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DKAB DERS PLANLARI

7-A sınıfından Aleyna Sızlı: “ÇGG kendimi keşfetmeme yarıyor.”

DKAB DERS PLANLARI

Analisaremos aqui o processo de trabalho no canteiro de obras da construção da Usina Hidrelétrica de Ilha Solteira, baseando-nos na documentação sobre sua programação e práticas de trabalho nele adotadas87.

Apoiaremos a pesquisa em Relatórios de Obras, Planejamento Executivo da Obra, Normas Técnicas, fotografias e entrevistas, todos esses documentos produzidos pelas empresas envolvidas, buscando reconhecer nessa análise a forma de organização do trabalho no canteiro, examinando o processo de trabalho nos seus vários sítios de obras.

Examinaremos, primeiramente, aquilo que é comum à característica do produto-mercadoria da construção civil e como se apresentou em Ilha Solteira, para, posteriormente, analisarmos esse aspecto segundo suas especificidades e o que estaria em causa nessa obra.

87 Uma versão preliminar de uma parte deste capítulo foi apresentada inicialmente do

Seminário Arquitetura e Documentação, realizado em Belo (orizonte, . Posteriormente, uma segunda versão, que contou em enorme medida com as contribuições deste seminário, foi desenvolvida para a apresentação no )nternational

Figura 2.1 — Lê-se na legenda Vista parcial do canteiro, um verdadeiro complexo industrial instalado para atender as extraordinárias produções exigidas pela hidrelétrica )NSTITUTO

DE ENGENHARIA, 1973: 103).

A empreiteira Camargo Corrêa, responsável pela construção da Usina (idrelétrica de )lha Solteira, em seu parecer técnico oficial no Relatório do Planejamento Executivo da construção assim justifica a necessidade de um acampamento para abrigar os trabalhadores durante a obra:

[...] o volume de trabalho previsto para as obras de concreto, obriga a concentração humana de grande vulto, que exige a instalação de serviços técnico-administrativos adequados (CAMARGO CORRÊA, 1967: III-8/1). A concentração de trabalhadores previstos seria de 15.497 empregados na fase de maior demanda de trabalho na obra. Porém, de uma maneira contraditória, seria possível afirmar que a obra de Ilha Solteira era apresentada como um "verdadeiro complexo industrial" no canteiro (INSTITUTO DE ENGENHARIA, 1973: 103), como se observa na Figura 2.1 de publicidade sobre a Grande Obra de Ilha Solteira em revista do Instituto de Engenharia.

Há que se pensar que um verdadeiro complexo industrial implicaria um enxugamento do corpo de trabalhadores na construção. E, ainda, que

pudesse sinalizar uma experiência de superação das contradições da situação de atraso do setor da construção civil (em relação ao desenvolvimento industrial da economia como um todo)88. As pesquisas sobre o desenvolvimento da construção civil, ao considerar o caráter de atraso do setor, referem-se sobretudo à forma dominante de trabalho manufatureiro no processo de produção e aos obstáculos produtivos da construção civil para o seu desenvolvimento em moderna indústria. Dentre esses obstáculos, os pesquisadores procuram ressaltar as características do produto-mercadoria da construção.

Uma dessas características seria a heterogeneidade dos seus produtos, que se observa nos subsetores da construção civil: Obras Públicas como hidrelétricas, saneamento, transportes, e edificações residenciais e não residenciais, materiais de construção derivados de diversas indústrias, como siderúrgicas, olarias, pedreiras etc.

Oseki (1982: 115) destaca essa heterogeneidade como resposta a uma demanda também muito variada, tanto pública como privada, compreendendo tipos de serviços diversos (obras novas, de manutenção, de estrutura, de revestimentos etc.) e diferentes níveis de tecnologia. Coriat (1983: 4) ainda assinala a particularidade dos produtos da construção requererem, antecipadamente, um suporte fundiário que, obviamente, também varia a cada novo produto, conforme sua localização, tipo de solo, legislação de zoneamento etc.

88 Tal como é considerado por um conjunto de pesquisadores do assunto: COR)AT, ;

ASC(ER, s,d; VARGAS, ; FERRO, ; G)TA(Y, PERE)RA, ; OSEK), ; SOUZA, ; dentre outros. Vale assinalar aqui que quando se trata dos pesquisadores no Brasil das décadas de / a investigação sobre o "atraso" na construção civil com um trabalho manufatureiro, pré-taylorista, pré-capitalista etc. considerava a interpretação do papel dialético que estruturas econômicas tidas como "atrasadas" arcaicas, informais, pré-capitalistas etc. assumiam em relação às estruturas "modernas" e dinâmicas para a acumulação da economia em países de periferia, que era o caso do Brasil. Seria, portanto, nesse sentido que a questão do "atraso" da construção civil manifestava grande importância entre esses pesquisadores. Muitos deles passaram a pesquisar os entraves à industrialização produtiva e à racionalização do trabalho no setor como representação dos

É praticamente consenso entre os autores que a condição da "variabilidade" acabaria por marcar a forma de produção da construção civil. A cada obra variam os usos, os fatores geográficos e técnicos de cada produto, portanto varia também o seu projeto, bem como a quantidade e qualidade do corpo de trabalhadores demandados, conforme o tipo de serviço a ser executado.

Logo, a "variabilidade" implicaria uma dimensão produtiva da construção civil completamente distinta do padrão de produção fordista. Primeiro, pelo fato das atividades na obra se desenvolverem de maneira sucessiva (cada etapa da obra pressupõe uma etapa anterior acabada), diferentemente da simultaneidade que é própria da produção fabril. De tal sorte que cada etapa - assim como toda a obra - pressupõe um processo produtivo finito, seja pela conclusão das etapas ou pela finalização da obra, opondo-se, portanto, à repetitividade que é uma condição da produção industrial. Além disso, tem-se a característica da construção ser uma mercadoria imóvel de tipo singular (SOUZA, 1986: 116), com série de consequências à necessidade de valorização fundiária. O aspecto fundamental dessa mercadoria imóvel seria o caráter itinerante do seu processo de produção: a singularidade e imobilidade do produto da construção impõem que o processo de trabalho circule, e não o seu produto, como ocorreria no processo fabril (KÜNDING apud CORIAT, 1983: 3).

De modo geral, as pesquisas assinalavam que as especificidades da produção da construção implicariam a impossibilidade ou, ao menos, na dificuldade da regularidade, padronização e industrialização do processo produtivo em canteiro de obras.

O problema da racionalização do trabalho no canteiro, tal como o problema de padronização e, portanto, da pré-fabricação, implicaria, por causas diversas, dificuldade de industrialização geral do setor. Como assinala Coriat a respeito da heterogeneidade dos produtos da construção

requerer um projeto específico, que implica a organização da produção de uma maneira diversa da indústria fordista, pois ele demonstra que isso

[...] se não proíbe, pelo menos torna altamente improvável o estabelecimento de séries estáveis de postos de trabalhos repetitivos, reutilizáveis posteriormente, em todas as situações impostas à fabricação (CORIAT, 1983: 2).

A dificuldade de regularidade do trabalho e de repetitividade das tarefas, para Vargas (1983: 202), derivaria, em grande medida, do fato de a produção se desenvolver em etapas sucessivas, com processo produtivo finito e itinerante, o que provocaria, portanto, uma mobilidade operária diferente da que ocorre no processo fabril:

[...] as equipes de trabalho vão sendo montadas no transcorrer da execução do edifício e, quando é encerrada determinada fase, os trabalhadores são demitidos ou, em alguns casos, transferidos para outra obra (1983: 202).

Uma das conseqüências seria que os níveis de rotatividade de mão de obra na indústria da construção atingiriam um dos mais altos índices dentre os setores econômicos.

Assim, as particularidades da construção resultariam no problema da racionalização do trabalho no canteiro, da industrialização e modernização do setor da construção civil. E, ainda, para autores como Ferro (2006), isso representava as contradições de realização do projeto da arquitetura moderna, que se fundamentava na perspectiva de industrialização da construção.

Essa questão justificava a pesquisa de uma série de autores (VARGAS 1983; SOUZA 1986; OSEKI 1982; CORIAT 1983) que buscavam uma reflexão sobre as possibilidades utópicas de superação do atraso e da precariedade do trabalho na construção civil; e pesquisavam as estratégias de estabilização da mão de obra adotada pelas empresas de construção, que recorriam a expedientes distintos dos modelos de racionalização da produção fordista/ taylorista.

[...] a restrição da variabilidade exigiu que fossem também procuradas vias não clássicas [não tayloristas/fordistas]: a polivalência, o trabalho em equipe, a introdução de diversas técnicas ditas de 'blocos de tempo'... sendo que estas formas de busca por economias de controle e de tempo tiveram para o setor um papel importante na maioria dos casos (CORIAT, 1983: 11).

Coriat reconhece que a racionalização do trabalho no canteiro tende a certas formas flexíveis de organização (a polivalência, os grupos autônomos etc.) e, por isso, tais métodos pareceriam estar muito ligados a particularidades do setor, bem como permitiriam introduzir questões metodológicas de alcance mais amplo, relativas ao próprio conceito de racionalização (1983: 7).

Essa hipótese de Coriat provoca uma reflexão sobre os métodos próprios de racionalização do trabalho na forma canteiro de produção e suas formas de produtividade. Uma vez que não parece ser suficiente o argumento de que o caráter de variabilidade da construção civil tenha obstaculizado os ganhos desse setor, especialmente se tomarmos para a análise a produção de uma Grande Obra do subsetor moderno da construção civil.

Considerando a própria escala do empreendimento, se, por um lado, apresentava um grau de industrialização maior do que a construção civil tradicional, por outro, é possível também observar a presença de um trabalho manufatureiro e variável, expressando-se numa população de trabalhadores em quantidade ainda maior. Assim, no caso da Grande Obra de Ilha Solteira há um processo de produção que parece combinar e acomodar diferentes estágios da divisão do trabalho (a manufatura tradicional da construção civil, o trabalho invariável e industrial, a automação) numa mesma unidade produtiva. Interessa ver, nas práticas de trabalho adotadas, como suas formas de racionalização da produção se desenvolveriam por técnicas, mecanismos, discursos e mediações para a organização do trabalho na Grande Obra do setor.

Acreditamos que as Grandes Obras possuem aspectos específicos que permitem observar contradições presentes no processo de modernização

da construção civil, além de nos ajudarem a refletir sobre os fundamentos da forma urbana proposta para a habitação do trabalhador em Ilha Solteira.

Figura 2.2 - Projeto Executivo - Planta da UHE Ilha Solteira, onde aparece a planta esquemática da cidade-acampamento, à direita, ligada ao canteiro de obras (CESP, 1965-67: prancha).

A partir de uma série documental de projetos, mapas, fotografias e relatórios de obra, é possível avaliar os procedimentos de trabalho em cada atividade e na organização geral do canteiro.

Veja-se, na Figura 2.4, a localização dos vários sítios da obra: Abastecimento de Matérias-Primas , Fabricação do Concreto , Fabricação de Peças e Componentes e Concretagem in loco da estrutura da usina.

Cada sítio desenvolveria uma série de atividades destinadas à produção de elementos que, ao fim da cadeia produtiva, seriam destinados ao sítio da Concretagem in loco, no próprio local da construção do corpo da estrutura da usina hidrelétrica sobre o rio.

As vias que se notam na planta seriam alguns dos meios de articulação das várias atividades do canteiro. Mas a documentação menciona que outros meios também estariam a elas integrados, funcionando como um "sistema de fluxo mecânico" (CAMARGO CORRÊA, 1967: III-2).

Vejamos a esse respeito, analisando cada sítio e as suas integrações através do sistema de fluxos na linha de produção neste canteiro, a partir das informações da documentação e em relação à interpretação de Souza89 (1986). A autora adotou distinções entre os diversos tipos de trabalho que são combinadas num canteiro de Grande Obra como de Usina Hidrelétrica, qualificando-os como trabalho variável (de tipo artesanal), invariável (repetitivo, serial) e automação.

89 Souza analisou a estrutura do canteiro da Usina (idrelétrica de Tucuruí, adotada

a partir de pela mesma empreiteira, a Camargo Corrêa, e que se pode considerar como um canteiro que teria se desenvolvido com base na experiência da empresa na Usina (idrelétrica de )lha Solteira, e por isso, apresentam um organização do trabalho muito semelhante.

Benzer Belgeler