O princípio da Educação Ambiental também encontra esteio na Declaração de Estocolmo sobre o Meio Ambiente Humano de 1972, no seu Princípio 19.
Já o princípio da Informação Ambiental consta na Declaração do Rio de 1992, no princípio 10.
Embora com significados diferentes, informação e educação ambiental são conceitos que possuem íntima ligação, podendo-se compreendê-los até mesmo como conceitos que se complementam.
Consoante afirmam Sarlet e Fensterseifer (2014, p. 157) a educação ambiental trata-se de algo mais amplo do que a mera informação ambiental.
Pode-se dizer que o caminho traçado por esses conceitos inicia-se pela informação ambiental, passa pela educação ambiental até promover uma tomada de consciência ecológica, para que somente assim o cidadão esteja apto a ter uma participação efetiva nos processos de tomada de decisão, que dizem respeito às graves questões ambientais atuais.
Informação e educação ambiental não são mera retórica ou promessa. O Direito Ambiental moderno já as conferiu natureza jurídica, tanto que a Constituição brasileira de 1988 trata do dever do Estado de promover a educação ambiental, no art. 225, § 1º, VI. Semelhante é o conteúdo do preceito do art. 14, 5a da Constituição da Áustria, que prevê o direito das crianças e dos jovens de se desenvolverem plenamente, inclusive para que sejam capazes de assumir responsabilidades sobre o meio ambiente.
Vê-se nos dispositivos constitucionais referidos a destacada atenção que se dá para a necessidade de promover a educação ambiental, fundamental ferramenta que é para alcançar o objetivo da proteção do ambiente.
Para além dos dispositivos constitucionais, observa-se, no plano internacional a menção aos princípios da informação e da educação ambiental.
Segundo noticia Jacobi (2003, p. 189-205), o tema foi tratado já na Conferência Intergovernamental sobre Educação Ambiental, realizada nos Estados Unidos, em 1977. Ademais, o Tratado de Educação Ambiental para Sociedades Sustentáveis e Responsabilidade Global foi fruto dos trabalhos da Conferência do Rio de Janeiro de 1992, sendo possível verificar, no documento, diretrizes para a educação ambiental.
O ordenamento brasileiro também já sufragou o princípio em seu direito interno por meio da Lei 6.938/81, que tratou da educação ambiental, em seu art. 2º, X, além da própria lei da Política Nacional de Educação Ambiental, promulgada sob o nº. 9.795/99.
Verifica-se, no contexto da crise ambiental, a necessidade de uma mudança profunda nos sistemas de conhecimento, propiciando a formação de uma nova consciência ecológica.
Tendo em vista a transversalidade do Direito Ambiental, é necessário estabelecer uma comunicação entre o direito do ambiente (e até mesmo a ciência ambiental) e os vários outros ramos do saber, sem que com isso se lhe negue a autonomia (GOMES, 2010, p.27).
O acesso à informação em matéria ambiental é tanto mais imprescindível, quanto mais escassas são as fontes de informações confiáveis. Exemplificativo desta crise de confiabilidade das informações é o fato de que muitas das projeções do denominado Clube de Roma não foram concretizadas (LOMBORG, 2012).
É preciso destacar que hoje se sabe que muitas variantes influenciaram para que tais expectativas não fossem concretizadas, assim como também se sabe que grande é o alcance da incerteza científica na sociedade de risco em que vivemos.
Portanto, quanto mais informações estiverem à disposição das pessoas, mais elas estarão aptas a tomar suas próprias decisões e a realizar seus julgamentos.
Por outra parte, além da informação, também é necessária a educação, para que as pessoas se conduzam pautadas na ética da solidariedade para com o outro, para com a natureza e para com o planeta.
Edgar Morin, ao tratar dos sete saberes necessários à educação do futuro, afirma a existência de sete buracos negros na educação.
As deficiências identificadas por Morin no processo de educação estão intimamente relacionadas com o insucesso ou a incapacidade da sociedade de assumir um estilo de vida, que reflita a existência de uma consciência ecológica.
Para o processo educacional já começa a falhar desde o momento em que, embora tentando repassar conhecimento, não ensina o que é o conhecimento. Não esclarece a forma como o conhecimento é adquirido, assimilado e muitas vezes depois abandonado ou superado em razão de novos processos de aquisição de conhecimento. Não saber a respeito deste processo, pode conduzir o homem a confundir conhecimento e crença, conhecimento e mito e dificultar o abandono de paradigmas ultrapassados.
Morin também identifica o prejuízo causado pela fragmentação do conhecimento em disciplinas, ainda herança da lógica cartesiana, o que dificulta a visão e compreensão do todo.
Outras deficiências apontadas como a ignorância sobre a identidade humana compreendida em todos os seus aspetos e não fragmentariamente; a inexistência de estímulo à compreensão para com o seu semelhante; a falta conscientização em relação à incerteza (inclusive a científica) e a não formação de uma consciência planetária concernem precisamente à carência educacional que serve de lastro à crise ambiental.
Já desde 1972, em Estocolmo, é possível identificar uma crítica do ambientalismo ao prevalente western way of life, que vem se revelando intensamente predatório dos recursos ambientais.
Como afirma Bachelet (1995 p. 131),
consumir menos para viver melhor, e até por mais tempo, e sobretudo poupar os recursos naturais para as gerações vindouras levavam os apoiantes do crescimento zero a preconizar uma mudança cultural de vastas dimensões.
Entrementes, ainda não é possível sentir qualquer mudança substancial surgida espontaneamente da consciência coletiva, seja nos modos de consumo, seja nas práticas de mercado, que são tão determinantes para a manutenção do capital natural do planeta.
Enquanto não houver mudança nos modos de vida, de tal sorte que a descoberta dos valores ambientais possa despertar as pessoas para um despojamento de certas comodidades da vida moderna, em nome de uma sustentabilidade que alcance futuras gerações, o ambiente continuará ameaçado.
Portanto, é árduo e decisivo o papel da educação neste processo.
Objetivos como conscientização, alteração de comportamentos e padrões sociais, desenvolvimento de novas habilidades e até mesmo de uma nova racionalidade devem ser buscados neste processo de educação ambiental.
O próprio princípio do consumo sustentável, previsto no princípio 8 da Declaração do Rio de 1992, está intimamente vinculado à efetividade da educação ambiental.
Só a educação ambiental implementada de um modo satisfatório pode libertar o homem dos ditames do mercado e dos apelos publicitários, que conduzem a um consumo, para além de insustentável, dissociado das noções de ética e de solidariedade que se impõem num ambiente global de tão intensas desigualdades sociais.
Com efeito, não sendo ecologicamente educado, o ser humano está mais suscetível ao consumo frenético de bens desnecessários e supérfluos, bem como propenso a cair na armadilha da satisfação psicológica em função do consumo.
O consumidor cidadão precisa ter consciência que desempenha um papel não somente para o mercado como também para a sociedade na qual habita.
A crise ecológica somente pode ser superada por meio de uma transformação social profunda. A atividade predatória do ser humano em relação ao ambiente foi crescente desde os primórdios da humanidade e acelerou-se a um ritmo perigoso nos últimos cerca de 50 ou 60 anos. Portanto, o princípio da educação ambiental cria, neste cenário, a possibilidade
do estabelecimento de uma nova realidade mais propícia a um melhor aproveitamento dos bens ambientais.