• Sonuç bulunamadı

EFSANE TANIMI VE NEVŞEHİR EFSANELERİ

“Rio de Janeiro, a grande metrópole brasileira, maravilhosa colméia humana em que o ruído do trabalho se casa ao borborinho dos prazeres.”

“Primeira legenda do filme “Brasa dormida”.

A fusão polifônica da cidade faz tudo parecer o mesmo. A maquinaria fabril aliada aos motores que cruzam a cidade por mar, terra e até mesmo pelo ar, nos faz crer que seja mesmo uma colméia humana e que tudo caminhe para um mesmo fim: o progresso. Contudo, em meio a toda esta sonoridade harmônica dos mecanismos da modernidade, ouvimos, ao fundo, escondido entre o som dos batentes, algo não tão novo, mas que se adequara à permissividade trazida com a enxurrada do novo. Tudo parecia fazer sentido e dar prazer. E com estas novas modalidades de prazer, os cidadãos deveriam tomar cuidado, principalmente as mulheres, mais suscetíveis às digressões da metrópole.

A mulher perdida pode ser uma “femme fatale”, aquela que causa a ruína. Podia ser vamp, melindrosa ou qualquer outra denominação que carregasse em si alguma sexualidade latente não contida pelo casamento e, dentro deste, o marido, único sentido do sexo para a mulher.

Todavia, os tipos não se esgotam nos modelos “comerciais”, com belas mulheres que se entregam aos prazeres mundanos, viciadas em éter, morfina ou qualquer outro psicotrópico. Há também a mulher comum, não tão bela, nem tão jovem, que, por motivos diversos, se desviava da condição natural, evadindo-se desse modelo. Ela se encontra à margem dos modelos socialmente aceitos ou dados como convenc ionais. Como é o caso do filme Vivo ou Morto80 (1916) que conta a História de uma dama da sociedade que decide separar-se do marido. Ao contrário do que muitos esperavam, a História naturalizava a separação e a nova relação daquela

80

mulher, que continua va freqüentando o universo da boa sociedade, inclusive nos bailes mensais do Clube dos Diários.

Para muitos, as mulheres decaídas deveriam ser afastadas dos espaços reservados à boa família. A convivência delas com “senhoras decentes” causava medo àqueles que temiam que atos decrépitos pudessem se espalhar pela boa sociedade destruindo a família, que é o sustentáculo da nação.

A crítica ao filme é concisa e nos parece que O Sr. Teixeira de Barros quis fazer um filme de arte, mas mostrou, em verdade, uma situação por demais escandalosa. Temos a impressão, também, de que a direção de Luíz de Barros se propôs verdadeiramente a fazer um filme escandaloso, pois utilizou o ardil de

esconder-se por detrás do pseudônimo Dr. Teixeira de Barros, fato que denota a volatilidade do tema. Expor na tela uma senhora obesa, descasada e enamorada de outro homem, beijando

calorosamente seu amante, era algo por demais moderno. E ainda por cima ser aceita com naturalidade pelos outros personagens da trama era absurdamente moderno para uma sociedade que tinha

seus pilares cravados no patriarcalismo. Mas, como modelo social francês, o

espectador o digeria só como um filme. Os negativos foram comprados pela Pathé e apresentados em outros países como uma fita francesa.

Ilustração 20 - A mulher corrompida

Aceitar o filme como produto de uma outra sociedade, gozar com as fantasias que dele provinham, permitidas pelas imagens, e gozar novamente por estar distante de si é algo totalmente aceitável. Porém, a verificação de que esses fatos se passam dentro do seio da sociedade à qual o espectador pertence é de muito difícil deglutição. Ver essa mulher perdida transitar naturalmente pelos espaços de segurança para os filhos da boa família era despertar para um problema que julgavam dever ser extirpado, pelo medo da metástase social.

Nas telas e nas mentes, as francesinhas eram símbolos de perdição, de status e poder, pois estavam simbolicamente vinculadas ao imaginário literário de uma Paris, que não tinha limites e nem dava limites. As francesinhas eram por si só mulheres libertas, livres para o amor, mas quando uma dessas jovens vinha para cá e perdia-se de sua tia, estava literalmente Perdida (1916)81. Este outro filme de Barros mostra a francesinha Nanette Lubin que vem ao Rio de Janeiro para procurar sua tia. Ao chegar, não a encontra e acaba por tornar-se manicura de uma baronesa. Assim conhece o sobrinho da senhora, tornando-se amante dele. A tia de Nanette continua a procurá-la até que a encontra e descobre em que ela se metera. Bastante decepcionada, a tia retorna para seu sítio e abandona a sobrinha, que morre no fim da fita.

O filme foi produzido alguns meses antes de “Vivo ou Morto” e, ao contrário, nele o personagem central não tem o mesmo fim. Em “Perdida”, o espectador mais convencional sai tranqüilo com o desfecho, pois a protagonista desviante é punida pelos erros que cometera. A mulher se entrega aos apelos do sexo e é punida com a exclusão e a morte. A imagem aguça a imaginação do vedor, sendo perdida, francesa e jovem, mas, mantendo-o em segurança, pois a mulher perdida, além de ser estrangeira, era punida exemplarmente.

Rosinha é A Rosa que se desfolha82 (1917) que, como uma “típica” – pelo menos do ponto de vista cênico - moça do campo, ingênua, bela e cheia de sonhos, é noiva de Maneco. Tudo corre tranqüilamente até a chegada à vila de uma grande companhia dramática da Capital

81 Drama da Guanabara Filme

Federal. É quando Rosinha encontra o galã da “troupe”, Otávio. O ator faz Rosinha sonhar e, em busca desses sonhos, ela abandona o noivo e parte para o Rio com ele. No Rio ele a instala numa pensão equívoca e lá possivelmente ela se “desfolha”.

Otávio a rouba e a abandona, sem nenhum dinheiro ela vaga pela cidade e quando caminha na praia encontra seu ex-noivo e a este pede perdão.

As informações encontradas sobre o filme determinam que seu término acontece com o reencontro numa praia da cidade do Rio de Janeiro. Não há referência de que haja um desfecho com cena de casório. O regozijo

do público encontra-se no fato de Rosinha pedir perdão a seu ex-noivo, percebendo o quão ingênua fora ao

abandonar o noivo por um artista circense. E, fora do casamento, as promessas de homens como aqueles fazem parte do jogo corruptor de um mundo que não lhes pertence.

A mulher livre arde em meio ao fogo das macegas, leva o homem à ruína. E mulher perdida gera mulheres perdidas. A mulher faz o homem arder em fogo, o fogo incendeia o espírito e faz mãe e filha queimarem em chamas numa família destruída. Ao homem, pobre homem, só lhe resta a dor do mau passo, da má escolha da mulher que junto a ele deveria construir o lar. Dê a ele uma corda, pois não lhe resta mais nada; somente a dor do laço em seu pescoço.

A derrocada83 (1918) de uma família do interior do estado do Rio de Janeiro encontra-se na formação de suas mulheres. Muitas delas já trazem em sua educação familiar o motivo da deformação de seus hábitos, modos e atitudes, como é o caso da filha de um peão que aceita a

83

Ilustração 22 - Aurora Fúlgida interpreta Rosinha.

corte de um fazendeiro. A mãe, uma espanhola com inclinação ao alcovite, é quem dentro do seio de sua família instrui a filha. A bela rapariga é seduzida e raptada por seu pretendente.

Desesperado o pai sai a cavalo ao encalço dos enamorados. Aponta uma espingarda para os fugitivos e perpetra vários disparos, até que um destes atinge a desviada, matando-a. O fazendeiro deixa o corpo morto da vítima de sua sedução e continua em rota de fuga a toda brida. O peão pára e salta de seu cavalo ao lado do corpo sem vida de sua filha, recolhendo-a do chão e pondo-a sobre a sua cela. Lastimado pela dor da perda da filha, o peão vai à sua casa, deposita a filha morta sobre o assoalho e parte para a vingança final, pondo fogo nas terras do fazendeiro. Mas o fogo toma a direção de sua própria casa, matando sua esposa e incinerando o corpo da filha. O roceiro em desespero corre para a mata e com uma corda tira sua própria vida.

Nem a Alma Sertaneja84 (1918), distante dos maléficos efeitos dos inovadores mecanismos da modernidade, deixa de sofrer com a nova moda do amor de mulher, que decide por quem amar, deixando de lado a vontade sabedora de seu pai. Maria é a personagem central de nossa trama. Por ela, Artur, filho do Coronel Anastácio – com quem, segundo a lógica de seu pai, teria um bom futuro, é apaixonado. Mas a nossa Maria está enamorada por um outro rapaz, que também está apaixonado por outra que não é Maria. Tal situação leva a moça ao extremo com seu amor. Aquele que está enamorado pela filha de um outro fazendeiro, foge com sua amada para viverem seu amor. Maria os segue de barco. Contudo sofre um acidente, morrendo afogada no rio.

A mulher que desdenha da sapiência dos pais e se deixa envolver pelos caprichos do amor tem seu fim nesse filme, mostrando que a corrupção dos pensamentos modernos avança pelo interior, deixando perdidas moças que, por sua ingenuidade, desprezam o correto pelos sinais do amor. Mesmo em vilas onde não há salas de cinema fixas, o cinema ambulante chega levando as imagens e os novos conceitos da vida urbana em situações que, mesmo ocorridas em

84

outro país, são representadas como cosmopolitas. São figurações de um tempo do qual esses homens e essas mulheres não podem fugir. As estrelas dos filmes projetam nos espectadores uma vida que não lhes pertence, mas que poderia pertencer. Elas invadem as cabeças mais ansiosas por mudanças, fazendo-as crer que daquilo não poderiam fugir. Era um futuro que, a cada dia, se tornava mais presente. No campo e na cidade as mulheres poderiam encontrar os sinais dos novos modos nas telas do cinema; mas essas novas condutas não eram facilmente aceitas. As mulheres vitimadas nas telas de cinema também expressam as idéias de um tempo que não aceita tais transformações e que mostra o preço pelos desvios de uma vida da qual elas não poderiam fugir ou deixar a condição de pacientes.

Outro romance que é adaptado para as telas é Amor de Perdição (1917)85, de Camilo Castelo Branco, em que a mulher, por amor, se opõe à vontade de seu pai. Esse amor proibido é fonte de perdição para os amantes.

A História é a de Simão Botelho e Teresa de Albuquerque, vitimados por um amor proibido, pois suas famílias são inimigas. Entre encontros furtivos em jardins e recados passados por meio de serviçais, acontece a descoberta das famílias, que fazem de tudo para separá-los, desde prometer Tereza a casar-se com um primo, até o recolhimento desta ao claustro de um mosteiro. Da parte de Simão o mesmo: da proibição à disputa, até a morte de seus opositores, levando-o a ser exilado nas índias. Por fim, na constatação da impossibilidade de viverem esse amor, os dois definham.

Se levarmos em conta os vários fragmentos em que os personagens e também os produtores exprimem suas idéias a respeito da condição feminina, diríamos que os confrontos de todos esses juízos formam um verdadeiro campo de batalha. Em nome da proteção da tão falada condição feminina, a mulher é praticamente escravizada nos modelos fetichistas em que se encontra nas telas dos cinemas e que levam os homens a perder a cabeça e embrenharem-se no

85

universo de suas próprias fantasias conservadoras: como pai, como protetor, como viajante e admirador desses espécimes que são raras nas capitais ou como o jovem apaixonado das telas, passando a fazer parte do espetáculo.

A mulher, sublime em sua inocência, é guardada numa redoma de vidro pelos seus protetores, resgatada do ser desprezível e ameaçador, mas ainda inocente. A inocência frente ao amor consagra a história de “Amor de perdição”, em que os personagens centrais enfrentam a vontade de seus pais e são castigados com a separação e a morte.

A morte dos amantes acaba fazendo valer a superioridade da honra, dos valores, e a inferioridade do amor e das paixões. O par amoroso é liquidado em seu triste fim e a honra das famílias Botelho e Albuquerque é salva.

Porém, pensando na morte de Tereza, que tem sua saúde debilitada pela sua própria recusa de comer, somos le vados a pensar em termos simbólicos. Isto é, a morte de Tereza pode ser pensada como eliminação da figura feminina rebelde, escrava do amor. Nesse contexto, sua resistência ganha sentido, como vítima do amor moderno. Ela disse que não se casaria com seu primo e, de fato, não se casou, o que não deixa de ser vitória de sua vontade.

A disputa que se trava em torno do destino dos jovens amantes tem seu foco voltado para a questão do domínio sobre o corpo, corpo objeto; corpo que guarda em sí a honra. Com a eliminação do corpo - a morte dos amantes, os pais deixam de possuir alguma culpa sobre o ocorrido. Com a morte dos amantes, tanto as famílias envolvidas, como os próprios são libertos, já que suas vontades foram efetivadas e o amor dos amantes não foi maculado. Ironia da libertação pela morte e pela guerra.

Assim o próprio amor é fonte de perdição, o que nos faz retornar à máxima de que “a vontade dos pais deve ser soberana”. Portanto, mais uma vez vence a tradição.

Em A Gigolette86 (1924), Liz era uma boa moça, humilde e bonita, filha do primeiro casamento de um pescador. Sua madrasta, uma lavadeira chamada Maria, lhe dera um irmão apelidado de Chutinho. Viviam em uma modesta casa, como deveria ser a morada de um pescador e de uma lavadeira. A filha do pescador ajuda sua segunda mãe, em sua labuta diária, lavando, passando e entregando as roupas na vizinhança. A única preocupação que Liz dava a seu pai era seu gosto pelo carnaval.

A mocinha era pretendida por dois rapazes, um estróina e o outro, um médico. Obviamente, como a trama exigia, ela vai atender a corte do estróina Álvaro e, com ele, vai a um baile de carnaval, fantasiada de Gigolette.

No mesmo momento em que Liz

aproveita o amor de carnaval, seu pai é visitado por um credor, que utiliza a violência física para recuperar seu dinheiro. Após a briga, o pai da moça é levado pela polícia.

Enquanto isso, a jovem filha do pescador é embebedada nos eflúvios dos lança-perfumes "Rodo"87 dos bailes nos quais passaram. Caminha pela praia embriagada de champagne e de dança até o ponto de perder por

completo a consciência e desmaiar, entregando-se aos

86 Drama de Paulo Benedetti.

87

Ilustração 24 - Lance Parfum "Rodo" (1896) Ilustração 23 - Lis em sua humilde casa e seu pai

prazeres libidinosos de seu parceiro.

Desacordada é abandonada na areia e desperta descobrindo ter sido profanado o seu templo e quebrado seu precioso cristal. Nela foi depositada a semente desse ato impuro. A moça vaga até a casa de Álvaro, mas chegando lá descobre que este partira em viagem. Totalmente desnorteada é encontrada por Maneco, empregado do Dr. Elzeman.

A escandalosa notícia chega aos ouvidos do pai da moça que sai pelas ruas a fim de recuperar com o sangue de Álvaro a honra de sua família. O médico, sabendo do ocorrido, pede Lis em casamento com o nobre intuito de livrá-la da humilhação de ser vista

como uma mãe solteira e de concretizar o seu amor. O doutor aceita os desvios de sua amada, recebendo como seu, o rebento. O estróina, sabendo do ocorrido, lança mão de sua paternidade para reconquistar sua amada, mas o mocinho o repele. Os dois disputam a

jovem com os punhos. Sendo vencido, Álvaro parte com seu andar ladino, acende um cigarro e atira longe o palito de fósforo.

No écran vemos o filme terminar com uma cena cômica: enquanto o casal se beija, um outro personagem se aproxima do bebê retirando-o de seu carrinho e, tão extasiado ficara com a visão do beijo, se confunde e ao invés de dar a criança sua chupeta, lhe põe a boca o seu cano de revólver.

Liz tenta determinar seu futuro e escolhe os caminhos do amor aos da razão, porém acaba fracassando em seu intento, aceitando os desígnios do destino que, providencialmente, lhe devolve o raciocínio, casando-a com o digno médico. Os desvios da razão de Lis trazem a defloração e a conseqüente desonra familiar. A mulher vitimada pelo amor faz sofrer aqueles que a amam. Sendo assim a conveniência do casamento estava ligada única e exclusivamente à atração do homem pela mulher, só cabendo ao homem ser guiado pelas razões do coração.

O amor de mulher era perigoso para sua honra e a de sua família.A destruição daquelas que se deixavam envolver pelos apelos do coração era evidente. Para a mulher, só caberia em sua razão aquele que pudesse oferecer um futuro seguro e confortável, cabendo a seu pai dar o aceite quanto ao homem que receberia seu presente mais precioso. Para Liz, este havia sido desperdiçado com o homem errado. O certo era aquele a quem não amava, mas que a protegeria e cuidaria, mantendo-a no caminho da retidão.

Apesar de não se tratar de uma mulher perdida, é uma mulher que, pelo amor ao pai adotivo, desiste de atender ao chamado do coração para fazer um casamento de interesse que solucionaria os problemas nos negócios de seu pai, pois tudo depende de Quando elas querem88 (1925). A moça em questão é Clarinda, filha adotiva do industrial Alberto da Silva.

Na História, a empresa do pai da jovem não vai bem, os estoques estão cheios e não há quem compre. A solução encontra-se em Benedito Silveira, representante de uma empresa européia que demonstra interesse nos produtos da fábrica e em Clarinda. A moça, entretanto, ignora seus cortejos. A modernidade das atitudes femininas é mostrada quando esta, em companhia de sua amiga aviadora, passeia sobrevoando a cidade. Outro rapaz também demonstra interesse pela jovem. É Antonio Martins, um acionista da fábrica conhecido por freqüentar clubes e cabarés. Mesmo sendo diferente de Benedito, que tinha idade mais avançada, Antonio também é renegado em suas intenções amorosas, preferindo a solidão.

88

Contudo, os problemas financeiros de seu amado pai persistem, só restando à sua filha aceitar o pedido de Benedito para que a empresa de seu pai conseguisse negociar os estoques e assim assegurar o funcionamento da empresa. Clarinda, então, parte ao encontro de Benedito, mas este já estava se dirigindo para o porto de Santos onde embarcaria para a Europa. Com a ajuda de Laura e seu aeroplano, ela consegue chegar antes da partida, encontrando-o quando estava a subir as escadas, salvando, assim, a empresa de seu único amado: o pai.

O filme trata Clarinda como parte de um acordo comercial, fazendo-nos ver virgindade como selo a ser quebrado para o firmamento do acordo. Benedito tinha intenção de negociar com o pai da moça, mas faltava a contrapartida de Alberto que deveria dar um voto de confiança para que o pacto entre os dois se firmasse. O pacto era a entrega de sua filha. Esta, independente, demonstrava não necessitar de nenhum homem para cumprir seu destino, era feliz junto a Laura que, no filme, era o elemento pervertedor. Através dela, Clarinda encontrava a liberdade. A figura de seu pai era, junto a Laura, o que permitia os movimentos livres da jovem em meio à sociedade, era o homem que garantia sua retidão. Mas algo não ia bem. Clarinda não aceitava os galanteios de nenhum de seus pretendentes e não incomodava a ela o fato de o tempo estar passando e ainda não estar casada. Só foi tirada do solteirice para salvar o patrimônio de seu pai ou, quem sabe, devolver a boa ação por tê-la adotado.

A perversão está na negação do casamento. Clarinda desvia-se do sonho tradicional da união marital para ser livre, quando o tradicional seria que o casamento liberta, que através do marido a mulher encontra sua libertação. Nesse filme, a união com Benedito leva-a ao claustro, sendo adquirida pelo homem que barganha com seu pai a sua transferência de mãos, sua alteração de condição.

De qualquer forma, a vontade do pai deve ser soberana, quando a mulher vaga livremente aos sabores de seus desejos ela é alvo fácil para a corrupção de seus caminhos. Gigi89

89

(1925) é uma filha de um colono que se apaixona desde meninice pelo filho do dono da fazenda.

Benzer Belgeler