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İKİNCİ BÖLÜM: PROBLEM DURUMU

2.9. İlgili Araştırmalar

2.9.1.2. Doktora Tezler

Os empates foram grandes movimentos na defesa da floresta e resultado de uma estratégia inteligente que os colonos e seringueiros usaram para reagir, pacificamente, ao desmatamento desenfreado que vinha assolando o Acre

desde 1970. Unidas em

passeatas, as comunidades tentavam impedir o abate das árvores por meio do diálogo e da apreensão de motosserras ou mesmo abraçando-as como forma de defendê-las.

Inicialmente, quando seringueiros e extrativistas tiveram noção dos danos que as motosserras causavam ao ambiente em que viviam e tiravam o sustento, se organizaram imediatamente sem ajuda do sindicato. Após os primeiros empates e suas repercussões, esse movimento começou a crescer e a se articular cada vez

Figura 30 - Empates no Acre Fonte: Darci Seles in Neves (2008)

mais, provocando conflitos, violência e assassinatos por parte dos jagunços que queriam tirar os seringueiros de suas terras.

A importância desse movimento é destacada por alguns autores acreanos como o jornalista Altino Machado, o professor Valdir Calixto da Universidade Federal do Acre e também pela Associação de Seringueiros e Agricultores da Reserva Extrativista do Alto Juruá. Os empates tiveram o apoio fundamental do líder sindical e ecologista Chico Mendes, na defesa da floresta. Ele próprio define o movimento em sua última entrevista publicada no Jornal do Brasil, no Natal de 1988, quatro dias após sua morte ao jornalista Edilson Martins:

É uma forma de luta que nós encontramos para impedir o desmatamento. É forma pacífica de resistência. No início, não soubemos agir. Começavam os desmatamentos e nós, ingenuamente, íamos à Justiça, ao Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal (IBDF), e aos jornais denunciar. Não adiantava nada. No empate, a comunidade se organiza, sob a liderança do sindicato, e, em mutirão, se dirige à área que será desmatada pelos pecuaristas. A gente se coloca diante dos peões e jagunços, com nossas famílias, mulheres, crianças e velhos, e pedimos para eles não desmatarem e se retirarem do local. Eles, como trabalhadores, a gente explica, estão também com o futuro ameaçado. E esse discurso, emocionado sempre gera resultados. Até porque quem desmata é o peão simples, indefeso e inconsciente. (MENDES, 1988).

As comunidades tradicionais de seringueiros, povos indígenas e pequenos agricultores receberam apoio de instituições, como a Igreja Católica (Comissão Pastoral da Terra - CPT e Conselho Indigenista Missionário - CIMI) e de políticas através dos Partidos dos Trabalhadores (PT) e a Central Única dos Trabalhadores (CUT). Ao longo da resistência, organizações sindicais foram se formando na defesa de seus territórios, de seus recursos, ou seja, da floresta, como dizia Chico Mendes:

É esta realidade que queremos mostrar aqui. Queremos propiciar uma política que garanta o futuro desses trabalhadores, que há séculos vivem na Amazônia e a tornam produtiva ao mesmo tempo. Quando se coloca a questão da defesa da Amazônia, não significa que os seringueiros e os índios querem conservá-la num santuário intocado. Enquanto existirem índios e seringueiros na selva amazônica há esperança de salvá-la. (...) Acredito que cada um de nós tem uma missão e um compromisso muito importante em relação à defesa desta região. Essa luta não é só dos trabalhadores: ela é de toda a sociedade brasileira. (...) o

Anailton Guimarães Salgado

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problema da destruição das nossas florestas não afeta só o povo brasileiro, mas, sim, os povos de todo o planeta. Achamos que se trata de uma questão que envolve toda a sociedade brasileira e toda a comunidade internacional. (MENDES, 1988).

Os empates tiveram momentos de resistência e chegaram a limites extremos de violência, quando Wilson Pinheiro, presidente do sindicato dos Trabalhadores de Brasileia, município do Acre, foi assassinado, em 1980. Outras mortes ocorreram, culminando com a de Chico Mendes, em 1988, que chamou a atenção para a luta em defesa da floresta e de seus povos. O reconhecimento se dá em um contexto nacional e internacional quando as questões ambientais assumem importância crescente. Referindo-se a esse contexto, Marina Silva (2001, p. 3) expressa:

Lutávamos em defesa da nossa vida, que estava na floresta, sem saber o significado da palavra ecologia. Sequer sabíamos que a milhares de quilômetros do Acre, nos Estados Unidos e na Europa, ambientalistas, que depois se tornaram nossos aliados, lutavam contra projetos dos bancos multilaterais que provocavam o desflorestamento e a perda da diversidade biológica em países do hemisfério sul.

Dos empates resultou a criação das reservas extrativistas propostas, nos anos 80, por Chico Mendes. Criou-se, também, um Conselho Nacional de Seringueiros com o objetivo de apoiar os trabalhadores extrativistas em todas as suas necessidades. A partir de então a luta dos trabalhadores avançou nesse contexto e indígenas e seringueiros perceberam que tinham muito em comum. Desse, é formada a Aliança dos Povos da Floresta durante o 1º encontro dos Povos da Floresta em 1990, promovido pela União das Nações Unidas e o Conselho Nacional de Seringueiros.

Ainda de acordo com Marina Silva (2001), os ambientalistas, inicialmente, pensavam que as populações de florestas apenas contribuíam para a destruição ambiental em busca de alimentação. A aproximação das lutas, tanto dos ambientalistas como dos extrativistas, foi criteriosa, sob a influência de pessoas, de ambos os lados, que começaram a ver a possibilidade de crescimento e fortalecimento de um movimento pela justiça social e equilíbrio ambiental ao mesmo tempo. Dessa aproximação foi criado o Conselho Nacional dos Seringueiros, em 1985, e também a luta pelas Reservas Extrativistas (RESEX). As Reservas Extrativistas correspondiam ao que de fato existe no pensamento das pessoas que vivem na floresta, a respeito do uso da terra. Elas não se apegam à terra em si ou à sua divisão; apegam-se à floresta. E não se importam com a demarcação de uma área em lotes quadrados. Segundo Marina Silva (2001), o que importa para os habitantes da floresta é a quantidade de castanheiras, de igarapés e de estradas, como são denominados os caminhos usados para a extração da seringa.

Os movimentos extrativista e ambiental e o interesse pelas questões sócioecológicas passaram a caminhar juntos na defesa do meio ambiente, da floresta. Isso se evidencia na elaboração de leis socioambientalistas editadas entre os anos de 1990 e 2000, rompendo com a orientação voltada, unicamente,

Figura 31 - II Encontro Nacional dos Seringueiros, Rio Branco (AC) Fonte: ASAREAJ, 1993

Anailton Guimarães Salgado

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para a proteção de ecossistemas e espécies, com ênfase no controle e na repressão aos que agridem o meio ambiente, portanto, a floresta. Destacamos a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento, no Rio de Janeiro (Eco-92), a Aliança dos Povos da Floresta na Amazônia brasileira, a Lei de Crimes Ambientais (nº 9.065/1998) o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza (SNUC, Lei 9.985/2000), dentre outras, que desempenharam e desempenham importante papel na proteção e conservação do meio ambiente. Dessa forma, a legislação passa a prever mecanismos e instrumentos de gestão dos bens socioambientais e não apenas de repressão a determinadas condutas e atividades. (SANTILLI, 2005).

O socioambientalismo é reconhecido como um movimento social e um novo paradigma de desenvolvimento na promoção da sustentabilidade ambiental (de espécies, ecossistemas e processos ecológicos) e da sustentabilidade social (redução da pobreza e das desigualdades sociais e promoção de justiça social e equidade), que valoriza a diversidade cultural e a consolidação do processo democrático no país, com ampla participação social na gestão ambiental (GUIMARÃES, 2001).

De acordo com Santilli (2005, p. 245), o socioambientalismo

sustenta-se no reconhecimento e na valorização da biodiversidade e da sociodiversidade de forma articulada e sistêmica, sob a influência do multiculturalismo, do humanismo e do pluralismo jurídico. A valorização da diversidade cultural e o reconhecimento dos direitos culturais e de direitos territoriais especiais a minorias étnicas (povos indígenas e quilombolas) e a populações tradicionais são a face mais evidente da influência do multiculturalismo e da plurietnicidade sobre os valores preconizados pelo sociambientalismo. (SANTILLI, p. 245, 2005).

Embalado pelo movimento e ideário socioambientalista, o Acre desenvolveu uma experiência continuada de mais de dez anos de gestão pública, municipal e estadual, voltada para a implementação de um modelo de desenvolvimento, baseado na valorização dos recursos florestais e da biodiversidade. O Acre iniciou um processo de consolidação das mudanças para se constituir, de forma permanente, uma referência, para o Brasil, para as demais regiões amazônicas e países vizinhos como o estado brasileiro da florestania. O conceito de florestania

sintetiza o pensamento de melhoria de qualidade de vida e de valorização dos recursos ambientais pelas populações que vivem da floresta (ACRE, 2006).

Benzer Belgeler