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Ekonomi-Politik Önemi

Belgede 20 6 (sayfa 38-42)

Lakoff e Johnson (1980) tangenciaram a questão da base experiencial da metáfora ao descrever algumas metáforas ditas orientacionais ou de espacialização, a exemplo da metáfora

MAIS É PARA CIMA (Os preços subiram muito este ano). Nesse mapeamento, constatamos que um domínio conceptual subjetivo (quantidade) é conceptualizado a partir de um domínio de caráter sensório-motor (verticalidade). A associação metafórica entre alvo e fonte (quantidade e verticalidade, respectivamente) se pauta, segundo os autores, em uma correlação direta com uma experiência corporal, a saber, o fato de que, ao empilharmos objetos, vemos uma elevação de nível correspondente no plano vertical.

Grady (1997) aprofundou a tese acerca da base experiencial da metáfora ao demonstrar que nossos julgamentos subjetivos (avaliações sobre aspectos como importância, dificuldade ou similaridade) ou experiências de ordem subjetiva (afeição, desejo, dentre outras) são frequentemente conceptualizados a partir de nossas experiências de base sensório- motora. Os mapeamentos metafóricos construídos a partir de tais associações foram denominados por Grady de metáforas primárias. Um exemplo dessa correlação é a metáfora DIFICULDADE É PESO, atualizada por uma expressão linguística como Estou muito

sobrecarregada de trabalho este semestre, em que a capacidade subjetiva para avaliar a

possibilidade de se realizar algo (domínio alvo DIFICULDADE) é conceptualizada, via metáfora, a partir de nossas experiências sensório-motoras relativas ao ato de levantar eou mover objetos (domínio fonte PESO).

Em seu estudo, Grady identificou um vasto número de metáforas primárias, dentre as

quais: SIMILARIDADE É PROXIMIDADE, IMPORTANTE É GRANDE, AFEIÇÃO É CALOR, DIFICULDADE É DUREZA, DESEJO É FOME, ACEITAR É

ENGOLIR, CONHECER É VER, COMPREENDER É PEGAR, ANALISAR É CORTAR, TEMPO É MOVIMENTO, PROPÓSITOS SÃO DESTINOS, ESTADOS SÃO LUGARES, MUDANÇA É MOVIMENTO, CAUSAS SÃO FORÇAS FÍSICAS.

Segundo a hipótese de Grady, cada metáfora primária “é um componente atômico da estrutura molecular das metáforas complexas.” (LAKOFF; JOHNSON, 1999, p. 49, tradução nossa). As metáforas primárias se agregariam, desse modo, para formar metáforas complexas através do processo de blending conceptual8, detalhadamente estudado em Fauconnier e

Turner (2002). Uma metáfora como A VIDA É UMA VIAGEM, por exemplo, será

8 Blending ou “integração conceptual” designa uma operação cognitiva que desempenha papel central na

estruturação do pensamento. O processo típico de blending prevê um mapeamento entre quatro estruturas conceptuais (espaços mentais), dos quais “dois espaços de input (que, em um caso metafórico, são associados com a fonte e o alvo da TMC), mais um espaço ‘genérico’, representando a estrutura conceptual que é partilhada por ambos os espaços de input, e um espaço ‘mescla’, no qual o material oriundo dos espaços de input é combinado e interage” (GRADY; OAKLEY; COULSON, 1997, tradução nossa). Segundo Evans (2007), a Teoria do Blending (ou Teoria da Integração Conceptual) foi desenvolvida para dar conta de aspectos não suportados pela Teoria da Metáfora Conceptual e descrever, sobremaneira, aspectos criativos envolvidos na construção do significado, a exemplo do que ocorre com as denominadas metáforas “novas”.

considerada por Grady como complexa, podendo ser desmembrada em diferentes metáforas primárias, tais como PROPÓSITOS SÃO DESTINOS e AÇÕES SÃO MOVIMENTOS.

A teoria da metáfora primária de Grady encontra-se, por outro lado, ancorada nos estudos de Christopher Johnson, que postula uma hipótese sobre o modo de aquisição das metáforas primárias, denominada de Teoria da Fusão (ou “Teoria da Conflation”).

Ao investigar como se dá a aquisição de metáforas comuns por crianças, Christopher Johnson constatou que o surgimento das metáforas primárias ocorre em dois estágios distintos e sucessivos. Segundo o autor, haveria uma primeira fase, designada “conflation”, que corresponderia aos primeiros anos da infância, em que as experiências subjetivas e sensório- motoras estariam superpostas ou imbricadas (conflated) tão intimamente que a criança as conceberia como uma experiência única, indiferenciada. Assim, durante esse estágio inicial, haveria uma ativação simultânea dos domínios conceptuais subjetivos e dos domínios sensório-motores, de modo a promover uma associação entre estes.

Numa etapa posterior, denominada “diferenciação”, haveria uma separação entre os domínios anteriormente percebidos como indistintos, e a criança seria agora capaz de distinguir entre os domínios conceptuais de ordem diversa (subjetiva e sensório-motora). Mesmo após o período de diferenciação, contudo, associações remanescentes da fase de

conflation persistiriam, explicando, assim, a existência das metáforas primárias. Assim, em

uma expressão como Ele deu um sorriso caloroso, podemos entrever uma metáfora primária subjacente, a saber, AFEIÇÃO É CALOR, em que uma experiência de um domínio subjetivo (afeição) é conceptualizada a partir de uma experiência de caráter sensório-motor (sensação térmica). Isso se justifica, segundo o autor, graças ao fato de que esses domínios foram, outrora, coativados durante o período de conflation, em que a criança associava, como uma mesma experiência, o ato de ser abraçada afetuosamente ao calor produzido por essa mesma ação.

Christopher Johnson investigou, particularmente, o mecanismo de aquisição da metáfora primária CONHECER É VER (KNOWING IS SEEING), adotando como corpus um conjunto de sentenças produzidas por um garoto (Shem), gravadas ao longo de seu processo de desenvolvimento da linguagem. Em suas pesquisas, ele observou que, em uma etapa anterior à aquisição da metáfora em causa, registravam-se usos do verbo ver (Vamos ver

o que temos na caixa) em contextos em que equivaliam tanto a sua acepção literal,

propriamente sensorial, quanto ao seu correlato metafórico (conhecer), indiciando, assim, a existência da fase de conflation. Os usos efetivamente metafóricos (Eu estou vendo o que você

está querendo dizer  I see what you mean), por seu turno, só ocorriam posteriormente,

segundo a hipótese de Johnson.

Ao desenvolver estudos sobre modelagem neural, no âmbito da Neurociência Computacional, Srini Narayanan avançou hipóteses em direção à tese da corporificação do pensamento e propôs uma explicação, sob uma perspectiva neural, para os mecanismos de funcionamento e aquisição das metáforas primárias. A Teoria Neural de Narayanan, ao lado das sistematizações de Joseph Grady e Christopher Johnson, bem como da Teoria do Blending Conceptual de Gilles Fauconnier e Mark Turner, irá compor o que Lakoff e Johnson (1999) denominam de Teoria Integrada da Metáfora Primária.

Sob a perspectiva neural, os domínios conceptuais passam agora a ser compreendidos como redes neurais, isto é, “conjuntos neurais altamente estruturados em diferentes regiões do cérebro” (LAKOFF; JOHNSON, 2003 [1980], p. 256, tradução nossa). Os mapeamentos que caracterizam a metáfora conceptual consistirão, por sua vez, em conexões neurais entre tais domínios, isto é, ligações propriamente físicas empreendidas através de sinapses neurais.

A Teoria Neural de Narayanan irá redimensionar a hipótese aventada por Joseph Grady e Christopher Johnson para a aquisição das metáforas primárias. Uma metáfora primária, a exemplo da já citada QUANTIDADE É VERTICALIDADE (MAIS É PARA CIMA), resultaria de uma ativação simultânea de redes neurais no cérebro responsáveis, de um lado, pela experiência sensório-motora (a percepção do grau de verticalidade, nesse caso específico) e, de outro, pela experiência e julgamento subjetivos (o julgamento relativo à quantidade, na metáfora sob exame). A coativação reiterada e regular dessas regiões cerebrais, que ocorreria a partir das experiências cotidianas vivenciadas já nos primeiros anos da infância (na fase denominada de “conflation” por Christopher Johnson), produziria, por conseguinte, conexões neurais permanentes entre essas redes (domínios) conceptuais, caracterizando a emergência das metáforas primárias.

O processo através do qual as conexões permanentes entre domínios são estabelecidas assumiria o caráter de uma seleção neural (LAKOFF; JOHNSON, 1999, p. 57), em que as conexões neurais entre domínios (fonte e alvo) seriam inicialmente aleatórias ou randômicas e, em face da maior recorrência e regularidade em sua coativação, certas conexões se fixariam de modo definitivo, culminando, assim, por configurar nosso sistema conceptual metafórico.

Retomando sumariamente a exposição acima, podemos afirmar que, sob a abordagem neural, as metáforas primárias não são senão “conexões neurais aprendidas por coativação” (LAKOFF; JOHNSON, ibid., tradução nossa). A compreensão da metáfora sob tal perspectiva irá acarretar algumas implicações teóricas, que passamos a examinar.

Uma vez que decorrem de um processo de “aprendizagem neural”, as metáforas primárias constituem um fenômeno atinente à esfera do inconsciente cognitivo e, por conseguinte, o pensamento metafórico é uma realidade inescapável, sobre a qual não temos consciência ou mesmo escolha. Com efeito, para Lakoff e Johnson (1999):

Apenas por funcionarmos normalmente no mundo, nós automática e inconscientemente adquirimos e usamos um vasto número de tais metáforas. Elas são realizadas em nossos cérebros fisicamente e estão em sua maior parte além de nosso controle. Elas são uma consequência da natureza de nossos cérebros, nossos corpos e do mundo em que habitamos. (LAKOFF; JOHNSON, ibid., p. 59, tradução nossa, grifo do autor).

A postulação de uma base neural para a metáfora também explica o caráter universal da maior parte das metáforas primárias. Isso se deve ao fato de que as experiências que originam as metáforas primárias são universais, uma vez que, como lembram Lakoff e Johnson (2003 [1980]), “basicamente todos nós temos os mesmos tipos de corpos e cérebros e vivemos basicamente nos mesmos tipos de ambientes.” (id., ibid., p. 257, tradução nossa). Desse modo, segundo o raciocínio apresentado por Lakoff e Johnson (1999), “experiências iniciais universais levariam a conflations universais, que então se desenvolveriam em metáforas conceptuais universais (ou difundidas).” (LAKOFF; JOHNSON, 1999, p. 46, tradução nossa).

Conceber a metáfora como um processo instanciado neuralmente implica, por outro lado, na recusa da compreensão da metáfora como processo multifásico de interpretação, visão esposada por diferentes paradigmas linguísticos.

Com efeito, segundo Lakoff (2006), o mapeamento metafórico não deve ser compreendido como um processo algorítmico, que recebe um sentido literal como input e retorna um sentido metafórico como output. Dada uma sentença metafórica não haveria, assim, uma etapa prévia em que se atribuiria uma interpretação literal, e uma etapa posterior, em que aquela sofreria uma conversão, resultando na interpretação metafórica. Barcelona (2003a) acrescenta, nesse sentido, que, uma vez concebida como um tipo de modelo cognitivo (LAKOFF, 1987), a metáfora passa a integrar nosso “equipamento cognitivo”, por assim dizer, e como tal, as metáforas seriam “diretamente ativadas no processo de compreensão e produção de linguagem”. (BARCELONA, 2003a, p. 6, tradução e grifo nossos). Particularmente no caso das metáforas primárias, para Lakoff e Johnson (1999), teríamos aqui “uma questão de mapeamento conceptual imediato estabelecido via conexões neurais”. (LAKOFF; JOHNSON, ibid., p. 57, tradução e grifo nossos).

Nesse ponto, julgamos oportuno remeter brevemente à discussão sobre qual é o lugar da metáfora nos estudos linguísticos. Relativamente a este aspecto, Lakoff (2006) rejeita a perspectiva de John Searle (como também a de Paul Grice), segundo a qual a metáfora concerne à esfera da Pragmática e excede os limites da linguística sincrônica. Segundo Lakoff (ibid., p. 235), tais autores mantêm a oposição literalfigurado (e as assunções equivocadas vinculadas a esta), à medida que concebem o significado metafórico como algo derivado de um significado literal, a partir de princípios pragmáticos da linguagem em uso. Tal abordagem revela-se, pois, incompatível com a teoria cognitiva da metáfora, dado que, para este último paradigma, o significado metafórico é irredutível ao significado literal.

Belgede 20 6 (sayfa 38-42)

Benzer Belgeler