slam'a Girmeyenin Sonu
10. Ebedi olarak azapta kalir:
Há alguns artigos onde a meditação é descrita de forma mais positiva, embora não seja ainda, em nosso ponto de vista, a forma ideal. A meditação é mostrada como uma terapia complementar para a medicina, tendo em vista os resultados das pesquisas
realizados nos últimos tempos.
O jornal Estado de São Paulo de 22 de outubro de 2004 traz artigo cujo título é
Nos spas para a mente, a estética vem em último lugar. Meditação ganha base técnica.
No primeiro bloco, são apresentados alguns hotéis que oferecem atividades variadas, ocidentais e orientais, e entre elas a meditação. No segundo bloco, é citado o trabalho de médico da Unifesp que usa da meditação com suas pacientes pois, “grávidas que meditam têm menores índices de estresse, tensão muscular e ansiedade”. Ele explica que:
Pretendemos que a meditação venha para o arsenal terapêutico da medicina. E, para isso, foi preciso defini-la como técnica, explica Cardoso. A definição, ainda não divulgada, será publicada no próximo exemplar da revista científica Brain Research.
Que a medicina quer se apossar da meditação como técnica terapêutica não é mais novidade . Surpreende o fato de pretender registrar em revista científica que a “meditação é uma técnica” pois há muito ela é conhecida como tal. Mestre Bohdan, já na década de 60, definia o técnico35 em meditação como aquele que se dedica à arte de treinar a mente.
A expressão técnica não é totalmente aceita pelos estudiosos da religião mas é assim que ela é vista entre os técnicos de Yoga-Meditação, até mesmo por monges como o Dalai Lama. Ele usa expressões como técnica e treinamento quando fala em meditação, como podemos ver no exemplo abaixo:
A combinação da meditação analítica com a meditação focalizada é uma técnica eficaz que tem como objetivo familiarizar a mente com o objeto da meditação, ajudando-a, assim, a ser adequadamente treinada. Devemos reconhecer a importância de treinar a mente. Isto decorre do fato fundamental de que cada um de nós deseja congenitamente a felicidade e não deseja o infortúnio. (DALAI LAMA, 2001:32). (O grifo é meu).
Neste mesmo foco temos também um outro artigo do mesmo jornal, o Estado de
São Paulo (07 de julho de 2006), cujo título é Medicina se rende à prática da meditação. Ministério da Saúde baixou portaria incentivando postos de saúde e hospitais a oferecer a técnica em todo País. O artigo é curto, mas, de suma importância. Ao iniciar esclarece :
Em fevereiro, a agência do governo dos Estados Unidos responsável pelas pesquisas médicas (NIH, na sigla em inglês) reconheceu formalmente a meditação como uma prática terapêutica que pode ser associada à medicina convencional. Em maio, o
35 Mestre Bohdan Wijtenko desde que chegou no Brasil, em 1951, iniciou milhares de pessoas na prática da meditação. Com a finalidade de formar técnicos que pudessem levar esta prática para as escolas, ofereceu gratuitamente um curso livre de Yoga Meditação até o ano de 1985, quando veio a falecer.
Ministério da Saúde brasileiro baixou uma portaria em que incentiva os postos de saúde e hospitais públicos a oferecer a meditação em todo o País.
Estas decisões oficiais dos governos americano e brasileiro são um reconhecimento do valor terapêutico da pratica da meditação. Embora não seja ainda a medida tão esperada por mim, como pelo Mestre Bohdan, a portaria pode abrir caminho para aquilo que ele tanto almejava: oficializar a meditação nas escolas brasileiras. Se a prática for recebida e praticada pelos profissionais da saúde, quiçá um dia o Ministério da Educação a reconheça como de suma importância para a educação infantil. A esse respeito já realizamos uma pesquisa de campo durante nove anos, e um trabalho de mestrado (UNINOVE) que mostrou cientificamente os benefícios da prática da meditação em escolas. E a portaria valoriza o trabalho que estamos realizando há mais de 20 anos. Mestre Bohdan iniciou este trabalho em 1974 em uma escola de São Paulo e, logo a seguir, na cidade de Sorocaba. O movimento atingiu o seu auge no ano 2000, com o total de 1553 crianças da rede municipal de Sorocaba. Em 2002, encerramos o nosso trabalho de mestrado em Educação. A partir daí, temos divulgado por meio de palestras em escolas os benefícios que esta prática pode trazer as crianças brasileiras. A nossa esperança é que um dia ela se torne uma prática oficial.
Voltando ao artigo, ele relata ainda que a prática tem sido usada no Hospital Vila Nova Cachoeirinha e na cidade 70% dos postos de saúde oferecem atividades como acupuntura, tai chi chuan e meditação, o que é uma iniciativa louvável. Esperamos que as atividades estejam sendo praticadas, até os dias de hoje. O articulista relata ainda que o fato das universidades se interessarem em estudar a meditação, “ajuda a separar a imagem religiosa e mística que normalmente se tem da meditação. A meditação, explicam, não precisa ser necessariamente ligada a uma crença oriental.” No nosso ponto de vista, a meditação, uma técnica de origem oriental, cujo objetivo último é a conexão com o divino, traz o maior benefício que um ser humano pode almejar: a iluminação, não importa a qual credo ele pertença.
Na linha médica, vamos ver a meditação sendo indicada também para melhorar aspectos negativos da personalidade, tais como a impaciência, o temperamento explosivo, o pessimismo, etc. A revista Veja (17de setembro de 2003, p.89) no artigo intitulado A
Conquista do Equilíbrio da Mente, foca principalmente o psiquiatra americano Martin
Seligman, que afirma que as pessoas podem com algum treinamento e aprendizado mudar os traços negativos da sua personalidade. Já o seu colega, o psicólogo Roger Could,
afirma que “o caráter em sua acepção mais ampla, engloba a personalidade, e não apenas a parte ética. O caráter é mais importante que o intelecto.” Como sugestões para se encontrar a felicidade, os estudiosos mencionados no artigo sugerem, entre outras opções, o Yoga e a Meditação, sendo que o primeiro é indicado “para aliviar sintomas de ansiedade e depressão leve e controlar a tendência a explosões de raiva”. Segundo o artigo, hoje se comprovou cientificamente que a meditação provoca a liberação de endorfinas, o que aumenta a sensação de bem estar. Ela está sendo indicada como “tratamento adicional em casos de ansiedade, insegurança e pessimismo exagerado”. Outra indicação, que também faz parte do sistema yogue, são as técnicas de respiração e relaxamento, “indicadas para pessoas com insônia provocada por ansiedade”. Com certeza são práticas bastante efetivas. Os pesquisadores acreditam estar muito próximos da receita que pode levar o ser humano ao estado que ele tanto almeja: a felicidade. Entretanto, segundo nosso ponto de vista, corrigir traços negativos de personalidade não é o objetivo da meditação yogue, pois isto é tarefa da psicologia. O objetivo do Yoga-meditação é levar o ser humano ao estado de iluminação como veremos no capítulo terceiro.
Ainda relacionada a área médica, a meditação é também indicada para o tratamento do estresse. A revista Cláudia em março de 1996, p.106 e agosto de 1999, p.116, traz artigos que indicam a meditação contra o estresse. No primeiro, o autor orienta a meditação focando a atenção na respiração e sugere que não se pense em nada. A técnica é boa e realmente muito simples, mas, a prática exige dedicação de muitos anos para se chegar ao “nada”. O segundo artigo, Técnicas que podem evitar que o estresse
comprometa sua saúde, trata de questões relacionadas ao estresse, como ele ocorre, os
diferentes graus, os sintomas. Entre as técnicas que podem ajudar, sugere a acupuntura, a massagem e a meditação. Com relação à meditação, esclarece:
Estudos com monges budistas mostraram que durante a meditação ocorre uma alteração nas ondas cerebrais que reduz o metabolismo e produz um relaxamento profundo. Além disso, meditar aumenta a concentração e a capacidade de enxergar os problemas do tamanho que eles são. O mundo nos oferece estímulos o tempo todo e a meditação nos ajuda a tomar decisões mais acertadas e com menos estresse.
A meditação é indicada, principalmente, como terapia para o tratamento do estresse pois produz um profundo relaxamento. Aliás, esse efeito da prática é o que mais atrai os iniciantes. Ainda na revista Cláudia (outubro de 1995, p.150), temos uma indicação do Yoga para deixar de fumar, e a técnica ensinada é também da concentração
na respiração. O artigo mostra o uso da meditação tendo como objetivo a saúde física. Um outro artigo que mostra o uso da meditação voltado para a saúde foi publicado em novembro de 2003, p.195, pela revista Claudia, com o título: Meditação –
Viagem ao centro do Eu. O título é sem dúvida muito simbólico, pois quem pratica a
meditação realmente realiza uma viagem para o seu interior e pouco a pouco vai se encontrando, realizando um auto-conhecimento. O artigo traz o depoimento de pessoas que praticam meditação e cita alguns benefícios:
Tudo depende da mente, repetem os mestres de meditação das mais diversas linhas e doutrinas. Tudo. Logo, se você for capaz de domá-la (e, no caso, a meditação é a técnica mais eficiente) tudo ao seu redor vai parecer mudado. É simples. É verdade. E por isso é tão fascinante.
A seguir são citados alguns benefícios da prática:
alivia o stress, reduz a insônia, a enxaqueca, a hipertensão e previne infarto, além de várias outras doenças. ... o hábito produz alterações na estrutura cerebral e aumenta a resistência do sistema imunológico. ... meditar é bom porque faz você se sentir em paz e feliz.
Quanto à pergunta, “o que é meditar”, o artigo apresenta três respostas: “É voltar ao nosso estado de paz natural”, ou “É familiarizar a mente com sentimentos virtuosos”, ou ainda, “É entrar em contato profundo com Deus”. Entre as três, a meu ver, a que se identifica mais com a definição do Yoga é a terceira: a prática nos leva à união com o divino. Importante também o alerta para o fato de que “meditação não é relaxamento”.
Ao final, o artigo cita alguns estilos de meditação que seriam mais conhecidos no Brasil. Pela ordem de aceitação pública, na minha opinião, poderia assim organiza-los: a mais usada seria a MT (Meditação Transcendental de Maharishi), meditação dinâmica de Osho, meditação cristã, de John Main, sendo que a meditação zen-budista, a budista tibetana e a raja-yoga, seriam as menos populares.
Também a revista Isto É (13 de outubro de 1999, p.55), com o artigo Meditar é
preciso, relata sobre pesquisas realizadas na Universidade de Harward, EUA, as quais
confirmam que:
meditar faz bem para a saúde. Entre outros benefícios, manter a mente quieta melhora o sistema imunológico, relaxa e diminui os sintomas da tensão pré-menstrual (TPM). Apenas 20 minutos por dia são suficientes para obter esses benefícios.
Sente-se ou deite-se numa posição confortável. Feche os olhos. Respire fundo. Foque sua atenção em uma frase, ou uma palavra, ou mesmo num som. Faça isso silenciosamente ou em voz baixa. ... Volte sempre para o foco sem se auto-julgar. As pesquisas confirmam que os benefícios fisiológicos são inegáveis. Quanto à técnica ensinada, melhor seria não usar a posição deitada, pois, principalmente se fizer uso da música, a tendência é ter um bom sono. A música nos ajuda a obter um bom relaxamento, mas, quando a intenção é meditar, o silêncio é fundamental .
Outra matéria, muito boa mas um pouco extensa, foi a que encontramos na revista
Super Interessante36 (janeiro de 2001, p.72) com o título O poder da mente vazia. Relata
sobre as pesquisas que estão sendo feitas com a meditação, principalmente nas universidades dos Estados Unidos, tais como na Califórnia, Harvard, Stanford, Colúmbia, Massachussets e, no Brasil, o Hospital do Servidor de São Paulo. Descreve alguns dos benefícios encontrados e a confiança que a maioria dos médicos está depositando nesta prática, embora haja também aqueles que desconfiem achando que “é um “fenômeno de marketing”, com objetivo meramente financeiro e “pouco resultado terapêutico”, como acredita o psicólogo Richard Sloan, dos Estados Unidos. Alguns estudiosos têm razão em falar de objetivo financeiro, quando o próprio artigo relata que no Club Los Angeles:
Acredite: cada uma delas pagou 1295 dólares para ter acesso ao local e, a cada mês, desembolsa outros 130 dólares para fazer absolutamente nada por algum tempo.
Esta foi uma das preocupações dos gurus indianos (veja Paul Brunton no capítulo primeiro) quando os ocidentais começaram a se interessar pelo Yoga. O fato é que, na própria Índia, vamos encontrar supostos mestres que transformaram o Yoga numa mercadoria, mas temos, de outro lado, muitos locais onde a meditação é oferecida gratuitamente, como no caso do Hospital Servidor de São Paulo. O que talvez os grandes mestres não entendam, é a motivação que leva os ocidentais a praticar a meditação: a grande maioria busca a cura de doenças. Talvez isto esteja ligado ao foco que a própria ciência acabou dando à prática: meditação é terapia.
Um dos psicólogos entrevistados pelo articulista deixa claro a importância da “assistência profissional”. Só não especifica que tipo de profissional seria o mais adequado para orientar o praticante: um psicólogo, um psicanalista ou um técnico especialista em meditação? Aquele que pratica meditação e é orientado por alguém que não tem 36 A Revista Super-Interessante trata de assuntos ligados a ciência e tecnologia, de forma sintética, e está
experiência pessoal, será como um cego guiando outro cego. Sabe-se que muitos efeitos da meditação em adultos são parecidos com os sintomas da esquizofrenia, por exemplo, mas apenas um técnico em meditação poderia identificar essas reações e dar a orientação mais adequada. Um médico, que não tenha experiência com a prática, faria o tratamento conforme manda a medicina tradicional (medicamentos) e isto talvez seja desnecessário.
Outro artigo (Revista Veja São Paulo, de 21 de abril de 2004, p.15) afirma que os médicos consideram a prática como um dos meios “facilitadores em tratamento” e são técnicas “modernizadas” não sendo preciso seguir, no caso do Yoga e da meditação, os preceitos religiosos ligados ao hinduísmo (Revista Veja São Paulo, 21/04/04, p.15). Ora, tanto o Yoga-Meditação como o Hatha-Yoga, em sua origem, não estavam (e não precisam estar) ligados ao hinduísmo. Estaremos justificando esta afirmação no capítulo terceiro.
Aliás, a meditação, que é uma técnica milenar, não precisa estar ligada a nenhum credo, mas as igrejas da época pós-moderna estão também fazendo uso da mesma e isto tem arrebanhado novos fiéis. A revista Época (26 de maio de 2003, p.124) traz o artigo
Catolicismo Zen – Resgatada dos primórdios do cristianismo a meditação à moda oriental cativa fiéis brasileiros. O Colégio São Bento, em São Paulo, tem oferecido
reuniões com prática meditativa, usando mantra, no típico estilo oriental. O articulista relata que:
As reuniões começam com relaxamento e leitura do Evangelho. De olhos semicerrados, os meditantes ficam em silêncio durante 20 minutos repetindo mentalmente um mantra. Qualquer frase religiosa pode ser usada, mas os praticantes preferem “maranata”, que significa “Vem, Senhor” em aramaico, a língua de Jesus. Os praticantes repetem o ritual duas vezes por dia, em casa.
A semelhança com a meditação oriental é inegável, o que a autora do artigo identifica logo de início quando fala em “uma novidade de inspiração oriental” e não procede a afirmação posterior de que, “embora tenha nascido dentro da igreja de Roma a prática é aberta a cristãos de qualquer corrente.” A meditação, que ficou conhecida como “Maranata”, tem as suas raízes na Índia; logo, ela não nasceu dentro da Igreja de Roma. Ela pode ter tido em Roma pequenas adaptações, mas a posição do corpo ensinada para os adeptos é a “postura de lótus”, usada pelos indianos, ou a de joelhos (postura do diamante) também usada pelos japoneses na sua versão Zazen.
A seguir, a autora relata que “ela começou a ser divulgada por monges beneditinos na Inglaterra dos anos 60, chegou ao Brasil em 1995 mas só agora começa a se difundir”.
Acredito que a meditação já era conhecida por muitos na Inglaterra, antes da década de 60, assim como no Brasil. Veja no capítulo primeiro sobre o Monge Déchanet. O que podemos aceitar é que a Igreja começou a ficar mais aberta a este tipo de prática e lançou a Comunidade Mundial para a Meditação Cristã. Algumas correntes dentro do catolicismo não aceitam este tipo de prática, seja meditação ou Hatha-Yoga, ao passo que outras são mais liberais.
No mesmo artigo, é relatado que o monge John Main, o guru de Laurence Freeman, aprendeu a técnica em sua viagem ao Oriente e foi buscar fundamentos para praticá-la na tradição católica, encontrando-a entre “os padres do deserto”. Um aprofundamento sobre os temas (sobre os padres do deserto) encontra-se em Jean-Yves Leloup, Escritos sobre o Hesicasmo. O próprio Freeman relata que, quando Main foi para a Malásia :
Um dia foi enviado para visitar um monge indiano hindu estabelecido no local, monge que dirigia um orfanato e um abrigo para marginalizados nas encostas de Kuala Lumpur. ... Com este monge John Main aprendeu uma forma simples de meditação: a recitação fiel de um mantra durante dois períodos de meditação, antes e depois de seu dia de trabalho. Toda semana John voltava a procurar seu professor, meditava com ele e se fortalecia em seu compromisso com esta disciplina de silêncio, quietude e simplicidade. (FREEMAN, 1995:32). (O grifo é meu).
O próprio Vaticano já autorizou a seus fiéis a prática da meditação, embora demonstre preocupações com a influência oriental dentro da Igreja e muitos padres e fiéis continuam resistentes com relação a esta prática. Alguns padres passaram a se interessar inclusive pelo Hatha-Yoga e não pela meditação, o que surpreende, mas, isto demonstra que estamos na pós-modernidade.
A meditação, que vive hoje um momento especial, teve seu auge na década de 60. A revista Cruzeiro de 03 de fevereiro de 1968, p.24-30, traz um artigo que se intitula Uma
aventura em silêncio. O artigo é longo, composto de algumas entrevistas e relata a
respeito de um mosteiro tibetano fundado em janeiro de 1968 na Escócia, onde se ensina a prática da meditação; fala sobre a pessoa de Maharishi Mahesh Yogi, além de tecer comentários sobre o Hatha Yoga em Londres e a macrobiótica, um tipo de dieta alimentar. O Centro Monástico Tibetano de Eskdalemuir, Dumfriesshire, Escócia, fundado pelo Venerável Trungpa Rinpoche, tem como objetivo o estudo da filosofia e a prática da meditação. Recebe pessoas de várias partes do mundo onde vivem com muita disciplina em regime comunitário. Algumas pessoas foram entrevistadas e todas elas afirmam ter
encontrado a paz interior neste novo estilo de vida. Destaco as palavras de Trungpa:
Todos os budistas tem um objetivo comum: a conquista da paz e seu aperfeiçoamento. Pode-se conseguir isso pela concentração. Observar a respiração é um bom meio. E não interfere porque você não faz nada deliberadamente. Há mais possibilidade de a mente se desligar, se a gente tenta mantê-la deliberadamente imóvel. A idéia central é não ter teorias ou conceitos preconcebidos, mas manter a mente limpa e pura. Então, verifica-se gradualmente um processo de aprofundamento, de compreensão e de tranqüilidade em nosso interior. (TRUNGPA)
Neste texto, podemos destacar o fato de que o objetivo comum dos “budistas” é na verdade o objetivo de todos os seres humanos: a “conquista da paz”. Quanto à técnica ensinada pelo Rimpoche, trata-se de pura Yoga pois estimula o desenvolvimento da concentração, observando a respiração e é claro que “manter a mente deliberadamente imóvel” exige um longo treinamento, mas é possível com muita dedicação.
A seguir, o autor foca a pessoa de Maharishi, esclarecendo que para este, a técnica de meditação é “perfeitamente compatível com a agitação e a ambição do mundo”. Maharishi fundou, em 1959, na Inglaterra, o Movimento de Regeneração Espiritual e “seus seguidores se contam aos milhares” na Europa, Ásia e América, já possuindo 42 centros. Cada pessoa recebe um 'mantrum' (mantra) escolhido de acordo com a “vibração” de cada um. No meu ponto de vista, o lado bom de Maharishi foi ter tirado a meditação do pedestal, um “privilégio para poucos”. Diz o articulista, referindo-se as palavras de Maharishi:
A ilusão de que, para expandir a mente, é necessário disciplinar o corpo é um absurdo- diz ele. Exatamente o contrário é o que se verifica. A disciplina física produz tensões que detêm o processo natural. (MAHARISHI)
Nesta afirmação, Maharishi demonstra não ser seguidor do sistema de Patanjali, que coloca a meditação como penúltimo passo de um caminho de oito etapas, onde, no terceiro, se deve cuidar do físico – a conhecida Hatha-Yoga. A grande maioria acredita que estas etapas são rígidas, mas, para alguns mestres, assim como Maharishi, Ramana Maharshi e Mestre Bohdan, estas fases não são obrigatórias. Aliás, muitos mestres apenas se dedicaram às fases finais: concentração, meditação e samadhi.
Segundo o artigo, o Movimento de Regeneração Espiritual fundado na Inglaterra, por Maharishi , em 1959, condena o isolamento do mundo e considera a meditação como um meio para aliviar a fome espiritual do homem. Encontra-se ainda na Inglaterra a
Sociedade Budista de Londres onde a prática da meditação diz-se diferente da usada por Maharishi: “Há duas formas de meditação no Budismo: uma, que busca a tranqüilidade; e outra, que busca a sabedoria”.Observa ainda Miss Wilkinson, citada pelo articulista, que a