BÖLÜM III GENEL BİLGİLER GENEL BİLGİLER
Fotoğraf 4.2. (a) Magnetler arasına yerleştirilmiş kavite (b) BRUKER ELEXSYS E500
4.4 Deneysel yöntemler
O Amazonas, maior estado da República Federativa do Brasil, faz fronteira com três países hispânicos: Venezuela, Colômbia e Peru. São vários quilômetros de fronteiras entre essas nações e o estado brasileiro. Sua situação de proximidade com esses países e a presença constante de hispânicos em seus municípios, pode levar-nos a propor alguns questionamentos: em se tratando de um estado limítrofe com países que falam o espanhol como língua oficial, as políticas linguísticas e educacionais amazonenses reforçam as políticas nacionais, buscando estreitar os laços com os vizinhos hispânicos? O espanhol, idioma comum entre essas nações, é privilegiado de maneira oficial no Amazonas?
Muitos indivíduos, de maneira superficial, apressada e desatenta, poderiam responder de forma afirmativa, dadas as peculiaridades do Amazonas supramencionadas.
No entanto, ao fazer uma análise mais atenta, percebi que, no que concerne especialmente à questão linguística, foco deste trabalho, existem políticas oficiais que privilegiam o ensino do Espanhol no Amazonas, mas não são tão antigas como se poderia esperar; ao contrário, foram propostas somente a partir do prestígio do idioma neolatino a nível nacional, especialmente a partir de 2005, por meio da promulgação da Lei 11.161/2005 (op. Cit.). Seguindo a determinação da legislação federal, no Amazonas foi aprovada a Resolução de nº 89/2006 (AMAZONAS, 2006), do Conselho Estadual de Educação, que tornou obrigatória a oferta do Espanhol no Ensino Médio.
No entanto, apesar de ter existido um período para a adaptação à nova determinação, constata-se ainda nos dias de hoje o descumprimento tanto da legislação estadual, quanto da federal, no que concerne à oferta do Espanhol no Ensino Médio em escolas amazonenses.
A título de exemplo, de acordo com dados fornecidos pel@s Informantes “A”, “B”, “C” e
“D”, professor@s que residem e atuam no município amazonense de Barcelos, apenas uma
das escolas que oferecem o Ensino Médio no município oferta a Língua Espanhola.
A situação de irregularidade se intensifica quando se analisa a questão dos docentes responsáveis pelo ensino dessa língua neolatina. Há poucas vagas nas escolas públicas para docentes e, em alguns casos, a presença de ‘professores’ que não possuem a formação mínima exigida pela legislação para lecionarem o idioma.
Verifica-se também a contratação arbitrária de hispânicos imigrantes das nações vizinhas, que, pelo simples fato de serem falantes nativos de espanhol, são considerados aptos para lecionarem o idioma.
Segundo @s Informantes “A”, “B” e “C”, há apenas três docentes em formação, acadêmic@s do Curso de Letras – Língua Espanhola no âmbito do Programa Nacional de Formação de P rofessores da Educação Básica – PARFOR22 em Barcelos. No entanto, somente um@ del@s, @ Informante “A”, atua como professor@ de Língua Espanhola. Além de ministrar aulas de Língua Espanhola, para completar sua carga horária, necessita ministrar outros componentes curriculares, para os quais não possui habilitação nem formação, realidade que é vivida pelos demais informantes.
Fica claro que, à exceção d@ Informante “A”, em Barcelos, @s professor@s em formação no Curso de Letras – Língua Espanhola não atuam na área, lecionando, dessa forma, componentes curriculares para os quais não possuem formação, como Artes, Educação Física, Geografia e Língua Portuguesa.
@s Informantes “A”, “B” e “C” acrescentam que, no município em questão, atualmente, não existe nenhum professor com formação adequada, habilitado para ministrar a Língua
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PARFOR– Programa emergencial que visa a induzir e fomentar a oferta da Educação Superior de forma
gratuita e com qualidade a professores em exercício na rede pública de ensino da Educação Básica, com vistas a obterem a formação exigida pela legislação brasileira, contribuindo, dessa forma, para a melhoria da Educação Básica no país (BRASIL, MEC/CAPES, 2009). Doravante: Parfor.
Espanhola, e que os professores que ministram esse componente curricular são aprovados em processo seletivo municipal e, ao serem contratados, veem-se forçados a assumirem essa disciplina, sob a ameaça de rescisão de seus contratos.
A seguir, transcrevo fragmentos23 relevantes do relato de um@ dess@s professor@s,
Informante “D”.
‘Pesquisador’: “D”, éh, você é formad@ em quê?
‘D’: Psicopegagogia.
‘Pesquisador’: Psicopedagogia. E você atua em que área aqui em Barcelos? ‘D’: Eu atuo com as séries Fundamental ((parada breve para pensar))...
‘Pesquisador’: Hum hum ((para manter o diálogo))...
‘D’: ((retomando o raciocínio)) numa escola municipal ((parada breve para respirar)) e pela manhã, numa escola estadual, com a disciplina Espanhol.
‘Pesquisador’: Hum hum ((para manter o diálogo))... e você estu... qual é seu contato
ou experiência que você tem com a língua espanhola?
‘D’: Bem pouco.
‘Pesquisador’: Você estudou Espanhol?
‘D’: ((pensativ@ e meio desconcertad@)) não.
‘Pesquisador’: Hum hum ((para manter o diálogo))...
‘D’: ((retomando o raciocínio)) fiz um curso ((pausa breve para pensar)) extremamente leve, né... mas não me aprofundei ((pausa para respirar)) no espanhol.
‘Pesquisador’: Hum hum ((para manter o diálogo))...
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Com vistas a manter o anonimato dos Informantes, seus nomes são suprimidos, substituídos por letras do alfabeto, e as vogais que indicam o gênero são substituídas por @ na grafia das palavras.
‘D’: ((retomando o raciocínio)) agora sim... ((risos desconcertados)). Tô tentando, escuto, leio, falo, escuto assim ah os CDs né... depois tento falar alto pra ver se eu estou falando a palavra certa ou não, até porque ((pausa para respirar)) quando eu tenho dúvida vou ao dicionário, e são poucos os dicionários ((pausa breve para pensar)) temos a Internet, mas ela é muito lenta e às vezes não temos acesso à Internet ((pausa para pensar)) então isso é, é a dificuldade.
Pelo relato, evidencia-se o despreparo e a dificuldade desse@ profess@r, ficando claro o desrespeito à legislação que versa sobre o ensino da Língua Espanhola.
Outro desrespeito é verificado no relato d@ Informante “B”. Segundo el@, em Barcelos, existem professores convidados pelos gestores de escolas no município a lecionarem componentes curriculares para os quais não possuem habilitação ou formação adequada, com vistas a suprir o lugar de professores titulares, os quais recebem pelos serviços, mas não atuam de fato em sala de aula, repassando o salário aos substitutos convidados.
A questão da falta de apoio e de infraestrutura também é levantada.
De acordo com @s Informantes “A”, “B”, “C” e “D”, apesar da presença de imigrantes venezuelanos, peruanos e de outras nações hispânicas, por questões políticas e econômicas, dado o fluxo de turismo de norte-americanos no município de Barcelos, as autoridades municipais e os gestores das escolas não dão importância e não reconhecem a Língua Espanhola como componente curricular relevante. Existe pouco ou nenhum material didático ou de apoio para o trabalho dos docentes, que precisam adquirir por sua própria conta livros, dicionários e outros materiais essenciais para o ensino de uma língua estrangeira. O problema de dificuldade ou de falta de conectividade, tão comum no interior do Amazonas, também é mencionado como um dos entraves vivenciados pel@s docentes.
De acordo com o relato d@s informantes “E” e “F”, professor@s também em formação no Curso de Letras – Língua Espanhola no âmbito do Parfor, residentes em Santa Izabel do Rio Negro, município localizado na região do Médio Rio Negro, entre os municípios de Barcelos e São Gabriel da Cachoeira, onde moram não há professores formados, devidamente habilitados para o ensino da Língua Espanhola. A disciplina é ministrada nas duas escolas estaduais no município por docentes formados em Filosofia, Normal Superior e Matemática. A justificativa para essa situação é a mesma informada pel@s informants que residem em Barcelos, ou seja, para completar sua carga horária ou manter seus empregos, os professores se veem obrigados a ministrarem a Língua Espanhola em Santa Izabel do Rio Negro, mesmo sem formação para tal finalidade.
Apesar dos dados informados, uma situação interessante merece destaque, ao considerar a realidade de Santa Izabel do Rio Negro. Segundo @s informantes “E” e “F”, desde 2012, a Língua Espanhola é componente curricular obrigatório nas escolas estaduais de Ensino Fundamental e Médio, haja vista a obrigatoriedade imposta pela legislação que trata da oferta do componente curricular.
Além disso, no município, os gestores das escolas estaduais oferecem apoio aos docentes, disponibilizando material didático, livros, acesso à Internet tanto aos docentes quanto aos alunos, realidade que destoa do informado sobre outros municípios amazonenses.
No que concerne à presença do espanhol no município, @s informantes “E” e “F” afirmam que os alunos possuem interesse pela língua e se dedicam aos estudos. Informam ainda que o fluxo de hispânicos é uma realidade no município, com a presença de médicos e comerciantes peruanos e colombianos que residem e atuam em Santa Izabel do Rio Negro.
Entre outras situações, destaco uma que me chamou a atenção.
De acordo com relato d@ Informante “G”, professor@ universitári@ amazonense residente no município de Humaitá/AM, o município em questão não possui professores
formados em Letras – Língua Espanhola em número suficiente para atender a demanda local, e não há na cidade Curso de Formação Superior em Letras – Língua Espanhola.
Apesar dessa situação, por determinação da Secretaria Estadual de Educação do Amazonas, todos os docentes que ministravam aulas de Língua Inglesa nas escolas de Ensino Médio no município, de um ano letivo a outro, foram obrigados a ministrarem a Língua Espanhola, mesmo sem formação adequada e específica para tal exercício, sob a justificativa de que, assim, a SEDUC estaria cumprindo a determinação das legislações estadual e federal sobre o ensino da Língua Espanhola.
Em consonância com a legislação em vigor, somente docentes habilitados em Letras – Língua Espanhola podem ministrar aulas de Espanhol no ensino regular da Educação Básica no Brasil, e, para que esses docentes pudessem se adequar às exigências legais, seria necessário, no mínimo, que se submetessem a nova formação acadêmica, com carga horária de pelo menos 800 horas, visando a habilitação em Letras – Língua Espanhola (BRASIL, MEC/CNE, 2009).
Com vistas a reforçar as legislações estadual e federal já vigentes sobre a questão e a diminuir as irregularidades no estado, estiveram em tramitação na Assembleia Legislativa do estado do Amazonas – ALEAM dois Projetos de Lei Ordinária.
O primeiro deles, Projeto de Lei Ordinária de nº 124/2011 (AMAZONAS, 2011), de autoria do Deputado Estadual amazonense Arthur Bisneto, que “[...] DISPÕE sobre a materialização das normas relativas aos direitos individuais e difusos da categoria de professores de língua espanhola do Estado do Amazonas considerando as disposições
pertinentes da Lei Federal n. 11.161/2005.”, visava a assegurar a oferta obrigatória do
Espanhol no Ensino Médio nas escolas amazonenses, e, ainda, a garantir que os docentes responsáveis pelas aulas desse idioma possuíssem a formação mínima adequada exigida pela legislação brasileira.
O segundo Projeto de Lei Ordinária, PLO de nº 285/2011 (AMAZONAS, 2011), também de autoria do Deputado Estadual amazonense Arthur Bisneto, “[...] DISPÕE sobre a opção de escolha pelo aluno no ato da matrícula optar por estudar a língua espanhola e dá outras providências.”
Ao reiterar a obrigatoriedade da oferta do idioma neolatino no Ensino Médio, como outra providência, o projeto propunha que o idioma se tornasse componente curricular juntamente com outro idioma estrangeiro moderno, o Inglês.
Além dessa disposição referente à língua anglo-saxã, o projeto propunha ainda que houvesse escolha por parte dos alunos entre essa língua e o Espanhol, e possibilitava que o Amazonas oferecesse o Espanhol em apenas um terço de suas escolas.
Essa proposta, vista por alguns apenas como intenção política, já pode ser encarada como política linguística, segundo a visão de Hamel (op. Cit.) sobre a influência que forças sociais não oficiais exercem sobre as políticas e o planejamento linguístico. Dessa feita, esse planejamento, a meu ver, fere o que está posto a partir de legislação maior, a federal, que determina a obrigatoriedade da oferta do Espanhol em todas as escolas de Ensino Médio no país, ficando a escolha da segunda língua a cargo da comunidade escolar.
Seria essa proposta uma clara predisposição à valorização da língua franca de maior peso no cenário internacional atual, o Inglês? E/Ou uma tendência contrária às políticas nacionais oficiais, uma postura de estreitamento de laços com os países anglo-falantes, em especial, com os Estados Unidos da América? Essas são questões que suscitam uma análise posterior mais detalhada e atenta, não cabendo no momento, neste trabalho.
Com o transcorrer do tempo, o primeiro Projeto de Lei Ordiná ria, de número 124/2011 (op. Cit.), foi aprovado, transformando-se na Lei de nº 152/13 (AMAZONAS, 2013), de 21 de maio de 2013, que ratifica e complementa a legislação federal em vigência, conforme texto original, apresentado a seguir:
Art. 1º - Fica assegurada a oferta obrigatória da disciplina referente à língua espanhola, nas redes pública e privada do ensino médio, no ato da matrícula dos alunos.
Parágrafo único. Considera-se oferta obrigatória aquela que se registra mediante manifestação descrita, impressa ou digitada do próprio aluno ou de seu responsável. Art. 2º - O exercício da atividade de professor de ensino de língua espanhola, no Estado do Amazonas, nas redes pública e privada, é direito exclusivo dos professores formados em curso superior de Letras-Língua Espanhola com licenciatura plena.
Art. 3º - O descumprimento ao disposto na presente lei constitui improbidade administrativa nos termos do artigo 11, I, da Lei Federal n. 8.429/1992.
Art. 4º - Esta lei entrará em vigor na data de sua publicação, revogando-se as disposições em contrário.
O segundo Projeto de Lei Ordinária, de número 285/2011 (op. Cit.), por sua vez, foi vetado e arquivado.
Percebe-se, assim, que, no Amazonas, desde 2006, existe de forma oficial legislação que ampare a valorização da Língua Espanhola em âmbito regional, seguindo o disposto na legislação federal. No entanto, o cumprimento dessa legislação não é verificado em todos os seus municípios.
De acordo com dados da Secretaria de Educação Básica do Ministério da Educação24, em 2006, no Amazonas, havia 299 escolas públicas de Ensino Médio, e dessas, somente 37 ofereciam a Língua Espanhola em seu currículo. Em outras palavras, pouco mais de 12% das escolas públicas amazonenses de nível médio cumpriam a legislação federal em vigor no tocante ao ensino da Língua Espanhola.
No que concerne às vagas, apesar do grande número de escolas públicas de Ensino Médio no Amazonas, a SEDUC-AM realizou apenas um concurso público, em 2011, conforme Edital 01/2010 – SEDUC-AM (AMAZONAS, BRASIL, 2011), contemplando a área de Língua Espanhola, oferecendo 92 vagas, sendo 35 para professor com carga horária de 40 horas, e 57 para professor com carga horária de 20 horas. O posicionamento político referente ao ensino da Língua Espanhola no Amazonas, apesar de existir, à época ainda se mostrava
24Cf.
tímido, com pouca intensidade, haja vista que foram oferecidas mais de 370 vagas para professores de outra Língua Estrangeira no mesmo certame, uma oferta quatro vezes maior que a destinada para a Língua Espanhola.
Recentemente, a SEDUC-AM realizou novo certame, conforme o Edital 01/2014 (AMAZONAS, BRASIL, 2014), oferecendo 92 vagas para a área de Língua Espanhola, sendo 89 para professor com carga horária de 20 horas semanais, e apenas 03 para professor com carga horária semanal de 40 horas.
Passados três anos, o posicionamento político referente ao ensino da Língua Espanhola no Amazonas continua tímido, posto que são oferecidas quase 300 vagas para professores de outra Língua Estrangeira no mesmo certame, oferta três vezes maior que a destinada para a Língua Espanhola. Além disso, o número de vagas oferecidas para docentes de 40 horas diminuiu consideravelmente, na comparação dos dois certames.
Poderíamos levantar alguns questionamentos a partir desse panorama: por que o interesse político pelo ensino da Língua Espanhola é tão tímido no Amazonas, em comparação com outra(s) Língua(s) Estrangeira(s)? O número reduzido de vagas para professores de Língua Espanhola nos Concursos administrados pela SEDUC-AM se deve à falta de professores habilitados no estado?
De acordo com dados da Associação de Professores de Espanhol do Estado do Amazonas25, atualmente, no estado, existem mais de 120 docentes devidamente formados, com licenciatura plena em Língua Espanhola, egressos dos Cursos de Letras oferecidos pelas instituições de Ensino Superior no Amazonas, e ainda mais de 40 especialistas na área em questão. Esse dado é confirmado por informações oficiais do Ministério da Educação brasileiro, que afirma existirem pelo menos 110 docentes habilitados em Letras – Língua Espanhola no Amazonas.
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Percebe-se, então, que não é por falta de docentes que a oferta da Língua Espanhola não se efetiva no Amazonas.
De acordo com expedientes exarados pela Direção da APE-AM à SEDUC do Amazonas, evidencia-se a falta de vontade política concernente ao fomento e a efetivação do ensino da Língua Espanhola no estado, e seu posicionamento político em favor de outra(s) Língua(s) Estrangeira(s), incorrendo em desvios e situações ilegais.
Destaco fragmentos de um dos documentos, que confirma o mencionado.
[...] a Gestão anterior da SEDUC/AM como que fazendo “vista grossa”, permitiu
que Diretores das Escolas do Ensino Médio da rede estadual – pelo menos e com certeza é o que ainda ocorre em várias unidades de ensino – determinassem que professores de Matemática, Português, Inglês, História, etc. ministrassem, como ainda estão ministrando, aulas de língua espanhola, visando complementar suas respectivas cargas horárias semanais.
Esse procedimento não só demonstrou o descaso para com a educação dos jovens, mas fez transparecer a inexistência de planejamento voltado para implantar uma estrutura organizacional que pudesse atender as exigências da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei 9394/95). Trata-se, ainda, de um procedimento que haverá de ser impedido, imediatamente, porque dele decorrem duas graves injustiças: (1) constrangimento para o professor, por exemplo, de Geografia que recebe ordens do Diretor da Escola para ministrar aulas de Língua Espanhola, ou seja, para o exercício de uma atividade para a qual está absolutamente despreparado; e (2) o procedimento fere, frontalmente, [...] dispositivos da lei que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional [...].
A administração anterior da Secretaria de Educação do Estado do Amazonas, ao invés de fazer ou admitir essas improvisações de uso de professores de outras áreas de conhecimento para ministrar aulas de espanhol, deveria, ao menos, convocar os candidatos da área de Letras (língua espanhola) que foram aprovados no Processo Seletivo Simplificado realizado pela própria SEDUC.
[...]
Por oportuno, em face dessa estrutura governamental da SEDUC/AM apresentar falhas, como as acima apontadas, por equívocos da administração anterior, solicitamos a interveniência de Vossa Excelência no sentido de que se faça lembrada aos diretores das escolas públicas estaduais do ensino médio a obrigatoriedade da oferta do ensino da língua espanhola (art. 1º da Lei 11.161/2005), oferta essa que desde já deve ser feita, de forma ostensiva, visando a que, no ato da matrícula, o aluno tenha oportuniade em optar por estudar a língua espanhola. Na verdade, para dar cumprimento a essa obrigatoriedade, nada pudemos ver nas unidades de ensino médio da rede estadual que demonstre essa atitude de oferta da língua espanhola de forma generalizada [...].
[...]
Verificamos que a Resolução n. 89/2006 do Conselho Estadual de Educação do Amazonas, aprovada em 29/08/2006, que vai ao encontro dos interesses legais dos professores de língua espanhola, também não foi cumprida pela gestão anterior da SEDUC que, arbitrariamente, não acatou tal Resolução.
O Artigo 4º da Resolução n. 89/2006 (que também entrou em pleno vigor em 2010) trata da comprovada habilitação do docente com Licenciatura Plena em Letras – Língua Espanhola. O parágrafo primeiro do artigo 1º da mesma resolução afirma que o currículo do Ensino médio, no prazo estabelecido neste artigo (prazo este terminado no ano de 2010), deve contemplar a obrigatoriedade de oferta de 2 (duas) línguas estrangeiras modernas, sendo uma de caráter obrigatório escolhida pela comunidade escolar e outra de carpater optativo para o aluno.
O parágrafo quinto do Artigo 1º reza que deve ser encaminhado ao Conselho Estadual de Educação, o nome e a habilitação do profissional que ministrará a disciplina.
Cabe salientar que em diversar oportunidades tentamos promover uma audiência com o secretário de educação anterior e não conseguimos. Nas oportunidades que estivemos reunidos com a ex-secretária executiva da SEDUC, não houve a atenção adequada e nossas solicitações nunca foram atendidas.
Realizamos duas solicitações formais na tentativa de implementar a disciplina da língua espanhola com eficácia. A primeira solicitação ocorreu no dia 15/03/2010 – número de protocolo 8222 e a segunda solicitação ocorreu no dia 01/07/2010 – número do protocolo 20689. Até este momento não nos foi fornecida nenhuma resposta ou convocação para reuniões.
Apenas ocorreu um concurso de provas e títulos em 2011 com a oferta de somente 23 vagas para professores de espanhol, ou seja, temos em 2012 somente 48 professores de língua espanhola no sistema educacional que estão lecionando [...] (APE-AM, 2012).
O documento em tela foi encaminhado à SEDUC/AM em 2012, dois anos após expirar o prazo final de adequação das redes de ensino e escolas sobre o que determina a legislação federal e estadual acerca da oferta e do ensino de Espanhol.
Em Relatório da área de conhecimento da Língua Espanhola no Estado do Amazonas (APE-AM, 2013), a Associação de Professores de Espanhol do Amazonas reitera o posicionamento político sobre a língua espanhola no Amazonas, fazendo denúncia ao