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1.6. Tanımlar

2.1.3. Diğer Kişilik Kuramlarında Yaşam Anlamı Konusundaki Açıklamalar

Sustentou-se no capítulo anterior a conveniência de abordar a tutela jurídica do meio ambiente, precipuamente pela lógica do dever. Conforme já se demonstrou a abordagem da preservação do meio ambiente como dever fundamental é apta a conferir a tutela do meio ambiente uma maior efetividade, dentre outros fatores em razão de possibilitar uma maior precisão na determinação das pessoas a quem se dirigem as normas que disciplinam o tema.

Por outro giro, também é oportuno lembrar da necessidade de esclarecer quem são os destinatários precípuos do dever em causa. Não é incomum encontrar nos textos normativos a respeito, fórmulas algum tanto genéricas, que dirigem o dever de preservar antes ao Estado ou à coletividade do que particularmente aos indivíduos.

É exatamente o que ocorre com o art. 225 da Constituição brasileira, ao afirmar que impõe-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defender e preservar o meio ambiente.

Nesta mesma linha, podem-se citar outras constituições, aqui rapidamente lembradas as do Chile, Egito e México, todas já citadas ao longo deste trabalho, que, muito embora avançando para o reconhecimento do dever de preservar o meio ambiente, não chegam a imputá-lo direta e particularmente ao indivíduo.

Passemos a examinar, portanto, a situação de cada um dos destinatários da norma que estabelece o dever de preservar.

5.2.1 O Estado, a coletividade e o indivíduo.

Em um determinado ordenamento jurídico nacional, pode-se dizer que são três os possíveis destinatários de um dever de preservar: o indivíduo, a coletividade e o Estado.

A Constituição de 1988 optou por designar como destinatários precípuos do dever de preservar o Estado e a coletividade. Pode-se destacar um aspecto positivo no fato de a Constituição haver atribuído ao Estado conjuntamente com a coletividade a responsabilidade pela preservação do meio ambiente: é que o Estado sozinho não poderia realizar com a necessária eficiência a tarefa da salvaguarda ambiental. Para alcançar o cumprimento deste mister, precisa ser ajudado pelo corpo social.

Ademais, apesar de não dirigir expressamente ao cidadão ou ao indivíduo o dever de preservar, o constituinte ainda assim andou bem ressaltando o dever do Estado. Trata-se de uma norma importante e com aptidão para ser aplicada com grande efetividade. Com efeito,

como bem observa Paulo Affonso Leme Machado (2014, p. 154), não se pode afirmar que se trata de uma figura de retórica a atribuição da tarefa de preservar o ambiente ao Poder Público, considerado inclusive como um todo. Na verdade, observa-se a edição de múltiplas leis infraconstitucionais no escopo combater seja omissão seja a violação dos integrantes do Poder Público ao meio ambiente. É possível encontrar bom disciplinamento da matéria, seja na área cível seja na criminal.

De mais a mais, a distribuição das competências na própria Constituição, secundada pelas leis infraconstitucionais que regulam o tema realmente possibilita que tarefas de promoção da preservação do ambiente sejam realizadas pelos três distintos Poderes Públicos (Executivo, Legislativo e Judiciário). Bem assim, há tarefas a serem executadas nas três esferas de poder da federação, a saber, esfera federal, estadual e municipal. Essa repartição de tarefas contribui para a tutela do bem ambiental, porque envolve todos os atores públicos em sua execução. A ninguém é dado omitir-se e tanto menos mover-se em sentido contrário.

Ocorre que, ao contrário de referências encontradas em textos normativos já dantes mencionados ao longo deste trabalho, a proteção do meio ambiente não é exclusivamente uma "tarefa" do Estado.

Na Constituição de 1988, a preservação ambiental, enquanto dever, é atribuída também à coletividade.

Observa-se neste ponto que o fato de se tratar a proteção ambiental de um interesse difuso, para usar aqui a terminologia largamente difundida no Brasil, adotada, dentre outros, por Hugo Nigro Mazzilli (1999, p. 40), pode levar naturalmente à adoção de fórmulas mais genéricas em seus enunciados.

Outro ponto que reforça a opção pela adoção desta terminologia pode ser a ampla divulgação no direito brasileiro da teoria das gerações dos direitos fundamentais de Paulo Bonavides (2014), o que facilita a aceitação do direito ao ambiente como um típico direito de terceira geração, direito difuso, portanto.

Assim é que o art. 225 da Constituição Brasileira anuncia a coletividade como destinatária do dever de preservar.

Para o professor Leme Machado, ao designar coletividade, o constituinte referiu- se às sociedades civis, ONGs em forma de associações ou fundações, bem como às organizações da sociedade civil de interesse público. Diz mais que entende que a participação da coletividade, assim entendida, é "em geral" facultativa.

De fato, torna-se mais difícil opor o cumprimento de um dever fundamental a uma coletividade do que a uma pessoa definida. Entrementes, desde que se admita que o dever de preservação é fundamental, é dizer, é pressuposto da existência e manutenção da sociedade organizada em forma de Estado, ele deve ser oponível erga omnes.

Portanto, houve uma falha do legislador constituinte, ao deixar o cidadão de fora do rol dos destinatários expressos do dever de preservar.

Neste mesmo sentir, manifesta-se Paulo Affonso Leme Machado, afirmando que “ao valorizar-se somente o conceito de "coletividade" olvida-se do papel a ser desempenhado pelas pessoas de per si.” Concorda-se, portanto, com a afirmação de que a Constituição deveria ter “acentuado o dever dos indivíduos na defesa e preservação do meio ambiente” (2014, p. 155).

Porém, não será pelo fato de não restar acentuado o dever do cidadão, individualmente considerado, que não se poderá dizer que ele esteja consagrado na Constituição de 1988.

Diversamente, é preciso reconhecer que a proteção do ambiente, para muito além de tarefa do Estado ou dever a ser facultativamente assumido por uma coletividade, é precipuamente um dever do cidadão.

A constituição estabelece expressamente o direito subjetivo do cidadão ao meio ambiente equilibrado.

Decorreria, então, da própria característica de bilateralidade da norma jurídica, a existência do dever correspondente, a ser exigível igualmente do cidadão considerado isoladamente.

No entanto, ainda que não se reconheça a possibilidade de um direito subjetivo individual ao meio ambiente, senão como uma norma de conteúdo eminentemente pedagógico; ainda assim, impõe-se reconhecer que a Constituição estabeleceu o seu correspondente dever. Dever este igualmente individual, ademais de ser um dever fundamental.

Com efeito, revela-se uma certa dificuldade em tratar autonomamente direito e dever. Isto porque aprendemos em nossas vetustas lições de teoria do direito e da norma jurídica, que a todo direito corresponde um dever que o assegura.

Ocorre que, nesta seara jusambiental muito particularmente, verificam-se realidades novas e distintas que requerem do operador do direito e do cientista jurídico um novo olhar sobre institutos que agora devem regular situações antes não consideradas.

assignalagmaticidade dos deveres fundamentais. De acordo com um princípio da assignalagmaticidade ou assimetria dos deveres em relação aos direitos fundamentais é preciso reconhecer a autonomia dos deveres fundamentais, de forma que não é possível estabelecer uma estrita correspondência ou equivalência ideal entre direitos e deveres fundamentais. Dentro do quadro constitucional, direitos e deveres fundamentais que dizem respeito à tutela de um mesmo bem, podem, portanto, ter p. ex. aplicabilidade e eficácia diferentes.

Assim entendemos que dois fundamentos básicos podem ser extraídos da Constituição para demonstrar a existência de um dever fundamental de preservação por ela diretamente estabelecido em face do cidadão.

Um primeiro fundamento é o de que o cidadão, isoladamente considerado, integra a sociedade. Com este entendimento, apesar de mascarado no art. 225 da Constituição brasileira, que nominou como seu destinatário a coletividade, este dever fundamental individual está previsto e seu cumprimento é exigido pelas devidas formas de direito.

Não será porque se utilizou o designativo coletividade, que o cidadão passará ao largo do cumprimento individual do seu dever. A relevância da questão ecológica na atualidade e a necessidade da preservação da natureza para a perpetuação da vida, mormente dos seres humanos, na sociedade justifica e fundamenta a classificação deste dever como fundamental, individual e de aplicabilidade imediata.

Se houve menção ao designativo coletividade, isto decorre mormente da característica de transcendentalidade de um suposto direito de proteção do meio ambiente, em nada infirmando a existência do dever fundamental ora considerado.

Um segundo argumento refere-se à característica da bilateralidade mesma da norma. Ora se foi estabelecido constitucional e expressamente um direito; e se a ele, por força da natureza da norma jurídica, corresponde um dever, conclui-se que o dever também foi estabelecido constitucional e expressamente por força da mesma norma.

A esta altura, entra o princípio da assignalamaticidade para justificar os alcances jurídicos diversos que terão o direito e o dever fundamental de proteção do mio ambiente respectivamente.

Com estas razões, tem-se por demonstrados os três destinatários do dever de preservar.