Manyetik alan(G)
5.4.2 Cholesteryl chloroformate tek kristalinin EPR çalışması
As relações entre os reinos de Portugal e Espanha sempre foram intensas, às vezes de aproximação, e muitas outras, turbulentas, de disputa e rivalidade. As diferenças entre as línguas portuguesa e espanhola não seriam diferentes; elas remontam às épocas de suas formações.
Enquanto a ‘última Flor do Lácio’ formava-se e se desenvolvia a partir do século XII, atingindo seu auge entre os séculos XV e XVI, a língua espanhola, formada antes, nos séculos IX e X, já possuía reconhecimento e prestígio, encontrando-se em “[...] ritmo acelerado de uniformização e padronização quando dos primeiros passos da língua portuguesa
(GUIMARÃES, 2014, p. 24).”
Apesar do significativo desenvolvimento literário da/em língua portuguesa, especialmente nos séculos XV e XVI, com produções como as de Gil Vicente32 (1465 – 1537), a influência da língua espanhola, reconhecida como língua de prestígio e cultura na Península Ibérica e na Europa de forma geral esteve presente nas produções de poetas e escritores lusos.
Essa influência gerou uma dualidade. De um lado, autores como Gil Vicente defendiam o uso do espanhol em suas obras, considerando a língua portuguesa áspera, bárbara e obscura. Do lado oposto, autores como João de Barros33 (1496 – 1570) defendiam o uso do português, por o considerarem mais próximo da língua latina, e, por esse motivo, conseguir aproximar-se mais da fé cristã que a língua espanhola (HUE, 2007).
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Gil Vicente, representante do Teatro Popular em Portugal, inspirado no exemplo do espanhol Juan del Encina (1468 – 1529). “Iniciou seu teatro a 7 de junho de 1502, ao entrar na câmara da Rainha D. Maria de Castela, que acabara de dar à luz o futuro D. João III. Declama em Espanhol o Monólogo do Vaqueiro, também chamado de
Auto da visitação. Como os impressionasse vivamente, os monarcas lhe pedem que recite de novo a peça por ocasião do Natal. Em vez de o fazer, representa outra, o Auto Pastoril Castelhano (MOISÉS, 2004, pp. 69-70).” 33 João de Barros “Nasceu por volta de 1496. Áulico de D. João III, exerceu várias e altas funções administrativas. [...] Cultivou a ficção (Crônica do Imperador Clarimundo, 1520), o pensamento filosófico (Rópica Pnefma, 1532), a gramática (Gramática da Língua Portuguesa, 1540), a historiografia (Décadas, 1552, 1553, 1563), na qual melhor realizou suas virtualidades de escritor culto e sereno. [...] concebeu uma ampla História de Portugal, que abrangia três aspectos, conquista, navegação e comércio, o primeiro dos quais se fragmentaria conforme as áreas de domínio português, ou seja, Europa, Ásia e Santa Cruz (ou Brasil) (MOISÉS,
Além de língua de prestígio cultural, o espanhol também possuía prestígio político. De acordo com Teyssier (2007, p. 43), “Entre meados do século XV e fins do século XVII o espanhol serviu como segunda língua para todos os portugueses cultos. Os casamentos de soberanos portugueses com princesas espanholas tiveram como efeito uma certa
“castelhanização” da corte.”
O prestígio da língua espanhola se acentuou com a união das coroas ibéricas, em 1580. De acordo com Reis (1866, p. 40)
O domínio hespanhol que, pesando por 60 annos sobre Portugal, e absorvendo-lhe todos os recursos de que podia dispor, lhe fez perder com os antigos brios as suas importantes conquistas da Asia, e lhe ia tambem fazendo perder o Brazil, exerceo fatal influencia na língua e litteratura portugueza, que disso muito sentirão, porque sem independência nacional não podia haver para os portuguezes liberdade de pensar e escrever.
A partir de então, a influência de literaturas de outras línguas e de culturas de outras nações europeias sobre a literatura portuguesa se intensificaria.
Bosi (1970, p. 14) afirma que
[...] Portugal, perdendo a autonomia política entre 1580 e 1640, e decaindo verticalmente nos séculos XVII e XVIII, também passou para a categoria de nação periférica no contexto europeu; e a sua literatura, depois do clímax da épica quinhentista, entrou a girar em torno de outras culturas: a Espanha do Barroco, a Itália da Arcádia, a França do Iluminismo.
Outra marca da influência espanhola sobre Portugal se deu na esfera da educação e da formação linguística.
Antes mesmo da união das coroas ibéricas, o monarca de Portugal, D. João III, em 1555, determinou a exclusividade da Companhia de Jesus, fundada pelo religioso espanhol Ignácio de Loyola34, sobre as ‘letras’ lusitanas (PINHEIRO, 1862).
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De acordo com Franco (2012), o nobre Loyola foi um veterano de guerra que se converteu ao Cristianismo após sofrer graves ferimentos na Batalha de Pamplona, em 1521, contra a França. Foi marcado por uma vida de desprezo do corpo, despojado de bens, chegando a viver de esmolas. No entanto, nunca deixou de lutar por
status intelectual, frequentando o meio universitário. Recrutou jovens e promissores estudantes para o seguirem em seu modelo radical de entrega à vida cristã, de ajuda aos desvalidos. De guerreiro político-militar, tornou-se um guerreiro-aventureiro da causa de Cristo. Seu estilo de vida, de devoção radical, e sua eficácia para conseguir seguidores renderam-lhe inimigos e críticos ferrenhos e poderosos dentro e fora da Igreja. Em 15 de agosto de
Sob o domínio espanhol, a influência se acentuou por meio da ação dos jesuítas, principalmente no que concerne às colônias portuguesas.
De acordo com Reis (op. Cit., p. 41),
Á dupla pressão que exercião sobre os espíritos o tribunal da inquisição, e a tyrannia suspeitosa dos Felippes de Hespanha, accresceo ainda outra pressão sui generis, que não foi menos fatal às lettras; quero fallar da influencia dos Jesuitas na educação da mocidade por mais de dois séculos.
A influência espanhola ultrapassava os domínios da literatura portuguesa, sendo também percebida na literatura de suas colônias.
De acordo com Carmo (1959), no período colonial, autores como José de Anchieta35 (1534
– 1597) buscavam inspiração em poetas espanhóis para suas obras.
A presença dos modelos espanhóis marcou de forma tão significativa a história de Portugal, e, por consequência, as de suas colônias, que, de acordo com Guimarães (op. Cit.), mesmo após o fim da união ibérica, dada a pressão exercida pela Inquisição, o monopólio educacional jesuíta, e as constantes tentativas espanholas para se retomar a união ibérica, Portugal só conseguiria retomar seu desenvolvimento político a partir de novas alianças internacionais, como a feita com a República Inglesa para se defender da Espanha na Guerra da Restauração36 (1640 – 1668) (TELES, 2012).
No campo linguístico, literário e, principalmente, educacional, a retomada se daria
1534, Loyola e seis de seus mais aguerridos seguidores, de maioria espanhola, conhecidos como os ‘sete conjurados’, proferiram um voto religioso na cripta de São Dionísio, em Montmartre, Paris, prometendo a Deus
recuperarem Jerusalém ao Cristianismo, convertendo os muçulmanos que ali habitavam, o que foi considerado simbolicamente como o ato fundador da Ordem Inaciana.
35 José de Anchieta “Nasceu na ilha de Tenerife, uma das Canárias, em 1534 e faleceu em Reritiba (Espírito Santo) em 1597. Veio para o Brasil ainda noviço em 1553; logo fez sentir sua ação apostólica fundando com Nóbrega um colégio em Piratininga, núcleo da cidade de São Paulo. Pelo zêlo religioso e pela sensibilidade humana, Anchieta ficou na história da colônia como exemplo de vida espiritual particularmente heróica nas condições adversas em que se exerceu. Suas Poesias em português, castelhano, tupi e latim foram transcritas e traduzidas [...]. Há um Anchieta diligente anotador dos sucessos de uma vida acidentada de apóstolo e mestre; [...] Mas é o Anchieta poeta e dramaturgo que interessa ao estudioso da incipiente literatura colonial. [...] A
linguagem de “A Santa Inês”, “Do Santíssimo Sacramento” e “Em Deus, meu Criador” molda-se na tradição medieval espanhola e portuguêsa [...] (BOSI, 1970, pp. 22, 23).”
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A Guerra da Restauração foi uma série de batalhas armadas entre Portugal e Espanha, após o golpe de estado da Restauração da Independência, que pôs fim à monarquia dualista da Dinastia Filipina, o fim da união das coroas ibéricas. Termina com a assinatura do Tratado de Lisboa, em 1668, por Afonso VI, representando Portugal, e Carlos II, pela Espanha, reconhecendo a independência portuguesa (GUERRA DA RESTAURAÇÃO, 2014).
somente a partir do século XVIII, por meio da atuação de Pombal.
O homem que teve poder bastante para acabar com as sanguinolentas crueldades exercidas em nome de um Deus de paz e clemência, abolindo mais tarde o supplicio do fogo, foi Sebastião José de Carvalho e Mello, marquez de Pombal, o grande ministro de D. José I, que começou a reinar em 1750 (REIS, op. Cit., p. 53).
As políticas pombalinas buscaram fortalecer o então recém-independente Estado Português. E, para obter sucesso, foi fundamental a valorização da língua nacional, da literatura, das tradições e dos costumes portugueses.
Foram tomadas algumas medidas, com vistas a alcançar os objetivos traçados, dentre os quais, o afastamento definitivo da influência espanhola.
Merecem destaque as reformas propostas na área educacional, com a expulsão dos jesuítas e a melhoria dos estudos na Universidade de Coimbra.
No campo literário, de acordo com Guimarães (2014, op. Cit.), buscou-se criar a tradição portuguesa, com base em um passado literário alicerçado nos clássicos greco-latinos, afastando-se da influência espanhola, sob a ideia de que a língua portuguesa seria mais pura que a espanhola, por se aproximar mais da língua latina.
Dessa forma, a partir da retomada da autonomia política, Portugal consegue construir sua independência cultural, buscando afastar-se dos padrões espanhóis, que representavam o período em que esteve sob o domínio da Dinastia Filipina, dos reis espanhóis.
No campo político, destaco a disputa entre as potências ibéricas, marcadas pelas sucessivas assinaturas de acordos.
Em 1494, por meio do Tratado de Tordesilhas, as terras do planeta a serem conquistadas foram divididas entre as duas grandes potências europeias da época, Portugal e Espanha. Aos lusos, coube a parte leste do Meridiano das Tordesilhas, e aos hispânicos, as terras do oeste, abrangendo a atual Amazônia Brasileira (ALVES, 2007).
De acordo com Heufemann-Barría (2012), no início do século XVI, o monarca espanhol, Carlos I, tornava-se Imperador do Sacro Império Romano Germânico, como Carlos V da
Alemanha, passando a governar os demais soberanos da Europa cristã.
O século XVI marcaria não apenas a hegemonia política espanhola, mas também sua expansão econômica, consolidada por meio das conquistas ultramarinas, principalmente com a aquisição dos domínios incas e aztecas. “El oro y la plata llegados de Indias sirvieron para consolidar, entre otras cosas, la moneda castellana (Ibidem, p. 30).”
No entanto, os portugueses foram penetrando cada vez mais os domínios espanhóis, tomando posse e demarcando fronteiras para a coroa portuguesa.
No que concerne à região amazônica, de acordo com Santos (2010, p. 116),
[...] em 1691, já tinham chegado às vertentes do Tapajós, ao alto Solimões e ao alto rio Negro; e em 1736, os sertanistas portugueses já tinham percorrido todo o rio Madeira, assim como o rio Branco. Portanto, já tinham invadido e conquistado quase todo o território amazônico.
As constantes incursões portuguesas e as disputas entre as coroas ibéricas pelas terras conquistadas fizeram com que novos acordos fossem firmados.
Assim, em 13 de janeiro de 1750, foi firmado o Tratado de Madri, que, no que concerne às terras americanas, reconhecia a soberania espanhola sobre a colônia de Sacramento, no sul do continente, e sobre a margem setentrional do rio Prata, enquanto que aos lusos era reconhecido o domínio sobre o território invadido a oeste do meridiano de Tordesilhas, incluindo a atual Amazônia brasileira e o estado do Mato Grosso.
No entanto, para consolidar os novos limites acordados, eram necessárias expedições de demarcação.
Dessa forma, Portugal contratou engenheiros, cartógrafos, astrônomos, matemáticos e outros profissionais, italianos e alemães, que se juntaram aos técnicos portugueses, formando
comissões chamadas de ‘partidas de limites’, sendo encaminhadas três para o sul do Brasil e
três para a Amazônia (SANTOS, op. Cit.).
No tocante à região amazônica, a comissão chegaria a Belém em 1753 e partiria, no ano seguinte, para a região em litígio com a coroa espanhola, a Amazônia ocidental, chegando,
em 1755, a Mariuá, conhecida posteriormente como Arraial do Rio Negro, onde permaneceram à espera dos espanhóis por cerca de dois anos.
Esse tempo foi crucial para a realização do levantamento geográfico da vasta região, conhecendo as potencialidades e necessidades locais, o que permitiu aos portugueses vantagem sobre os espanhóis durante as negociações para a demarcação dos limites territoriais. Além disso, os portugueses puderam propor medidas a serem adotadas pelo coroa, como a criação da Capitania de São José do Rio Negro e a fortificação na parte alta do Rio Negro e do Rio Branco.
Apesar de terem aguardado por cerca de dois anos pela chagada da comissão de demarcação espanhola, os portugueses retornaram a Lisboa antes que os espanhóis chegassem. Quando chegaram, em 1759, os portugueses responsáveis pela demarcação já não se encontravam mais na região, o que impediu novamente que o processo fosse concretizado. De acordo com Santos (Ibidem, p. 117),
Devido ao malogro, instaurou-se uma onda de reações, tanto por parte dos espanhóis, quanto pelos portugueses, aquecida por um clima de má vontade entre os demarcadores, o que concorreu par que a execução do Tratado fosse suspensa e depois anulada pelo Tratado de El Pardo37, de 12 de fevereiro de 1761.
As disputas políticas entre as potências ibéricas pelas terras na região amazônica continuaram e, em 1777, foi firmado o Tratado de Santo Idelfonso, entre Portugal e Espanha, reeditando os limites das fronteiras estabelecidos em 1750.
Para consolidar o acordo, foram organizadas quatro novas partidas de demarcação para cada lado, a fim de operarem em conjunto nos seguintes trechos: a) do rio Chuí ao rio Iguaçu, a primeira; b) do rio Iguarei ao rio Jauru, a segunda; c) do rio Jauru até o rio Japurá, a terceira; e d) do rio Japurá ao rio Branco, a quarta.
Assim, em 1780, chegaria a Barcelos a expedição portuguesa, composta exclusivamente por técnicos portugueses, ao contrário do ocorrido em 1750, quando havia estrangeiros entre
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O Tratado de El Pardo foi assinado em 1761 com o objetivo de manter a paz entre Portugal e Espanha em seus domínios em terras sulamericanas, desfazendo os acordos estabelecidos a partir do Tratado de Madri.
os técnicos contratados.
No entanto, os trabalhos na região amazônica não avançariam, posto que os ibéricos constantemente se desentendiam.
Santos (Ibidem, p. 118) afirma que entre
[...] os lusos parece que os desentendimentos ganharam uma conotação mais pessoal e patriótica, prescindindo, do que técnica ou política. Por exemplo: pelo Tratado, Tabatinga, no alto Solimões, ficaria sob o domínio espanhol, mas o tenente-coronel Teodósio Constantino Chermont se recusou a entregá-la aos demarcadores espanhóis.
A disputa pelas terras amazônicas continuaria.
Em 1796, D. Francisco Requeña y Errera apresentou ao governo espanhol um memorial intitulado Historia de las demarcaciones de limites en las Americas entre los dominios de España y Portugal, traçando um diagnóstico minucioso dos trabalhos de demarcação realizados e dos problemas encontrados.
Apresentou ainda três sugestões ao regente espanhol: 1) renegociar com os lusos; 2) usar de força militar contra os lusos para recuperar os territórios invadidos; ou 3) executar uma política de penetração e reconquista sutil e cautelosa nesses territórios, a fim de voltarem à soberania espanhola.
O governo espanhol optou pela terceira sugestão, reacendendo as hostilidades entre os ibéricos nas fronteiras amazônicas.
Considerando as informações abordadas nesse breve levantamento diacrônico, a seguir, avanço nossa expedição, enveredando pela(s) história(s) dos povos do Alto Rio Negro.
1.2.1.2 Etnias no Alto Rio Negro
Tomados e levados por uma mistura que contém toques de um espírito aventureiro, de desejo de descobrimento de novas terras, novos mundos, do dever de cumprir com missões, de cobiça, ganância e ambição pelo poder, pelas riquezas, pelas terras e pela autoridade, a partir da chegada de Cabral às terras que futuramente viriam a ser o Brasil, vários
‘conquistadores’ e ‘exploradores’ europeus, das mais diversas nações, navegaram, adentraram
e caminharam pelos rincões brasileiros.
Em se tratando da região amazônica, foco de minhas pesquisas, o principal meio de transporte eram – e ainda são – os rios; e foi justamente navegando o leito dos majestosos e imponentes rios amazônicos, que as expedições europeias, trazendo homens de diversas naturezas, sonhadores, exploradores, pesquisadores, religiosos, militares, políticos, aventureiros, e outros mais, depararam-se com os nativos.
Para contar de forma sucinta um pouco da história da região do Alto Rio Negro, devemos remontar ao século XVI, quando as primeiras notícias sobre o rio foram divulgadas.
Conforme já mencionado neste trabalho, as primeiras inlformações sobre o rio Negro foram eternizadas por meio das palavras do frade Gaspar de Carvajal, durante a expedição
comandada por Francisco de Orellana, em 1541, pelo “Rio das Amazonas”. Foram os
primeiros registros sobre o rio Negro na história da conquista da Amazônia.
O padre jesuíta espanhol Alonso de Rojas também registrou considerações sobre o rio Negro, no século XVII, ao afirmar:
A la banda del Norte está un río muy grande con legua y media de boca y las aguas tan negras, que se distinguen de otras, efecto que dio nombre al río llamándole Negro. El piloto mayor, de quien después hablaremos, que navegó dos o tres días por este río Negro, dice que según la noticia que pudo tener de algunos indios, nace este río de unas sierras vecinas al Nuevo Reyno de Granada y que en su origen se divide en dos brazos; el uno de ellos con el nombre de río Negro desagua después del largo curso en el de las Amazonas, el otro viene a desaguar en el mar del Norte a vista de la isla de la Trinidad, y piensan que este río es el famoso río Orinoco
(ROJAS, 1640).
Sobre o rio, a descrição de Massa (1965, pp. 31 a 33), quando do Jubileu de Ouro das Missões Salesianas no Amazonas, revelou dados importantes dos pontos de vista geográfico, econômico e político.
No majestoso cenário fluvial do Amazonas representa o Rio Negro, seu principal afluente, um papel preponderante e privilegiado, unindo dois grandes rios e estabelecendo a comunicação internacional interior entre seis nações. A sua bacia
hidrográfica está compreendida, de hemisfério, entre 32’54” de longitude Sul e 3º, 09’36” de latitude Norte e 16º, 32’54” e 26º, 37’42” de longitude Oeste do Rio de
Janeiro; apresenta uma conformação triangular de relevos desiguais, limitando-se ao sul, norte e oeste pelos divisores das bacias do Solimões38, Orenoco39 e Essequibo40. Denominado outrora pelos gentios, Quiari, Guriguacuru, Uruna, ou Guarinaguassana no seu curso superior, tomava na parte baixa os nomes de Uereyá ou Ueneaçu. A sua atual designação é proveniente do aspecto escuro que apresentam as suas águas turvas: sendo o rio formado de rochas, pobre em sedimentos, ostentando uma vegetação de arbustos, com árvores não muito altas, mas vestidas por densa folhagem, variando do verde escuro ao azeitona, desprende anualmente considerável quantidade de húmus.
As cabeceiras do Rio Negro estão a leste de Papunaua, afluente do Inrida, na
República da Colômbia, na latitude Norte de 2º, 06’31” e 26º, 37’54” de longitude
Oeste. Os seus primeiros lacrimais estão próximos também das fontes do Içana, um dos seus tributários mais importantes. Entre o Papupanua e o Içana há, interposta, uma estreita elevação de terra, firme em aparência, mas confinando com extensos pântanos e lagoas onde corre o Guainia, nome pelo qual é conhecido o Rio Negro, da nascente até a sua confluência com o canal natural de Casiquiari41.
Com uma profundidade inicial mínima de 4 metros, uma largura média de 300 metros e a velocidade de 6 km por hora, toma a princípio a direção geral SO-NO até a embocadura do rio Pimichim. Livre, então, da influência orográfica dos montes de
38Solimões: “O Rio Solimões é um rio que nasce no Peru e que banha o estado do Amazonas, no Brasil. Nasce no Peru e ao entrar no Brasil, no município de Tabatinga, recebe o nome de Solimões. Tem como afluentes da margem direita os rios Javari, Jutaí, Juruá e Purus na margem esquerda os rios Içá e Japurá e percorre as cidades de São Paulo de Olivença, Amaturá, Santo Antônio do Içá, Tonantins, Jutaí, Fonte Boa, Tefé, Coari, Codajás, Anamã, Anori, Manacapuru, totalizando aproximadamente 1.700 km até chegar a Manaus, onde ao encontrar o Rio Negro, recebe o nome de Rio Amazonas. Ele é importante para o Norte porque é fonte de alimento, transporte, comércio, pesquisas científicas e lazer (WIKIPEDIA).”
39Orenoco: “O rio Orinoco (ou Orenoco) é um dos principais rios da América do Sul, e tem a terceira maior bacia hidrográfica neste continente, cobrindo uma área de 880 000 km². É o principal rio da Venezuela, abrangendo quatro quintos do território do país, que percorre sinuosamente por 2 740 km. Além da Venezuela, a bacia do Orinoco abrange um quarto do território da Colômbia. A sua nascente é na serra Parima, no sul da