Grande parte dos médicos acha que não recebem influência de uma das estratégias perenes da indústria farmacêutica: a visita de propagandistas em seus consultórios e lugares de trabalho, como hospitais e ambulatórios. Há consistentes provas de influência causadora de dano aos pacientes, por meio de persuasão do prescritor, seja por brindes de toda natureza, com valor monetário de grande variedade (desde uma simples caneta ou agenda, até instrumentos eletrônicos), amostras gratuitas de produtos, convites para lançamentos destes, encontros científicos em lugares luxuosos para assistirem demonstrações supostamente inequívocas do valor terapêutico de produtos (sempre melhores que os de seus concorrentes, segundo seus porta-vozes de titulação acadêmica muitas vezes elevada), e até mesmo a manifestação simpática do visitador, que vai tentar convencê-lo de que a indústria está sempre a serviço da vida.
Em nosso meio não existem estudos consistentes e periódicos sobre esta atividade, considerada por muitos como nefasta no sentido de prejudicial, destrutiva do mister da prática médica, que é a proteção do paciente, mas que tem como consequência calamidades para a saúde. Apresenta-se a reflexão de Therapeutics Iniciative (2014), extraordinário acompanhamento de intervenções feitas no Canadá, nos Estados Unidos e na França, no último caso, pela Prescrire International há vários anos, e divulgada pelo blog argentino Medicamentos, Saludy Comunidad (2014):
Muchos médicos canadienses ven a los vistadores médicos (“agentes de propaganda médica”) como una manera de obtener muestras gratis, mantenerse al día sobre los nuevos tratamientos, o como un recreo amigable de la atención a pacientes. Una actitud común sobre la información promocional que brindan es “lo tomo con pinzas.”
Pero, ¿las visitas de ventas son inocuas? Un estudio reciente examinó la información proporcionada a los médicos de familia durante las visitas médicas en Vancouver, Montreal, Sacramento, California, y Toulouse, Francia. El objetivo principal fue medir con qué frecuencia se proporcionó información sobre los posibles efectos nocivos de los fármacos que se promocionaban. Canadá, EE.UU. y Francia difieren en cómo regulan la promoción de medicamentos; los investigadores se preguntaron si esto podría llevar a diferencias en la calidad de la información. En esta “Therapeutics Letter” se revisan los resultados de este estudio (Mintzes et al, 2013) y lo que significan para la atención al paciente.
A tabela abaixo foi adaptada de Therapeutics Iniciative (2014) e apresenta fontes de informação independente em geral e sob foco na segurança do paciente, a maioria de acesso livre, e que deveriam ser amiúde consultadas por todos que lidam direta ou indiretamente com fármacos. A lista não é completa, mas tem valor substante:
Algumas fontes de informação independente
Fonte de Informação País Custo
Prescrire International
http://english.prescrire.org/en/ França $200
Boletín de Información Terapéutica de Navarra
http://www.navarra.es/home_en/Temas/Portal+de+la+Salud/Profe sionales/Documentacion+y+publicaciones/Publicaciones+tematic as/Medicamento/BIT/
Espanha Grátis
Drugs & Therapeutics Bulletin
NICE
http://www.nice.org.uk/ Reino Unido Grátis
Worst Pills Best Pills
http://www.worstpills.org/ EUA $22
The NNT (numbers needed to treat)
http://www.thennt.com/ EUA Grátis
Cochrane Database of Systematic Reviews
http://www.thecochranelibrary.com/view/0/index.html Biblioteca Cochrane http://evidences.bvsalud.org/php/index.php?lang=pt Global Brasil $421 Grátis BC Provincial Academic Detailers
http://www.medmatters.bc.ca/info-hprof/pad.html Canadá Grátis
CADTH – Common Drug Review
http://www.cadth.ca/en/products/cdr Canadá Grátis
Informação independente com foco na segurança
RxIsk: Making Medicines safer https://www.rxisk.org/Default.aspx
Global Grátis Institute for Safe Medication Practices Newsletter
http://www.ismp.org/
EUA Grátis
ISMP Brasil Instituto para Práticas Seguras do Uso de Medicamentos
http://www.ismp-brasil.org/site/
Brasil Grátis
As conclusões de Therapeutic Letter (Therapeutics Iniciative, 2014) foram:
• Representantes de empresas farmacêuticas aumentam as vendas dos produtos dos quais fazem propaganda.
• Um estudo recente no Canadá, nos EUA e na França mostrou que os propagandistas de laboratórios raramente fornecem informação sobre riscos, a qual é necessária quanto a decisões de prescrição racional, com base em provas.
• Maior regulação de visitas de propagandistas na França está associada com maior possibilidade de que informação sobre risco seja fornecida, embora riscos sérios permaneçam subnotificados.
• Decisões de prescrição requerem entendimento equilibrado de riscos em potência tanto quanto de benefícios, especialmente para fármacos mais novos, menos
conhecidos. Informação de propaganda provavelmente não preenche esta necessidade.
Assim, decisões de prescrição podem ter melhor qualidade se não tiverem a influência advinda de contato com propagandistas da indústria farmacêutica, atividade que deveria ser formalmente proibida em todos os estabelecimentos públicos de saúde, próprios ou que recebessem recursos do SUS.
Em acréscimo à tabela acima, listou-se blogs que trazem informação renovada, com preciosos comentos de grande valor prático:
Blogs sobre segurança de fármacos e assuntos relacionados
Sano y Salvo
Blog de seguridad del paciente en atención primaria
http://sano-y-salvo.blogspot.com.br/
Primum non nocere
blog de medicina, atención primaria y mucho más….. o mucho menos
http://rafabravo.wordpress.com/
El Supositorio
Perlas médicas que se absorben poco a poço
http://vicentebaos.blogspot.com.br/
Farmacia de atención primaria
Blog de La Sociedad Española de Farmacéuticos de Atención Primaria
http://farmaciadeatencionprimaria.com/
Hemos leído
Noticias terapéuticas y de prescripción
http://www.hemosleido.es/
El Rincón de Sísifo
Medicamentos, Salud y Comunidad
http://medicamentos-comunidad.blogspot.com.br/
No gracias
http://www.nogracias.eu
5.3 OUTRA DESIGNAÇÃO DE ANTÍDOTO PARA O DIAGNÓSTICO E