E. FETVANIN TARİHSEL VE KURUMSAL İŞLEYİŞİ
II. DİN İŞLERİ YÜKSEK KURULU
Na Enfermagem, a visibilidade profissional, a autonomia e o reconhecimento dos resultados alcançados por sua prática associam-se ao uso de uma linguagem comum e especial, por meio da qual se podem comparar dados entre diversos setores clínicos, populações em áreas geográficas e/ou tempos distintos, e correlacionar as ações implementadas e os resultados obtidos de modo que, além de permitir a sua definição como ciência, proporcione aplicabilidade mais eficaz de seus princípios, métodos e técnicas(36).
Entre os sistemas de classificação existentes utilizados pela Enfermagem, destaca-se a CIPE®, desenvolvida pelo International Council of Nurses (Conselho Internacional de Enfermeiros - CIE), que foi construída tendo como foco central a prática de enfermagem descrita como um processo dinâmico, sujeito a mudanças, sobretudo, com a finalidade de universalizar a linguagem de enfermagem e evidenciar os elementos de sua prática – os diagnósticos de enfermagem, os resultados esperados e as ações de enfermagem(37).
A CIPE® tem os objetivos de estabelecer uma linguagem comum, que represente a prática de enfermagem mundialmente, os conceitos da prática e os cuidados de enfermagem; possibilitar a comparação de dados de enfermagem entre populações; estimular a realização de pesquisas; propiciar dados sobre a prática que possam influenciar a educação em enfermagem e políticas de saúde; projetar tendências sobre as necessidades dos pacientes, a provisão de tratamentos de enfermagem, a utilização de recursos e os resultados do cuidado de enfermagem. Para que isso ocorra, é necessário empregar termos que possam reproduzir um universo único de conhecimentos, posto que, assim, a comunicação ocorre de forma clara, precisa, objetiva e entendível por todos os que compõem a equipe de enfermagem, para garantir a continuidade dos cuidados(38). Capacita os profissionais para gerenciarem os elementos críticos de enfermagem durante a documentação de sua prática(39).
A CIPE® é um instrumento de informação que descreve e proporciona dados à representação da prática de enfermagem nos Sistemas de Informação em Saúde. Consolida-se no âmbito mundial como um sistema unificado da linguagem de enfermagem, capaz de comunicar e comparar dados de enfermagem entre diversos contextos, países e idiomas.
Contém termos distribuídos em seus eixos para a composição de diagnósticos, intervenções e resultados de enfermagem, conforme a área de atuação do enfermeiro(39).
Sua aprovação ocorreu em 1989, durante o 19º Congresso Quadrienal, promovido pelo Conselho Internacional de Enfermeiros (CIE), quando foi aprovada uma Resolução para o desenvolvimento de uma classificação dos elementos da prática de enfermagem (diagnósticos, intervenções e resultados de enfermagem) que tivesse alcance internacional. A primeira versão dessa terminologia foi publicada em 1993 como versão alpha e, até o presente momento, oito versões foram publicadas. A mais recente é a CIPE®, versão 2013, que foi publicada com a tradução em português do Brasil em agosto de 2014 (Figura 1).
Figura 1 – Evolução da Classificação Internacional para a Prática de Enfermagem
Fonte: Elaboração própria, 2014
A partir da versão 1.0, a CIPE® passou a ser definida como uma terminologia combinatória da prática de enfermagem que possibilita o mapeamento cruzado de condições locais, de vocabulários e de classificações já existentes; uma terminologia instrumental para a prática de enfermagem, que facilita a combinação cruzada de termos locais com as terminologias existentes(38). É considerada uma classificação multiaxial, constituída por sete eixos (foco, julgamento, meio, localização, cliente, ação e tempo) que, quando utilizados, possibilitam a combinação dos conceitos dos termos neles existentes, proporcionando mais solidez à classificação e, consequentemente, mais diversificação da expressão de seus conceitos. Reflete as principais reformulações na direção de tornar os sistemas de classificação tecnologicamente mais fortes e acessíveis ao uso dos enfermeiros.
1989 1996 1999 2005 1993 CLASSIFICAÇÃO INTERNACIONAL PARA A PRÁTICA DE ENFERMAGEM PUBLICAÇÃO DE LISTAGEM DE TERMOS 1991 PESQUISA NA LITERATURA E ASSOCIAÇÕES NACIONAIS CIPE® VERSÃO ALPHA 2001 CIPE® VERSÃO BETA 2 CIPE® VERSÃO BETA CIPE® VERSÃO 1.0 2008 CIPE® VERSÃO 1.1 2009 CIPE® VERSÃO 2.0 2011 CIPE® VERSÃO 2011 2013 CIPE® VERSÃO 2013 2014 CIPE® VERSÃO 2013 Port.
Sabe-se que a principal razão do desenvolvimento de um sistema unificado da linguagem de enfermagem consiste em oportunizar a comunicação e a comparação de dados de enfermagem entre contextos, países e idiomas. Esses dados podem ser utilizados como base na tomada de decisão para avaliar os cuidados de enfermagem e os resultados dos clientes, bem como para desenvolver políticas de saúde e gerar conhecimento pela investigação(38). A principal meta do Programa CIPE® com a CIPE® Versão 1.0 é o seu uso para descrever e comparar a prática de enfermagem internacionalmente(39).
Não foi construída como um vocabulário em si, mas como um recurso que consegue acomodar os vocabulários existentes e que pode ser usado para desenvolver vocabulários novos e identificar quaisquer relações entre eles. É mais do que um vocabulário; está para além de uma estrutura multiaxial simples, pelo fato de utilizar uma abordagem lógica de descrição. Deve conseguir harmonizar e promover um sentido para as múltiplas necessidades de terminologia dos enfermeiros. Portanto, a CIPE® Versão 1.0 deve ser capaz de representar os vocabulários existentes usando a CIPE®; continuar a suportar uma representação multiaxial; facilitar o desenvolvimento de vocabulários locais a partir da CIPE® e identificar semelhanças e diferenças entre as diversas representações, comparando e combinando dados de diversas fontes(38).
A CIPE® Versão 1.0 trouxe uma contribuição relevante dos enfermeiros de todo o contexto mundial e das iniciativas advindas do Comitê de Avaliação da CIPE®. Seu uso progressivo, na prática profissional, resultará em fácil compreensão, tanto para os profissionais quanto para os sistemas de informação, e poderá retificar os problemas que ocorreram na CIPE® Versão Beta 2, como duplicação e ambiguidade de termos existentes nos diferentes eixos, por meio da utilização do Modelo de Sete Eixos, na elaboração de afirmativas de diagnósticos, das intervenções e dos resultados de enfermagem(38).
Após o lançamento da versão 1.0, foram divulgadas quatro versões, a saber: a versão 1.1 (2008), a versão 2 (2009), a versão 2011 (2011) e a versão 2013 (2013). Todas mantiveram a estrutura multiaxial do modelo de sete eixos. Foi também a partir da versão 1.0 que os conceitos pré-coordenados relativos a diagnósticos, resultados e intervenções de enfermagem passaram a ser apresentados na CIPE®.
Com a publicação e a utilização da CIPE® Versão 1.0, o CIE tem incentivado a construção de subconjuntos terminológicos (denominados, originalmente, de catálogos CIPE®) direcionados para clientelas específicas – indivíduo, família e comunidade – quanto a prioridades de saúde específicas relacionadas a condições de saúde, ambientes ou
especialidades de cuidado e fenômenos de enfermagem, além do mapeamento cruzado com as demais terminologias(39).
Na CIPE® Versão 2, foram adicionadas mais de 400 novas entidades, e muitos desses conceitos, enunciados de diagnósticos e intervenções de enfermagem foram desenvolvidos para os subconjuntos terminológicos da CIPE®. Inicialmente, foi disponibilizada apenas on line, por meio do browser (ajuda os usuários e outros que estejam interessados nas opções da CIPE® a navegarem e a pesquisarem sobre a terminologia), que pode ser consultado no site do CIE (http://www.icn.ch/icnp). Em abril de 2011, foi publicada em formato de livro(40,41). A partir de então, a CIPE® passou a ser disponibilizada por meio eletrônico (via browser ou pdf).
A versão atual da CIPE® foi lançada em maio de 2013, no Congresso do ICN, na Austrália, com 3.894 conceitos, dos quais 1.592 são pré-coordenados (diagnósticos, resultados e intervenções de enfermagem), e 2.302, primitivos, distribuídos nos eixos do Modelo de Sete Eixos. Sua versão foi traduzida para o português depois de um contrato feito entre o Centro CIPE®/PPGENF/UFPB/Brasil e o CIE. Foi disponibilizada em janeiro de 2014, revisada e disponibilizada em agosto de 2014(42). Em decorrência do acesso restrito à CIPE®, seja devido à falta de informação sobre como acessá-la, ao fato de não se compreender sua estrutura ou à incipiência de recursos tecnológicos, entre outros, que houve a iniciativa brasileira de disponibilizar a tradução em formato de livro, lançado em outubro de 2014(43).
Ressalta-se, todavia, que não existem classificações específicas para todas as áreas de atuação do enfermeiro, mas o CIE – responsável pela construção da CIPE®– precisa coletar e codificar termos utilizados pela Enfermagem em clientes e áreas específicas, organizando e criando os subconjuntos terminológicos(38).
Devido à dinamicidade da prática de enfermagem, são necessárias contínuas revisões e atualizações da CIPE®. Sua implementação continua a se expandir em diversos contextos clínicos, populacionais e geográficos, identificando as contribuições particulares da prática de enfermagem.