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3. Netleştirme (Açıklama): Öğretmen bu aşamada konuyu öğrencilere tanıtır ve öğrenciler deneyimleriyle konu ile ilgili kullandıkları kelimeleri rafine ederler

1.9. Dinamik Geometri Yazılımı (DGY)

A falta de bons mestres régios foi suprida pelas famílias que recorriam aos mes- tres particulares, como sucedera, como vimos, no período da reforma de 1759. Vão nes- se sentido os testemunhos dos comissários dos Estudos, que dão conta do exercício par- ticular, ora como alternativa ao ensino régio, ora como a única solução em localidades onde as aulas régias não chegaram. No geral, reconhece-se-lhes competência e mérito.

A 17 de Novembro de 1829, o comissário dos Estudos, José Eduardo César, descrevia desta forma o estado do ensino elementar na cidade de Faro:

[…] nesta Cidade, que é em extremo populosa, de sorte que à única que agora há, con- correm tantos que não cabem na aula, como tive ocasião de presenciar, pois a casa não é pequena e diz-me o professor que se tivesse aceitado todos que lhe têm falado, seria o tresdobro, mas que lhe era isso impossível; têm suprido esta falta mais três Mestres particulares, onde concorria muitos, porém como ensinavam sem licença, o Provedor das Comarcas os tinha mandado suspender […]. Há um outro que já teve licença por três anos de V. Majestade, mas está há muito finda, goza de bom crédito, a este permiti o continuar no ensino público até ao próximo Natal […]146.

Pouco tempo depois, José Eduardo César referia-se nos seguintes termos ao mestre particular existente na cidade:

Em Faro, sigo ainda o parecer de serem necessárias as duas que havia e por is- so vão inclusas nas dezoito; agora mesmo que há uma particular aprovada por V. Majestade e com um excelente Mestre, assim fossem todos os Régios, vejo eu a fal- ta que há de quem ensine.147

Entre as instituições alternativas que promoveram a alfabetização, deve ponde- rar-se o papel que o exército desempenhou ao instituir aulas de primeiras letras. Por

146 ALGARVE. Comissário dos Estudos José Eduardo César – [Ofício] 17 de Novembro de 1829, Faro

[a] Junta da Directoria-Geral dos Estudos. [Ms.]. 1829. Acessível em ANTT, Ministério do Reino, mç. 4346.

147 ALGARVE. Comissário dos Estudos José Eduardo César – [Ofício] 16 de Abril de 1830, Faro [a]

Junta da Directoria-Geral dos Estudos. [Ms.]. 1830. Acessível em ANTT, Ministério do Reino, mç. 4346.

52 portaria de 10 de Outubro de 1815, foram estabelecidas em todos os regimentos das Forças Armadas portuguesas (Infantaria, Caçadores, Artilharia, Cavalaria e Guarda Real

de Polícia) aulas de Ler, escrever e contar, que funcionaram entre 1817 e 1823148

. Com o objectivo de providenciar uma formação básica aos soldados, as aulas fo- ram abertas à sociedade civil, podendo frequentá-las os militares, os seus filhos e as crianças das localidades onde estavam aquartelados os regimentos. Para além do impac- to social, este modelo pedagógico teve repercussões na formação de professores, esti- mulada pela criação da pioneira Escola Geral, em Belém (1816), assim como na uni- formização e supervisão do ensino.

No Algarve, as aulas distribuíram-se pelos três regimentos existentes, isto é, Fa- ro (Artilharia), Lagos (Infantaria) e Tavira (Infantaria), como se sintetiza no Quadro II.14 Escolas regimentais de primeiras letras no Algarve e respectivos mestres.

As aulas iniciaram-se ao longo do ano de 1817, com grupos a rondar as três de- zenas de alunos. Tavira foi a primeira a entrar em funcionamento, em Março, com 32

alunos149

; Lagos secundou-a em Agosto, com 37 discípulos150

; e Faro, que teve em Ja-

neiro sala atribuída para o efeito151

, apenas iniciou as actividades lectivas em Outubro

de 1817152

, com 22 alunos.

Com dados estatísticos regulares a partir de Novembro de 1817, é possível acompanhar o funcionamento das escolas até 31 de Janeiro de 1822, data limite das fon- tes localizadas, comprovando-se o benefício à população civil [cf. Quadro II.15 Fre- quência média das aulas regimentais no Algarve: militares e civis (Nov./1817- Jan./1822)].

Salienta-se a adesão do número de civis, claramente maioritário, como se depre- ende do total médio entre a coluna do número de civis e a do número de civis filhos de

148 Estas aulas não devem confundir-se com as Aulas de Matemática, criadas nos regimentos de artilharia

pelo Conde Shaumbourg-Lippe, em 1763. A estas dedicamos o capítulo III.3.

149 MELLO, João Chrysostomo – Número de alunos das escolas militares Março e Abril de 1817 pelo

Director. [Ms.]. 1817. Acessível em AHM, PT/AHM/DIV/3/05/05/27/18.

150 Mapa demonstrativo do credito das Escolas Particulares do Exército, pela afluência d’Alunos Paisa-

nos des do 1.º Agosto de 1817, até 31 d’Agosto de 1818. [Ms.]. 1818. Acessível em AHM, PT/AHM/DIV/3/05/05/27/20.

151 FRAGOSO, Caetano Ignacio – Entrega de sala para estabelecimento duma aula de primeiras letras

do Regimento de artilharia n.º 2 no edifício denominado Hospital Velho. [Ms.]. 31.1.1817. Acessível em AHM, PT/AHM/DIV/3/05/05/05/27/17.

152 Mapa demonstrativo do credito das Escolas Particulares do Exército, pela afluência d’Alunos Paisa-

nos des do 1.º Agosto de 1817, até 31 d’Agosto de 1818. [Ms.]. 1818. Acessível em AHM, PT/AHM/DIV/3/05/05/27/20, quadro III.

53 paisanos, assumindo-se enquanto alternativa credível perante a oferta e a insuficiência

literária das escolas régias153

. As idades dos estudantes civis situavam-se entre 5 e os 15

anos e as dos alunos militares a partir dos 17 anos de idade154

. Como podemos observar no Gráfico II.1 Evolução das escolas militares a nível nacional, em n.os absolutos (Nov./1817 a Jan./1822), a tendência algarvia seguiu a evolução das escolas a nível na- cional.

As razões para o progressivo decréscimo da frequência dos militares prendem-se com o cumprimento do próprio serviço militar e às mudanças de quartel. No caso do Algarve, verificou-se a mesma tendência de redução da frequência militar. A partir de 1820, no regimento de Infantaria de Lagos, nenhum militar frequentou a aula. Ainda assim, cresceu o número total de estudantes deste regimento e do de Faro. A aula do regimento de Tavira chegou a ser frequentada por quase uma centena de alunos, tendo atingido o número de 98 alunos, em Julho de 1818. Nos últimos três anos documenta- dos, a aula do regimento de artilharia, em Faro, acompanhou esta tendência, como pode comprovar-se pelo Gráfico II.2 Número total de alunos das escolas militares do Algar- ve, chegando a ser a mais frequentada a nível nacional.

Através dos Gráfico II.3 Média da frequência às aulas da Arma de Infantaria, onde se inclui Lagos e Tavira e Gráfico II.4 Média de frequência às aulas da Arma de Artilharia, onde se inclui a de Faro, é possível observar as médias de frequências à es- cala nacional, permitindo contextualizar adequadamente a actividade registada no Al- garve. A cobertura das aulas foi abrangente do ponto de vista geográfico, verificando-se que apenas os distritos de Coimbra, Leiria e Beja não estiveram envolvidos. Os restan- tes apresentaram uma média de três escolas regimentais de primeiras letras por distrito.

As matérias ministradas nas aula de Ler, escrever e contar do Exército foram de- finidas com rigor. Aos professores exigia-se que soubessem ler letra impressa e manus- crita, soubessem escrever letra bastarda, bastardinha e cursiva, e soubessem fazer as

153 José Silvestre Ribeiro, que foi aluno civil de uma escola regimental, testemunhou o facto de alguns

alunos abandonarem a escola régia para frequentar a militar: «Quando, na cidade de Castelo Branco, se abriu a escola regimental de cavalaria n.º 11, em virtude da providência governativa que registámos, al- guns dos filhos dos paisanos passaram imediatamente da aula régia civil para a militar, como felizmente era permitido. Desse número foi o que ora traça estas linhas; e com toda a razão se efectuou essa passa- gem.» In RIBEIRO, José Silvestre – Historia dos estabelecimentos scientificos litterarios e artisticos de Portugal nos successivos reinados da monarchia. Lisboa: Typographia da Academia Real das Sciencias, 1873, p. 225-226. T. III.

54 quatro operações aritméticas, em números inteiros e quebrados, devendo demonstrar boa conduta cívica e moral (Cf. Portugal…, portaria de 10 de Outubro de 1815).

Estas competências eram transmitidas aos alunos em seis classes de leitura: alfa- beto, silabário, vocabulário, frases e períodos, etimologia e sintaxe, ortografia e pontua- ção; em três classes de escrita: classe de escrita em areia, em pedra e em papel; e, por fim, em cinco classes de aritmética: princípios gerais, composição e decomposição de números inteiros, composição e decomposição de números quebrados, composição e decomposição de números complexos, razões, proporções e regra de três.

Ao nível dos recursos de ensino, as classes de leitura seguiam o Novo Método de Ensinar, e aprender a Pronunciação e Leitura da Língua Portuguesa e o Epítome da Gramática Portuguesa (Portugal, instruções de 29 de Outubro de 1816), que serviam a formação dos mestres na Escola Geral. Na escrita, foi adoptada a Nova Arte de Ensinar e Aprender a Escrever. O método de ensino praticado foi o método Lencaster, conheci- do como o «método de ensino mútuo», adoptado oficialmente pelo ensino público, em

1836155

.

Ainda que se verifique um número elevado de alunos a frequentar de forma assí- dua as aulas militares (v. Quadro II.16 Distribuição numérica de alunos por matérias nas escolas regimentais (1817-1822), o resultado efectivo no que diz respeito à certifi- cação escolar foi semelhante ao verificado nas escolas régias. Na generalidade, não é manifesto que os alunos tenham obtido o grau escolar, mas sim que adquiriram uma aprendizagem mínima da leitura, da escrita e aritmética, o que poderá justificar a inexis- tência de alunos nas classes de Gramática e Ortografia no regimento de Lagos, assim como a raridade de alunos na classe de ortografia no regimento de Faro. O desinvesti- mento nas competências matemáticas é também evidente, não indo além do ensinamen- to dos princípios gerais e composição e decomposição de números inteiros. Apenas no Regimento de Artilharia se assistiu à passagem de alguns estudantes para os níveis se- guintes (composição e decomposição de números quebrados, composição e decomposi- ção de números complexos, razões, proporções e regra de três). Na escrita, a tendência é diferente. No ano de 1820, os regimentos de Lagos e de Faro foram distinguidos com a

55 atribuição da 2.ª Ordem de Merecimento, pelo progresso obtido nesta competência esco- lar156

.

Apesar da curta duração da iniciativa, que certamente pesou no facto de os alu- nos não terem tido acesso a todas as classes disciplinares previstas, este modelo foi pre- cursor e o seu contributo para a alfabetização nacional assinalável. Note-se o facto de ter sido posto em prática conforme o previsto na letra da lei, complementando eficaz- mente a, por vezes, débil rede de escolas públicas existentes no país. A sua conceptuali- zação, primeira que formalmente se dirigiu à educação básica de adultos, definiu objec- tivamente as condições de acesso aos mestres e a sua preparação pedagógica, criando para o efeito uma escola normal; desenvolveu vários modelos de estatística literária uni- formizada, permitindo acompanhar com rigor a evolução do conjunto de escolas e o progresso dos alunos. Por fim, o facto do método pedagógico utilizado ter sido apropri- ado pelo sistema de ensino público revela o êxito e o impacto destas aulas na sociedade portuguesa.

A solidez da iniciativa e o número de alunos beneficiados fizeram das escolas regimentais uma referência e contribuíram para a espessura institucional das escolas de primeiras letras, como pode observar-se no Quadro II.17 Evolução da rede pública de ensino entre 1759 e 1831, onde sintetizamos, face às fontes disponíveis, os ritmos da evolução da rede pública de ensino. São visíveis nesta trajectória os efeitos culturais negativos registados no reinado de D. Miguel (1828-1834), durante o qual foram sus- pensas sete aulas do ensino elementar em 1831 e outras foram sendo abandonadas, de- vido ao contexto revolucionário vivido, situação que se repetiu por ocasião da revolta de

1846157

. Até essa data, pode observar-se uma curva ascendente desde a instituição do ensino público, que representa um crescimento de 85% (1779-1829), não sendo lícito reputar a adesão da população à escola como insignificante, como no Quadro II.18: Rede escolar pública e respectiva frequência em 1830 se exibe.

Para terminar esta incursão, podemos concluir que, pesem, embora, dificuldades estruturais, tais como a falta de mestres ou a sua deficiente formação literária, a rede de

156 MELO, João Crisóstomo do Couto e – Relatório dos progressos das Escolas Militares de primeiras

lêtras no decurso do anno de 1820 (o quarto do seo estabelecimento) feito pelo Diretor das mêsmas Es- colas, o Capitão do Real Côrpo d’Ingenheiros João Crisóstomo do Couto e Melo, na sessão pública celebrada em 15 d’Outubro de 1821. Acessível em AHM, PT/AHM/DIV/3/05/05/05/27/48.

157 ANTT, Ministério do Reino, mç. 4346 e 4347. V. anexo n.º 2: Reorganização da rede de cadeiras

régias, 1830 e anexo n.º 3: Comportamento dos professores de ensino primário e secundário do distrito de Faro, durante a revolta de Outubro de 1846.

56 acesso à instrução pública expandiu-se a todos os concelhos do Algarve e estava firma- da nas vésperas da guerra civil (1828-1834), como pode observar-se na Figura II.8 Dis- tribuição geográfica da rede escolar pública no Algarve em 1829. Por outro lado, os dados obtidos acerca da frequência lectiva, ainda que esparsos, confirmam uma crescen- te adesão da população à escola, apontando para o reconhecimento social conferido à formação literária.