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3. BÖLÜM

4.8. DTUA’nın Depresyon Düzeyi Ortalamaları İle Sosyo-Demografik

A formação econômica da América Latina foi feita através de um desenvolvimento tradicional, ou seja, apoiado na expansão das exportações de suas matérias-primas básicas em estado bruto, minerais ou produtos agrícolas. Essa postura inicial transformou os países da região em concorrentes. Exportando as matérias primas e importando produtos manufaturados de fora da região, nenhum vínculo econômico formava-se entre esses países e não havia acumulação de capital suficiente para desenvolvimento de um pólo financeiro para fomentação de uma estrutura industrial

regional. Assim, a forma tradicional de desenvolvimento, no quadro internacional do trabalho que surgira na época do Pacto Colonial e que se consolidara na primeira fase da Revolução Industrial, contribuiu para consolidar a fragmentação regional. Os países latino-americanos estavam figurando nesse cenário como economias produtoras de matérias-primas e mão-de-obra barata e abundante com um grande mercado consumidor de produtos manufaturados oriundos de fora da região. Esse cenário permaneceu até o século XX, iniciando-se após a crise de 1929, onde o colapso do comércio internacional abriu portas e oportunidades para a formação de uma indústria local para atender às demandas da população e aumentar o relacionamento entre os países da região.

Reportando-nos a Jaguaribe (2001), as características originais dos povos pré-colombianos quanto à formação social e econômica baseadas nas relações de família foi um elo quebrado pelos espanhóis quando da implantação de uma economia mineira que exigia grandes deslocamentos de população, acarretando a desorganização de grande parte da produção de alimentos e, conseqüentemente, provocando a desarticulação da unidade familiar. Por outro lado, a necessidade de extrair das populações que permaneciam nas regiões agrícolas um excedente alimentar destinado a abastecer os que trabalhavam nas minas, os que davam apoio logístico a esses trabalhos ou os que simplesmente permaneciam nas cidades, impunha uma forte pressão sobre a reduzida população agrícola, limitando a duração da sua vida média. Finalmente, o impacto das epidemias provocadas pelo contato com populações portadoras de novas enfermidades contagiosas desempenhou papel não menos significativo nessa hecatombe demográfica. A partir desse momento, grande parte da cultura e dos traços originais das populações pré-colombianas foram-se perdendo ao longo do tempo ou se transformando e/ou se acomodando à cultura ibérica.

Porém, de acordo com Celso Furtado (1929), a história demográfica no Brasil apresenta um quadro distinto do da América espanhola. A população aborígine era relativamente rarefeita no momento da ocupação lusitana, o que determinou que os portugueses promovessem um fluxo migratório de origem africana, o qual viria constituir a base da mão-de-obra da economia de

agricultura tropical organizada desde a primeira metade do século XVI na região nordestina do Brasil. Nessa área, não se desenvolveram grandes civilizações como os maias, incas e astecas, e a sua ocupação caracterizava-se por pequenos grupos tribais com grande diferenciação entre eles e um isolamento físico bastante contundente.

Os traços essenciais do que seria a estrutura social dos países latino- americanos têm sua origem na forma mesma que tomou a conquista espanhola e nas instituições que, espanhóis e portugueses, implantaram para consolidar a conquista da nova terra.

Comparativamente a outras regiões da Europa, o desenvolvimento do capitalismo comercial fez-se tardiamente em Espanha e Portugal. A Espanha após a Reconquista desencadeou um Estado extremamente centralista. Em Portugal, o capitalismo comercial esteve, desde suas origens, intimamente vinculado à monarquia, tornando-se esta a grande promotora das viagens ultramarinas e, por conseguinte, detentora de todos os diretos sobre as novas conquistas. O centralismo era a forma de se preservarem as conquistas.

Essa forma de colonização baseada na centralização das ações nas Coroas portuguesa e espanhola moldou uma forma de acumulação de riquezas controlada através de um sistema chamado “encomiendas”, que garantia a pilhagem de recursos para a Coroa e a ocupação principalmente das áreas produtoras de ouro e prata. Esse modelo tornou-se o principal ao longo dos séculos XVI e XVII, até o declínio das minas de ouro na América espanhola. No Brasil, a descoberta de ouro foi tardia e numa fase em que os seus vizinhos já se apresentavam desprovidos de metais, exceto o México.

O declínio da produção de ouro e prata, seguido do debilitamento do Estado, teve conseqüências significativas para o império colonial espanhol. Importantes concessões foram feitas à Inglaterra como forma de pagamento das dívidas acumuladas por importações de produtos manufaturados. No Brasil, da mesma forma, isso ocorreu, em meados de 1820, quando da migração da Coroa e da abertura dos portos para os ingleses. Se a dependência e o controle haviam mudado

de Portugal e Espanha para a Inglaterra, significou que as colônias seriam “reorganizadas” seguindo os modelos de ocupação ingleses, a exemplo da América do Norte? Como pudemos observar, a penetração inglesa nos primeiros decênios do século XIX constituiu muito mais um elemento de desagregação da ordem social existente do que fator capaz de contribuir para consolidar os novos Estados em formação e introduzir mudanças nas estruturas econômicas e sociais existentes. A presença inglesa assumia essencialmente a forma de um comércio importador nas antigas colônias, posicionando definitivamente as colônias dentro da divisão do trabalho na época da Revolução Industrial como mercados consumidores dos produtos manufaturados ingleses. Essa pressão por importações levou muitos países à depreciação cambial e os obrigou a contrair empréstimos externos para regularizar a situação da balança de pagamentos. Por outro lado, as casas importadoras de produtos ingleses acumulavam reservas líquidas e se transformavam em poderosos centros financeiros.

Outro aspecto importante na formação econômica da América Latina são as características das estruturas agrárias criadas na época da colonização. Desde os primórdios, a terra era concedida apenas àqueles que poderiam explorá-las para produzir excedentes para a Coroa. Podemos dizer que as estruturas agrárias não são apenas um elemento do sistema de produção, mas também dado básico de toda a organização social, pois elas atendiam tanto às atividades da agricultura de exportação quanto ao sustento da atividade mineira. O tipo de estrutura agrária que prevaleceu desde a época colonial caracteriza-se pelo binômio latifúndio- comunidade indígena e latifúndio-minifúndio. É nessa relação que se calca a estrutura agrária da América Latina.