2.1. Türkiye Cumhuriyetinin Kuruluşuyla Oluşan Yeni Sanat ve Sanatçıların
2.1.1. Batı Anlayışına Dönük Türk Resim Sanatının Oluşumundan, Çağdaş
2.1.1.3 Devletin Kültür Sanat Politikaları
Neste tópico, temos a intenção de, a partir do entendimento do termo “reforma pontual”, utilizado por Valdemar Sguissardi, expor para o leitor como definimos o termo “reforma pontual no currículo”.
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A autora indica, em nota de rodapé, que “para o entendimento da concepção de campo do currículo, ver Lopes e Macedo (2002) e Macedo et al (2004)” (LOPES, 2006, p. 620).
O termo “reformas pontuais” é utilizado por Sguissardi (2006) em seu trabalho intitulado
Reforma Universitária no Brasil – 1995-2006: precária trajetória e incerto futuro. Nesse
artigo, o autor percorre os caminhos da reforma universitária em nosso país durante os anos de 1995 a 2006, apresentando o contexto macroeconômico e político em que se tem processado a reforma da educação superior no país, durante esse período específico, orientado, segundo ele, por teses de organismos (financeiros) multilaterais (SGUISSARDI, 2006).
Parece-nos que, para Sguissardi (2006), as “reformas pontuais” se diferenciam das “reformas” propriamente ditas, pela sua origem e também pela dimensão da alteração naquilo que se quer reformar. Enquanto as últimas promovem alterações mais amplas, as primeiras são alterações em pontos específicos e menores. Contudo, é preciso enfatizar ainda a possibilidade dessas “reformas pontuais” em se configurarem, nos termos do autor, “em uma reforma significativa”. Para Sguissardi (2006), as alterações propostas pelas “reformas pontuais”, combinadas em prazos médios ou longos, podem tomar uma dimensão tão significativa a ponto de se configurarem como as alterações de uma reforma (SGUISSARDI, 2009).
Como exemplo de reformas da educação superior nos últimos anos, em nosso país, Sguissardi (2006) destacava a Lei da Reforma Universitária, Lei 5.540/68, a LDB de 1996, que apesar de não se concentrar somente na educação superior, nos termos do autor, “configura, cria parâmetros para uma reforma da educação ou do ‘sistema’ educacional, pós Constituição de 1988” (SGUISSARDI, 2009). Sguissardi (2006) destaca ainda um anteprojeto de lei de reforma da educação superior, que está tramitando no Congresso Nacional, depois de ter sido debatido durante dois anos aproximadamente junto à sociedade civil e ter passado por quatro versões sucessivas (SGUISSARDI, 2009).
Como exemplo de “reformas pontuais” no contexto da educação brasileira, o autor faz referência à redução do investimento em educação superior, que marcou o período do governo do presidente Fernando Henrique Cardoso, o que, segundo ele, teve o potencial de promover “reformas pontuais” no país (SGUISSARDI, 2006). De acordo com o autor, esse governo:
[...] reduziu em 40% o financiamento da educação superior federal e criou todas as facilidades para aprovação de universidades, centros universitários faculdades
privadas e privado/mercantis. Isto configurou, somado a outros mecanismos ou medidas concomitantes, uma reforma de grandes dimensões independentemente de aprovação de uma lei de reforma (SGUISSARDI, 2009).
Sobre o mesmo assunto, Sguissardi (2009) destacou outros pontos dessas “reformas pontuais”:
Dizer que o maior ou menor financiamento da educação superior pelo governo federal faz parte das reformas pontuais é dizer que, embora isto não esteja claramente definido pela Lei maior, o simples fato de no Orçamento da União a cada ano se aprovarem valores para financiamento das IFES em percentuais menores do PIB do que nos anos anteriores implicará numa mudança quantitativa e qualitativa do “serviço” oferecido. Currículos precisam ser mudados, salários são congelados, aumenta a relação professor/aluno, isto é, o trabalho docente é intensificado e precarizado, enfim, ocorrem mudanças na estrutura, no funcionamento e na qualidade do “subsistema” que podem ser vistas como reformas pontuais e que acabam por adquirir grande importância e se parecerem a reformas mais amplas provocadas diretamente por legislação específica (SGUISSARDI, 2009).
Dessa maneira, para Sguissardi (2009), as “reformas pontuais” “não correspondem ao todo da reforma mais ampla, correspondem a aspectos menores previstos ou não pela lei maior da
reforma, mas que interessa a um determinado governo federal, estadual ou municipal
implementar” (SGUISSARDI, 2009, grifos nossos).
Por outro lado, o autor reconhece o fato de as reformas serem comumente traduzidas enquanto propostas de alteração de larga dimensão, ocasionadas em virtude da promulgação de uma lei específica, ou seja, para o autor, “normalmente se fala de reforma provocada ou oficializada por uma Lei” (SGUISSARDI, 2009).
Tendo em vista tais esclarecimentos, por fim, parece-nos que, para Sguissardi (2006, 2009), as “reformas pontuais” tratam de alterações específicas que podem manter relações com a aprovação de uma lei de reforma, mas não necessariamente. Dessa maneira, por um lado, as “reformas pontuais” podem surgir a partir de exigências menores, específicas, no interior da própria lei de reforma, as quais, em alguns casos, podem não estar muito claras no próprio texto da reforma, mas que, de qualquer modo, não se traduziriam diretamente nas principais propostas da reforma. Estas, por sua vez, podem mobilizar outros aparatos legais ou, até mesmo, outras ações que não se configurem enquanto alterações na estrutura jurídico-legal. Por outro lado, tais ações e outros aparatos legais mobilizados poderiam ser acionados a partir de exigências que, até mesmo, não estão no interior da própria lei de reforma. Além do mais,
independentemente da origem, as “reformas pontuais” têm a ver, a princípio, com alterações em pontos específicos, mas que podem ser somados e, em um prazo maior, promoverem alterações significativas.
Percebemos que é possível encontrar semelhanças entre o que Sguissardi (2006, 2009) denomina de “reforma pontual” e uma dimensão das práticas de reforma que Popkewitz (1997) relata:
As práticas de reforma não são somente as práticas imediatamente disponíveis para a inspeção, mas uma composição que transcende as linhas das pessoas em particular e dos eventos, enquanto eles interagem ao longo do tempo (POPKEWITZ, 1997, p. 235).
Dessa maneira, a redução do financiamento em educação no governo FHC (Fernando Henrique Cardoso), que Sguissardi (2006, 2009) considerou como “reformas pontuais”, de acordo com Popkewitz (1997), pode ser entendida como prática de reforma, adotada por esse governo, que contribuiu para que a reforma educacional se processasse de acordo com as intenções desse governo.
Nossos esforços para descrever como Sguissardi (2006, 2009) entende as reformas e as “reformas pontuais” nos levaram a um processo de sistematização cujo propósito maior era a didaticidade. Não queremos, entretanto, que os termos sejam interpretados como se as reformas e as “reformas pontuais” fossem algo diferenciado em sua essência, ou seja, o que é e o que não é independentemente do contexto. Muito pelo contrário, acreditamos que os termos precisam ser contextualizados e interpretados de acordo com uma realidade específica, pois concordamos com o próprio Sguissardi (2006, 2009) quando esse chama atenção para a questão na qual “não existe uma separação nítida entre esses dois termos ou expressões por si mesmo. É na caracterização dos fatos que se pode perceber as semelhanças e diferenças entre eles” (SGUISSARDI, 2009).
2.2.6.1 “Reformas curriculares pontuais” ou “reforma pontual no currículo”
Acreditamos que a expressão “reforma pontual”, de acordo com as explicações anteriores de Sguissardi (2006), possa também ser incorporada para as reformas que focam o currículo.
Inspirados no trabalho de Sguissardi (2006), porém com as devidas ressalvas em função das evidentes diferenças de contexto, acreditamos que seja possível cunhar o termo “reforma pontual no currículo”. Nesta parte do trabalho, concentraremo-nos na definição desse termo, juntamente com a tentativa de esclarecimento do nosso objeto de pesquisa.
Acreditamos que seja válido analisarmos as reformas no currículo e as “reformas pontuais no currículo”, levando-se em conta também duas questões: a dimensão da alteração proposta por cada uma e os motivos que as desencadearam. Vejamos como isso acontece.
Em primeiro lugar, quanto à dimensão da alteração, enquanto as reformas no currículo se propusessem a alterações em dimensões maiores e mais profundas, as “reformas pontuais no currículo” se concentrariam em alterações em pontos específicos e menores – a princípio, menos relevantes. Como exemplo disso, pensamos no nosso objeto de estudo, o currículo do curso de Ciências Biológicas da Universidade Federal de Alfenas (UNIFAL-MG). As alterações, como, por exemplo: “alteração de carga horária”, “alteração de ementa”, “inclusão ou exclusão de disciplinas na matriz curricular”, “aumento do número de vagas”, “remanejo entre professores responsáveis pelas disciplinas”, “investimentos em determinadas áreas e sujeitos (construção de laboratórios, contratação de professores, etc...)”, entre outras, consideraríamos como “reformas pontuais no currículo”. Estas, por se concentrarem em pontos específicos, não chegariam ao ponto de promover, isoladamente, em um curto prazo, a elaboração de um novo currículo. Todavia, assim como as “reformas pontuais”, as “reformas pontuais no currículo” têm a potencialidade de, quando somadas, em um prazo maior, desencadearem uma reforma no currículo.
Já a reforma no currículo é preciso ser entendida de outra maneira. Em virtude da alteração ou das alterações30, propostas por essa reforma, serem maiores e/ou mais profundas, entendemos que ela, a reforma no currículo, necessariamente deveria promover a elaboração de outro currículo. Nesse sentido, consideraríamos como “reforma no currículo” os momentos nos quais um novo currículo fosse elaborado. Sobre essa questão, entraremos em detalhes mais à frente, em um tópico específico.
30 Dizemos “alteração ou alterações” por entender que a reforma no currículo, que promove a elaboração de um
novo currículo, pode promover mudanças em diversas instâncias do currículo, assim como em um ponto único, mas tão fulcral que a medida tomada deve necessariamente ser a elaboração de um novo currículo.
Em segundo lugar, quanto aos motivos que as desencadearam, é possível entender no trabalho de Sguissardi (2006), algo que parece refletir um entendimento geral no qual, reforma se relaciona a uma promulgação de uma lei específica de reforma. Para um significativo número de pessoas, parece que reforma deve ser entendida como aquilo que é ocasionado em virtude de uma alteração na estrutura jurídico-legal do país. Nesse sentido, são até contabilizados e estudados os momentos de reforma no país, levando-se em conta o conjunto de legislações de reforma promulgadas, como mostram, por exemplo, os dados que Sofia Viera (2008) nos trouxe anteriormente, nos quais a autora registrou vinte e duas iniciativas, sendo sete constituições e quinze leis de educação, que compuseram o histórico da política educacional no país de 1827 a 200631. No entanto, para o caso do currículo, acreditamos que as reformas no currículo não necessariamente precisam ser consideradas como somente aquilo que é fruto de uma alteração na estrutura jurídico-legal do país.
Estamos cientes de que existem leis que promovem reformas na educação de uma maneira geral e incluem em seu corpo também uma reforma no currículo, assim como há aquelas que se detêm especificamente na reforma no currículo. No período histórico que compreende o final da década de 1990 até os dias atuais e que, por sua vez, compõe o cenário educacional no qual nosso estudo é desenvolvido, podemos listar a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional de 1996 e as Diretrizes Curriculares Nacionais dos Cursos de Formação de Professores de 2002 como as principais legislações responsáveis por desencadearam reformas nos cursos de graduação que formam professores para as séries finais do ensino fundamental e para o ensino médio 32. Desse modo, enquanto a primeira se refere a uma lei que engloba a educação de um modo geral, a segunda, por sua vez, se concentra nos currículos, como traz em seu título, dos cursos de formação de professores da Educação Básica, em nível superior, curso de licenciatura e de graduação plena.
Sendo assim, consideramos que, em relação à origem, ou seja, aos motivos que desencadearam as reformas e as “reformas pontuais no currículo”, estas não podem ser diferenciadas seguindo a mesma lógica que parece diferenciar as reformas e as “reformas
31 Para uma consulta rápida a cada uma dessas legislações de reforma promulgada no Brasil nesse período,
sugerimos consultar o ementário que Sofia Vieira (2008, p. 169-175) traz em anexo. Para maiores detalhes, sugerimos a leitura da obra por completo: Desejos de Reforma: legislação educacional no Brasil Império e
República.
pontuais” na educação como um todo, pois, enquanto as primeiras têm origem em uma alteração na estrutura jurídico-legal, as últimas não necessariamente atendem a essa exigência.
Consideramos que é possível haver reforma em um currículo de uma instituição sem que haja alguma alteração na estrutura jurídico-legal do país. Entendendo reforma no currículo como um momento de elaboração de novos currículos, acreditamos, assim, que há circunstâncias que levam a elaborações de novos currículos que não necessariamente sejam em virtude de uma adequação a imposições de legislações, quer seja de uma maneira específica de reforma ou quaisquer outras.