2. BÖLÜM: GENEL BĠLGĠLER
3.2. AraĢtırmanın Ġkinci AĢaması (Kalitatif Bölümü)
4.2.2. Eğitimin Gebelik, Doğum ve Postpartum Etkileri
O ser humano se adapta ao meio ambiente e a tudo que nele está presente, incluindo os outros seres humanos, principalmente através de uma perspectiva interacionista, isto é, segundo Fisher e Adams (1994), os indivíduos modificam o ambiente de acordo com sua necessidade, mas também têm seu comportamento influenciado pelas condições sociais e ambientais. Sabendo disso, e considerando as infinitas possibilidades de interação entre indivíduo e ambiente, se pode afirmar que é praticamente impossível conhecer o outro em sua totalidade. No entanto, a probabilidade de conhecer melhor os traços de personalidade e os comportamentos de uma pessoa aumenta em função do tempo em que você a conhece.
Partindo desse princípio, os clientes foram consultados sobre o tempo em anos que conhecem seu treinador. Sobre esta questão, 33,33% respondeu que o conhece entre 2 e 3 anos, 33,33% o conhece entre 4 e 5 anos, 22,22% há 1 ano e 11,11% afirmou conhecer seu treinador entre 8 e 10 anos.
A respeito do que foi citado no parágrafo anterior, o relato do participante C3 sugere que o fato de conhecer o treinador antes de começar a treinar sob sua orientação favoreceu o processo de treinamento, como se pode observar em trechos de sua entrevista:
Gustavo Lima Isler: há algum outro motivo para você classificar a comunicação entre vocês desta forma (simples e direta)?
C3: e que somos amigo tambem
Gustavo Lima Isler: Essa amizade foi construída durante o treinamento?? C3: não. de antes
Gustavo Lima Isler: Ok... e melhorou com os treinos? C3: sim
Gustavo Lima Isler: Tem alguma parte da relação entre vocês que você percebeu muita mudança?
C3: não. tranquilo
A amizade preexistente entre o treinador e o participante C3, segundo o próprio cliente, pareceu influenciar o relacionamento atual, dando-lhe base para justificar a facilidade e a objetividade da comunicação entre ele e seu treinador.
Nicolaci-da-Costa (2005) afirma que a transferência do relacionamento “real” para o “virtual” somente tende a se fortalecer com as possibilidades aumentadas de contato e interação entre os interlocutores, assim como já ocorria no passado pelo uso de outras tecnologias, como o telefone fixo, por exemplo.
Segundo os escritos da mesma autora, corroborados por Primo (2011), mesmo as relações iniciadas via internet, construídas com um caráter profissional, no caso deste estudo através do processo de TPO, podem aos poucos ganhar contornos mais pessoais, dependendo obviamente da necessidade e interesse dos interagentes. É o caso do relato da participante C2, a qual descreve:
C2: Pq eu não o vejo como meu treinador..ele é meu treinado/amigo Gustavo L. Isler: o q vc gostaria de dizer sobre?
C2: Então outras pessoas talvez não tenha essa vivencia que a gt tem...é mais fácil
Gustavo L. Isler: a amizade facilita a relação treinador atleta. É isso?
C2: Sim! Ele fala o que pensa e eu tb..ele me conhece, sabe das minhas dificuldades
C2: É bem mais fácil de trab assim C2: Da bronca..a gt se xinga e fica td bem Gustavo L. Isler: sem ressentimentos! C2: Exato
Percebe-se pelo relato da participante C2 que a relação com seu treinador extrapolou a barreira da profissão e alcançou um novo status, o de amizade. Essa alteração de status na relação entre os interagentes é componente natural em um processo em que as relações são construídas conjuntamente (FISHER; ADAMS, 1994; PRIMO, 2011). Tais relações, segundo Bateson (1980 apud PRIMO, 2011), são caracterizadas pela recursividade cibernética que é definida como a capacidade que as ações dos interlocutores têm de alterar o relacionamento e também os que nele tomam parte.
No caso dos participantes deste estudo, a relação entre o treinador T2 e a participante C2 é um exemplo de uma relação que se modificou, se fortaleceu através do uso da CMC, como proposto por Nicolaci-da-Costa (2005), a qual especifica que em comunidades virtuais há um elevado nível de empatia entre seus membros. Empatia favorecida pelo compartilhamento das mesmas convicções e
ideais, que tornam o grupo ainda mais coeso. Tais fatores provavelmente deveriam estar presentes na relação “virtual” entre treinador e clientes, sendo também responsáveis pela qualidade da mesma.
Outro relato que demonstra essa aproximação entre treinador e cliente está em um trecho da entrevista com a participante C7 no qual ela relata:
Gustavo Lima Isler: Sentimentos e emoções fazem parte dessa descrição também?
C7: Totalmente!
Faz muitos anos que eu treino com ele, e nesse tempo aconteceram muitas coisas
Eu tive tres abortos, perdi meu pai, perdi funcionarios Eu falava tudo
Porque me sinto na obrigaçao de fazer isso
Como ele vai saber porque corri mal, ou nao fiz um treino? Eu acho que a corrida é muito desgastante, muito vigorosa É deliciosa! Mas exige muito do corpo
Nao tem como fazer "matada"
E o que acontece na minha vida reflete totalmente no meu desempenho Eu levo muito a serio meus treinos
O compromisso estabelecido pela relação profissional entre treinador e cliente embasa tal fala, mas a participante sugere que sente necessidade de manter seu treinador informado sobre questões de fórum íntimo. Essa necessidade, segundo a participante, se baseia no tempo em que eles se conhecem e na relação de confiança estabelecida entre eles, outros excelentes exemplos que traduzem o que foi abordado anteriormente sobre a influência do tempo em que as pessoas se conhecem e a força do relacionamento existente entre elas. Tal fragmento relata o que foi postulado por Nicolaci-da-Costa (2005) quando cita que fatores como o tempo e a confiança têm importante função, tanto nas relações pessoais face-a-face, quanto nas relações virtuais, estabelecidas via internet.
A respeito da intimidade nas relações mediadas por computador, Primo (2011, p. 124) a define como “o grau de proximidade ou familiaridade entre os participantes do relacionamento”, sendo a mesma reforçada pela frequência e a recorrência no envio das mensagens.
Por falar em relacionamentos pessoais, este capítulo da discussão se destinou a compreender melhor este tipo de relação existente entre o treinador personalizado online e seu cliente. Portanto, neste momento serão apresentadas as frequências de resposta a respeito de três aspectos que, apesar de resultados gerais diferentes, serão analisados de maneira conjunta.
O primeiro aspecto é relativo à frequência com que os treinadores demonstram preocupação com acontecimentos da vida dos clientes que estão além do esporte. Tanto clientes, quanto treinadores se posicionaram da seguinte forma: Sempre (T=57% e C=55,5%), Muitas vezes (T=43% e C=11,1%) e Poucas vezes (T=0% e C=33,3%). O segundo é referente à capacidade de ouvir os clientes quando eles necessitam. Mais uma vez eles se situaram assim: Sempre (T=71% e C=55,5%), Muitas vezes (T=29% e C=22,2%) e Poucas vezes (T=0% e C=22,2%). O terceiro, e último, se refere à frequência com que os clientes confidenciam problemas pessoais aos treinadores. Ambos perceberam o seguinte: Sempre (T=14,3% e C=11,1%), Muitas vezes (T=57,2% e C=11,1%), Poucas vezes (T=28,5% e C=55,5%) e Nunca (T=0% e A=22,2%).
Tecendo uma análise que envolve a opinião dos treinadores e de seus respectivos clientes percebeu-se que 62,5% destes têm opiniões similares ou superiores às de seus treinadores nos três aspectos e 37,5% apresentam opiniões contrárias. A citação acima explicita aparentemente uma adequada condução e afinidade por parte dos interagentes quanto à sua relação interpessoal. Havendo em alguns casos, como nas relações entre T2 e C1 e entre T7 e C7 100% de semelhança entre as respostas. Estes participantes demonstraram estar em aparente sincronia e reciprocidade, de acordo com as características apresentadas por Fisher e Adams (1994) e Primo (2011)
No entanto, cabe salientar que a relação envolvendo os mesmos treinadores (T2 e T7), mas clientes diferentes, C2 e C8 respectivamente, necessita ser observada com maior atenção. Pois, há um destaque negativo a ser feito devido à ausência de confluência em 100% das afirmações, sendo que a percepção dos clientes foi sempre inferior em relação à apresentada pelo treinador. Observando o contexto da relação entre ambos, treinadores e clientes, levantou-se a possibilidade de que tal fato pode ter sido influenciado pela relação estabelecida exclusivamente à distância, pois estes participantes não se encontram presencialmente com seus treinadores.
A despeito desta consideração, o fato de não se encontrarem presencialmente pareceu não influenciar na percepção da qualidade de seu relacionamento, pois ambos os clientes mencionaram ter um bom (C8) ou ótimo (C2) relacionamento com seus respectivos treinadores em diversos momentos da coleta de dados. Esta divergência entre as respostas de C8 e C2 em comparação as de seus treinadores e a percepção da qualidade da relação é justificada por Primo (2011) ao ponderar que é impossível haver um constante consenso entre duas pessoas, pois certamente estes interagentes divergirão em suas opiniões ao se envolverem totalmente na relação. No entanto, ele afirma também que a discordância demonstra que a relação é um processo de negociação mútuo, o qual é muito difícil de classificar como bom ou mau, pois o mesmo se encontra em constante busca pelo reequilíbrio.
Apesar desta impossibilidade de entendimento sobre a inter-relação entre os participantes, dados apresentados por Mcnamara et al. (2008) alertam que os problemas, ou a ausência, no relacionamento com o instrutor em sessões de treinamento com pesos, orientadas exclusivamente à distância, ocasionou deficiências nos suportes social, emocional e instrucional de alunos. Deficiências que prejudicaram a motivação e consequentemente o envolvimento dos alunos com o programa de treinamento, para o qual não demonstraram a necessária dedicação, fato que interferiu nos resultados destes alunos nos testes do experimento.
Diante desta constatação e buscando finalizar tal etapa da discussão, alerta- se para a subjetividade de tais percepções tanto com relação à frequência, ou quantidade de determinado comportamento, quanto com referência a sua importância. Destarte, independentemente da quantidade percebida de determinado comportamento, é fundamental que se procure entender se o mesmo oferece suporte ou atende de maneira suficiente às necessidades dos envolvidos na relação. Refletindo sobre o aspecto acima mencionado e os resultados apresentados é que novamente observa-se a relação entre T2 e C2, os quais aparentemente constroem uma adequada interação profissional e pessoal, mas que nos itens referentes a questões pessoais, como a preocupação com aspectos não relacionados ao treinamento, a capacidade de ouvir e de confidenciar problemas e dificuldades, estes participantes não demonstraram similitudes.
Além da atenção demonstrada durante a relação entre treinador e cliente, é importante entender que a comunicação e a relação interpessoal humana se
baseiam na análise dos comportamentos dos que nelas se envolvem. Todavia essa análise será mais completa e abrangente se durante este processo os fatores psicológicos também forem considerados (FISHER; ADAMS, 1994), pois estes, juntamente com os aspectos comportamental e cognitivo, influenciam e são influenciados pela relação entre treinador e cliente (SERPA, 1995, apud ROLLA, 2008). Sendo assim, buscou-se também compreender a percepção dos participantes em relação à exteriorização de estados emocionais positivos e negativos, à frequência desta expressão e como normalmente estes estados são demonstrados pelos treinadores e clientes com quem se relaciona.
Quando questionados sobre a percepção dos estados emocionais em seus clientes, os treinadores se posicionaram da seguinte maneira: 85,7% percebem tanto os estados emocionais positivos, quanto os negativos expressados. Destes treinadores, 16,66% disse que sempre percebe e 83,33% afirmou que muitas vezes observa a manifestação tanto dos estados emocionais positivos, quanto dos negativos. Quando solicitados a dizer como os clientes normalmente demonstram os estados emocionais positivos, os treinadores descreveram:
T1: Tenho acompanhado esses alunos por determinado tempo, e acabo conhecendo suas preferências e gostos. O contato favorece uma aproximação para além do treino.
T2: Eles falam sobre isso.
T3: Na maioria das vezes presencialmente quando nos encontramos.
T4: Os alunos presenciais através da alegria estampada no rosto e na motivação no início do treino. Os alunos a distância, é possível perceber quando nas (e imagens) de alegria nas conversas.
T5: Pela interação e reciprocidade ao treino
T6: Através de mensagens no Whatsapp, e-mail, redes sociais e nosso diário de treino.
Como se observa nos relatos dos treinadores, as vias utilizadas pelos clientes para exteriorizar suas emoções se restringem pelos recursos disponíveis nas ferramentas de comunicação virtual que utilizam. Dentre estes recursos estão o texto, o qual se utiliza da linguagem escrita como a principal forma de manifestação. Somadas ao texto, as imagens que também foram citadas mas não especificadas, podem estar relacionadas a fotos que expressam algum estado emocional, mas um recurso utilizado na comunicação é muito frequente o uso de ícones, os quais estão
presentes em aplicativos e redes sociais e são denominados de emoticons (STORTO, 2011).
Com relação aos estados emocionais negativos, os treinadores enfatizaram:
T1: Através de suas palavras, ou então num "feedback" mais sucinto. T2: Geralmente eles falam, meus alunos são muito abertos, e pela analise clínica, anamnese feitas todos os meses da pra detectar todos os sintomas quaisquer que sejam!
T3: Quando não à interação comigo sobre o programa de treinamento. T4: Os alunos presenciais costumam faltar em sequência quando estão com o emocional negativo, e quase não conversam. Os alunos a distância, é possível perceber quando o contato é breve, e quando demonstram tristeza (por imagens) nas conversas.
T5: Baixo rendimento, falta de foco entre outros
T6: Da mesma forma que o estado emocional positivo, mensagens no Whatsapp, email, redes sociais e no diário de treino.
Na percepção dos treinadores muitos clientes se utilizam dos mesmos meios de expressar emoções positivas para externar suas emoções negativas: mensagens, provavelmente em forma de texto, ou de imagens como mencionado anteriormente. Entretanto, observou-se no relato dos treinadores uma característica peculiar destas mensagens, a ausência ou a brevidade, mencionada pelos participantes T1, T3 e T4, as quais visivelmente interferem no relacionamento interpessoal entre ambos. Araujo (2013) e Dantas (2000) ao abordarem a comunicação e o relacionamento interpessoal são categóricos ao afirmar que o silêncio dentro da narrativa é uma forma de expressão baseada no não dizer. Os mesmos autores reiteram que todo diálogo está imerso em um contexto e provavelmente a relação existente entre o silêncio ou a brevidade e o contexto, sugere ao treinador a existência de fatores interferentes na relação. Fatores que os treinadores interpretam como negativos.
Da mesma maneira que seus treinadores, os clientes foram convidados a informar se percebem a expressão de estados emocionais positivos por seu treinador e qual a frequência desta percepção. 88,88% afirmou perceber a expressão de estados emocionais positivos. Entre os clientes que afirmaram perceber as emoções positivas, 50% afirmou que as percebe sempre, 37,5% disse que as percebe muitas vezes e 12,5% admitiu que percebe poucas vezes.
Quando questionados sobre a expressão de estados emocionais negativos de seus treinadores, a frequência diminuiu, pois pouco mais da metade (55,55%) dos clientes afirmou perceber a exteriorização de estados emocionais negativos de seus treinadores. A respeito das emoções negativas, 100% dos clientes afirmaram que poucas vezes percebem a manifestação delas em seus treinadores.
Os dados acima demonstram que na percepção dos clientes, seus treinadores demonstram mais emoções positivas do que negativas. Este fato pode estar relacionado a um possível autocontrole emocional e comportamental feito pelo treinador, a fim de melhorar a relação com seus clientes. Buscando justificar tal afirmação o estudo de Shigunov, Pereira e Manzotti (1993 apud ROLLA, 2008) reforça que, a demonstração de estados emocionais e de comportamentos afetivos negativos do treinador gerará sentimentos negativos em seus clientes, como insegurança e preocupação, enquanto que a manifestação de emoções e comportamentos positivos serão geradores de reações também positivas, como incentivo e satisfação.
O comportamento observado pelos clientes em seus treinadores pode também ser uma forma inconsciente, utilizada por estes, de protegê-los do fenômeno descrito por Hatfield, Cacioppo e Rapson (1993) como contágio emocional. O contágio emocional é definido pelos autores acima como “a tendência de automaticamente imitar e sincronizar expressões, vocalizações, posturas e movimentos com outras pessoas e, consequentemente, convergir emocionalmente” (HATFIELD; CACIOPPO; RAPSON, 1993, p. 96).
Apesar de ter sido desenvolvida com base em relações face-a-face, recentes estudos têm demonstrado o efeito da teoria do contágio emocional em usuários de ambientes virtuais, com destaque para as redes sociais (COVIELLO et al., 2014; ESPINOSA; BERNALES, 2014; KRAMER; GUILLORY; HANCOCK, 2014). Tais estudos sugerem que o contágio está presente no ambiente virtual, podendo ser potencializado por sua abrangência, relativa à quantidade de pessoas envolvidas por tal contexto.
Acerca da exteriorização de emoções na relação treinador e cliente, Weinberg e Gould (2008) afirmam ser muito importante que o treinador sinalize aos seus orientados quando está vivenciando sentimentos e emoções negativos ou quando algo não vai bem. A justificativa apresentada pelos autores para este comportamento do treinador está no fato de que frequentemente os clientes o
percebem ativo, incentivador e participativo. Porém, se em um determinado momento ele passa a agir de forma contrária, tal mudança pode causar em seus liderados uma reação indesejada, como por exemplo, despertar dúvida sobre o que causou aquela mudança e possivelmente assumindo a culpa pelo ocorrido, o que poderá desencadear uma sensação de mal estar desnecessária e prejudicial aos clientes e à relação entre eles e seu treinador.