• Sonuç bulunamadı

GEREÇ VE YÖNTEM

DOĞUM SONRASI DÖNEM VE YENİDOĞAN ÖZELLİKLERİ

Às vezes a gente tem aquela falsa impressão de que, ah, a EJA é só aquele cara que aprontou e que depois não quis estudar. Têm alunas que a mãe abandonou e deixou [...] ah te vira, tem um irmão de seis anos [...] a guria parou de estudar há três anos para poder trabalhar e sustentar o irmão, então ela não tá na EJA porque é repetente. Ela tá na EJA porque a família não deixou ela estudar. (Pedro)

A concepção que os professores possuem da EJA é um marco importante para pensar as ações pedagógicas que nessa modalidade de ensino se estabelecem. Podemos perceber que na grande maioria os professores foram constituindo uma visão compreensiva daqueles que lá estudam, bem como os propósitos da EJA, embora, por vezes, também generalizem a composição dos alunos e os interesses que estes buscam.

Como aponta o professor Pedro, na fala utilizada na introdução deste capítulo, pode haver uma impressão superficial, de cunho preconceituoso, do estudante da EJA. O mesmo professor ainda acrescenta: “A EJA parece que é uma coisa a parte da escola, e ela é vista também assim pelos colegas da escola, a EJA é um outro mundo [...]”. Esse estudante pode estar nesta modalidade de ensino por circunstâncias diversas, situações e intenções complexas que fazem com que tenham que optar pela EJA. O professor Carlos, demonstrando certa indignação em sua fala, parece não aceitar alguns comportamentos de alunos, comentando que os alunos “são aquilo ali”, não possuem muita aspiração no futuro, relacionando os alunos que são encaminhados para a noite por criarem problemas disciplinares durante o dia, que são alunos distintos daqueles do dia, relacionando os do dia como comportamento normal. Também caracteriza como aqueles que “não

conseguem participar de nada, não conseguem se entrosar, não querem fazer nada [...]”.

Nesse sentido, parece que a EJA é uma outra escola, assumida como local de exclusão. E pode não ser, pode ser um local de acolhimento, como deve ser qualquer local que proponha educação. Dalpiaz (2008) define o espaço da EJA:

Acreditamos ser a EJA um momento pedagógico de representatividade social, situação ímpar de aprendizado pelas inter- -relações heterogêneas que são estabelecidas entre todos seus atuantes, pois possibilita a cada educando um espaço democrático de conhecimento, de auxílio de vivências possíveis nas conturbadas discriminações sociais, objetivando um projeto de sociedade menos desigual.

Entendemos que a diversidade é o lugar comum das práticas educativas em qualquer nível. Nesse sentido, a professora Maria coloca junto com a necessidade de compreensão dessas turmas: “as turmas da EJA não são que nem as turmas seriadas, e isso a gente cansa de falar”.

A construção da seriação no ensino regular, dos modelos de etapas de ensino que atendem a idades específicas, se constituiu como regra. A divisão do homem em compartimentos e o entendimento que isso é a maneira viável é um dos respingos da modernidade na seriação escolar. Define-se a maneira certa de se fazer a escola. Sobre a escola moderna, Dahlke (2000, p. 1-2) diz:

O ensino seriado trouxe consigo a noção de que há sempre uma etapa temporal a ser superada, que se articula com uma concepção de infância igualmente dividida em fases evolutivas. [...] A idade tem sido o principal critério utilizado para esquadrinhar os sujeitos no espaço escolar. Distribui-se os/as alunos/as por idade, instituindo que os/as mais velhos/as devem (ou deveriam) estar nas classes mais adiantadas. Ao categorizar, a idade impõe um determinado comportamento, supõe um conjunto de conhecimentos, um “nível de maturidade”, uma forma de relacionar-se com as pessoas.

A fragmentação da ciência, a fragmentação dos campos de conhecimento, a especialização dos professores e do seu campo de atuação são as influências que foram se constituindo no pensamento moderno; tudo que foge do padrão instituído passa a ser visto com estranheza. Acreditamos que a EJA não reproduza essa influência moderna na educação, tão assumida socialmente, causando, assim, desconforto tanto no olhar dos professores quanto dos alunos.

Romão (2007) destaca a necessidade de ampliar o atendimento às populações ainda marginalizadas da população e qualificar pedagogicamente a educação voltada para os interesses populares, constituindo a “educação popular”. Nesse sentido, o autor também chama a atenção para a importância em se definir, “de uma vez por todas”, o reconhecimento da Educação de Jovens e Adultos

[...] como parte constitutiva do sistema regular de ensino promovido pela educação básica, no sentido da prioridade de que ele deve ser alvo, com todos seus componentes estruturais, por parte das autoridades e da população (ROMÃO, 2007, p. 55).

Ainda segundo o autor, a EJA não pode mais compor a ideia de ensino paralelo ou compensatório ou como forma complementar de ensino, mas ser reconhecida como uma modalidade de ensino que é voltada para um público específico, até mesmo porque dificilmente serão eliminados os problemas gerados socialmente que provocam a impossibilidade de frequentar as escolas desde cedo.

A supervisão pedagógica é integrada no debate pelos professores na discussão sobre a atenção aos alunos. O professor Leonardo comenta que nem toda supervisora possui o entendimento a respeito de uma flexibilidade necessária e, no caso específico da sua escola, o tratamento dado pela supervisora demonstra um certo estresse gerado pela sua atuação já desde o dia, a supervisão já somou na sua jornada de trabalho diurno muitos compromissos que refletem um cansaço ao lidar com as situações que surgem da noite.

É atribuído um outro comportamento à supervisão que já foi professor na EJA, uma compreensão maior pelo fato de já ter sido professor e ter convivido com a realidade dos alunos a partir da experiência. Um caso específico citado é a posição de supervisor enquanto ex-professor da EJA. Segundo a professora Juliane:

Agora a gente tem um professor que era nosso colega, então ele tem uma outra visão, ele tem a visão do professor. Ele trabalhou com a EJA, então ele é muito flexível. Ele era professor e ele assumiu a direção, a supervisão. É uma visão completamente diferente, [...] é outra coisa, é outra coisa.

A apropriação da realidade do aluno é um dos temas recorrentes na fala de Paulo Freire (FREIRE, 1998). Reflexiona que ensinar se constitui na aceitação do novo, do risco, na rejeição das discriminações. Propõe uma prática dialógica em que

o desafio ao educando é um dos aspectos importantes para produzir a compreensão do que é comunicado.