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A International Federation of Accountants (IFAC) é uma organização de alcance internacional que dedica esforços em prol da profissão contábil, através da expedição de normativas que contribuirão para o desenvolvimento da profissão. Em 2001, a IFAC publicou o Study 13 (Estudo 13), que veio servir de direcionador para as entidades do setor público quando se aborda a temática, trazendo uma série de norteadores que colaboram com o advento da Governança Pública, especialmente àqueles relacionados à responsabilização dos governantes.

Nesta pesquisa, o foco da governança está voltado tanto para o setor público como para governança aplicada às entidades do terceiro setor, uma vez o objetivo de interesse da pesquisa são as Fundações de Apoio às Instituições Federais de Ensino Superior, pois ainda que estas sejam instituições privadas sem fins lucrativos, a legislação pertinente a sua regulamentação exige, muitas vezes, que essas entidades administrem seus como entes da própria Administração Pública, como já comentado.

A International Federation of Accountants (2001) entende que governança é essencial para a construção de confiança em entidades do setor público, sendo necessário que estas atuem de modo eficaz na concretização dos seus objetivos.

A International Federation of Accountants (2001), através do Estudo 13, afirma que a governança geralmente se refere aos processos pelos quais organizações são dirigidas, controladas, e responsabilizadas e é sustentada pelos princípios da integridade e responsabilidade, de modo que se preocupa com as estruturas e processos para tomada de decisões, prestação de contas, controle e comportamento, no topo das organizações.

O Estudo 13 da International Federation of Accountants (2001), destaca ainda, três princípios norteadores para a governança: openness (transparência), integrity (integridade) e accountability (prestação de contas). Tais princípios podem, e devem, ser

aplicados tanto em entidades do setor público, como do setor privado, independente do tipo e natureza da organização.

A transparência relaciona-se com a garantia de que as partes interessadas podem ter confiança na tomada de decisão da gestão, de suas atividades e nos indivíduos que fazem parte da entidade; a integridade baseia-se na honestidade, objetividade e elevados padrões de honestidade e probidade na gestão dos fundos e recursos públicos e gestão dos assuntos de uma entidade; e, por último, a prestação de contas é o processo pelo qual as entidades e os indivíduos que as compõem devem tornar pública a gestão e uso dos recursos da entidade.

Integridade envolve tanto as operações simples quanto as complexas, baseiando- se em honestidade e objetividade e em elevados padrões de probidade na gestão dos recursos públicos e demais assuntos da entidade pública. Depende da eficácia do sistema de controle e dos padrões pessoais e profissionalismo dos indivíduos dentro da entidade. A prestação de contas abrange o processo pelo qual as entidades públicas e os indivíduos que nelas atuam são responsabilizados por decisões, incluindo a gestão dos recursos públicos. (INTERNATIONAL FEDERATION OF ACCOUNTANTS, 2001).

A International Federation of Accountants (2001) recomenda, ainda, que todas as entidades do setor público elaborem manuais que contenham princípios norteadores da imparcialidade, integridade, objetividade, prestação de contas, probidade e liderança. Tais princípios são refletidos nas dimensões da governança pública, que são: padrões de comportamento, controle, estruturas e processos organizacionais e relatórios externos.

Os padrões de comportamento relacionam-se em como a gestão está exercendo a liderança dentro da organização e estabelecendo padrões de comportamento a serem seguidos. Já a dimensão controle destaca os vários controles implementados pela Administração, a organização para apoiá-lo na realização dos objetivos da entidade, a eficácia e eficiência das operações, a confiabilidade das informações internas e externas, e de conformidade com as leis e regulamentos aplicáveis e as políticas internas. Quanto à dimensão estruturas e processos organizacionais, delimita-se em analisar como se encontra a estrutura organizacional e identificar como são determinadas responsabilidades e autoridades. Por último, os relatórios externos estão estreitamente ligados à administração e exposição dos resultados econômicos e financeiros da entidade. (INTERNATIONAL FEDERATION OF ACCOUNTANTS, 2001).

Os padrões de comportamento estão relacionados também à reputação da entidade e de todos os membros do grupo governante, empregados ou agentes contratados, então, os procedimentos efetivos e a necessidade de proteção devem ser colocados para assegurar que

todos os colaboradores da organização sejam comprometidos com o alto padrão de comportamento pessoal. (INTERNATIONAL FEDERATION OF ACCOUNTANTS, 2001).

O princípio da liderança tem a necessidade de seu exercício com a condução de acordos com os altos e mais exempláveis padrões de comportamento. Esse grupo, normalmente, é responsável por determinar a cultura da entidade e dirigir o comportamento de seus colaboradores. Quanto ao código de conduta, existe a necessidade de se adaptar um código formal e bem definido dos padrões de comportamento ao qual os indivíduos deverão seguir e concordar. As orientações sobre controle estão relacionadas à gestão de risco, à auditoria interna, comitês de auditoria, controle interno, orçamento, administração financeira e gestão de pessoas. (INTERNATIONAL FEDERATION OF ACCOUNTANTS, 2001).

A International Federation of Accountants (2001) relaciona suas recomendações sobre controle abordando acerca da gestão de riscos, da auditoria interna, do controle interno, da administração financeira, e do treinamento de pessoal.

Quanto à gestão de riscos, a International Federation of Accountants (2001) afirma que pode ser tratada como uma medida de incerteza e compreender os fatores que o causam podem facilitar ou prevenir a realização dos objetivos da organização. Os objetivos da gestão de risco podem ser tratados como um processo de:

a) compreender os objetivos organizacionais; b) identificar os riscos associados;

c) avaliar os riscos, incluindo a probabilidade e o potencial impacto dos riscos específicos;

d) desenvolver e implementar os programas e procedimento para se dirigir aos riscos identificados; e

e) monitorar e avaliar os riscos e seus programas.

Attie (2011) diz que se deve assegurar que a estrutura de controle interno seja estabelecida e operada, cuja demonstração de suas ações seja incluída no relatório anual da entidade. A International Federation of Accountants (2001), por sua vez, trata os objetivos do controle interno nas seguintes categorias:

a) efetividade e eficiência das operações, considerando os objetivos operacionais básicos, metas no desempenho e salvaguarda de ativos;

b) confiabilidade dos relatórios financeiros; e c) conformidade com leis e regulamentos.

A administração financeira, segundo os preceitos de Slonski et al (2008), engloba a gestão do caixa diário, assim como a formulação de objetivos financeiros, políticas e estratégias de médio e longo prazo, no suporte ao plano operacional da organização.

Segundo a International Federation of Accountants (2001), os programas de treinamento de pessoal promovem a formação adequada do pessoal, além de contribuir para a formação de uma força de trabalho mais competente.

Além da International Federation of Accountants (2001) entender que a boa governança no serviço público permite: prover aos cidadãos dados e informações de qualidade (confiáveis, tempestivas, relevantes e compreensíveis); utilizar-se de controles internos para manter os riscos em níveis adequados e aceitáveis; avaliar o desempenho e a conformidade da organização e da liderança, mantendo um balanceamento adequado entre eles; garantir que a organização seja, e pareça, responsável para com os cidadãos entre outros aspectos importantes inerentes à promoção da boa governança.

As boas práticas sugeridas pela IFAC e pelo Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (2009a) ratificam a necessidade de um ambiente de controle e governança apropriados tanto no setor público como no setor privado, a fim de se obter melhores resultados na gestão. Assim, dando continuidade a esta pesquisa, a seção seguinte aborda aspectos metodológicos da pesquisa, assim como àqueles relacionados às Fundações de apoio às universidades brasileiras.

Benzer Belgeler