TÜRKİYE LİMANLARINDA ÖZERK YAPININ OLUŞTURULABİLMESİ KOŞULLARININ ANALİZİ
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8. Devletin baskı ve müdahalelerinin
Apesar de a avaliação da escrita não constituir por si só um dos objetivos deste trabalho, ela foi necessária para analisar a relação existente entre as diferentes hipóteses de escrita dos participantes e os resultados da avaliação da consciência fonológica, referente ao quarto objetivo. Devido ao fato de existir um número muito reduzido de estudos que avaliam o aprendizado da escrita de crianças com síndrome de Down conforme a teoria proposta por Ferreiro & Teberosky (1999), decidiu-se por apresentar os dados da avaliação da escrita como um dos resultados desta pesquisa. Dados dessa avaliação mostram que crianças com síndrome de Down podem passar pelos mesmos estágios observados em crianças com desenvolvimento típico durante o aprendizado da escrita.
Após a análise dos dados, as crianças foram divididas em grupos levando-se em consideração suas hipóteses de escrita (FERREIRO & TEBEROSKY, 1999). Seis crianças (54,5%) constituíram o grupo dos sujeitos com hipótese de escrita pré- silábica. Quatro participantes (36,4 %) formaram o grupo das crianças com hipótese de escrita alfabética. Somente uma criança (9,1%) apresentou hipótese de escrita silábica e nenhuma escreveu com base na hipótese de escrita silábico-alfabética. Esses dados constituíram a caracterização da amostra de acordo com as hipóteses de escrita e estão organizados na tabela 5. Nessa tabela também aparecem os valores médios referentes à idade cronológica e ao tempo de letramento escolar dos participantes nas diferentes hipóteses de escrita. Ressalta-se que o tempo de letramento escolar refere-se, neste estudo, aos meses letivos de contato com o ensino da língua escrita no ambiente escolar.
Tabela 5 – Caracterização da amostra de acordo com as hipóteses de escrita Hipótese de escrita n (%) n=11 escolar (meses letivos) Tempo de letramento
Média ± DP Idade cronológica (anos) Média ± DP Pré-silábica 6 (54,5) 27 ± 13,5 8,47 ± 1,42 Silábica 1 (9,1) 52 ± 0,0 10,0 ± 0,0 Silábico-alfabética 0 (0,0) - - Alfabética 4 (36,4) 66,0 ± 27,7 11,8 ± 2,25 DP: Desvio Padrão Fonte: O autor (2008)
O único sujeito com hipótese de escrita silábica estava freqüentando classe especial e foi também o único com síndrome de Down do tipo mosaicismo. Essa criança utilizou a hipótese de escrita silábica para escrever a maioria das palavras solicitadas. Como mencionado na seção 2.6, esse sujeito foi excluído das análises que levaram em consideração as hipóteses de escrita das crianças por não poder formar, sozinho, um grupo para fins de comparação. Assim, para as análises que consideraram os indivíduos de acordo com suas hipóteses de escrita, é possível dizer que os participantes formaram dois grandes grupos: o grupo das crianças pré- silábicas e o grupo dos sujeitos alfabéticos.
Dentre as crianças com hipótese de escrita pré-silábica, duas encontravam- se, no momento da coleta dos dados, em classe especial. Uma havia concluído o Jardim B em escola regular e três estavam iniciando o primeiro ano do ensino fundamental com currículo de nove anos. Dentre as crianças do grupo alfabético, duas estavam inseridas no currículo de 8 anos, uma na segunda série e a outra na terceira série do ensino fundamental. Somente uma criança com hipótese de escrita alfabética estava freqüentando o terceiro ano do currículo de 9 anos.
Pode-se observar, ainda na tabela 5, que o tempo médio de letramento escolar dos sujeitos pré-silábicos é bastante inferior ao tempo médio dos sujeitos com hipótese de escrita alfabética. Em análise realizada, encontrou-se diferença estatisticamente significativa (t=-3,015; gl=8; p=0,016) entre o tempo de letramento escolar dos dois grupos. Esse achado sugere que o tempo de letramento escolar é um fator importante para a alfabetização de crianças com síndrome de Down em um sistema alfabético.
De acordo com os dados obtidos por meio do questionário aplicado ao fonoaudiólogo(a) ou professor(a) da criança (apêndice 3), nenhum dos indivíduos do
grupo pré-silábico era capaz de ler ou escrever palavras, além do próprio nome. Entretanto, duas dessas crianças eram capazes de identificar e nomear todas as letras do alfabeto; as outras quatro somente reconheciam e nomeavam algumas letras.
Todas as crianças do grupo alfabético, de acordo com seu(sua) fonoaudiólogo(a) ou professor(a), eram capazes de ler e escrever palavras alfabeticamente, duas delas escreviam frases e somente uma era capaz de escrever pequenos parágrafos sobre um determinado assunto. Dois sujeitos do grupo com hipótese de escrita alfabética mostraram habilidade de escrita ortográfica ao escrever corretamente a palavra “esqueleto”. As outras duas crianças desse grupo escreveram “esqeleto”, demonstrando habilidades de escrita em nível alfabético.
Ressalta-se que não foram coletados dados de maneira formal sobre os métodos de alfabetização utilizados com as crianças deste estudo. Entretanto, em conversas com os professores, foi observado que o método fônico, comumente utilizado na alfabetização de crianças com dificuldades mais severas de aprendizagem (CARDOSO-MARTINS & FRITH, 1999), não estava sendo aplicado com nenhuma das crianças da amostra. Contudo, independente do método, todos os professores mostraram ter uma preocupação em ensinar as crianças com síndrome de Down através de atividades lúdicas que envolviam explicitação do princípio alfabético, fazendo com que elas prestassem atenção em unidades fonológicas, como a sílaba e o fonema.
Observou-se, ainda, a partir de dados coletados através do questionário aplicado ao fonoaudiólogo(a) ou professor(a), que a maioria dos sujeitos da pesquisa apresentava linguagem expressiva que ia além da situação imediata, fazendo referência a eventos mais distantes no tempo, ou seja, eram capazes de evocar situações passadas e antecipar eventos futuros (ZORZI & HAGE, 2004). Crianças que conseguem desvincular-se da situação imediata e concreta podem encontrar menos dificuldades na resolução de tarefas de consciência fonológica, as quais exigem reflexões sobre os segmentos sonoros das palavras faladas. Nove das onze crianças da amostra eram capazes de emitir enunciados com três ou mais palavras.
Em relação ao item sobre a compreensão verbal de ordens (ZORZI & HAGE, 2004), ressalta-se que, de acordo com o(a) fonoaudiólogo(a) ou professor(a), três crianças do nível pré-silábico não eram capazes de compreender e executar ordens
com três ou mais ações, solicitações ou comentários. A dificuldade na compreensão de ordens com mais de uma solicitação pode influenciar o desempenho da criança em algumas tarefas de consciência fonológica que exigem maior demanda cognitiva, como as tarefas de identificação de sílaba medial e as de exclusão e transposição, tanto do nível silábico quanto fonêmico.
No que se refere à estimulação em consciência fonológica, também abordada no questionário direcionado ao fonoaudiólogo(a) ou professor(a) da criança, constatou-se que três crianças do grupo pré-silábico e quatro do grupo alfabético já haviam recebido alguma estimulação em consciência fonológica no ambiente escolar ou clínico. Todavia, ressalta-se que nenhum sujeito deste estudo recebeu treinamento sistemático em consciência fonológica.