L. Dolandırıcılık ile Benzeri Bazı Suçların Ayrımı 1 Dolandırıcılık ve Hırsızlık
2. Dolandırıcılık ve Güveni Kötüye Kullanma Suçu
Ainda durante o governo do PAICV ocorreu gradualmente uma reaproximação com a Europa, a qual se intensificou no governo do MPD, o que pode ser observado em ações da política externa e interna. Pensando em termos ideológicos, para manter a coerência com sua história, o PAICV deveria cultivar uma posição africanista, que lhe conferia legitimidade. Mais uma vez fica patente o pragmatismo das ações dos dirigentes caboverdianos, que devido as relações diplomáticas, os acordos internacionais e dependência em relação à Europa, especialmente Portugal, fez com que o posicionamento do partido fosse mudando.
Em certa medida o golpe de estado de 1980 na Guiné-Bissau também serviu para reduzir os laços com a África continental, sendo que a abertura política de 1991 resultou em uma estratégia de desenvolvimento através da liberalização da economia, com maior abertura para investimentos estrangeiros, ficando claro que uma aproximação com a Europa seria uma opção mais pragmática.
Martins (2009) aborda de modo minucioso as relações de Cabo Verde com o exterior88, incluindo as medidas que foram adotadas na política e na economia. Após
a abertura política em 1991, o governo criou um plano de desenvolvimento, e estabeleceu um conjunto de reformas prioritárias, como a reforma do setor público, a estabilização macroeconômica (visando a eliminação da dívida interna, a liberalização da economia e a privatização das empresas do Estado). Essas medidas eram parte de acordos com o FMI e com Portugal, que incluía paridade cambial.
88 A autora apresenta números da balança comercial de Cabo Verde após a abertura política. Das
importações do país em 1996, 60% eram provenientes da Europa, sendo 40% de Portugal. Já nas exportações, em 1996 cerca de 90% de tudo que Cabo Verde exportava era destinado para Europa, sendo 70% para Portugal. Nos anos seguintes esses números aumentaram, deixando clara a dependência de Cabo Verde para com a União Europeia de um modo geral.
É interessante notar que as relações entre Cabo Verde e Portugal sempre foram importantes, tanto política quanto economicamente, em especial no pós- independência. Aos poucos acabaram formando um grupo regional e originou-se a CPLP, em 1996, a qual teve o apoio do governo português e abriu o leque para maior cooperação entre os países lusófonos. Para além das relações estabelecidas e consolidadas no âmbito da lusofonia, Portugal tem contribuído nas relações entre Cabo Verde e a União Europeia.
Portugal teve muita importância no que tange aos bastidores da graduação de Cabo Verde por parte das Nações Unidas, quando este deixou o grupo dos PMA (Países Menos Avançados) e passou ao status de PVD (Países em Vias de Desenvolvimento), sobretudo ao esforçar-se junto a União Europeia e as Nações Unidas para que fosse concedido um período de transição para Cabo Verde consolidar o novo estatuto. Em dezembro de 2004 foi concedido para Cabo Verde um período de três anos de transição89. Entre os argumentos em favor de Cabo
Verde estão a melhora no IDH e na renda per capita.
Martins (2009) esclarece que a ideia da integração de Cabo Verde na União Europeia ressurgiu em Tenerife, nas Ilhas Canárias, em 1994, durante uma conferência de Mário Soares. Uma das figuras mais distintas da política portuguesa, tanto por sua ação enquanto opositor ao Estado Novo quanto pelos cargos políticos que desempenhou depois do fim do regime, inclusive porque esteve envolvido nos processos de negociações para a independência das colônias portuguesas, ele ao fazer referência às ilhas da Macaronésia (Açores, Madeira, Canárias e Cabo Verde), afirmou que os caboverdianos não são exclusivamente africanos: são uma mistura de diversos povos que cruzaram o Atlântico. Para além dos argumentos históricos, teria apresentado argumentos comportamentais e políticos, lembrando que os caboverdianos tiveram sempre um comportamento diferente dos outros povos colonizados, porque se consideravam intermediários entre eles e a África. A discussão foi reativada por um artigo de Adriano Moreira publicado no Diário de Notícias, em 8 de Fevereiro de 2005. Nesse artigo, ele defendeu que, “não existem
89 Reunião da Assembleia Geral das Nações Unidas, resolução 59/209 de Dezembro de 2004. Para
obter informações detalhadas, consultar o site da embaixada de Cabo Verde no Brasil, em: www.embcv.org.br/portal/modules/mastop_publish/files/files_4774fa95c6835.doc.
obstáculos nos estatutos da UE que impeçam Cabo Verde de solicitar à Bruxelas abertura negociações para a sua adesão”90.
Onésimo Silveira foi o Embaixador de Cabo Verde em Portugal por quatro anos (2002-2005), e desempenhou um papel ativo nos esforços aqui relatados, especialmente ao ajudar na organização de um evento para a Câmara de Comércio, Indústria e Turismo Portugal Cabo Verde91, o “Ciclo de Encontros ‘Negócios e
Afinidade’, Seminário Portugal Cabo Verde: uma parceria para o futuro”92, realizado
em 22 de junho de 2005, no Hotel Altis em Lisboa.
É também em 2005, ainda com a Embaixada sob o comando de Onésimo Silveira, que Mário Soares e Adriano Moreira defendem a adesão de Cabo Verde à UE93:
90
Em notícia divulgada pela Agência Lusa em junho de 2005, o então Primeiro-Ministro, José Maria
Neves, afirma que “não vê qualquer obstáculo à adesão plena de Cabo Verde à União Europeia”, e
que Cabo Verde vem trabalhando nesse sentido desde 2001.
91 Em nossa pesquisa não temos como aprofundar as informações sobre o trabalho que a Câmara
em questão realiza, entretanto maiores informações podem ser obtidas diretamente em seu site oficial: http://www.portugalcaboverde.com/main.php.
92 Pode-se obter uma resenha do evento em www.portugalcaboverde.com/download.php?id=67 93 A integração de Cabo Verde com a UE costuma ser abordada pelos seus defensores dentro de três
possibilidades: Em primeiro lugar a possibilidade de uma adesão plena, dando a Cabo Verde o estatuto de Estado Ultraperiférico, como parte da Macaronésia. Também há quem veja como solução passar a considerar o arquipélago como parte da Wider Europe Neighbourhood, juntamente com
Figura 7 - Ciclo de Encontros, Negócios e Afinidades: Portugal – Cabo Verde.
Retomando a análise da questão no que concerne à ação desenvolvida por parte de Portugal, em Março de 2005, Mário Soares e Adriano Moreira, numa petição assinada por destacadas figuras da sociedade portuguesa e apoiada a título pessoal pelo, na altura, Ministro dos Negócios Estrangeiros Freitas do Amaral, defenderam a adesão de Cabo Verde à UE, aconselhando estas duas entidades a dar início às negociações para essa mesma adesão. Esta petição foi apresentada na Sociedade de Geografia de Lisboa. Segundo os defensores desta iniciativa, Cabo Verde reunia as condições históricas e políticas necessárias para iniciar um processo de integração na UE (MARTINS, 2009, p. 81/2).
Cabo Verde recebeu desde que alcançou a sua condição de soberania, uma significativa ajuda internacional, e foi gradualmente consolidando sua estabilidade, seja em termos políticos, como sociais e econômicos. A estratégia de desenvolvimento do país se deu desde o início com base em um olhar atento das oportunidades que se abriram no cenário internacional, canalizando e gerindo os recursos obtidos. Aos poucos, no pós-independência a discussão sobre a condição de Cabo Verde como um caso de regionalismo europeu foi voltando a tona. Se por um lado a tese da adjacência foi perdendo força, gradualmente foi substituída pela ideia da parceria especial com a União Europeia, como prova de uma relação privilegiada de Cabo Verde com o velho continente, em especial com Portugal.