2. Araştırmanın Amacı
1.3. Din Kavramı Ve İnsan
Figura 9 – Foto de Fernando Meyer do ano de 1944
Fonte: Arquivo do Museu de Ciências Naturais do Colégio Anchieta
O viés da afetividade pedagógica é a primeira conexão percebida nesta categoria em Fernando Menino, presente no sorriso maroto da foto e na sua história de infância na família, no gosto pela aventura em meio à natureza, pelo afã e curiosidade em colecionar, em seu fascínio pelo conhecimento e pelas coisas simples.
Em vários momentos de nossas conversas, percebi as lágrimas de emoção a regar sua história transformada. Trata-se de uma pessoa que acredita no ser humano e na força da educação, um apaixonado pela docência e também com outras paixões, como a fotografia. Uma pessoa livre e feliz, que revela uma profunda identificação com a missão e pertencimento ao projeto educativo inaciano sempre pronto para servir.
O professor Fernando viveu sua infância na cidade de Pelotas. Nasceu em 13/10/1937. Perdeu o pai com cinco anos de idade. Com isso, os laços afetivos do pai biológico foram transferidos para o papel que os jesuítas exerciam/exercem, para com todos, de pais espirituais. Com o menino Fernando exerceram isso de maneira muito particular porque também a família buscou este apoio.
Esses laços foram construídos desde a infância, estudando no Colégio Anchieta. Sua filha, Ivone, confirma que esse vínculo ajudou seu pai e, também, a despertar nela o grande amor pelos Jesuítas.
Ivone diz:
Desde que me conheço por gente, meu pai já era parte do Colégio Anchieta. Sempre ouvi dele, com orgulho, como começou lá menino. Ouvia falar do Padre Pio com tanto respeito e admiração que acabei o admirando mesmo antes de conhecê-lo.
A mãe de Fernando percebia que essa função paterna, estabelecida com equilíbrio e determinação, eram intervenções educativas e uma busca de transformar o ser infantil em adulto com capacidade de fazer suas próprias escolhas. O próprio Fernando recorda que “não teve proteção”, pois muito cedo alcançou autonomia e buscou oportunidades de viver intensamente sua infância, com os sonhos próprios de menino de sua idade sem deixar de imaginar o seu futuro.
“Minha casa era frequentada pelos jesuítas de modo que não cheguei a perceber a falta de nada, sempre tive o estímulo deles”, afirma. Fernando fala carinhosamente da sua infância e exemplifica que era fascinado pela vida e pelo trabalho que os padres realizavam no velho Anchieta da Avenida Duque de Caxias, pelo apostolado e diversos ministérios bem como a pregação e as vivências, nas quais ele era estimulado a acompanhar passeios, fazer coletas de insetos, passar as noites em acampamento como “cientista mirim”, fazendo seus primeiros experimentos.
A identidade da Companhia de Jesus também é narrativa na vida do professor Fernando, no sentido de ela nunca deixar de fazer parte da sua história. Ademais, como podemos notar, não são apenas os acontecimentos fundacionais que nutrem a memória comum. Também a história e missão dos jesuítas é partilhada, da mesma maneira como as famílias compartilham suas histórias, com suas anedotas em torno dos membros proeminentes em seus parentescos, assim como também com seus momentos cruciais, enfrentando crises, superando perdas. Isto também faz parte das narrativas que contribuíram na construção da identidade de uma história de vida.
De acordo com as entrevistas, especialmente a realizada com sua esposa, a casa da família do professor Fernando era muito frequentada pelos padres, e ele desde cedo já demonstrava muito apreço e encantamento pela natureza. Isso aparece no relato de Sílvia, uma amiga e colega de trabalho dele: “Lembro as idas ao sítio de um tio meu, onde, enquanto
os outros primos brincavam junto à piscina, o Fernando convidava alguns de nós para uma incursão no mato. Ele, com a maior paciência, nos mostrava os detalhes da natureza”.
O mesmo amor que ele tinha pela natureza também foi cultivando pelas pessoas que fazem parte da sua história, entre elas jesuítas que ele conheceu. Esta identificação com as pessoas o levou, desde muito cedo, a criar este elo de pertencimento com a proposta da filosofia educacional da Companhia de Jesus. Nas palavras do Pe. João Roque sobre Fernando: “Quanto à identificação com a proposta da filosofia educacional da Companhia de Jesus e a Pedagogia Inaciana, creio que o professor Fernando as absorvia por osmose, porque viveu desde pequeno nesta atmosfera e criou simpatia e sintonia com a mesma”.
Esta identificação com a filosofia da Companhia de Jesus, segundo relato do próprio professor Fernando Meyer, poderia ter relação com a sua inspiração quando menino, pois para ele os adultos serviam como testemunho concreto neste momento da infância. Nas palavras de Pe. João Roque, Fernando “tinha gênio feliz, brincalhão, alegre, otimista, proativo e criativo”, e ele convivia muito com jesuítas. Estas foram experiências, que, para ele, como menino, tinham sentido e significado que, no futuro, já apontavam para o profissional ou para a área de atuação que iria seguir.
Nesse contexto, as intervenções educativas dos jesuítas para com Fernando estavam distantes de uma doutrinação ou de uma catequização, eram um verdadeiro vínculo de respeito e afeto, forjando uma amizade madura e verdadeira que dura até hoje. A esposa, Isis, diz: “os padres Maneca, João Roque e João Claudio (atual Diretor Geral do colégio Anchieta) são pessoas que efetivamente marcaram presença na vida da família, pela amizade, apoio espiritual e estímulo diante de tantos desafios”.
Sua filha, Ivone vendo esses princípios e valores do pai, completa:
Apesar de trabalhar durante o dia e estudar na Unisinos à noite, nunca nos sentimos abandonados como filhos. Sempre se fez presente e zeloso. Quando estudávamos na escola, o Museu era como um santuário e tínhamos aquele espaço como um porto seguro, pois sabíamos que ele estava lá se precisássemos, apesar de nunca termos tido qualquer tipo de privilégio por sermos filhos dele.
Se desde a infância o professor Fernando esteve imerso numa família muito unida, em que todos compartilhavam efetivamente a vida, com suas alegrias e dificuldades, pelos depoimentos de sua esposa e filha reconhecemos que essa familiaridade, identidade e pertencimento permaneceram durante sua vida adulta, espalhando-se também junto à sua família, anos mais tarde. Por isso, ouço dizer que essa união desde muito cedo sempre esteve
imbuída dos princípios e valores inacianos e esses influenciaram na formação da sua personalidade.