1. YERLİ BİR EDEBİYAT SOSYOLOJİSİ ÖNERİSİ
1.1. Edebiyat Sosyoloji İlişkisi ve Edebiyat Sosyolojisine Genel Bir Bakış
1.1.2. Edebiyat Sosyolojisinde Genel Yönelimler
1.1.2.3 Edebiyat Sosyolojisinde Metot Problemleri
Além das novas tecnologias, ferramentas digitais, multiletramentos e multimodalidade (ROJO, 2012; FERRAZ, 2014), o ensino de línguas tem sido associado, também, às artes plásticas. Biembengut Santade (1996) avalia como a gramaticalidade visual e seus elementos podem auxiliar no processo de aprendizagem de línguas à medida que estabelecem uma conexão holística entre o aluno, seus saberes, suas experiências e os conhecimentos que se deseja acessar:
Ao vermos o mundo, mantemos uma relação de contemporaneidade com ele, recriamos conceitos e partilhamos nossas vidas. Observamos o mundo que criamos, recriamos e reciclamos com cidades, aviões, casas, toda a parafernália de nosso tempo. Ao utilizarmos desenhos e artes nas salas, abstraímos o que tem de concreto ao redor de cada educando, inclusive aprender a conhecer a anatomia de seu corpo, principalmente a raciocinar através de reconhecimentos visuais simples a subjacência da Língua nas suas estruturas básicas (p. 21).
Percebe-se nas palavras da autora uma sensibilidade a respeito das artes e um desejo de incorporá-las às aulas a fim de enriquecê-las e fomentar nos alunos a criatividade e o autoconhecimento. Analisar a categoria EXPRESSÕES ARTÍSTICAS / ARTES exige do pesquisador uma visita a esse conceito, que por sua vez, segundo Aires Almeida (1956), não é hermético e portanto não pode ser conceituado de maneira acabada. Para esse autor, o conceito de arte não deve ser, em hitótese alguma, restringido a uma única interpretação definitiva, devido a sua necessidade constante de ampliação e inclusão de novos segmentos e áreas. Portanto, a construção do entendimento do que é arte não ocorre de maneira previsível ou controlada. Branquinho & Santos (2014) avaliam como “expansivo, criativo e empreendedor” o conceito da arte, bem como aberto, flexível e cambiante, sendo assim, “fixar de uma vez por todas as condições de aplicação do conceito de arte é fechar um conceito cujas condições de aplicação são reajustáveis e corrigíveis; é fechar um conceito que é aberto e cujo uso correcto exige abertura” (BRANQUINHO & SANTOS, 2014, p. 6).
A imagem 10, abaixo, encontra-se na unidade 4 do volume 2 da coleção. Imagem 10: Fonte: High Up 2, página: 65
Os objetivos da unidade visam a ensinar o aluno sobre a história e cultura hip hop. Dentre as 23 imagens encontradas na unidade uma foi categorizada em Expressões Artísticas e três em Celebridades.
Organizada numa sequência coerente, ilustrativa e com orientações didáticas que proporcionam algumas informações ao professor para a discussão do tema de maneira superficial,
Hip Hop Culture and Music traz sugestões de debates e momentos nos quais os alunos podem
expressar suas opiniões e compartilhar seus conhecimentos prévios sobre o assunto, bem como apresentar para os colegas seus grupos de hip hop favoritos e as canções das quais mais gostam. Contudo, não são encontradas informações que proporcionem a contextualização do assunto, por exemplo as origens do movimento artístico e sua chegada ao Brasil.
Personalidades famosas locais e globais - Jay-Z, Negra Li, Lurdes da Luz, Shahin Najafi - são postas lado a lado, mas não há discussão ou problematização, apesar de esses artistas fazerem parte de movimentos e ideologias distintas nesse meio. Essas personalidades são inseridas na lição com o intuito de desenvolver atividades de natureza gramatical ou lexical. No entanto, por serem pertencentes a estilos musicais diferentes e serem adeptos de ideologias completamente opostas, talvez fosse pertinente na lição um debate ou informações extras que permitissem ao professor refletir e discutir com os alunos questões ligadas a esses artistas, já que Jay-Z e Shahin Najafi, por exemplo, apoiam um abordagem comercial ou mercadológica da cultura americana do
hip hop (bling-bling), enquanto Negra Li e Lourdes da Luz enfatizam a resistência, superação
social, expressão artística, ou seja, a ideologia primária que fez o hip hop ganhar espaço na cultura brasileira. Segundo Tavares (2008, p. 16),
A cultura é um movimento que une pessoas, que vivenciam os mesmos significados e sistemas, onde se identificam e interagem entre si. O Hip Hop é caracterizado por essa união. Um movimento criado por grupos de jovens da periferia, que enfrentavam problemas de preconceito racial e social; envolviam-se com drogas, gangs e viviam em locais sem infraestrutura, numa batalha diária em busca de mudar suas vidas. Também é uma união de várias culturas e realidades, por que o rap é a música cantada em cima da batida do DJ que traz geralmente ‘samplers’ de outros estilos, tais como: rock, soul e ritmos latinos.
Ao ignorar essas discussões pode-se perder oportunidades de se ensinar o significativo lugar que a cultura hip hop tem conquistado neste país. Para um professor que não conhece esses artistas e a natureza do trabalho que realizam, a atividade pode tornar-se apenas mais um exercício de gramática ou vocabulário. Algumas informações extras e recursos que, talvez, enriqueçam o capital cultural de professores e alunos e, consequentemente, as aulas de línguas poderiam ter sido incluídas na lição, contribuindo para explorar a história do hip hop no Brasil, a
sua repercussão inter/nacional e os 4 elementos basilares que o compõe: o primeiro é o DJ que é responsável por produzir os sons, batidas e break beats; o segundo o MC que produz as rimas e raps; o terceiro é o Break que é uma macro elemento no qual se inserem todas as chamadas danças urbanas, como o break dance, o hip hop dance e o street dance performance feita por B.
Boys e B. Girls (break boys e break girls); o quarto elemento é conhecido como Grafitti, tema da
imagem presente na p. 65 do livro.
O grafitti brasileiro tem sido reconhecido internacionalmente como uma expressão artística específica e marcante. Os irmãos brasileiros Gustavo e Otávio Pandolfo, mais conhecidos como OSGEMEOS17, sempre trabalharam juntos desde criança, pelas ruas do tradicional bairro do Cambuci (SP), onde seu modo peculiar de brincar e se comunicar os levaram a desenvolver e a aprender sobre a arte. Apoiados por sua família, e deslumbrados pela cultura Hip Hop que desembarcava no Brasil nos anos 80, OSGEMEOS se identificaram com esse universo de cores e ritmos e passaram a se dedicar, profundamente, a explorar as variadas técnicas de pinturas, desenhos e esculturas que, na forma de grafittis, encontraram nos muros das ruas espaço para criação, exibição e apreciação. Hoje, seus grafites (em portugûes) são conhecidos ao redor do mundo e estão expostos em museus e galerias de arte de grandes metrópoles como Nova Iorque, Vancouver, Berlin e Londres. Há, também, outros grafites e grafiteiros brasileiros que são mundialmente conhecidos, principalmente os que moram ou atuam na Vila Madalena – bairro nobre da região oeste de São Paulo – que têm atraído a atenção de inúmeros jornais e revistas internacionais18, entre os quais destacam-se The Wall Street Journal,
BBC e Time out que, frequentemente, publicam diversas matérias explorando, elogiando e
recomendando esse potencial artístico brasileiro.
Para ampliar a análise da imagem que apresenta o grafite, poderiam ser feitas algumas perguntas, por exemplo: sobre o tipo de imagem apresentada (1.1); qual o seu tema (1.2); o que é retratado (1.3); onde este tipo de imagem pode se encontrada (1.4); quais detalhes foram utilizados (1.13); qual cultura pode ser associada à imagem (2.1); quais mensagens essa imagem transmite (2.2); quais atores sociais podem ser associados à imagem (2.3); hipóteses sobre a intenção do autor dessa imagem (2.4); possíveis ideologias ou crenças por trás da imagem (3.5);
17Disponível online em: <http://www.osgemeos.com.br/pt/biografia>
18Disponível online em: <http://www.fatcap.com/country/brazil.html>; <http://www.timeout.com.br/sao-paulo/en/aroundtown/features/388/vila-
madalena-street-art-walk>;< http://www.wsj.com/articles/brazils-most-famous-street-artists-open-exhibit-1405026063>; <http://news.bbc.co.uk/2/hi/7209590.stm>.
além de perguntas relacionadas ao tema da imagem, por exemplo: a partir do que foi estudado na lição, qual o papel do Hip Hop? Hoje no brasil, há outras manifestações artísticas que também são formas de protesto? Você tem experiência ou gosta de alguma delas? Por que (não) ? Você acha que há preconceito contra alguma delas? Por que (não)? Isso pode mudar?
Além dessas perguntas, a inserção da biografia de artistas brasileiros de sucesso no universo Hip Hop poderia possibilitar tanto a identificação dos alunos com essa cultura como a oportunidade de discussão das nuances de seus elementos. No entanto, as limitações das orientações pedagógicas e atividades podem não despertar no professor a necessidade de um debate crítico sobre essas questões, uma vez que o manual do professor não traz elementos que informem a amplitude e profundidade desse tema. Ao longo da lição, os alunos são incentivados a criar um rap, com letras que rimem e que expressem seus próprios sentimentos e a mensagem que gostariam de transmitir (HIGH UP 2, p. 77). Se o aluno não gosta ou não se identifica com o
Hip Hop, mas aprende que este foi criado como forma de protesto e resistência, por que não
inserir outras formas de expressão artística de resistência comuns no Brasil, como o funk ou tecnobrega, comum no norte do país? Além dessas informações problematizadas acerca do tema, há, também, algumas perguntas baseadas e adaptadas do quadro do LVC que poderiam ser feitas sobre esse assunto a fim de fomentar essa reflexão cultural e auxiliar o professor a mediar um debate diversificado, crítico e que possa formar os alunos de maneira plena e democrática respeitando suas vivências e experiências de mundo.
Uma discussão ou atividade ampla pode ser executada em língua inglesa ou materna de acordo com a realidade de cada turma como discute Souza (2014). O resultado dessa atividade após um verdadeiro mergulho cultural, como o exemplificado, poderia ser um enriquecimento das aulas e a oportunidade alunos e professores expressarem suas próprias experiências e vivências.