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BÖLÜM 2: YETİŞKİN EĞİTİMİ İLE İLGİLİ KAVRAMSAL ÇERÇEVE 30

3.6. Bulgular

3.6.8. Eğitim Süreci Hakkında Katılımcı Önerileri

Apesar de ser uma competição aberta ao público – a todo cidadão francês entre quinze e trinta anos – eram os estudantes conectados à Ecole des Beaux-Arts de Paris, da primeira classe, que sempre venciam o Grande Prêmio de Roma. Na história, houve uma única exceção, em 1919, de um aluno (Jacques Carlu) pertencente à segunda classe da Escola de

67 Belas-Artes que veio a se tornar professor do Massachusstes Institute of Technology (CHAFEE, 1977, p. 86). Desse modo, a competição do Grande Prêmio de Roma de arquitetura destinava-se tradicionalmente a estudantes avançados de primeira classe da Ecole des Beaux-Arts de cidadania francesa, que se mostravam aptos a desenvolver grandes projetos de arquitetura – costumeiramente para algum tipo de edifício monumental com conotações reais, estatais ou civis.

Segundo o pesquisador Richard Chafee (1977) a estrutura do ensino que envolvia e consolidava O Grande Prêmio de Roma de Arquitetura era semelhante a estrutura de uma pirâmide de degraus, em cujo topo somente chegava um vencedor. Um vencedor significava o “grande eleito” o “gênio” descoberto ou criado, o “Artista” com A maiúsculo na concepção clássica. Abaixo dele havia quatro degraus, sendo que cada estudante a escalava de acordo com a sua velocidade tão alto como ele podia. Primeiro o jovem (ou a partir do fim do século XIX a jovem), encontrava um mestre, o patrono de um atelier. Os estudantes ingressavam no atelier escolhido e lá aprendiam arquitetura.

O degrau mais baixo, o primeiro, era o dos aspirantes. Eles poderiam prestar o exame quantas vezes desejassem, até completarem 30 anos de idade. A maioria dos aspirantes precisava de no mínimo dois anos para ser aprovados na escola. Tratava-se da preparação para a admissão que consistia em provas orais e escritas, nas quais os alunos, da terceira classe, deveriam demonstrar conhecimentos em matemática, geometria descritiva, história, construção e perspectiva até 1864 e ainda desenho após 1867, além de geralmente um molde de ornamento e, o mais importante, um desenho de arquitetura. O aspirante podia preparar-se para a prova de matemática contratando um tutor e para a prova de arquitetura participando dos programas da escola. A escola dava aos aspirantes o privilégio de utilizar a biblioteca, fazer rascunhos das obras de suas coleções e ouvir todas as palestras. A partir de 1820, havia palestras obre teoria da arquitetura, história da arquitetura, construção, perspectiva e matemática. Por volta de 1900 incluiu-se física e química, legislação de edifícios, história geral e arquitetura francesa.

Sobre este degrau tinha a segunda classe, o segundo degrau, na qual os estudantes eram os aprovados à conquista do título de arquiteto; agora podiam, de fato, cursarem a escola. Uma vez aprovado, o estudante denominava-se “aluno da escola de Belas-Artes”. O currículo para a segunda classe consistia em concursos e palestras que os aspirantes da terceira classe eram autorizados a participar. Nenhuma das palestras era obrigatória em qualquer fase do currículo. Porém, aquelas sobre tema científico eram seguidas de provas, e o

68 aluno poderia se preparar para a prova sem ter assistido as palestras. As palestras sobre construção parece ter sido devidamente freqüentadas (p. 83) como obrigatórias.

Os concursos d´Emulations (competições), realizados mensalmente, mostraram-se o método pelo qual os projetos de arquitetura dos estudantes eram julgados. Para permanecer na escola, o aluno deveria participar de pelo menos um ou dois concursos por ano. Caso não fizesse nenhum, perderia condição de aluno e para se readmitir deveria refazer os concursos de ingresso.

Os programas dos concursos eram elaborados pelo professor de teoria da arquitetura, cuja cadeira era a mais importante da seção de arquitetura. A maioria desses concursos era em composição arquitetônica e envolviam esboços (croquis) e projetos acabados (rendus). Os concursos para esboços tinham a duração de doze horas contínuas e os de projetos maiores requeriam dois meses. Os alunos trabalhavam em pequenos cubículos para elaboração dos esboços, que eram registrados em um livro para concursos; havia um protocolo para o recebimento dos mesmos. Ele levava uma cópia de seus esboços para o atelier de seu mestre, onde recebia as criticas ou sugestões para o desenvolvimento de sua idéia. Após a elaboração do projeto, os desenhos eram levados para julgamento na escola em data marcada. O júri comparava o esboço preliminar de cada aluno com o seu projeto final. Os dois deveriam refletir a mesma idéia, caso contrário o júri considerava o trabalho fora da competição e o aluno não levaria crédito. A intenção dessa complicação era a de que aos alunos pensassem por si próprios e que não tivessem seu trabalho realizado por outra pessoa.

Os programas de esboços mais utilizados na segunda classe eram muitas vezes de parte de um edifício: tal como de uma fachada, de um pequeno edifício público, uma pequena casa ou uma fonte de uma vila. Para os projetos acabados, os programas eram de uma pequena escola, uma assembléia municipal, uma estação ferroviária.

A partir de 1876, estudantes desta segunda classe, começaram um terceiro tipo de concurso, de elementos analíticos, para o qual dois exemplos eram requeridos: dórico, jônico ou coríntio. Um único desenho era solicitado para cada um desses concursos, que tinha o propósito de introduzir o aluno na arquitetura clássica, cujas partes eram consideradas fonte da proporção da arquitetura e dos motivos decorativos; tão importantes também eram os aspectos relativos à construção. Por isso, havia quatro concursos sobre construção: para pedra, madeira e aço, além das construções em geral, cada um deles tinha quatro meses de duração. Para ser promovido à primeira classe, o aspirante deveria ter crédito em cada um desses quatro concursos e também em um concurso em matemática, um em perspectiva e vários em composição arquitetônica. Os regulamentos de dezembro de 1867 colocaram a

69 construção em um único concurso, com duração de três meses, incluindo conhecimentos de matemática, geometria descritiva e os pré-requisitos em esterotomia (construção em pedra).

Nesta segunda fase, cada estudante poderia progredir em sua própria velocidade, registrando cada curso que desejou incorporar. Alguns concursos menores transformaram-se em obrigações adicionais. O desenho foi adicionado ao currículo entre 1855 e 1859. Os desenhos extras solicitados aos estudantes eram de ornamentos clássicos e da figura humana. Ao cumprir as etapas da segunda classe, em forma de créditos obtidos nos concursos e exames, o estudante alcançava a classe seguinte – o terceiro degrau. Além disso, os melhores projetos eram premiados com medalhas e menções honrosas.

A maior dificuldade dessa segunda classe era a construção, que deveria mostrar, em detalhes construtivos, como um edifício seria projetado. O concurso de construção exigia por volta de doze desenhos mostrando como uma construção projetada seria feita, com atenção aos detalhes de pedra, ferro e madeira e com os cálculos matemáticos provando que a mesma permaneceria de pé. Passar nos requisitos da construção era a tarefa mais difícil da segunda classe.

Os alunos da segundo classe, geralmente necessitavam de pelo menos um ano para concluir seus estudos científicos. Porém, a maioria necessitava de dois a quatro anos para cumpri-lo. Alguns não conseguiam sair dessa classe. Eles saiam da escola para trabalharem e ganharem a vida em período integral, mas levavam consigo o mérito do prestígio de ser sido aluno da École.

Os alunos promovidos na segunda classe ingressavam na primeira classe. Nessa classe os programas eram mais complicados do que na segunda, consistiam em seis esboços e seis projetos anuais, que eram os concursos arquitetônicos. O seu programa era mais complicado do que na segunda classe. Os programas típicos da primeira classe eram: escolas, museus, hotéis, teatros e grandes casas e palácios; os esboços poderiam ser partes de um edifício maior ou edifícios pequenos com uma finalidade determinada. Os estudantes da primeira classe participavam de grandes concursos anuais da École, o mais antigo desses, o Concours Rougevin começou em 1857 e era para ornamento no contexto arquitetônico, como por exemplo uma tumba. Em 1871 inicia-se outro grande concurso, o Godedoeuf, que era para um trabalho arquitetônico de natureza especial como, por exemplo, uma cabine de elevador. Os alunos da primeira classe deveriam participar de pelo menos um ou dois concursos maiores e menores por ano. Nesses concursos, os alunos concorriam à medalhas e valores em dinheiro.

70 No topo da pirâmide, no quarto degrau, ficava o concurso para o Grande Prêmio de Roma, que era o maior objetivo dos melhores alunos, por isso era a competição mais importante do ano. O julgamento era publicado pela imprensa de arquitetura, os projetos eram expostos na sala Melpomène (galeria de exposição da École) e atraiam o público. Além disso, a publicação das reproduções dos projetos dos vencedores projetavam os escolhidos e davam-lhes fama, principalmente ao primeiro colocado, tido como gênio.

Um estudante poderia se submeter aos concursos do Grande Prêmio tantas vezes quanto quisesse, até a idade de trinta anos. Se fosse um daqueles alunos que tentaram e não conseguiram o prêmio, ele simplesmente poderia deixar a escola quando se sentisse pronto para ir embora. Por outro lado, “a culminação do curso era para somente um único homem”. (CHAFEE, 1977, p. 86). A média dos estudantes da École des beaux-arts de Paris que estavam na primeira classe, logo percebia se tinha ou não qualquer possibilidade de, ou talento para, ganhar o prêmio superior.

Até novembro de 1867 este prêmio era somente para a conclusão do currículo, excetuado o limite de idade, ou seja, não dava direito a um diploma, como os cursos de graduação conferem hoje. Ainda, a partir desta data, apesar da instituição do diploma, a mudança, por vinte anos, não teve nenhum efeito. Nesse período, nenhum estudante graduou- se, no sentido em que a palavra está compreendida comumente hoje.

Portanto, a competição do Grande Prêmio de Roma, que não diplomava, mas, notabilizava o formando, tido como gênio, ocupava quase a metade do ano do curso de arquitetura, compondo-se de três fases, que eram três concursos. No início de março abria a primeira fase, com doze horas continuas para a realização de um esboço. Desta, somente trinta participantes eram mantidos. Na segunda fase era solicitado um novo esboço, também para doze horas continuas, durante as quais era exigido resolver um problema complicado de planejamento como, por exemplo, um edifício para abrigar uma universidade em uma cidade. Desta fase restavam apenas oito competidores, de 1864 em diante o número sobe para dez competidores restantes.

Na terceira e última fase, que durava até o final de julho, os programas costumeiramente propunham o projeto de um edifício público monumental, de um tipo que somente o estado poderia construir, como museus, universidades, academia naval, escolas de medicina ou de artes e ofícios, catedrais ou palácios do governo nas colônias francesas. Este estágio final do concurso para o Grande Prêmio de Roma era tal quais os concursos de arquitetura conduzidos pela Escola de Belas-Artes de Paris. Ou seja: cada competidor estava obrigado a fazer um estudo preliminar e não se distanciar dele. O júri comparava o projeto

71 final com o estudo preliminar e, caso não estivessem de acordo, o participante era declarado fora do concurso.

Durante os quatro meses da competição, cada um dos competidores chamava a atenção de seus patrons, não somente porque todos queriam ganhar o Grande Prêmio, mas, também, pelo fato de que, fazer estes projetos era a possibilidade de uma especulação arquitetônica. Era dessa forma que o Instituto da França, como o representante do estado, incentivava jovens talentos.

O julgamento final era complexo. Primeiro, os oito arquitetos membros da Academia de Belas Artes decidiam quais projetos mereciam o primeiro, o segundo e o terceiro lugares, então suas decisões eram passadas para o interior da academia, que submetendo à apreciação de pintores, escultores, músicos e gravadores, decidiam quem seria o vencedor e novo membro da Acadêmia. Toda a academia votava. O vencedor era tido como o mais promissor arquiteto do ano e enviado para a Academia francesa em Roma, por quatro ou cinco anos, à custa do governo. Lá em Roma, o vencedor contava com uma sala já com a placa de seu nome e um pequeno salário, tendo o dever de estudar as lições da antiguidade.

Em cada um dos primeiros três anos ele deveria submeter-se a um estudo analítico de um monumento antigo. No quarto ano lhe era solicitado submeter a uma completa reconstrução de um importante trabalho clássico. E no quinto ano deveria desenvolver um trabalho autoral (DREXLER, 1977, pp. 8-9).

1.4 As marcas da tradição francesa da École des Beaux-Arts de Paris na história do