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DERS PROGRAMI 1.HAFTA (00.00.2020-00.00.2020)

1.2.2.1. No mundo

A crise da economia (ou do fordismo) ocorreu especialmente por dois fatores: no nível nacional, o entendimento de que cada país é um planeta isolado e, no nível internacional, a crescente interpenetração das economias nacionais. As promessas fordistas de desenvolvimento produziram, na verdade, uma polarização cada vez mais forte entre países ricos e pobres, assim como no interior dos países, esse modelo acentuou a dualidade, mesmo nas sociedades consideradas desenvolvidas. Até nos Estados Unidos, símbolo de sucesso da aplicação do modelo fordista, podem-se relatar as seguintes consequências sociais: perda de salário real crescente após a década de 1970; aumento significativo das desigualdades sociais; declínio das coberturas sociais; aumento do endividamento das famílias; e aumento da pobreza, da violência e da criminalidade. Nos países do Sul, as consequências sociais, pela adoção do fordismo, foram ainda piores.

É possível constatar, considerando as consequências da aplicação do modelo de desenvolvimento fordista, que o crescimento econômico não pode ser o único motor do desenvolvimento, por excluir grande parte da população do seu progresso e por propagar um estilo de vida que poderia levar ao colapso toda a civilização.

Os principais pilares que sustentavam o Ocidente ficaram abalados: o consumo, a abundância, a mobilidade social baseada no trabalho e a própria noção de emprego. O mundo começou a sentir os impactos de uma recessão econômica que atingiria seu ápice nas décadas posteriores, colocando em questionamento as medidas de proteção ao trabalhador, as modalidades de distribuição de lucro e renda e os benefícios sociais.

Com as exigências crescentes da construção europeia e da mundialização do comércio, os Estados-nações reconheceram-se incapazes de continuar a desenvolver o papel de piloto da economia a serviço da manutenção do equilíbrio social e passaram a liderança para as grandes empresas.

O papel do Estado no fordismo foi o de promover políticas keynesianas financiadas com recursos vindos, em grande parte, das indústrias fordistas, e que representaram prosperidade econômica sem precedentes (Era de Ouro) e estabilidade social à maior parte das economias de mercado, durante quase três décadas após a Segunda Guerra Mundial. Com a crise de 1973-1975, as políticas keynesianas, que tinham se mostrado inflacionárias à medida que as despesas públicas cresciam e a capacidade fiscal estagnava, apresentaram problemas para o Estado do bem-estar social e para o salário.

Os Estados de bem-estar social, welfare states, passaram a não mais ser garantia de sobrevivência com padrões de dignidade, pois também estavam em crise por terem sido atingidos pelo desemprego. Sabe-se que quando as arrecadações, mediante contribuições, são reduzidas, esvaziam-se os cofres da previdência social e os Estados são obrigados a elevar os impostos, desaquecendo a economia, o que dificulta a conquista dos mercados nacionais e internacionais, configurando-se num verdadeiro círculo vicioso.

A crise econômica mundial prolongou-se com o surgimento de novos padrões de concorrência, em virtude da multinacionalização do capital e da recuperação da economia japonesa, elevada a potência mundial.

Surgia uma economia marcada pela transnacionalidade, ou seja, uma economia mundial, sem base ou fronteiras determináveis, observável por três aspectos: empresas transnacionais (multinacionais), a nova divisão internacional do trabalho, já mencionada neste

texto, e o aumento do financiamento offshore15(externo). Esse último aspecto demonstrou de modo mais nítido como a economia capitalista escapava do controle nacional, ou de qualquer outro.

O surgimento das multinacionais significou desenvolvimento tecnológico e renovação dos métodos de produção. Houve concentração não somente de capital, mas também de conhecimento, de pesquisa e, consequentemente, de registro de patentes.

A competição internacional foi intensificada à medida que a Europa Ocidental e o Japão, seguidos por outros países recém-industrializados, desafiaram a hegemonia dos Estados Unidos no âmbito do fordismo, a ponto de fazer desaparecer o acordo de Bretton Woods, em 1973, e de produzir a desvalorização do dólar. Com a aguda recessão de 1973, iniciou-se um processo rápido de transição no sistema capitalista.

Harvey (1992) atribui à forte deflação de 1973 a 1975 a responsabilidade de uma profunda crise fiscal e de legitimação, cuja falência técnica da cidade de Nova Iorque é um dos exemplos. Do mesmo modo, as corporações depararam-se com uma capacidade excedente inutilizável em condições de intensificação da competição. Por essa causa, elas foram obrigadas a entrar num período de racionalização, reestruturação e intensificação do controle do trabalho. As estratégias de sobrevivência encontradas foram as mudanças tecnológicas, a automação, a busca de novas linhas de produto e nichos de mercado, a dispersão geográfica para zonas de menor controle do trabalho, as fusões e as medidas para acelerar o tempo de giro do capital.

Em virtude dos aumentos do preço do petróleo em 1974 e 1979, os governos e as empresas, a fim de impedirem o desencadeamento de uma inflação incontrolável, uniram-se para promover um processo de reestruturação do sistema capitalista.

O Consenso de Washington, que foi um conjunto de dez regras básicas, formulado conjuntamente pelo FMI, pelo Banco Mundial e pelo Departamento do Tesouro dos Estados Unidos, tornou-se a política oficial do FMI na década de 90, passando a ser seguido como uma forma de ajustamento macroeconômico dos países em desenvolvimento que enfrentavam dificuldades. O Consenso de Washington configurou-se como um meio de acelerar o

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O termo offshore surgiu a partir da década de 1960 para descrever a prática de registrar a sede legal da empresa num território fiscal generoso, em geral pequeno (como por exemplo, Curaçao, Ilhas Virgens, Liechtenstein, Panamá e Libéria), que permitia aos empresários evitar os impostos e outras restrições existentes em seu próprio país, a fim de escapar de certos controles e restrições. A prática do offshore prestava-se,

particularmente, a transações financeiras e produzia maravilhas nos balanços das empresas. A principal função dessas empresas era internalizar mercados ignorando fronteiras nacionais (HOBSBAWM, 1995).

desenvolvimento econômico nos países emergentes, orientado pelas seguintes regras: disciplina fiscal, redução dos gastos públicos, reforma tributária, juros de mercado, câmbio de mercado, abertura comercial, investimento estrangeiro direto, com eliminação de restrições, privatização das estatais, afrouxamento das leis econômicas e trabalhistas e direito à propriedade intelectual. Entre os críticos e defensores do conjunto de regras, ressaltam afirmações de que o Consenso produziu crises, como a da Argentina, e aumento das desigualdades sociais na América Latina, ficando seu crescimento muito abaixo do esperado16.

Essa reestruturação, a partir da década de 1980, foi impulsionada pela inovação tecnológica e a transformação organizacional com enfoque na flexibilidade e na adaptabilidade, moldadas pelas lógicas e interesses do capitalismo avançado. As empresas passaram a aumentar a produtividade do trabalho não somente pela melhoria dos processos, mas também pela constante inovação dos produtos e serviços oferecidos. Na década de 1990, utilizou-se da desregulamentação, privatização17 e do desmantelamento do contrato social entre capital e trabalho.

Também as barreiras alfandegárias, que eram fatores impeditivos para o desenvolvimento da economia mundial, precisavam ser definitivamente rompidas. Tornava-se necessário intensificar a internacionalização dos mercados com a redução das barreiras alfandegárias, que sempre protegeram as empresas situadas em países de tecnologia atrasada, muito sensíveis à competição internacional, a fim de conquistar outros tantos consumidores. No entanto, o capitalismo defrontou-se com mais uma de suas contradições, pois, se por um lado era positiva a redução das barreiras alfandegárias, porque favorecia a ampliação da importação, por outro, ela tomava o lugar da produção nacional, menos competitiva, sem que antes tivesse sido criado, no plano político-institucional, qualquer instância responsável pela defesa do interesse nacional ou pela definição de um caminho para a redivisão internacional do trabalho, garantindo uma repartição equilibrada dos benefícios e custos entre os países envolvidos na globalização.

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A referência completa está no final do texto: http://pt.wikipedia.org/wiki/Consenso_de_washington. 17

Na perspectiva de Castells (1999), desregulamentação e privatização podem ser elementos da estratégia desenvolvimentista dos Estados, mas seu impacto no crescimento econômico dependerá do conteúdo verdadeiro dessas medidas e de sua conexão com estratégias de intervenção positiva como, por exemplo, políticas tecnológicas e educacionais que aumentem os recursos e talentos do país no âmbito da produção informacional.

A intensificação do sistema de incubação no mundo, como se verá mais adiante, deu- se, justamente, entre as décadas de 1970 e 1980, momento em que os países viram-se na obrigação de alavancar o processo de industrialização de regiões pouco desenvolvidas ou em fase de declínio.

1.2.2.2. No Brasil

O fordismo brasileiro foi incompleto, pois o processo de modernização ocorreu sem o desenvolvimento econômico, científico e tecnológico. O desenvolvimento permitiu, de um lado, a formação dos grandes centros urbanos, mas, de outro, contribuiu para o enfraquecimento cumulativo das regiões periféricas, fortalecendo as diferenças regionais. Enfraqueceu as regiões empobrecidas, tanto no que se refere à dimensão econômica, quanto às dimensões social, cultural, política e ambiental.

O Brasil foi alcançado pelas profundas transformações econômicas de forma desfavorável, pois a acumulação de capitais das economias avançadas, os investimentos feitos pelos países desenvolvidos, a constituição de blocos econômicos e a forma como os países articularam-se internamente para enfrentar o novo paradigma chocaram-se com os graves problemas internos brasileiros, configurados nas décadas de 1960 e 1970.

O golpe militar de 1964, que interrompeu o processo político democrático, foi o principal responsável pelo fim dos Anos de Ouro no Brasil. Posteriormente, na década perdida (referência à estagnação econômica vivida pela América Latina durante a década de 1980), verificou-se uma forte retração da produção industrial e um menor crescimento da economia como um todo. Para a maioria dos países, a década de 1980 foi sinônimo de crises econômicas, volatilidade de mercados, problemas de solvência externa e baixo crescimento do PIB. No Brasil, a década de 1980 significou o final do ciclo de expansão vivido nos anos de 1970 (milagre econômico), ou seja, grande desemprego, estagnação da economia e índices de inflação extremamente elevados, com redução do poder de consumo da população, invevitavelmente.

A década de 1990 também foi considerada perdida, devido à recessão econômica provocada não só pelas crises internacionais (México, Rússia e Ásia), mas, sobretudo, no Brasil, pelo Plano Real, fundamentado na política de juros altos para atrair capitais financeiros e conter a inflação, na cobrança de impostos em cascata – que inviabilizava as exportações – e na abertura dos mercados brasileiros aos produtos estrangeiros altamente competitivos. O

Brasil e outros países da América Latina passaram a viver uma nova fase de industrialização determinada pela globalização da economia, que se configurou em novas formas de dependência vividas pelos países tecnologicamente atrasados, explica Lazzareschi (2008).

Diferentemente, dos Estados Unidos e da Europa, por exemplo, somente a partir da década de 1990 é que aconteceu um salto quantitativo no número de incubadoras no Brasil, momento em que o País passou a compreender que as incubadoras e parques tecnológicos são importantes instrumentos de apoio à inovação e ao desenvolvimento social.

Benzer Belgeler