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D. AraĢtırmanın Sınırlılıkları

4.2. BOġANMAYA GÖTÜREN SEBEPLER VE YAġANAN DEĞĠġĠMLER

4.2.4. Ekonomik Problemler

Com relação ao tipo de clítico utilizado na referência ao interlocutor, os dados mostram o uso das formas “te”, e “o”, de função acusativa e da forma “lhe”, de função canônica dativa. Uma vez que todos eles são utilizados na mesma função sintática, ou seja, referência à segunda pessoa do discurso, como complementos de verbos transitivos diretos, percebemos que todos se enquadram no caso acusativo na situação de uso em questão. O clítico “o”, em especial, oferece para este estudo interessantes dados para análise uma vez que cada vez mais tem sido notada e constatada a queda de seu uso na fala, ficando sob responsabilidade da escola mantê-lo vivo no sistema lingüístico a partir da escrita. Pesquisas mostram que a mudança de direção fonológica do clítico que vem ocorrendo desde o século XIX causou o impedimento do licenciamento do onset da silaba da forma clítica “o”, de modo que este somente poderia ser licenciado por outros processos. Assim, as diferentes proporções deste clítico em relação ao uso observado das formas “te” e “lhe”, nas diferentes modalidades da língua deverão revelar o processo atual em curso do estabelecimento da gramática vigente, em uso no PB.

Tabela 3: Tipo de clítico na função de objeto direto em referência ao interlocutor:

modalidade formal

TE O LHE Total

N. de Oc. / % N. de Oc. / % N. de Oc. / % N. de Oc.

56 / 22,7 152 / 61,5 39 / 15,8 247

Dentre os clíticos mencionados, é relevante observar alguns exemplos de sentenças em que estes ocorreram. Buscamos selecionar dois exemplos para cada tipo de clítico:

a) TE: 175 – Estamos te convidando para uma homenagem...;

256 – Te Receberemos com uma festa.

b) O: 234 – Será uma honra recebe-lo;

264- Nós o esperamos amanhã.

c) LHE: 378 – Estou lhe escrevendo esta carta...;

391 – Mas lhe esperamos com muita vontade.

Os dados sugerem o uso preferencial do clítico acusativo “o”, que apresenta alto índice percentual (61,5%). Este fato contraria nossas expectativas, tendo em vista que vários estudos a respeito desse clítico têm mostrado que seu uso é residual no Português Brasileiro. As formas “te” acusativa e “lhe” dativa apresentam índices bastante próximos, com 22,7% e 15,8% respectivamente, o que nos leva a inferir uma competição entre essas duas formas nesta modalidade, em oposição à forma acusativa “o”.

A grande incidência do clítico acusativo “o” nas produções dos alunos nos leva a indagar se a preferência por essa forma pronominal é constante em todas as séries, ou se é adquirida ao longo do processo escolar. Para observar estas questões, iniciaremos pela análise dos tipos de clíticos por série. As 247 ocorrências estão distribuídas na tabela a seguir.

Tabela 4 – Tipo de clítico por série escolar : modalidade formal

Clítico / Série TE O LHE total

N. oc. / % N. oc. / % N. oc. / % N. oc.

5ª série 12 / 21,0 24 / 42,1 21 / 36,9 57

6ª série 19 / 31,1 34 / 55,7 8 / 13,2 61

7ª série 20 / 24,4 57 / 69,5 5 / 6,1 82

8ª série 5 / 10,6 37 / 78,8 5 / 10,6 47

Em todas as séries constata-se a utilização preferencial do clítico “o” em detrimento dos demais, e também o uso crescente ao longo das séries analisadas, aumentando em pouco mais de 20%, da quinta série (42,1%) à oitava (78,8%). Os clíticos “te” e “lhe” não demonstram regularidade no uso ao longo das séries, pois, relacionando-se um ao outro, temos na quinta série o maior uso do “lhe” (36,9%), na sexta série o maior uso do “te” (31,1%) e a estabilidade de ocorrências entre ambos na oitava série, apresentando exatamente o mesmo índice percentual.

Esses resultados sugerem que, desde a 5ª série, o clítico acusativo “o” está presente nas produções dos alunos e apresenta tendência crescente de uso, ultrapassando a marca dos 75%. Mais uma vez, esses resultados se opõem àqueles relativos ao emprego dessa forma pronominal na posição de objeto direto de 3ª pessoa e nos fazem inferir que, ao contrário do que se tem postulado, o clítico acusativo “o” não está em vias de desaparecer do Português Padrão. O que parece estar ocorrendo é uma especialização de uso9 que ocorre por meio de

uma reanálise, ou seja, o clítico “o” deixa de ser usado em referência à 3ª pessoa e começa a assumir a função específica de referência ao interlocutor.

Observemos o gráfico 2, abaixo, elaborado a partir da tabela 4, para melhor visualizarmos as proporções de uso referentes a cada clítico no preenchimento da posição de objeto na referência ao interlocutor.

Gráfico 2: Tipo de clítico X série escolar: modalidade formal.

A questão está em saber se esse uso é restrito à modalidade formal, se, por ventura, encontraremos resultados semelhantes na modalidade informal analisada na próxima seção deste capítulo. Nunes, (1996), afirma que, quando houve a mudança da cliticização fonológica da esquerda para a direita, não havia como o onset da sílaba dos clíticos de terceira pessoa ser licenciado, o que poderia levar a um processo de reanálise para que o onset pudesse ser licenciado por outros processos, ou simplesmente poderia ocorrer o apagamento. Percebemos que, em especial o clítico “o”, quando utilizado em referência ao interlocutor nas situações formais, é a preferência dos alunos para o preenchimento da posição de objeto, o que poderia, então, ser um indício de reanálise.

A seguir, analisamos a posição dos clíticos em relação à estrutura verbal, com a finalidade de observar se há diferenças significativas entre os tipos de clíticos.

Tipo de clítico X Série

0 10 20 30 40 50 60 70 80 90

5ª série 6ª série 7ª série 8ª série

Série C lít ic o TE O LHE

Benzer Belgeler