cumprimento das regras; no parque, diz incentivar e mostrar às crianças como superar alguns desafios motores, como a forma de descer de um brinquedo mais alto. Sobre sua postura no parque, relata:
A Jane falou assim ‘Ai, o ano passado todas as crianças caíam’. E eu falei ‘É porque vocês não ensinam!’. Depois que eles aprenderam... Eles estranharam a questão de eu brincar com eles, de eu subir ali com eles no brinquedo. Eles diziam ‘Olha só a professora no brinquedo!’; quer dizer que era uma coisa que eles não tinham, não estavam acostumados. Os meus (alunos) não aconteceu nenhuma vez de se machucarem. É bem alto, mas eu os ensinei a pularem, e antes de pular olhar para ver se não tem nenhum amigo embaixo para não cair em cima... (Entrevista, 03/11/2010).
Quando perguntamos sobre os brinquedos utilizados pelas crianças dentro da sala, que ficam guardados em uma caixa, afirma que são peças pequenas, diversificadas que nem sempre as crianças têm acesso a eles, o que faz com que existam conflitos quando estão disponíveis. Inês afirma que usa pouco a brinquedoteca, pois acha difícil organizar a ida das crianças no pula-pula, preferindo usar o espaço apenas como sala de vídeo.
Sobre o uso da biblioteca, diz não utilizar o espaço toda semana, como previsto no planejamento, pois nem sempre consegue organizar-se em relação ao tempo. Mas, quando usa o espaço, afirma variar o tipo de proposta, empregando fantoches, lendo no escuro etc. Afirma que, embora as crianças gostem de história, não as lê todos os dias, porque “[...] eles não estavam acostumados com isso” (Entrevista, 03/11/2010), preferindo contar histórias sem apoio de livros.
Como afirma estar descontente com o projeto que está desenvolvendo (“Que inseto é esse?”) com as crianças, perguntamos se sempre trabalhou com projetos e como era nas outras escolas. Ela acredita que, assim como em sua última experiência, deveria ser definido um tema para a escola inteira, abrangendo todas as áreas do conhecimento, dividindo o conteúdo de cada uma delas, a partir da faixa etária. Quando questionada sobre o que acharia se o assunto partisse das crianças, afirma: “Às vezes, tem criança que vem sem instrução nenhuma, que não sabe assim o que quer. Há criança que, se deixar, só quer brincar o tempo inteiro, que não tem regra nem limites” (Entrevista, 03/11/2010).
Inês diz ter estabelecido uma boa relação com os pais e sente-se à vontade para conversar com eles sobre as crianças. Também tem um ótimo relacionamento com a coordenação e a direção desde sua entrada, pois sempre se mostraram à disposição para ajudá-la. Ao falar dos momentos de formação, também elogia a coordenadora e a diretora, dizendo que é possível perceber o quanto se esforçam para fazer do dia da Parada Pedagógica algo gostoso, voltado à prática.
A professora afirma que sua maior dificuldade é a falta de tempo e a quantidade de coisas que precisa fazer. Para ela, seu trabalho não é difícil, e seria muito bom ter alguém para ajudá-la em alguns momentos. Diz que, se pudesse fazer mudanças em sua sala de aula, colocaria uma lousa e um espelho, ressaltando a importância de um espaço organizado:
Se as crianças veem uma sala bagunçada, elas vão querer se organizar por quê? Eu não gosto de bagunça, e aqui eu ainda não consigo, porque aqui já tinha muita coisa, muita caixa... Eu fico todo dia frustrada, eu tento pôr ordem. Tudo eu faria do meu jeito, mas sem mudar. Reorganizando. [...] Acho que no ano que vem vai dar para ser diferente (Entrevista, 03/11/2010).
Por fim, quando perguntamos se há algo que julgava importante nos contar, mostrou-se preocupada em ficar com uma classe com crianças menores no ano seguinte, justificando-se:
(Por exemplo) Eu não consigo achar nada do Ivan para fazer o relatório, porque ele é muito bebê. Ele se esconde por trás dessa de bebê. Ele não saiu da garatuja! E a mãe quis trazer miojo outro dia, porque ele não comia a comida da escola! Já a Bianca, tem uma vontade de aprender, se ela pudesse aprendia tudo de uma vez! Às vezes, ela vem me falar que não sabe fazer uma coisa, e eu falo que é super fácil de fazer e ensino ela. Hoje, o Fernando fez um tracinho com um monte de perninha e falou que era a letra do nome dele. Eu falei isso mesmo, Fernando, mas eu vou te mostrar um jeito mais fácil ainda, que não tem tanta perninha. Com certeza se eu estivesse com eles desde o começo do ano, ele já ia saber o nome dele. Ele veio me mostrar o F e o E certinho (Entrevista, 03/11/2010).
6.4 Observação, registro, reflexão e apresentação das experiências e atividades das