2. LİTERATÜR ÖZETİ
2.3 Doğal Boyalarla İlgili Önceki Çalışmalar
Média mais baixa do Grupo B Instituição: D
Entrevistado: O.C. (professora responsável pela sala de leitura Ciclo I e II) Data: 12/05/2010
OBSERVAÇÃO
Existência: O espaço de leitura é o próprio espaço da biblioteca. O professor tem a função de cuidar do acervo, empréstimo de livros e planejamento de aulas.
Especificidade: O espaço é utilizado muitas vezes como extensão da sala de aula.
Localização: Está localizado no andar superior do edifício, próximo as salas de aula e de informática. A janela é vazada, passando todo o som da quadra e o vento e chuva, deixando a sala muito fria.
Acessibilidade: Uso restrito dos alunos. Empréstimos de livros não podem ser feitos para a comunidade, porém alunos levam livros para ler para seus pais.
Disposição e configuração interna dos objetos: Mobiliário novo, adequado ao público, ainda com poucos recursos.
Tecnologia: Não possui computador, nem televisão.
COMENTÁRIOS
Ao entrar na escola pude observar duas mães discutindo na secretaria da escola que ainda não receberam o leite.
SOBRE A ESCOLA
A escola localiza-se há aproximadamente 30km de distância da PUCSP sendo necessário acesso pela Rodovia Castello Branco com dois pedágios e seguir em estrada de terra batida. Localiza-se dentro de uma comunidade pobre. Para
chegar a escola é necessário percorrer uma estrada de terra com muitos desníveis, lixo e entulhos jogados. A escola destoa no centário pelo seu porte e estrutura física. Ela é nova na comunidade, está em funcionamento há 2 anos, mas ainda não foi inaugurada. Anteriormente localizava-se nas redondezas, mas era de lata. A sala de leitura está em funcionamento há 7 meses.
ENTREVISTA
A gente é novo aqui, tem dois anos que a gente veio pra cá porque antes a gente ficava lá embaixo numa escola de lata. Era uma escola pequena aí quando a gente veio pra cá ai sim constituiu a sala de leitura e de informática porque antes eles tinham esses armários dentro das salas, mas eram trancados. Quando precisava o professor pegava conforme sentia necessidade porque a nossa escola era muito pequena, entende? Antes a sala de leitura era uma “sala de bate-papo”. Agora é junto a biblioteca que cada turma vem um uma vez por semana durante 45 minutos, eles tem 45 minutos pra ficar aqui.
Eu sou nova aqui, né? No ano passado que eu me candidatei, ai teve todo processo e depois veio a minha convocação. Vim pra cá como professora de 2ª série quando ainda era lá embaixo porque sou professora de Fund I e em outubro me nomearam. Sou formada em pedagogia com especialização em biblioteconomia. Já trabalhei em bibliotecas universitárias, mas aqui é diferente, eu faço a parte técnica e dou aula. Tem muito trabalho.
Eu tenho trabalhado os gêneros da leitura. Eu tô fazendo uma pesquisa, usar dicionário, eles tem muita dificuldade com vocabulário. Estou batendo bem na tecla do gênero literário porque eles têm muita dificuldade. Então agora estamos trabalhando como trabalhar com quadrinho.
Então eu fiz com eles a definição do que é ficção científica. Ai eu pergunto quais filmes ou livros que eles conhecem a partir da definição, né? Ai eles entenderam o que é ficção: o que não é real, é imaginário. Eles participam, algumas mais e algumas sala menos, mas no geral eles participam bem. Cada sala de 45 minutos aqui. Como na 5ª a professora tá lendo algumas lendas: ela leu Ali Baba, O pequeno polegar, ela leu alguns fragmentos e ai ela deu partes dessas obras, ai ela falou “Você pode dar algum deles integral”. Então eu to começando a ler com eles,
ai eu leio pra eles o que eu to procurando, por exemplo, ou O Gato de Botas, história do Aladim, ou Ali Baba e os 40 ladrões, entendeu? Ai eu vou pegar e ler pra eles. Eu que escolho o que eu trabalho, eu faço o plano. Elas trabalham na sala e complementam aqui. Não é isolado. Eles trabalham na sala alguns pontos, tem alguns pontos aqui e outros não.
Eu tenho um caderno de cada sala, por exemplo, a 5ª A: eu pego o caderno da 5ª A e lá eu tenho o nome de todos os alunos, e de cada aluno tem lá, ai tem o A., eu sei quantos livros ele pegou, quando pegou, se devolveu. Como o acervo é pequeno... A K., eu ponho só o título do livro, porque não dá tempo, 45 minutos é muito pouco. Ponho o título do livro e a data, ai eu ponho se ele devolveu ou não, ele leva outro só quando devolver, ai eu tenho um controlezinho. Se ele me devolveu eu ponho ok, se ele não devolveu eu coloco, por exemplo, “não devolveu”. O tempo que ficam com o livro é de 1 semana, mas se ele não devolve o que ele pegou ele não pega outro não. Eu to num acerco de 6 800 livros, mas não tenho vídeos.
Um homem entra na sala e pergunta para a professora sobre um aluno que estava na sala. Eu conversei com a F. (coordenadora) e a gente vai fazer um trabalhinho com ele. Volta a falar com a entrevistadora. É que ele é muito indisciplinado, na nossa hora de formação a gente tava conversando e tá tentando achar caminhos para tentar ajudá-lo. Ele é muito indisciplinado, porque ele é devagar, não sabe ler e ele foi pra 5ª série. Então ele tá na fase de adaptação. A gente tá fazendo um trabalho paralelo. Então chamamos ele pra ser aluno monitor, né? Da SL pra ele me ajudar aqui, ai eu leio pra ele. Ele estuda nesse horário e os professores mandam a atividade e ele faz aqui, porque ele dá muito problema de indisciplina. Ai a gente tem que buscar, né?(Pausa) Soluções.
Por essa escola ser nova a gente ainda sente falta de muita coisa, por exemplo, a limpeza ainda tá um pouco precária por conta que o diretor tem problema com a empresa terceirizada. E tem na estrutura conta que teria um x de funcionários e como nossa escola lá embaixo era pequena quando subiu teve o mesmo x de funcionários, por exemplo, só tinha 8 salas, só que aqui eu tenho 16 salas. Então quer dizer... não tem condições, então ele está mandando fichas, pedindo ai está ainda está nesse entrave particular... ainda estão instalando a internet porque ainda não conseguiu terminar tem fiação, ainda vão instalar televisão. Por conta das
coisas isso não tem ainda. Eu trabalho tanto com o Fund I e com o Fund II (Ensino Fundamental I e II) e aqui é muito gelado, então montei um cantinho da leitura e do fantoche que me mandaram esse palquinho do teatro de fantoche, ai eu tinha alguns e eu pedi doações de tapetes e almofadas, ai nós fizemos campanha e tal ai é onde quando vou fazer uma leitura mais, por exemplo, com essa 5ª série que eu vou fazer uma leitura, ai eu abro os tapetes ai eles sentam pra mim fazer a leitura, pra fazer um ambiente mais agradável, mais acolhedor.
Eu já pedi pro diretor um microfone porque a acústica dessa sala é muito ruim, tanto o barulho, do lado é a quadro, tem muito barulho e eu não tenho condições de fazer uma leitura. O microfone também é uma coisa que chama mais atenção, porque a concentração aqui é a que mais pega.
O que eu pretendo com um trabalho é incentivar a leitura, prazer em ler. Porque eles acham que tem que fazer resumo. Tem muito alunos com dificuldade, sem interesse. Eu pretendo que eles peguem gosto pela leitura, sintam prazer em ler, porque eles acham que tem que fazer leitura, esse conceito tem que mudar. É um trabalho de formiguinha.
A gente tem várias salas que alunos que tão vindo procurar conforme a gente tá trabalhando e descobriram o gênero crônica. Os alunos, você já nota uma postura deles, do empréstimo, eles tão vindo, tão procurando na prateleira. Outro dia uma aluninha da 7ª falou: “Pro, não arruma o livros daquela prateleira porque eu escondi um que eu só estou terminando de ler esse daqui pra pegar ele”. Então quer dizer, eles aos poucos estão se interessando pela leitura.
A gente não foi lá muito bom, mas a maioria tem uma compreensão da leitura. O Saresp é uma prova...(longa pausa)...uma prova de unificação da rede e não é assim que funciona a educação. A nossa escola cresceu... muito. A gente aqui é que sabe porque em comparação com o Saresp tá lá em baixo. Tudo bem, é um fato. Só que o nosso trabalho aqui, nós, cada região, cada escola é diferente, tem uma necessidade, tem uma clientela. Eu não posso comparar a minha clientela de baixa pra paupérrima, porque eu tenho aluno que vem de chinelo com esse frio, porque não tem mesmo, porque a casa deles é um barraco. Como eu vou comparar o meu aluninho com o aluninho do Alto da Lapa, Alto da Freguesia? Não tem como! Então o Saresp vem pra unificar, então aqueles resultados, na nossa visão não tem. Agora
aqui no nosso trabalho no nosso dia a dia vimos muito avanço, porque são alunos que não tem perspectiva de nada. Quando comecei aqui, era uma sala de bate papo e agora não. Eles vêm, tenho horário de pesquisa pra eles virem buscar livros, tanto que meus empréstimos estão cheios tanto de Fund I e Fund II. Eles vem fora do horário e falam “Ai pro, minha mãe gostou do livro que eu li pra ela”. A gente não faz empréstimo para a comunidade, mas ela vem, pega e empresta o livro pra mãe ler. Eu tenho livros que tá com o tio, com o irmão, então eles se responsabilizam e ai o livro viaja.
Não fazemos trabalho pra prepara ele pra por xizinho pra ir bem. O grupo decidiu que não ia fazer isso, entende? Nós trabalhamos conforme o rendimento do nosso aluno. Vai devagar, mas a gente tá vendo algum resultado. Tanto que meu diretor foi chamado na diretoria, mas ele sabe do nosso trabalho, como recebemos essas crianças.
Os nossos alunos eles ainda sentam, querem aprender, querem ouvir, porque tem escola que você não consegue dar aula. Tudo bem que tem aqueles alunos pontuais, mas temos um alto índice de inclusão e sem laudo porque pra coordenadoria só é inclusão aquele que tem laudo.
A clientela tem dificuldade de aprendizagem, interesse, não tem perspectiva de vida, infelizmente, o tráfico domina... infelizmente ainda é difícil.
Os pais querem eles aprendendo. Apesar de não conseguirem dominar a leitura e escrita, mas a maioria acha que aqui ele tá seguro, aqui ele come, ele se alimenta, então a escola é um porto seguro pra mãe que vai trabalhar e sabe que ele tá aqui dentro.
Já teve pessoas do tráfico querendo entrar, e tem o assistente da diretoria e não deixa entrar segurou a barra mais pesada. A gente era uma escola de lata. Agora tem duas, a de lá é diferente, é daqui do entorno, mas como as nossas crianças vieram de lá, que já tinha um regime, que tem que obedecer, aqui em cima teve uns tremendos, mas ainda consegue segurar, dar aula.
No começo do ano tem planejamento e eu sento com as professoras de Português de 5ª a 7ª série, vejo o que tem no programa e vejo o que posso trabalhar no paralelo.
As professoras quiseram fazer uma cestinha com alguns poemas para o dia das mães, então eu separei uns poemas pra elas. As outras quiseram cartazes pra gente expor lá fora pras mães. Eles elaboram na sala de aula e terminam aqui. Não é toda semana que consigo fazer uma leitura. Continuo alguma coisa que ela começou lá. Essa semana li muito poema, classificamos. Alguns eu coloco nesse papel cartão. O foco da sala de leitura é só ler, mas o que acontece é que na nossa clientela, não da só pra eu ficar na leitura, tem que ir diversificando. Priorizo as 1ª 2ª séries com a leitura, 3ª e 4ª seleciono livro, faço uma leitura rápida e faço empréstimo, porque demora, tenho que anotar o nome deles.