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A POPULAÇÃO DA CIDADE DE SÃO PAULO

"As causas que determinam a grandeza de São Paulo vêm

atuando desde o início da colonização; e numa persistência digna de nota, se mantiveram até hoje apesar de todas as transformações econômicas, sociais e políticas por que atravessou nosso país nesses 500 anos de existência."

Caio Prado Júnior, A cidade de São Paulo

A cidade de São Paulo, que nasceu pobre e isolada, passou por importantes transformações ao longo dos seus mais de quatro séculos de existência, até se tornar um polo cultural e econômico de expressão na América Latina.

Após quase três séculos como uma vila pouco ―expressiva‖, a partir da chegada do café e do desenvolvimento das ferrovias, em meados de 1890, as condições econômicas se modificam e a cidade inicia um crescimento sem precedentes na sua história.

O processo de urbanização da cidade tem forte relação com o desenvolvimento da indústria. ―Nos anos 20 a indústria paulista passa por um grande processo de expansão, já iniciado por ocasião da Primeira Grande Guerra‖ (BÓGUS, 1992, p. 31).

Como afirma H. Lefebvre (2008, p. 11), ―o processo de industrialização, sem possibilidade de contestação é, há um século e meio, o motor das transformações na sociedade‖.

A expansão dos transportes coletivos com os bondes e os ônibus possibilitaram a expansão da cidade para novas áreas.

―A partir de 1940 já eram bastante numerosas as estradas percorridas por ônibus e que conduziam aos subúrbios já formados, às cidades vilas ou cidades vizinhas a São Paulo‖ (BÓGUS, 1992, p. 34).

Importante é destacar a participação dos imigrantes e dos migrantes no processo de urbanização e no crescimento industrial da cidade. São Paulo deve muito do seu fortalecimento à atuação dos migrantes que chegavam em busca de trabalho nas construções e nas fábricas. ―O deslocamento rumo à periferia atingiu, num primeiro momento, a camada migrante da população...‖ (BÓGUS, 1992, p. 35).

Este fenômeno impulsionou a horizontalização do tecido urbano no sentido da periferia, sendo um aspecto marcante da cidade de São Paulo.

Até à década de 70 a cidade manteve-se como a principal força econômica industrial do país; entretanto, ―a expansão da periferia pela chamada região metropolitana, tal como a conhecemos nos dias de hoje, ocorreu principalmente, na década de 70‖ (BÕGUS, 1992, p. 35). Mas, a partir de meados dos anos 80 e por toda a década de 90, o Brasil começa a sofrer um processo de desindustrialização com a queda da participação da indústria no PIB11 brasileiro.

Para Nassif (2008, p. 78) ―essa queda de participação ocorreu no bojo de uma forte retração da produtividade do trabalho, de um cenário de estagnação econômica e elevadas taxas de inflação‖.

11 PIB é a sigla para Produto Interno Bruto, e representa a soma, em valores monetários, de todos

os bens e serviços finais produzidos numa determinada região, durante um período determinado.

É um dos indicadores mais utilizados na macroeconomia, e tem o objetivo principal de mensurar a atividade econômica de uma região.

O processo de urbanização rápido e desigual na cidade cria espaços de segregação, e a falta de gestão adequada dificulta o acesso a bens e serviços primordiais para os cidadãos. Grande parte da população passa por dificuldades espaciais e a questão da mobilidade passa a ser entendida como questão de cidadania.

Foi nos anos 80, como afirma Véras:

―Que ao contrário dos anos 60 e 70, quando se chamava a atenção para os favelados e para a migração como figura emblemática dos excluídos na cidade, pelo aumento da pobreza e da recessão econômica, ao mesmo tempo em que se vivia a chamada transição democrática, chama-se a atenção para a questão da democracia, da segregação urbana (efeitos perversos da legislação urbanística), a importância do território para a cidadania, a falência das ditas políticas sociais, os movimentos sociais, as lutas sociais.‖ (VERAS, 2003, p. 97).

Na década de 90 a desindustrialização12 chegou a São Paulo, modificando parte do cenário econômico, provocando desemprego e alterações importantes na cidade. Como afirma M. Gottdiener (1993, p. 260), a contradição capitalista se manifesta em um crescimento que ―se caracteriza pela desindustrialização e fuga de capital para as áreas do globo que ainda permitem a realização de um desenvolvimento rápido, ou reestruturação e intensificação do capital‖. É a dependência que o capital tem de sempre desenvolver novos mercados que resultam em uma busca implacável de investimentos com lucro rápido. O Brasil, inserido no mercado mundial, sofreu as consequências da volatilidade do capital financeiro.

12A desindustrialização é definida como um fenômeno caracterizado principalmente pela retração relativamente expressiva do emprego no setor manufatureiro vis-à-vis os demais setores, notadamente o de serviços.

Os efeitos da desindustrialização são claros na reestruturação do espaço nas cidades como São Paulo, que teve seu crescimento baseado na indústria de transformação.

―Os anos 90 foram marcados por mudanças substanciais no mercado de trabalho brasileiro. A recessão econômica do período 1990/92, a abertura comercial, o ajustamento no setor privado em busca de maior competitividade, o plano de estabilização econômica e a privatização repercutiram sobre a ocupação, a desocupação e o rendimento dos indivíduos. Reduziu-se substancialmente o número de trabalhadores na indústria de transformação e, em contrapartida, expandiu-se o número de trabalhadores nos setores de "prestação de serviços" e do comércio. Assim como declinou o número de pessoas trabalhando com carteira assinada e aumentou o número de pessoas trabalhando sem carteira assinada e por conta própria.‖ (IBGE, 2011).

Após a recessão, o país inicia um período de estabilidade econômica a partir de 1994, e um novo ciclo de recuperação traz novas oportunidades de crescimento.

Desde então, São Paulo passa a ser uma cidade voltada para o setor de serviços, mantendo-se economicamente forte, mas com todos os problemas herdados da sua fase industrial.

Após 1994, a cidade começa uma recuperação econômica, com o aumento do trabalho formal, a estabilização da moeda e a consolidação do setor de serviços como principal atividade econômica. Em termos de população, persiste o ritmo mais lento de crescimento.

2.1 Características e evolução da população

Após o aumento vigoroso da população, que perdurou até a década de 70, a taxa de crescimento declina, a partir dos anos 80, no município de São Paulo.

A partir dos anos 2000, a taxa de crescimento da população do município diminui para 0,76% ao ano, sendo na década de 80, 1,15% ao ano e na década de 90, 0,91% ao ano, conforme dados da fundação Seade13 em 2011.

S. Pasternak (2009, p. 12) destaca que o ritmo de crescimento da capital diminuiu de forma significativa, enquanto que nos demais municípios metropolitanos ocorre o inverso, com expressivos valores nas taxas de crescimento. Este fenômeno possui correlação com o valor mais baixo dos preços das moradias nos municípios populares situados nas periferias mais distantes do centro da capital, que provoca a expulsão das pessoas de baixa renda para regiões mais periféricas.

Outro fenômeno que vem ocorrendo ao longo dos últimos anos é o êxodo migratório na Região Metropolitana de São Paulo, contribuindo para a diminuição na taxa de crescimento. De 2000 a 2010, o número de pessoas que saíram da Grande São Paulo é maior do que o das que chegaram. Dados da Seade indicam que a Capital passou a perder anualmente 32.132 migrantes, uma taxa negativa de -2,97 por mil habitantes.

A figura a seguir mostra a taxa de crescimento populacional nos anos 2000 até 2009, permitindo a visualização das taxas negativas em diversos distritos da cidade. Ao sul e ao leste as taxas são positivas, mas em muitas áreas centrais denota-se a redução iniciada há três décadas. Podemos perceber, ao analisar o

todo, que tanto o Centro, ―quanto os muncípios da elite industrial, estão com seu ritmo de crescimento bastante reduzido‖ (PASTERNAK, 2009, p.13).

Figura 23: Taxas de crescimento anual da população 2000 a 2009. Fonte: Seade, 2010

Elaboração: Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano

A Tabela 7 mostra que embora as taxas de crescimento estejam diminuindo desde a década de 80, esta queda é mais acentuada no município, se compararmos com o que ocorreu no estado e mesmo em nível nacional.

Regiões 1980/1991 1991/2000 2000/2010

Brasil 1,93% 1,63% 1,34%

Estado de São Paulo 2,13% 1,78% 1,31%

RMSP 1,88% 1,64% 1,21%

Município de São Paulo 1,15% 0,91% 0,76%

Tabela 7: Taxas anuais de crescimento populacional. Fontes: IBGE e Fundação Seade, 2011

Ao observarmos os números da Tabela 7 é possível notar que a redução da taxa de crescimento é menor nos municípios do estado, mostrando que, em contraste com a Capital, as cidades do interior mantiveram um crescimento efetivo.

Este fato pode ser entendido ao analisarmos diversos fatores. ―O desaquecimento da economia no período, a redução da taxa de fecundidade, as políticas estaduais de descentralização industrial explicam esta diminuição‖ (PASTERNAK, 2009, p. 12). O crescimento é mais expressivo em outros municípios do estado, fruto da maior atratividade econômica das cidades do interior.

―No caso da Capital, aconteceu o deslocamento de parte do parque industrial mais moderno para a periferia metropolitana ou mesmo para o interior do estado‖ (BÓGUS, 1992, p. 41).

A Tabela 8, a seguir, apresenta dados censitários desde os anos 50 até o Censo 2010, com os números absolutos da população do município.

ANO 1950 1960 1970 1980 1991 2000 2010 POP 2.198.096 3.781.446 5.924.615 8.493.226 9.646.185 10.434.252 11.253.503

Tabela 8: População do município em números absolutos x mil. Fontes: IBGE e Fundação Seade, 2011

A população superou os 10 milhões de habitantes nos anos 2000, e mesmo com a redução no ritmo de crescimento, São Paulo mantém-se entre as maiores cidades do mundo, ocupando o quarto lugar em termos populacionais.

O adensamento populacional do município pode ser visualizado na tabela abaixo, que confirma o aumento da população, mas em um ritmo menos acelerado.

Anos População total Área em km2 Densidade hab/km2

1960 3.666.701 1.509 2.310 1970 5.924.615 1.509 3.926 1980 8.493.226 1.509 5.628 1991 9.646.185 1.509 6.392 2000 10.434.252 1.509 6.915 2010 11.253.503 1.509 7.458

Tabela 9: Densidade demográfica no município de São Paulo. Fonte: IBGE, Censos demográficos e Emplasa, 2011

Os fatores que contribuem para um menor crescimento no adensamento populacional estão relacionados com as questões apontadas na discussão da Tabela 9, tais como a reestruturação produtiva e também a diminuição do fluxo migratório, que abordaremos na Tabela 11. É importante lembrar que a taxa de natalidade tem caído em todo o estado a partir dos anos 80 e, segundo Pasternak (2009, p. 25), esta redução está relacionada com o envelhecimento populacional e à queda da fecundidade.

Podemos definir ―urbanização‖ como o aumento proporcional da população urbana em relação à população rural. A seguir, abordamos o fenômeno da urbanização no município de São Paulo.

Ao verificar o grau de urbanização da população do município, podemos observar a atual tendência de concentração das pessoas no setor urbano, que pode ser verificada na Tabela 10.

Anos População Urbana Rural Grau de

Total Urbanização 1970 5.924.615 5.872.856 51.759 99,1 1980 8.493.226 8.337.241 155.985 98,2 1991 9.646.185 9.412.894 233.291 97,6 2000 10.434.252 9.813.187 621.065 94,0 2010 11.253.503 11.152.344 101.159 99,1

Tabela 10: Grau de urbanização em São Paulo. Fonte: IBGE, Censos demográficos, 2011

Observa-se, após um período de declínio durante as décadas de 80 e 90, que a partir dos anos 2000 ocorre um aumento significativo na porção urbana da população, resultado da diminuição das oportunidades de emprego nas áreas verdes da Capital, fruto da mecanização do trabalho rural, novas oportunidades de emprego na Capital, entre outros fatores.

A elevada presença de migrantes na população é um dos aspectos mais característicos da região metropolitana paulista. Em 1980, os migrantes representavam 56% da população metropolitana (BÓGUS, 1992, p. 37). Entretanto, o município de São Paulo registra um saldo migratório negativo a partir dos anos 80, segundo dados do Seade em 2011.

Taxas anuais de crescimento

populacional (%) Saldos migratórios anuais

Taxas anuais de migração (por mil hab.)

1980/ 1991 1991/ 2000 2000/ 2010 1980/ 1991 1991/ 2000 2000/ 2010 1980/ 1991 1991/ 2000 2000/ 2010 RMSP 1,86 1,68 0,97 -24.972 24.399 -29.968 -1,79 1,47 -1,6 São Paulo 1,15 0,91 0,76 -68.724 -50.824 -32.132 -7,6 -5,07 -2,97 Demais municípi os 3,2 2,87 1,27 43.752 75.223 2.164 8,9 11,41 0,27

Tabela 11: Taxas de crescimento populacional, saldos migratórios anuais e taxas anuais de migração. Estado de São Paulo e Regiões – 1980-2010.

Fonte: Fundação Seade, 2011

A Tabela 11 mostra a queda contínua na taxa de crescimento populacional no município, a comparação com a RMSP e com os demais municípios do estado de São Paulo. Apresenta também os números que representam o êxodo que ocorre no município a partir dos anos 80, indicando ―a crise que se abateu mais fortemente na região, afetando principalmente os níveis de emprego industrial‖ (BÓGUS, 1992, p. 41). Os demais municípios ainda apresentam números positivos, mas também tiveram uma queda significativa no movimento migratório na última década. Os migrantes passaram a se dirigir para o interior do estado, num primeiro momento, devido à expansão da economia nos municípios e a oferta de moradias mais baratas. Entretanto, a partir dos anos 2000, as políticas de investimentos em outros estados das regiões Nordeste, Centro-Oeste e Norte, criam oportunidades de emprego e um maior crescimento econômico, atraindo os migrantes para estes estados.

No aspecto de gênero, a Tabela 12, a seguir, mostra a evolução da população do município.

Anos População no município Razão de sexo (1)

Total Homens Mulheres

1960 3.781.446 1.860.938 1.920.508 96,9 1970 5.924.615 2.909.645 3.014.970 96,5 1980 8.493.226 4.150.555 4.342.671 95,6 1991 9.646.185 4.653.208 4.992.977 93,2 2000 10.434.252 4.972.678 5.461.574 91,0 2010 11.253.503 5.328.632 5.924.871 89,9

Tabela 12: População por sexo no município de São Paulo.

(1) Razão de sexo: total de homens para cada 100 mulheres (h/m x 100) Fonte: IBGE, Censos demográficos, 2011

Verifica-se na Tabela 12 que, desde os anos 60, a quantidade de homens no município vem diminuindo em relação ao número de mulheres, atingindo um número aproximado de 90 homens para cada 100 mulheres, em 2010.

Estudos indicam que as mulheres vivem mais e são menos sujeitas a morte por acidente de trânsito e criminalidade do que os homens. Em termos de expectativa de vida, as mulheres atingiram 79 anos, contra 70,7 dos homens, segundo o IBGE, em 2010.

Anos População Índice de

Total 0-14 15-24 25-59 60 e mais Ignorada envelhecimento 1960 3.781.446 1.227.021 679.014 1.639.401 216.930 19.080 17,7 1970 5.924.615 1.919.302 1.193.826 2.428.048 360.315 23.124 18,8 1980 8.493.226 2.543.723 1.831.125 3.574.374 538.817 5.187 21,2 1991 9.646.185 2.757.782 1.783.457 4.326.618 778.328 - 28,2 2000 10.434.252 2.592.829 2.015.530 4.853.694 972.199 - 37,5 2010 11.253.503 2.336.636 1.833.916 5.744.813 1.338.138 - 57,3 Tabela 13: População por faixa etária no município de São Paulo.

A estrutura etária no município sofreu modificações importantes em relação ao último censo, conforme observado na Tabela 13. Percebe-se, ao observar a tabela, que a população de idosos com 60 anos, ou mais, aumentou nos últimos dez anos, e que o índice de envelhecimento teve uma ampliação ainda mais expressiva no mesmo período. Observa-se que dois fatores são preponderantes: o aumento na expectativa de vida média, que passou de 71,71 anos em 2000, para 74,8 anos em 2010, segundo o IBGE, e a diminuição na taxa de nascimentos por mil habitantes na cidade, que passou de 19,9 em 2000, para 15,46 em 2010.

A seguir, apresentaremos indicadores econômicos do município, visando obter o perfil do paulistano sob este aspecto.

2.2 O perfil econômico de São Paulo

Uma metrópole como São Paulo convive com suas contradições, apesar de ser, reconhecidamente, o motor propulsor da economia do estado e, até mesmo, do país. Apesar da recuperação econômica iniciada a partir de 94, como já citado, fenômenos como urbanização caótica, a industrialização e a desindustrialização, trouxeram consequências nefastas para uma grande parcela da população.

Deste modo, podemos afirmar que o ―cenário urbano‖ é elaborado com base nas contradições que se apresentam no espaço das cidades, onde dialogam a riqueza e a pobreza pela atuação das forças do capital. Estas características incluem São Paulo no cenário mundial das cidades afetadas pelos efeitos da relação entre a economia global e a nacional. ―Parece consensual que o capitalismo, desde suas origens, desenvolveu um processo de internacionalização do capital, desigual e combinado, rompendo e integrando

fronteiras geográficas‖ (WANDERLEY, 2007, p.63). Este conceito é conhecido comumente por processo de globalização, termo utilizado por diversos autores na Economia e nas Ciências Sociais. E. Hobsbawn (2007, p. 11), afirma que ―a globalização acompanhada de mercados livres, atualmente tão em voga, trouxe consigo uma dramática acentuação das desigualdades econômicas e sociais no interior das nações e entre elas‖.

São Paulo é também a cidade brasileira mais influente no cenário latino- americano e global, concentrando vários aglomerados financeiros internacionais, e apesar de toda a riqueza gerada na cidade, os ricos são muitos e poderosos, enquanto os contrastes sociais são profundos. Como afirma S. Žižek (2011), os chamados ―cidadãos globais‖ vivem em seu imaginário ideológico, no qual as pessoas da chamada classe baixa não existem; este é o contraste, eles são os dois extremos da nova divisão de classes.

―São Paulo é a cidade que ostenta 250 helipontos em sua área central. Para evitar o perigo de se misturar com gente comum, os ricos de São Paulo preferem utilizar helicópteros, de modo que, olhando para o céu da cidade, temos realmente a impressão de estar numa megalópole futurista do tipo que se vê em filmes como

Blade Runner ou O Quinto Elemento: as pessoas comuns

enxameando as perigosas ruas lá embaixo e os ricos flutuando num nível mais alto, no céu.‖ (ŽIŽEK, 2011, p. 18).

São Paulo é a capital do principal estado da federação, com seu centro financeiro conectado com o mercado internacional, suas multinacionais, seu centro de produção desenvolvido, sendo ainda possuidora da maior área de urbanização nacional. ―Ela representa, certamente, o melhor exemplo da síntese brasileira, capaz de combinar perversamente a convivência do novo com o velho e da pouca inclusão com muita exclusão‖ (POCHMANN; FREITAS, p. 36). Rica em contrastes, a cidade possui características que a colocam na condição de

cidade mais importante do país no aspecto econômico. Sua participação no PIB nacional traduz esta importância.

Ano (milhões de reais) Preços correntes Preços correntes (em reais) PIB per capita

2002 511.736 13.259 2003 579.847 14.788 2004 643.487 16.158 2005 726.984 17.976 2006 802.655 19.550 2007 902.784 22.667 2008 1.003.015 24.457 2009 1.084.353 26.202

Tabela 14: PIB a preço de mercado total e per capita do estado SP 2002-2009. Fonte: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE; Fundação Sistema

Estadual de Análise de Dados – Seade

Observamos na Tabela 14 a evolução do PIB do estado de São Paulo, onde podemos perceber que, a partir de 2008, o estado atinge marcas superiores a R$ 1 trilhão. No primeiro semestre de 2009, as economias, brasileira e paulista, sofreram os efeitos negativos da crise internacional iniciada no último trimestre de 2008, mas voltaram a crescer a partir do terceiro trimestre de 2009, com base, sobretudo, na dinâmica do mercado interno (SEADE, 2009, p. 2).

O estado continuou crescendo economicamente e seu PIB alcançou, novamente, a marca de R$ 1 trilhão em 2010, sendo o maior do país. São Paulo perdeu parte de sua participação no PIB nacional devido, principalmente, a uma tendência de desconcentração econômica que vem ocorrendo nos últimos anos, mas sem deixar de ser o maior do país.

O município de São Paulo possui magnitude econômica do porte de alguns países como Israel, Cingapura, Egito e Chile. O PIB da Capital é bastante expressivo e, mesmo com a crise internacional, continuou crescendo nos últimos

anos, superando os R$ 400 bilhões em 2010, como podemos observar na Tabela 15, que apresenta os números do PIB do município.

Ano PIB (R$ 1000) PIB per capita (R$)

2002 189 053 675 17 734 2003 211 436 094 19 669 2004 226 988 440 20 943 2005 263 177 148 24 083 2008 357 116 681 32 493 2009 389 317 167 35 422 2010 416 569 368 37 901

Tabela 15: PIB a preço de mercado total e per capita, Município SP 2002-2010. Fonte: Wikipédia, 2011

Particularmente, São Paulo também foi atingida pelas políticas de incentivo aos investimentos em outros centros. Com a perda de grande parte das indústrias, a cidade migrou parte da sua população economicamente ativa do setor industrial para o setor de serviços e manteve a força de sua economia.

Gráfico 3: Participação dos vínculos empregatícios nos serviços no total – 2010. Fonte: Ministério do Trabalho e Emprego, 2010

O Gráfico 3 mostra que o setor de serviços concentra 63,79% dos vínculos empregatícios, entre o total de vínculos no município. Apesar de registrar índices menores na região metropolitana e nos demais municípios, podemos notar que a vocação para os serviços é uma realidade em todo o estado. Estes dados confirmam que as indústrias migraram para outros estados da federação, ou simplesmente desapareceram com os efeitos da internacionalização da produção. Em razão da predominância das atividades de serviços – pessoais ou de apoio à produção – e da continuidade da desconcentração industrial, a RMSP tende a crescer menos que a média nacional nos períodos de baixo crescimento, e acima da média quando o crescimento se acelera (SEADE, 2009, p. 5).

O Gráfico 4 mostra que o município concentra a menor porcentagem de vínculos empregatícios na indústria, em relação aos municípios e à região metropolitana, conforme já citado.

Gráfico 4: Participação dos vínculos empregatícios da indústria no total – 2010. Fonte: Ministério do Trabalho e Emprego, 2010

Nesta exposição, observamos que nos últimos anos, São Paulo tem passado por uma nítida transformação em sua economia. Durante muito tempo a

indústria constituiu uma atividade econômica bastante presente no município, mas atualmente não é mais a atividade principal da cidade, como já citado.

―Como conseqüência da distribuição das atividades industriais, de serviços e da agropecuária, a geração da riqueza concentra-se na Região Metropolitana de São Paulo e nas regiões de governo próximas, como Santos, Campinas, São José dos Campos, Jundiaí e Sorocaba, além de Ribeirão Preto. A distribuição segundo regiões de governo revela os principais eixos do que já foi chamado de ‗interiorização do desenvolvimento‘.‖ (SEADE, 2009, p. 4).

Outro fator importante que deve ser analisado é o comportamento dos empregos e da renda na Capital.

No campo dos empregos formais, a Capital tem registrado acréscimos nos anos de 2005, 2006 e 2007. Em termos médios, o saldo de emprego formal, em 2007, aumentou 35% em relação ao saldo médio de 2006.

Tabela 16: Saldo de postos de trabalho do mercado de trabalho formal, município de São Paulo, nos anos de 2005 a 2007.

Fonte: Caged/MTE.

Elaboração: Observatório do Mercado de Trabalho de São Paulo/Dieese

Mês 2005 2006 2.007 Jan 17.219 13.128 15.414 Fev 15.018 19.838 20.698 Mar 10.964 12.705 18.182 Abr 17.842 18.204 25.906 Mai 15.830 14.948 14.226 Jun 12.926 14.091 14.172 Jul 12.946 17.140 20.626

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