H. Suç ve Cezaya Etki Eden Nedenler (Suçun Nitelikli Halleri) 1 Cezayı Artıran Nedenler
2. Cezayı Hafifleten Sebepler
De acordo com os teóricos do nacionalismo, embora a nação se caracterize como algo imaterial ou intangível, ou até mesmo por essa razão, ela necessita de símbolos que possam lhe dar uma condição mais concreta. Por muito tempo ao longo da história, não existiam bandeiras, brasões ou armas nacionais, e sim insígnias que muitas vezes representavam as casas dinásticas, os condados, ducados e afins. Na medida em que os Estados-nações se consolidaram, novos símbolos foram adotados para permitir a sua representação, ou como no caso português, os símbolos dinásticos foram por fim apropriados e adaptados, de modo a representar a nação portuguesa. Dentre os teóricos referidos acima, podemos destacar Fernando Catroga, quando afirma que:
[...] mais importante do que criar uma bandeira nacional era popularizar e interiorizar a sua representatividade sintética, assim como os seus efeitos identitários e pedagógico-cívicos [...] (CATROGA, 2005, p. 166.
85 Sobretudo no que diz respeito a já citada postura de não-alinhamento, marcada pela flexibilidade e
inteligência, como nas relações exteriores que equilibravam os interesses estrangeiros, procurando submetê-los ao que fosse mais importante para o arquipélago, como veremos mais adiante.
Tanto o hino, como também a bandeira são definidos por ele como meios de uma representação quase “totêmica” ao patriotismo.
Pereira (2013) destaca que após assumir o poder, o MPD tomou algumas medidas de grande potencial polêmico. Uma delas foi em relação à troca dos símbolos nacionais: a bandeira e o hino nacional de Cabo Verde. As razões do governo em efetuar esta mudança poderiam até ser consideradas lógicas, uma vez que esses símbolos representavam o partido único e estavam ligados à criação do PAIGC e aos seus ideais. O objetivo inicialmente era mudar esses símbolos e, para isso, realizou-se um concurso público onde se escolheu os símbolos que representariam a nação e o Estado caboverdiano, sem se estar imbuído neles cor política ou ideológica. A proposta de mudança da bandeira foi apresentada na Assembleia Nacional e aprovada pela maioria dos deputados do governo, com a oposição votando contra. Não houve consulta ou referendo popular. Com isso a decisão ganhou ares de polêmica e deu margem a discussão sobre a sua legitimidade.
Neste episódio da troca dos símbolos nacionais após a queda do PAICV, para além da discussão política, é necessário chamar a atenção para a discussão identitária. Em nosso segundo capítulo destacamos a necessária busca e reaproximação das raízes africanas, seja através da “reafricanização dos espíritos”, seja através da “consciencialização”. Fazia-se necessário aproximar Cabo Verde da África Negra, justificando o projeto da unidade com a Guiné-Bissau, que culminaria na independência dos dois países. E é nesse contexto que a bandeira do PAIGC foi criada, com as cores e símbolos que remetiam ao continente africano86. Deste
modo, temos na bandeira o símbolo máximo da afirmação de Cabo Verde como um caso de regionalismo africano.
86 Conforme Monteiro (2013), as cores seriam aquelas representativas do nacionalismo africano. O
vermelho simbolizando o sangue derramado pelos negros heróis e mártires, desde os tempos imemoriais, no seu combate contra a dominação estrangeira. O verde a nova esperança nascida nos nossos corações com o ressurgimento da luta para a paz e o progresso. O amarelo a abundância que vai ser criada pelas nossas próprias mãos, nos nossos países libertos do colonialismo e a estrela negra lembra os objetivos do Partido, instrumento de unidade e da libertação dos nossos povos (referindo-se a luta conjunta para libertação de Cabo Verde e da Guiné-Bissau).
Uma vez passados quinze anos da independência, e tendo Cabo Verde se afirmado enquanto país soberano, livre do monopartidarismo e agora no rumo de se constituir uma democracia plena, o país aparentemente fazia as pazes consigo mesmo e com sua identidade. Bandeira de Cabo Verde de 1992 em diante.87
Neste novo contexto, e sempre dentro de um pragmatismo diplomático, o país cada vez mais mira o continente europeu, enxergando nele a sua mais preciosa fonte de apoio para os desafios do final de um século e início de outro, buscando afirmar-se, sim, como um caso de regionalismo, porém europeu e não mais africano. Mais do que uma ruptura política, a troca da bandeira especialmente, simboliza uma tentativa de mostrar ao mundo a afirmação dessa identidade, adotando as cores e as estrelas que em muito se assemelham a bandeira da UE. Cabe notar que a
87
De acordo ao site oficial da Embaixada de Cabo Verde no Brasil, o simbolismo presente na bandeira atual do país é o seguinte: O retângulo azul da Bandeira simboliza o espaço infinito do mar- e-céu que envolve as ilhas. As faixas, o caminho da construção do país. O azul, o mar e o céu. O branco, a paz que se quer. O vermelho, o esforço de suas gentes, e as estrelas, as dez ilhas que compõem o arquipélago. Disponível em
http://www.embcv.org.br/portal/modules/mastop_publish/?tac=S%EDmbolos_Nacionais. Acesso em: 30 ago. 2016.
Figura 5 - Bandeira de Cabo Verde de 1975 até 1992.
Figura 6 - Bandeira da Cabo Verde de 1992 em diante.
Nota: Apresentada oficialmente em 13 de dezembro de 1955 e adotada como símbolo oficial da Europa em 26 de maio de 1986.
mudança nos símbolos nacionais é emblemática, tendo em vista, do ponto de vista individual, que iremos observar um reposicionamento no modo de pensar de Onésimo Silveira, uma mudança no horizonte de expectativa, como vamos detalhar ainda neste capítulo, a qual se dá com base em um novo campo de experiência, construído ao longo das quatro décadas que separam as duas fontes documentais primárias que constituem a base da pesquisa que aqui realizamos.