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eşyanın ithal eşya ile ticari kalite ve nitelikleri açısından uyumsuzluğu

histórico e político da assistência social

Entre os profissionais de nível superior que demarcam a processualidade na construção da política de assistência social, dois depoimentos se destacam por aprofundarem questões basilares do contexto social e político que permeia a trajetória e a atual conformação da assistência social, indicando, dessa forma, as nuances contraditórias que caracterizam essa processualidade. Senão, vejamos:

Pesquisador: Você falou diretamente a expressão, em um momento da sua fala, “remar contra a maré”. Em outros momentos, você deu esse sentido dizendo de outro jeito. Eu

queria que você aprofundasse melhor essa expressão “a política

de assistência social é remar contra a maré”.

Eu acho que principalmente, assim, que mais caracteriza esse remar contra a maré, é porque eu estou... Eu entendo que a maré é o sistema no qual... Que está estabelecido que a gente vive que é o sistema capitalista. E ai as diretrizes que ele traz que é de um Estado mínimo, de privatizações, de consumo, esbarram diretamente nas concepções da política de assistência social. Onde, com relação a essa questão do consumo e da privatização, a gente trabalha na perspectiva da gratuidade, eu acho que é um ponto que contradiz o sistema. E na perspectiva do enxugamento do Estado, tão propagado pelo sistema capitalista, o que a gente está querendo é que as pessoas acessem os seus direitos, e ai para isso as políticas públicas de uma forma geral e não só a da assistência, elas precisam ao invés de serem enxugadas, elas precisam ser fortalecidas. E, inclusive, em termos de investimentos públicos, onde contraditoriamente o que o sistema capitalista prega é que é... A privatização, é que as pessoas consumam os serviços, inclusive serviços que deveriam ser... Pelo menos no caso do Brasil, quando a gente pega o Sus que é para todos os cidadãos a gente tem um avanço da privatização através dos planos de saúde principalmente, porque ele realmente é contraditório nesse sentido. Eu acho que a gente rema contra a maré quando a gente tenta garantir o acesso das pessoas à habitação, à saúde, à educação, porque à medida que a gente está fazendo os encaminhamentos e as articulações necessárias para que as pessoas possam ter acesso a esses direitos, a gente também está lidando com uma situação de enxugamento do Estado onde os recursos eles não são suficientes para que realmente possa sanar as demandas da população. E ai, nesse sentido, a gente rema contra a maré, porque enquanto vem uma onda de privatização dos serviços, a gente está lá fazendo a pressão para que as pessoas realmente possam ter os seus direitos assegurados e acessar os serviços públicos. É nesse sentido que eu acho que a gente rema muito contra a maré. (Interlocutora 6/Profissional de Nível Superior, grifos meus).

de assistência social] é um marco hoje, pensando na estrutura do Brasil, na lógica de política pública do Brasil, e nesse desenho que a gente conseguiu de política de assistência social, Sistema Único de Assistência Social, nós fomos ousados, porque a gente está indo na contramão da lógica neoliberal. Porque a proteção social que surgiu na década de 1970 não é a proteção social que nós temos hoje. A proteção social que surgiu na década de 1970 ela é uma proteção mais aberta à inserção da população mais vulnerável. Hoje, a proteção social que nós temos hoje, ela é muito focalizada e seletiva. Ela está focalizada na pobreza e na extrema pobreza. Então, o desafio da política de assistência social hoje, como política, é ampliar os seus limites enquanto proteção social. Porque hoje a assistência social está uma política focalizada. (Interlocutora 8/Profissional de Nível Superior, grifos meus).

Em verdade, como questão de fundo, as profissionais pontuam que essa política pública, em sua “construção processual” (CARVALHO; SILVEIRA, 2011), depara-se com um contexto sociopolítico que contradiz as pretensões e a perspectiva de proteção social da assistência social, demarcando o caráter da “saga” política presente na sua construção, a partir da Constituição Federal de 1988.

A construção analítica dessas profissionais, ao evidenciarem a hegemonia contemporânea do sistema do capital sobre os processos de regulação social que demarcam as configurações do Estado e das políticas públicas atuais, demonstra a apropriação e o entendimento das nuances que caracterizam a atualidade da formação social e política do Brasil.

O registro de evidências, como a retração do Estado no desenvolvimento de políticas públicas para o enfrentamento de problemáticas sociais, em contraposição ao movimento das profissionais que integram a política de assistência social para assegurar “proteção não contributiva a segmentos estruturalmente desprotegidos” – demarcando avanços, conquistas e a luta política em direção ao seu pleno crescimento – revela a pertinência da chave analítica de Carvalho e Silveira (2011)100 ao se referirem à trajetória da política de assistência social desde a sua regulamentação pela Constituição Federal de 1988, “como uma construção em processo”.

100Para maiores aprofundamentos sobre a concepção de “construção em processo” da política

de assistência social – elaborada por Carvalho e Silveira (2011) – consultar o primeiro capítulo desta dissertação.

tessitura de múltiplas e complexas vias na configuração da política de assistência social

Na construção do aporte analítico consubstanciado na denominação deste item, trabalhei com as possibilidades contidas no Tema III

“INTERSETORIALIDADE E A POLÍTICA DE ASSISTÊNCIA SOCIAL” do meu

quadro de análise de conteúdo, resultando na constituição de um campo de discussão complexo e polissêmico.

Em verdade, pensar o lugar da intersetorialidade na política de assistência social, considerando-se as múltiplas vias analíticas construídas com base no material de campo desta pesquisa, significa tornar evidente a complexidade desta questão, visto que, no âmbito destas referências, são pautadas as balizas empíricas e epistemológicas que circunscrevem a construção da assistência social como política pública de seguridade social.

Apresento, inicialmente, os marcos desta discussão, configurados a partir da perspectiva dos profissionais de nível superior do Paif da SER V e circunscritos na tabela abaixo:

Tabela 8 - Entendimento da relação entre a política de assistência social e a

intersetorialidade segundo a perspectiva dos profissionais de nível superior do Paif da SER V, Fortaleza, dezembro de 2012.

Configuração Temática: Quantidade:

A intersetorialidade ainda necessita ser ampliada e fortalecida na política de assistência social. Nos territórios de atuação dessa política são vivenciadas questões como: dificuldade na efetivação de uma rede integrada de atendimento; as contrarreferências não acontecem; as políticas apresentam dificuldades em estabelecer articulações; a política de assistência social precisa trabalhar melhor a sua identidade; repasse insuficiente de informações aos profissionais que trabalham nos CRAS; excessiva demanda diante da pequena oferta de serviços e ações; o elo entre as políticas públicas ainda se encontra fragilizado; pouca visibilidade da assistência social; disputas de poder; limitação da intersetorialidade apenas a realização de encaminhamentos; existência de ações paralelas.

13

Reconhecimento da importância e necessidade em efetivar a intersetorialidade na assistência social visto que os objetivos dessa política e as demandas que lhe são apresentadas colocam como prerrogativa a articulação entre as políticas públicas.

9

Reconhecimento de que a assistência social possui maior facilidade em realizar a intersetorialidade entre as políticas públicas nos territórios de atuação, pois apresenta uma postura voltada a este objetivo.