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15. VEFATI

16.9. Diğer İlimi Kitapları

Os serviços de empréstimo e leitura local estão dentro do projeto “Biblioteca”, já apresentado no capítulo de metodologia. Embora a biblioteca seja apontada como local de leitura, a leitura domiciliar é predominante no cotidiano de nossos jovens, conforme mostra a tabela seguinte.

Tabela 4: Locais de leitura86

Locais Ocorrências

Em casa 25

No ônibus 9

Em bibliotecas públicas 7

Outros lugares (escola, intervalo,

pátio, casa de parentes e viagens) 6

Na biblioteca da escola 4

Nas livrarias 3

Total 54

Fonte: Elaborada pela autora.

O ônibus e a biblioteca aparecem em seguida como principais locais de leitura. Essa diversificação vai ao encontro da observação de Horellou-Lafarge e Segré (2010) quanto ao caráter disperso e plural da prática leitora na contemporaneidade, que, cada vez mais, está entremeada a outras atividades.

De fato, o uso do serviço de leitura local nas bibliotecas não está muito presente nas vozes de nossos leitores, mas, foi possível localizá-lo nos depoimentos seguintes:

229.Inês: ...Sempre! Quase todos os dias, pelo menos uma hora por dia. Nem que fosse pra ler, mas a gente vinha...” (Leitora/BBA – 17

anos, entrevista, 2014)

230.Henrique: ...Então, eu ia mais nas férias, eu ia sempre /.../ eu lia

os livros lá, terminava e pegava outro (Leitor/BNE – 17 anos, entrevista, 2014).

De certa maneira, o fato dos jovens preferirem realizar as leituras em suas casas, reporta-nos também à percepção quanto à ambivalência das leituras literárias. Segundo Cademartori

86 Refere-se ao item do questionário: “Onde, geralmente, você costuma ler livros de literatura? Se desejar,

(2009), se por um lado, essa prática requer certo estado de solidão, por isso a autora acredita que nem todos se sentem atraídos pelos textos literários. Por outro lado, seu exercício requer o encontro, a partilha de significados, sentidos e impressões. Os nossos leitores parecem experimentar essa contradição, ora se recolhem às leituras privadas, ora estão em interação com seus pares, professores, familiares e bibliotecários para troca de impressões sobre os livros lidos.

Em relação ao serviço de empréstimo domiciliar, nas bibliotecas pesquisadas, há preferência por livros de literatura, como mostra o documento de recadastramento das bibliotecas da Secretaria de Estado de Cultura de Minas Gerais. De acordo com o atual Regulamento das bibliotecas públicas da FMC, os usuários podem pegar até três itens, entre livros, periódicos e audiolivros pelo prazo de 15 dias. Entre outras razões, o principal motivo de realização de empréstimos domiciliares pelos nossos jovens nessas instituições é a qualidade do acervo.

Tabela 5: Motivos da realização de empréstimos nas bibliotecas87

Motivos Ocorrências

Tem bom livros 24

É perto da minha casa 15

Posso pegar livros de graça 12

Tem os livros que a escola

indica 6

Recebo ajuda na escolha 2

Total 59

Fonte: Elaborada pela autora.

Esse resultado está reiterado no depoimento seguinte, quando se destaca a possibilidade de encontro com as publicações recentes:

231.Karina: ...eu sempre tô vindo na biblioteca pegando livros, sempre estou lendo

livros novos. Adoro livros, adoro, adoro, adoro! Pegar livros novos...” (Leitora/BBA – 14 anos).

E o fato de ter livros que agradam os jovens aparece em: “Então, eu diria que, inclusive foi

aqui no Centro Cultural que eu peguei, eu li todos os livros do Harry Potter” (E.123 –

87 Refere-se ao item do questionário: “Por que você pega livros emprestados nesta biblioteca.? Se desejar,

Marina/BVN – 13 anos). Essa perspectiva parece reiterar o papel da biblioteca pública como

instância que contribui com as escolhas subjetivas de leituras literárias dos nossos jovens.

Além disso, tal como vimos no excerto 222 do relato de Letícia, as bibliotecas públicas também atendem às demandas escolares:

232.Daniel: ...o meu primo, ele tava precisando pegar um livro pra escola /.../

descobrimos que a biblioteca estava aberta /.../ desde que ele pegou esse livro, eu comecei a frequentar... (Leitor/BNE – 13 anos, entrevista, 2014).

233.Ludmila: Eu comecei a vir esse ano mesmo /.../ pegar livro pra

fazer trabalho de escola (Leitora/BBA – 16 anos, entrevista, 2014).

No caso de Daniel, essa demanda desencadeou o uso frequente da Biblioteca Nordeste pelo leitor tornando-se uma escolha.

Butlen (2012) considera que o sistema de leitura pública fortalece a ação escolar, assim como a formação escolar assegura a ampla atuação das bibliotecas públicas. Consideramos que as ações de ambas as redes precisam fomentar-se mutuamente, uma colaborando com a outra.

Embora a ajuda na escolha dos livros tenha sido pouco expressiva na resposta ao item do questionário, tal como visto no excerto 148 do relato de Bruna, os depoimentos seguintes reiteram a importância desse apoio:

234.Karina: ...Agora aqui na biblioteca, por exemplo, eu posso pegar o livro que eu quiser com a orientação do Darlan (bibliotecário) que é melhor ainda e ajuda

bastante mesmo (Leitor/BBA – 14 anos, entrevista, 2014).

235.Giovana: ...eu já li vários que indicaram aqui, que o Leandro (estagiário) eu acho me indicou uns dois ou três livros, a Lúcia (auxiliar de biblioteca) também me ajuda a encontrar os que eu quero (Leitora/BCS – 16 anos, entrevista, 2014).

236.Bruno: ...eu considero sempre. A Rosane (bibliotecária) já me indicou livros,

eu já li, eu gosto /.../ das indicações (Leitor/BVN – 15 anos, entrevista, 2014).

O depoimento de Bruno: “...A Rosane (bibliotecária) já me indicou livros, eu já li, eu gosto

sim /.../ das indicações...”, destaca a apreciação das indicações de leitura feitas pelos

profissionais que atuam nas bibliotecas públicas. O relato de Karina mostra a importância da associação entre esse apoio e a liberdade de escolha das suas leituras: “...eu posso pegar o livro que eu quiser com a orientação do Darlan (bibliotecário) que é melhor ainda...”. Ou

seja, percebe-se que essa combinação entre a liberdade de escolha e a mediação feita por uma figura de autoridade ou referência contribui para aproximação das práticas leitoras.

Além dessa orientação, o depoimento de Giovana ainda evidencia o auxílio espacial prestado pelos profissionais que atuam nessas instituições: “...a Lúcia (auxiliar de biblioteca) também me ajuda a encontrar os (livros) que eu quero...”. De fato, percebemos que a disponibilidade e a relação personalizada que esses profissionais estabelecem com os jovens são elementos importantes para a formação leitora desses sujeitos.

Se por um lado, as bibliotecas públicas figuram como instituições que favorecem a ampliação dos repertórios leitores dos nossos jovens, por outro lado, para alguns leitores, nota-se certo esgotamento das opções de leitura: “...Que tem partes na biblioteca (sessão juvenil) que é

mais a que eu vou lá pra escolher, mas a maioria dos livros que estão lá eu já li (E.56 – Juliana/BCS – 13 anos). Outro exemplo dessa situação é Paulo, leitor da Biblioteca Centro-

Sul. A sua mãe relata que a constante compra de livros para os filhos ocasiona o desinteresse pelo acervo da biblioteca. Além disso, todos os membros dessa família possuem uma biblioteca pessoal em seus quartos, sendo que a maioria das obras pertence a séries literárias e

best-sellers estrangeiros (Diário de campo, 14-02-2014).

Novamente, esses apontamentos reiteram as diferenças socioeconômicas existentes entre os nossos leitores, condicionante do acesso aos bens culturais. E, ainda, a mãe de Isabela, leitora da Biblioteca Nordeste, faz uma reclamação em relação à variedade do acervo dessa unidade, mas, nesse caso, o foco das escolhas textuais são aos clássicos da literatura brasileira. Ela considera que a renovação desses livros nessa unidade é insuficiente (Diário de campo, 15-02- 2014).

Nesse sentido, Patte (2012) entende que o acervo das bibliotecas precisa manter certo equilíbrio: não precisa ser demasiadamente extenso, de forma a desestimular os leitores, tão pouco reduzido, que não permita a renovação de seus interesses, questionamentos e curiosidades.

De todo modo, como já descrito no capítulo de Metodologia, de acordo com os documentos denominados: “Informativo bibliotecas 2012” e “Relatório quantitativo bibliotecas 2010 – 2012”, todas as unidades pesquisadas tiveram o acervo aumentado por meio de compras feitas

pela FMC. Além disso, a partir da minha participação na Comissão de Seleção de Acervo dessa instituição, nos anos 2011 e 2012, e, sobretudo, pela observação das bibliotecas, pode- se considerar que a qualidade da coleção infantil e juvenil é satisfatória, entretanto, há necessidade de expansão do acervo de livros para jovens.

Benzer Belgeler