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2.5. İlgili Araştırmalar

2.5.1. Duygusal Emek ile İlgili Araştırmalar

Regina Vater em seu aprendizado em artes considera seus grandes mentores os artistas Iberê Camargo, Hélio Oiticica e Lygia Pape. Os três mostraram a ela que o importante em arte é experimentar. O primeiro ensinou a experimentação na pintura, não exigindo rigidez de técnicas. Os dois últimos ensinaram a experimentação em relação às linguagens conceitualistas.

No ateliê de Iberê Camargo a artista fez contato com os futuros artistas que estariam, assim como ela, com suas pesquisas baseadas na pintura e na Nova Figuração. Artistas como Antônio Dias, Rubens Guerchman, Roberto Magalhães e Anna Maria Maiolino frequentavam o espaço. Esse contato foi fundamental para o desenvolvimento do seu trabalho nos âmbitos temático e técnico, como relata:

O meu trabalho mudou muito depois que eu fui pra lá... quero dizer... foi uma... uma constelação de fatores porque...naquela época o Vergara... tava junto com o Antonio Dias... o Guerchman...o Roberto Magalhães...era um grupo... um... o clube do bolinha como dizia a Anna Maria Maiolino... eles eram o G4 né... E... é... na mesma época que eu fiz a minha primeira exposição em 64 eles estavam fazendo a exposição deles também... a primeira... Aí eu olhei pra aquilo... e eu olhei pro meu trabalho... meu trabalho era um trabalho ultra adocicado... eu até tenho uma coisa que eu posso te mostrar... nossa... eu... não tinha a menor comparação tá entendendo... Aí eu disse assim... Meu Deus o quê que eu tô fazendo?... Não... isso não... até essa entrevista que eu dei pra essa Marisa Alves de Lima que não assinou a entrevista que ela fez comigo com o nome dela... fez Ana Karina... ela deve ter feito isso pra ganhar dinheiro a minha entrevista porque (risos) ela... nossa... ela assinava entrevista com todo mundo e comigo não né... Eu até falei... eu disse... Oh... eu tava expondo e eu dizendo pra ela... Não... eu... meu... tô sentindo que eu tenho que fazer uma mudança... meu trabalho não é nada disso... meu trabalho vai mudar e não sei o que lá... Aí então... eu come/;foi aí que eu aportei na Nova Figuração.127

168 Vater comenta sobre o papel da Galeria Relevo (1961-1969), no Rio de Janeiro. De propriedade de Jean Boghici (1921) e alguns sócios, esta foi importante na divulgação do movimento francês Noveau Realisme, que tanto influenciou os artistas da Nova Figuração brasileira, além da Pop Art americana. No relato da artista:

É... eu ia muito na Galeria Relevo... do Jean Boghici... que essa turma toda ia né... e... e... nessa época... em 64... eu já estava na escola de arquitetura... porque eu fui fazer arquitetura pra dar um diploma pro meu pai... porque ele queri/não queria que eu fosse artista nem nada... e então é... e... e quem trabalhava com o Jean era o filho do Marcier... é o ele dava... é... é... esse menino trabalhava com o Jean e tava estudando arquitetura também... e ele era meu colega na escola... eu me esqueço o nome dele... é... era não sei o que lá Marcier o sobrenome né... me esqueço realmente do menino... desse menino... mas aí... então a gente ia muito lá... o :: os nossos colegas da escola eram metidinhos a...:: a ser assim connoisseur de arte e tal... então a gente ia muito lá na... na galeria do Jean... e o Jean expunha um pessoal de Paris... teria que colocar no google pra ver o quê que ele expunha naquela época porque era o pessoal... era a... o Jean que trouxe de uma certa maneira a Nova Figuração pro Brasil tá entendendo?128

Em relação ao seu processo de produção nesta época, Vater nos relata um de seus exercícios de pintura, na época em que frequentava o ateliê de Iberê Camargo e iniciava suas temáticas de questionamento do papel da mulher na sociedade. Lembramos que nesse período, a paleta de Iberê Camargo tendia para o preto, os tons terrosos, antes de mais tarde ganhar a luminosidade dos azuis e vermelhos de cunho mais Pop. O relato da artista:

Bom... o Iberê mostrava muito o grupo COBRA... de... da:: ali de Copenhagen né... a... aí então... é: aquilo evidentemente fez a minha cabeça olhando aquelas coisas... então os meus quadros começaram a ter aquela... aquela... aquele gestual mais impressionista e tal... e foi se ameni/foi...foi se acalmando e entrou aí... quero dizer já/ essa coisa impressionista ela já tinha uma...uma certa Nova Figuração.... mas foi se acalmando e entraram nos ecolines... nos guaches e tal... E eu era vizinha do Roberto Magalhães também... eu nun/quero dizer... eu achava as coisas do Roberto interessantes... hoje em dia eu não acho tanto não...mas... é:: mas era mais a gravura...a lito dele né... que a parte assim de desenhos e tudo eu acho assim meio ilustração... mas o... Aí então... eu andei lendo/A minha cultura sobre arte era muito rala... mas eu andei lendo

169 coisas sobre o Da Vinci... e descobri aquela coisa... aquela frase do Da Vinci... que o Da Vinci diz pra você tentar ver as imagens nos muros... nos velhos muros...que se formam no musgo e tal... Aí... eu comecei a...a...jogar tinta no papel com muita água... e ficava aqueles...aquelas manchas assim... então eu comecei a...a ... pegar as imagens que eu via...era quase como um teste de Rorschach né... pegar as imagens que eu via... que eu já tinha na minha cabeça trabalhar em cima desse papel da mulher... por causa da minha relação com meu pai... tá entendendo? A relação que eu tinha com meu... com esse namorado com quem eu sai de casa depois... pra morar com ele... que era um cara que nunca me assumiu...129

Quando Regina Vater fala que sua obra tinha um caráter impressionista, devemos ler como expressionista, já que as características desse movimento estão presentes no trabalho da artista e também na obra de Iberê Camargo. O interessante dessa fala da artista, lembrando o início de sua trajetória, está no olhar crítico que ela lança sobre a época e sobre seu próprio percurso. Aponta a experimentação, a partir desse ponto, como seu meio maior de pesquisa e que vai ser levada para as outras linguagens por ela trabalhada.

Ao jogar tinta e água no papel, exercício mais que comum nas universidades de artes e cursos de pintura, o caminho que o aluno exercita é o do olhar. Vater segue em seu exercício incansavelmente, resolvendo sua vida pessoal no trabalho, como ela fez em Nós, ou quando fala da peça Gracias Señor, de José Celso Martinez. A Nova Figuração, portanto, está na trajetória artística de Regina Vater como o inicio de suas experimentações em arte.