1. MODERNİTENİN KRİZİ OLA RAK “ÖZGÜRLÜK KA YBI” NOSYONU
1.1. W EBER: RASYONELLEŞME OLA RAK MODERNİTE
Todas as educadoras destacaram que dentre as ações da formação continuada a que mais contribuiu para subsidiar a prática cotidiana foi o acompanhamento sistemático do planejamento. Sara enfatizou: “Neste, éramos estimulados enfaticamente a refletirmos sobre a nossa prática pedagógica e a articularmos as necessidades dos alunos aos saberes realmente significativos para eles”. Pode-se perceber que essa dimensão do planejamento coletivo desmistifica a visão de planejamento como algo puramente burocrático, tornando-se um espaço de socialização de saberes, conforme expressou a educadora Nice:
Quando um (a) professor(a) senta e planeja suas aulas, ele (a) pensa só. Quando apresenta o que pensou a um grupo ou a uma única pessoa e escuta
questionamentos e contribuições, ele (a) começa a pensar em conjunto. Quando ele (a) vai à sala de aula, desenvolve as atividades pensadas e, posteriormente, escreve sobre elas, ele (a) refletiu sozinho (a) sobre o que aconteceu. Mas, quando ele (a) entrega essas reflexões a alguém, que lê e lhe dá um retorno, mais uma vez ele (a) reflete em conjunto. Sendo assim, acertando ou errando, não existe subsídio maior para um (a) educador (a) do que ser acompanhado sistematicamente (NICE).
Foi compreensível a colocação de Sara, ao eleger como principal desafio o planejamento, pois a mesma entendia que “compreender o que estava sendo discutido até foi tarefa fácil, mas planejar as primeiras semanas levando em consideração tudo o que fora trabalhado, isso sim, era tarefa que exigia muita pesquisa e reflexão”.
Na colocação da educadora percebe-se que o ato de planejar é uma ação complexa, pois parte de uma intencionalidade de algo a ser alcançado com um determinado grupo. Por isso em alguns momentos exige do educador pesquisa para apreender saberes que ele ainda não mobiliza.
No ato de planejar e registrar as suas ações cotidianas a educadora pode construir uma memória que contribuirá não só para a sua prática em particular, mas para a troca de experiências com outros educadores que também atuam em sala de aula.
Outra ação que requeria um acompanhamento sistemático na pedagogia formativa do PEZP era a leitura e discussão da ficha de sistematização, pois segundo os relatos das coordenadoras era o aspecto em que as educadoras apresentavam maior resistência.
A coordenadora Maíra entendia que tal resistência devia-se ao fato de a
“sistematização da prática ser uma ação individual dele com ele onde a coordenação tinha que ler esse material e dar uma devolutiva”. Já Vitória acrescentou que “a ficha de acompanhamento também era motivo de muitas resistências porque escrever é sempre difícil e refletir sobre a prática mais ainda”.
É compreensível que nessa ação de sistematização as educadoras apresentassem resistência, pois ao refletirem sobre a prática colocavam em evidência as suas fragilidades já que “a reflexividade é uma autoanálise sobre nossas próprias ações, que pode ser feita comigo mesmo ou com os outros” (LIBÂNEO, 2010, p. 55). Para que as educadoras pudessem superar essa resistência, as coordenadoras ressaltavam, constantemente, a importância da sistematização, não só para elas, mas para o próprio Projeto.
De acordo com Holliday (1995, p. 36), “a sistematização possibilita compreender como se desenvolveu a experiência, porque se deu dessa maneira e não de outra, dá conta das mudanças ocorridas, como se produziram e porque se produziram”.
A equipe pedagógica do PEZP comungava com esse entendimento, pois as fichas de sistematização de anos anteriores eram disponibilizadas aos integrantes mais novos como materiais de pesquisa para verificação de temáticas que tinham sido trabalhadas.
Holliday (1995, p. 38) endossa que “extrair os ensinamentos da própria experiência, para compartilhá-los com outros, deveria ser sempre uma linha de trabalho priorizada entre nós que fazemos educação e animação popular”.
A partir dos relatos dos sujeitos da pesquisa e de Holliday (1995), reforcei meu entendimento de que experiências que primam pelas suas memórias, por meio da sistematização, adquirem não só mais credibilidade como também conseguem se reinventar por meio da avaliação de suas próprias ações.
Sobre os saberes relacionados ao aspecto da sistematização, a educadora Nice ressaltou: “sistematização como processo de registro, de análise e de reflexão da prática”. É importante registrar que as coordenadoras foram unânimes em afirmar que a sistematização foi o motivo de maior resistência das educadoras. Porém, o relato da educadora leva-nos a inferir que apesar da resistência houve processo de superação por parte de algumas participantes.
Ao tomar como um dos instrumentos de análise, na sua pesquisa de mestrado, as fichas de acompanhamento das educadoras do PEZP, Deus (2005, p. 101) afirma que:
As sistematizações das professoras demonstraram mais clareza em seus objetivos e mais coerência nas suas ações em sala de aula, na medida em que as mesmas iam entendendo melhor a proposta do Zé Peão, fazendo com que a participação da Coordenação fosse cada vez mais entendida como um trabalho em parceria, e não uma imposição de ‘fazeres’ predeterminados.
Um dos aspectos destacados pelas coordenadoras foi que a sistematização da ficha de acompanhamento era pré-requisito, inclusive, para permanência das educadoras no Projeto, uma vez que servia tanto de instrumento de diálogo entre as coordenadoras e as educadoras, como de subsídios para manter a memória do Projeto.
Segundo Holliday (1995, p. 65),
Tão importante como compreender o que fazemos, é situar o sentido com que orientamos esse fazer. Daí, que seja fundamental reconhecer e explicitar tanto nossas ações como nossas interpretações, sensibilidades e convicções. A confrontação entre elas nos permitirá descobrir as coerências e incoerências entre nosso fazer, nosso pensar e nosso sentir.
A coordenadora Maria lembrou a experiência que teve com duas educadoras: “elas eram muito boas na sala de aula, mas não sistematizavam, elas tinham dificuldade de fazer o registro, que era a memória da semana”.
Compreendo que a sistematização deva ser uma prática a ser contemplada nas ações formativas, uma vez que os educadores aprenderão, gradativamente, a interpretar por escrito as situações vivenciadas no cotidiano.