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1.2. John Locke’un Bilgi Anlayışı

1.2.1. Doğuştancılık Eleştirisi

Como vemos na categoria “Conhecimentos dos professores sobre dislexia” (Tabela 2), os professores dizem ter poucos conhecimentos ou conhecimentos “conceituais” sobre dislexia, sabem que é um transtorno da compreensão leitora e da escrita, já leram e ouviram falar sobre, até porque a rede municipal de ensino vem investindo neste trabalho de formação. Eu mesma, desde 2007, venho fazendo um trabalho junto às escolas com alunos disléxicos, realizando reuniões com os professores, com equipe pedagógica, disponibilizando material sobre dislexia, etc. Então, não causa estranheza quando o assunto não lhes é desconhecido, o contrário causaria dor.

Seguindo esta tabela, na categoria “Comportamento Diferenciado”, ratifico a necessidade de construir com os professores um saber mais epistemológico sobre dislexia. Ora, se o professor percebe problemas na aprendizagem, é necessário investigar que problemas são esses, está correto considerar que o aluno disléxico apresenta dificuldades para a aprendizagem, mas a questão é onde se apresenta tais dificuldades, “comportamento diferenciado e jeito de ser e de aprender de maneira diferente” não garantem os sintomas para dislexia, pois, a rigor, todos apresentam tais características.

Atualmente, observa-se um fenômeno de vulgarização do termo dislexia, devido a uma não uniformização nos critérios de abrangência do termo, o que gera uma confusão tanto no meio acadêmico quanto clínico. Em conseqüência, há um reflexo na forma como as informações são veiculadas no meio científico e de comunicação social.

Os elementos colhidos nas demais categorias, ainda na tabela 2, mostram um grupo de professores com conhecimentos específicos sobre o tema, o que corrobora com o que fora afirmado anteriormente a respeito do trabalho que vêm se desenvolvendo na rede.

Contudo, vemos também, através da “Necessidade dos Professores de Informações sobre Adaptação Curricular Individualizada” (Tabela 3), que há o desejo, o pedido, de aprofundar os conhecimentos sobre o tema. Bem, o aluno é disléxico, possui dificuldades na leitura e escrita, mas como se lida com esse aluno no dia-a-dia da sala de aula? Como se avalia esse aluno? Os outros alunos podem saber que ele possui metodologia diferenciada? Parece-me que, na síntese, essas são as grandes questões que os professores se fazem; e onde posso, com os saberes que venho construindo, contribuir com a prática pedagógica do professor e para a aprendizagem do aluno. Até porque de um ano para o outro há certa mudança no quadro de professores, principalmente dos anos finais, então um novo investimento sempre é necessário e bem-vindo.

Para Moojen e França (apud ROTTA et al., 2006, pág.173),

considerando que é no ambiente escolar que as dificuldades aparecem de forma crucial; que as condições intelectuais estão preservadas no disléxico e que não há cura plena para esse transtorno, uma das tarefas mais importantes do psicopedagogo ou do fonoaudiólogo é garantir uma série de adaptações pedagógicas na escola. O disléxico deve progredir na escolaridade, independentemente de suas dificuldades na leitura e escrita. Deve estar muito claro que o problema não é devido à falta de motivação ou à preguiça.”

Posso estar lidando com a falta/ausência desse conhecimento específico pelo professor, o que a priori, ele não tem como se apropriar de todos os transtornos de aprendizagem. O importante é que se aproprie de como o aluno aprende quando apresenta algum transtorno. Esta é a grande questão a se saber: “como o aluno aprende, apesar de?”. Pelo trabalho que venho propondo, vejo que há disposição. O pecado não é “o não saber”, mas negar-se ao aprender; pelas respostas, não foi a impressão.

Delors (2006, p. 157) apresenta com propriedade que:

A forte relação estabelecida entre professor e aluno constitui o cerne do processo pedagógico. O saber pode evidentemente constituir-se de diversas maneiras [...] Mas para quase todos os alunos, em especial para os que não dominam ainda os processos de reflexão e de aprendizagem, o professor continua indispensável. (pág.156).

[...] O trabalho do professor não consiste simplesmente em transmitir informações ou conhecimentos, mas em apresentá-los sob forma de problemas a resolver, situando-os num contexto e colocando-os em perspectiva de modo que o aluno possa estabelecer a ligação entre a sua solução e outras interrogações mais abrangentes. A relação pedagógica visa o pleno desenvolvimento da personalidade do aluno no respeito pela sua autonomia e, deste ponto de vista, a autoridade de que os professores estão revestidos tem sempre um caráter paradoxal, uma vez que não se baseia numa afirmação de poder mas no livre reconhecimento da legitimidade do saber.

Quando um professor diz que “seria importante recebermos informações sobre métodos avaliativos para os diferentes tipos de dislexia”, ou diz “sim, pois sempre é importante ter conhecimentos mais profundos”, ele está falando do processo de avaliação do aluno, como ele fará a avaliação de seu aluno que lê, mas possui dificuldades na compreensão? Escreve, mas comete muitas alterações na escrita? Quando ele fala em ter conhecimentos mais aprofundados, está mostrando que deseja sair da superficialidade.

Marchesi (2008, p. 139) escreve bonita e sabiamente:

O sentido da justiça dos professores se reflete de forma nítida na avaliação dos alunos. Ao avaliar, como ao ensinar (grifo meu), manifestamos não só os objetivos que atribuímos à educação, mas também nosso modo de ser. A avaliação dos outros nos permite conhecer como reagimos com aqueles que dependem de nós e, portanto, quem somos. Nosso comportamento no processo de avaliação dos alunos é um bom teste para uma auto-avaliação.

Considerando os saberes e necessidades apresentadas pelos professores o trabalho segue apresentando uma proposta de ACI para a escola, sugere aos pais como lidar com o filho disléxico e aponta alguns compromissos da sociedade em relação a pessoa disléxica.