• Sonuç bulunamadı

ÇOCUK SAĞLIĞI VE HASTALIKLARI STAJI AMAÇ VE ÖĞRENİM HEDEFLERİ

A mais abrangente tendência de evolução organizacional identificada por Castells (1999) foi a transição da produção em massa para a produção flexível, ou para acumulação flexível, que é a nova forma de acumulação do capital.

A crise da produção em massa e o surgimento da especialização flexível foram fundamentais para o fim do capitalismo organizado. O capitalismo desorganizado, ou nova fase do capitalismo, em diferentes países, inverteu ou modificou muitos dos aspectos do capitalismo organizado, respondendo às novas circunstâncias. Tudo o que era sólido, rígido e fixo no capitalismo organizado – classe, indústria, cidades, coletividade, nação-estado e mesmo o mundo – desmanchou-se.

Tanto a especialização flexível, quanto a administração fordista têm sido empregadas como parte de uma estratégia para aliviar os encargos das empresas e evitar ou neutralizar organizações trabalhistas fortes. Vê-se que elementos pós-fordistas, nos países desenvolvidos, coexistem ao lado do fordismo clássico e do fordismo periférico, nos países subdesenvolvidos.

A linearidade observada na Sociedade Industrial passou a ser incompatível com uma realidade em que vários acontecimentos, em lugares bem distintos, ocorrendo ao mesmo tempo, interrelacionam-se a ponto de modificar o funcionamento do mundo. Ao contrário do que dizia Taylor, hoje não existe um único caminho melhor do que todos para resolver cada problema social. A época do one best way já se foi. A Sociedade Pós-Industrial configurou-se como um modelo totalmente novo de sociedade, que se move sob o signo da conexão e da reintegração de trabalho e vida, casa e escritório, quantidade e qualidade, ética e negócio, bens e serviços.

A crise do fordismo, que gerou a transição para uma produção flexível, pode ser interpretada, até certo ponto, como o esgotamento das opções para lidar com o problema da superacumulação. Não foi mais possível resolver o problema por meio do deslocamento geográfico. Na verdade, a crise do fordismo foi tanto geográfica e geopolítica como uma crise de endividamento, luta de classes ou estagnação corporativa dos Estados-nações.

O núcleo essencial do fordismo manteve-se forte até pelo menos o ano de 1973, cuja base foi a produção em massa. Porém, depois da aguda recessão instalada a partir desta data,

teve início um processo de transição no interior do sistema de acumulação de capital, cujo principal desencadeamento foi o toyotismo.

Os novos métodos de gerenciamento e de produção foram quase todos oriundos de empresas japonesas. O toyotismo, aplicado primeiramente nas companhias automobilísticas japonesas nos anos 60, observando a experiência do ramo têxtil, dada especialmente pela necessidade de o trabalhador operar simultaneamente com várias máquinas, foi a nova fórmula de sucesso, adaptada à economia global e ao sistema produtivo flexível.

Os elementos desse novo modelo são: sistema de fornecimento kanban19 (ou just in time), no qual os estoques são eliminados ou reduzidos, consideravelmente, mediante entregas pelos fornecedores no local da produção, no exato momento da solicitação e com as características específicas para a linha de produção; produção em pequenos lotes e por tipos variados de produto, de acordo com a demanda efetiva; Círculos de Controle de Qualidade (CCQs), ou seja, total controle dos produtos durante o processo produtivo, almejando um nível zero de defeitos e melhor utilização dos recursos; envolvimento dos trabalhadores no processo produtivo, por meio do trabalho em equipe; equipamentos de produção facilmente adaptados às novas linhas de produto; iniciativa descentralizada; maior autonomia para a tomada de decisão no chão de fábrica; recompensa pelo desempenho das equipes e hierarquia administrativa horizontal, com poucos símbolos de status.

As empresas estenderam às subcontratadas e às terceirizadas a produção de elementos básicos e expandiram os métodos e procedimentos toyotistas para toda a rede de fornecedores. Para o lançamento de um novo produto passou a não mais ser necessária a aquisição de novas ferramentas, nem mesmo fazer reajustes caros e demorados. As máquinas, numericamente controladas, são consideradas universais não especializadas.

O toyotismo respondeu à necessidade de as empresas contraporem à crise financeira, aumentando a produção sem aumentar o número de trabalhadores, além de atender a um mercado interno que solicitou produtos diferenciados e pedidos pequenos, dadas as condições limitadas do pós-guerra no Japão. Entretanto, sua efetividade sempre dependeu, é claro, da ausência de grandes rupturas em todo o processo produtivo e de distribuição, ou seja, nível

19

O sistema kanban originou-se da importação das técnicas de gestão dos supermercados dos Estados Unidos e foi implantado no Japão em 1948. Por esse sistema, o ideal é produzir somente o necessário e fazê-lo no menor tempo, baseando-se no modelo dos supermercados, de reposição dos produtos somente depois da sua venda. Por meio de um cartão de sinalização, o kanban controla os fluxos de produção em uma indústria. Esse método, além de permitir um melhor controle da direção sobre os operários, serviu para elevar, continuamente, a velocidade da cadeia produtiva.

zero de defeitos nas peças, dano zero nas máquinas, demora zero e burocracia zero, além de ser imprescindível a ausência de interrupções de trabalho e o controle total sobre os trabalhadores, de fornecedores inteiramente confiáveis e de adequada previsão de mercados.

Na verdade, no modelo japonês, a flexibilidade está no processo e não no produto, ou seja, permanece o mesmo maquinário fordista, mas com gerenciamento de processo de trabalho toyotista. As características fundamentais e diferenciadoras desse modelo estão na transformação da função de trabalhadores profissionais especializados em especialistas multifuncionais e na organização do trabalho. Os trabalhadores aprendem a lidar com as emergências locais, compartilhando conhecimentos no chão de fábrica.

Para o funcionamento do toyotismo, a inovação é muito importante, sendo imprescindível a participação intensa de todos os trabalhadores e o compartilhamento dos conhecimentos tácitos. Outra exigência é a de estabilidade da força de trabalho na empresa, pois a alta rotatividade impede que o conhecimento produzido seja difundido entre os trabalhadores. A administração japonesa envolveu o trabalhador em círculos de qualidade e adotou atitudes paternalistas não só com seus próprios empregados, mas com os fornecedores regulares. Tal envolvimento suscitou o fim do trabalho repetitivo, ultrassimples, desmotivante e embrutecedor.

A produção em pequenos lotes e a subcontratação buscavam superar a rigidez do sistema fordista e atender a uma variedade bem mais ampla de necessidades do mercado. A emergência de uma demanda variada de bens, produzidos de acordo com o gosto do cliente, em pequenas quantidades, indica uma das origens mais importantes da produção pós-fordista. Outros fatores podem ser acrescentados: os grupos de consumidores de massa se fragmentaram em uma grande diversidade de grupos de consumidores, cada grupo desejando coisas diferentes, todos eles incansáveis na busca de novos padrões de consumo, novos ditames da moda, novos estilos de vida, de inovação tecnológica ininterrupta, exigindo rápido giro de pessoal e alterações imediatas na produção.

Os consumidores, na Sociedade Pós-Industrial, munidos de diversas informações, tornaram-se muito mais exigentes, fazendo com que as empresas criassem estratégias que agregassem valor aos seus produtos e serviços. Desse modo, o modelo flexível atendeu aos anseios das empresas capitalistas modernas, sempre ávidas por novas maneiras de explorar e expandir mercados, assim como dos consumidores, incansáveis na busca por produtos e serviços inovadores.

Na perspectiva de Castells (1999), a crise da grande empresa e a flexibilidade das pequenas e médias como agentes de inovação e fontes de criação de empregos constituem-se em mais uma tendência de evolução organizacional. Mais uma vez, as incubadoras de empresas de base tecnológica apresentam suas contribuições ao darem suporte ao surgimento de pequenas e médias empresas, ao desenvolvimento tecnológico e, é claro, à criação de oportunidades de trabalho qualificado.

As economias mais bem sucedidas tendem a ser aquelas em que empresas grandes ou pequenas não se consideram rivais, mas parceiras, exemplo disso são as empresas subsidiárias das montadoras de veículos. Além disso, a produção nos novos moldes (de acordo com as exigências do cliente e em curto prazo) não exige fábricas de grande porte, mas sim perícia e flexibilidade, tanto da máquina como do operador. Na Sociedade Pós-industrial, o mercado é que elabora as necessidades, os valores emergentes, a demanda latente. As empresas precisam decodificar os sinais da sociedade, transformada em mercado consumidor, para, então, produzir bens e serviços com menor risco de serem recusados.

A experiência de especialização flexível, caracterizada por conexões entre empresas, demonstra que as vantagens competitivas das economias de escala, antes desfrutadas pelas maiores empresas, agora beneficia as pequenas. A Benetton, empresa italiana produtora de roupas, e a IBM, empresa estadunidense do setor de computadores, são exemplos de empresas que se adaptaram à era da especialização flexível. A Benetton passou a se antecipar ante as tendências da moda e adaptar a produção exatamente aos estilos em mutação de diferentes subculturas e grupos etários. A IBM, ao contrário do que vinha fazendo, não define mais o produto final, mas fornece ao consumidor, juntamente com outras empresas do ramo, peças para que ele monte sistemas segundo suas próprias necessidades.

O modelo de redes multidirecionais, posto em prática por empresas de pequeno e médio porte, e o modelo de licenciamento e subcontratação de produção sob o controle de uma grande empresa constituíram-se nas novas tendências de evolução organizacional (CASTELLS, 1999).

A tendência é de que pequenas e médias empresas tomem iniciativas de estabelecer relações em redes com várias empresas grandes e/ou com outras menores e médias, encontrando nichos de mercado e empreendimentos cooperativos. As empresas captam as vantagens dos custos das diferentes localizações, a difusão de tecnologia em todo o sistema, o benefício do apoio de vários governos e a utilização de vários países como plataformas de exportação.

A interligação de empresas de grande porte, mais conhecido como alianças estratégicas, fusões ou joint ventures20, constitui-se também em um modelo organizacional explicado por Castells (1999).

Torna-se comum duas ou mais empresas somarem seus esforços para desenvolver um novo produto ou aperfeiçoar uma nova tecnologia, em geral sob o patrocínio de governos ou órgãos públicos. Nessa nova economia, as grandes empresas tendem a ser menos autônomas e autossuficientes. As parcerias não são realizadas apenas com as numerosas subcontratadas e auxiliares, mas com as parceiras relativamente iguais, ao mesmo tempo cooperando e competindo entre si. Marx, em O Capital, já havia explicado o poder centralizador das fusões e incorporações no processo de acumulação de capital.

O modelo da “produção enxuta”, outro modelo experimentado na década de 1980, combinava a economia de força de trabalho, a automação, o controle computadorizado de trabalhadores, a terceirização de trabalho e a redução da produção. Os altos cargos gerenciais ou especialistas técnicos ou administrativos foram os primeiros a serem cortados dos quadros da empresa, porque perderam sua função de controle para os sistemas informáticos de monitoramento. Tal modelo serviu de base para a criação da “empresa vazia”, que é um negócio especializado em intermediação entre financiamento, produção e vendas no mercado, com base em uma marca comercial estabelecida ou em uma imagem industrial.

Não existe um novo e melhor modelo de produção para o capitalismo pós-industrial. É fato que o modelo antigo, excessivamente rígido, associado à grande empresa vertical e ao controle oligopolista dos mercados, entrou em crise, surgindo vários modelos e sistemas organizacionais, prósperos ou não. O que pode ser afirmado da experiência desses novos modelos organizacionais, observa Castells (1999), é que as empresas tendem a se constituir em redes. O paradigma da tecnologia da informação não evolui para seu fechamento como um sistema, mas rumo à abertura como uma rede de acessos múltiplos. É forte e impositivo em sua materialidade, mas adaptável e aberto em seu desenvolvimento histórico. É abrangente, complexo e disposto em forma de rede.

Nos termos apresentados por Lazzareschi (2008), a adoção dos novos modelos organizacionais que propiciaram a reestruturação produtiva das empresas deve ser entendida, sobretudo, como resultado de uma escolha consciente, deliberada e admitida pelos sujeitos históricos (trabalhadores, empresários e governos), dentre as possibilidades existentes (além

20 Joint Venture é uma forma de aliança entre duas ou mais entidades com o fim de partilharem o risco do negócio, os investimentos, as responsabilidades e os lucros associados a determinado projeto.

da globalização da economia e a introdução de novas tecnologias de base microeletrônica), para a superação da crise econômica mundial, que se instalou a partir da segunda metade da década de 1960, impedindo a realização de seus interesses e expectativas ao paralisar o crescimento econômico. Entende-se, então, como uma estratégia de defesa dos interesses das partes envolvidas, que não teria se consolidado sem o consentimento de uma delas.

É sabido que os novos modelos de produção trouxeram sérios problemas de desestruturação do mercado de trabalho e, consequentemente, graves questões sociais. Tais problemas colocam os governos em situações de difíceis soluções no curto e médio prazo, pois, se há resistência à reestruturação produtiva, perde-se competitividade no mercado internacional, se há aceitação, submete-se de maneira passiva a um verdadeiro massacre. É posto um desafio a ser enfrentado por trabalhadores, capitalistas e governos, que essencialmente deverão envolver-se e se empenhar em negociações articuladas, bem sucedidas, a fim de evitar-se uma convulsão social e reduzir o sofrimento de boa parte da população mundial.

O sistema de incubação é uma alternativa viável para essa questão ao se considerar que ele contribui para a aproximação do conhecimento acadêmico – muitas vezes financiado com dinheiro público – com o mundo produtivo, oferecendo à sociedade soluções aos seus problemas, assim como, elevação da qualificação profissional dos envolvidos, tornando-os aptos para, de forma autônoma, encontrar saídas para obtenção de trabalho e renda. Por isso, é importante conhecer o verdadeiro potencial social, especialmente das incubadoras de empresas de base tecnológica e, a partir daí, traçar políticas de trabalho que incentivem ainda mais tal sistema.

Benzer Belgeler